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Leilão A-5 negocia 201,8 MW médios ao preço médio de R$ 198,59/ MWh

Após uma disputa de quase três horas chegou ao fim o 23º leilão de energia nova A-5 que negociou um total de 201,8 MW médios de energia que viabilizou a adição de 278,71 MW em capacidade instalada e 158,14 MW médios de garantia física. Segundo informações da agência Canal Energia, o preço médio geral do certame ficou em R$ 198,59 por MWh. O volume de energia negociado corresponde a um giro financeiro de R$ 9,772 bilhões.

A única UHE na disputa, Santa Branca (PR, 62 MW) foi negociada ao preço de R$ 150/MWh. O produto por quantidade da fonte PCH viabilizou 20 projetos o maior vencedor do certame em volume de empreendimentos. O preço médio do produto quantidade ficou em R$ 175,80/MWh.

Já nos produtos por disponibilidade, a fonte biomassa negociou sete empreendimentos e 815 lotes de 0,1 MW médio contratados. Nesse produto o preço médio ficou em R$ 235,95/MWh.  E ainda foi viabilizada uma térmica a gás natural com ciclo combinado de 5,54 MW de capacidade instalada e de propriedade da Oeste Canoas na região Norte com o preço venda no teto de R$ 258/MWh. A fonte eólica não negociou projetos.

Como esperado, houve baixa demanda com apenas sete distribuidoras comprando energia. A maior foi a Celesc-D com 13,562 milhões de MWh, seguida pela Amazonas Energia com 12,575 milhões de MWh. Participaram ainda a Boa Vista Energia, Ceal, Cepisa, Copel e ELFSM.

Segundo informações da agência Reuters, o resultado de projetos contratados no leilão de energia A-5 foi o menor desde 2009, quando a economia estava impactada por uma das piores crises financeiras globais.

Com a recessão econômica e a crise política, a baixa contratação ficou na metade inferior das previsões de analistas, que esperavam demanda nula ou de no máximo 800 megawatts médios na licitação.

A expectativa quanto ao certame era baixa devido à redução de consumo de eletricidade no Brasil, registrada desde o ano passado devido a uma forte elevação das tarifas e à recessão econômica.

Fonte: SEERN Press com informações da Agência CanalEnergia e Agência Reuters

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ANEEL realiza o Leilão A-5 nesta sexta-feira (29)

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) realiza nesta sexta-feira (29) o Leilão A-5, o primeiro nessa modalidade em 2016, para contratação de energia elétrica proveniente de empreendimentos de geração a partir das fontes hidrelétrica, eólica e termelétrica a carvão, a gás natural em ciclo combinado e a biomassa, com início de suprimento em 1o de janeiro de 2021.

O leilão será realizado pela Internet, com operacionalização da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo. A energia elétrica gerada será objeto de Contrato de Comercialização de Energia em Ambiente Regulado (CCEAR), nas modalidades por disponibilidade para os empreendimentos eólicos e termelétricos, e quantidade de energia para os hidrelétricos.

O Preço Inicial do Produto Disponibilidade será de R$ 251/MWh para fonte termelétrica a biomassa e carvão; R$290 para fonte termelétrica a gás natural; e de R$ 223/MWh para eólicas, enquanto o Preço Inicial do Produto Quantidade, para empreendimentos hidrelétricos será de R$ 227/MWh. Há ainda preços de referência para a PCH Santa Barbara, e empreendimentos com outorga sem contrato, e com outorga com contrato.

Para este certame, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) habilitou 802 empreendimentos, com 693 projetos de eólicas, duas hidrelétricas, 52 pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs); 40 termelétricas a biomassa; nove termelétricas a gás natural; cinco termelétricas a carvão; e uma termelétrica a biogás.

Fonte: Setor Energético

Foto: SEERN Press

Diretor do SINDIENERGIA/CE visita sede do SEERN

O Diretor de Geração Distribuída ​do Sindicato das Empresas de Energia do Ceará – SINDIENERGIA/CE, Ricardo Correia, esteve nesta quarta-feira (20) na sede do CERNE e do SEERN (Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN) para uma visita de cortesia, onde foi recebido pelo Presidente do SEERN e do CERNE, Jean-Paul Prates.

Os dois dirigentes conversaram sobre o desenvolvimento dos setores energéticos do Ceará e do Rio Grande do Norte, e sobre as sinergias existentes entre os processos de consolidação das indústrias eólica e solar nos dois estados. Também iniciaram os entendimentos sobre uma agenda comum de questões críticas para o desenvolvimento do ambiente de investimento e operação das empresas de geração centralizada na região Nordeste Setentrional.

Segundo Jean-Paul Prates, o Ceará e o Rio Grande do Norte são “sócios” da mesma bacia de ventos que é a mais rentável do mundo, com os melhores fatores de capacidade e o contexto operacional e logístico mais atrativo. “Não há fatores políticos ou fronteiras geográficas que mudem esta realidade que a natureza nos impõe. Por isso, não podemos deixar de trabalhar em parceria e criar cada vez mais condições adequadas para que o investimento nos nossos E​stados sejam rentáveis para os investidores e, ao mesmo tempo, benéficos para as sociedades locais e o meio ambiente”, complementou.

Para Ricardo Correia, o SEERN é uma referência importante pelos resultados já apresentados para as empresas geradoras e por ter conseguido integrar os interesses de cada segmento do setor energético. “Isso mostra que tanto as empresas geradoras quanto as prestadoras de serviço e demais elementos da cadeia produtiva do setor energético podem perfeitamente conviver numa mesma entidade forte e representativa”, explicou.

O SEERN e o SINDIENERGIA/CE deverão se reencontrar em maio, para nova agenda de discussões em Fortaleza. Na oportunidade, será consolidada também a parceria com o núcleo do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) no Ceará, que deverá contar com o apoio do SINDIENERGIA/CE.

Fonte: SEERN Press

Foto: www.revistaenergia.cl

CERNE lança cadastro de terras com potencial eólico ou solar

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) lançou, nesta quinta-feira (14/04), o Cadastro de Terras com Potencial Eólico e Solar (CTPES). O serviço, disponível no portal do CERNE, destina-se aos proprietários de terras que tenham o interesse em oferecer suas propriedades para arrendamento e instalação de empreendimentos de geração de energia, seja ela por fonte eólica ou solar.

O cadastro de terras é o primeiro a ser realizado no Brasil. A ferramenta abrange áreas localizadas em qualquer parte do mundo, mas com destaque para os estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Maranhão e Bahia, regiões promissoras para produção de energia eólica e solar.

O serviço oferece ao usuário um local seguro e confiável para cadastrar a sua propriedade e ofertá-la às empresas interessadas. Já o empresário terá acesso a  um banco de dados confiável, para consulta e análise das áreas disponíveis para instalação de futuros empreendimentos de geração de energia.

O Cadastro de Terras com Potencial Eólico e Solar é uma ferramenta funcional, fácil de preencher e do tamanho certo para atender às necessidades de informações que uma empresa deseja ter e também não cansar o usuário-ofertante durante o processo de inscrição.

A plataforma será lançada oficialmente durante o 8º Fórum Nacional Eólico e o SolarInvest 2016, que começa na próxima segunda-feira (18), na Escola de Governo do RN. O serviço está disponível pelo site www.cadastresuaterra.com.br.
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Natal recebe Fórum Nacional Eólico e o SolarInvest na próxima segunda e terça

Com mais de 500 participantes inscritos e o apoio de aproximadamente 40 entidades parceiras, entre patrocinadores e apoiadores, a 8ª edição do Fórum Nacional Eólico e o SolarInvest 2016 serão realizados juntos, pela primeira vez, nos dias 18 e 19 de abril em Natal, na Escola de Governo do RN. Neste ano, os eventos prometem superar expectativas em relação às edições anteriores e pautarão o início do ano legislativo e da gestão setorial energética no País.

O Fórum Nacional Eólico e o Solarinvest reúnem, anualmente, executivos do setor eólico e solar, governos Federal e dos estados e toda cadeia produtiva para discutir os aspectos regulatórios, operacionais e de política setorial dos dois principais segmentos econômicos do Brasil na atualidade.

A dinâmica dos eventos subdivide-se em reuniões fechadas pela manhã, com a presença de autoridades políticas e públicas, investidores, e executivos setoriais, para traçar questões como licenciamentos sócio-ambientais, fontes e formas de financiamento, competitividade e atratividade regional, aspectos regulatórios que pautarão a agenda legislativa do setor nos próximos anos.

Durante a tarde, os dois eventos abrem suas portas com palestras de interesse geral, para divulgar as novidades do setor, voltados aos empreendedores, gestores públicos, acadêmicos e todos os demais interessados em energia eólica e energia solar.

Dentre as instituições com presença confirmada​,​ a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEeolica),​ Associação Brasileira de Energia Solar (ABSolar), ​IPHAN, BNB, BNDES, SEBRAE, APEX, representantes de Governos Estaduais e do Governo Federal.

As novidades para a programação deste ano ficam a cargo do workshop sobre fundamentos da energia eólica e solar, destinado a jornalistas setoriais e estudantes de comunicação interessados no tema. Também será realizada a Rodada de Negócios promovido pelo SEBRAE/RN e com a participação de empreendedores, prestadores de serviço e fornecedores.

As informações completas sobre programação, inscrições e participações podem ser encontradas no site: www.cartadosventos.com.

Foto: pensargrandeilheus.blogspot.com

Leilão de transmissão viabiliza R$ 6,9 bilhões em investimentos no Brasil

O Leilão de Transmissão Nº 13/2015, realizado nesta quarta-feira, 13 de abril, viabilizou R$ 6,9 bilhões em novos investimentos em linhas e subestações de transmissão. O montante representou 56% dos R$ 12,2 bilhões previstos pela agência. Dos 24 lotes ofertados, 14 receberam propostas. O deságio médio final do certame ficou em 2,96% em relação a Receita Anual Permitia máxima oferecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

Em geral, os lotes foram arrematados por empresas de menor porte e com pouca tradição nos leilões de transmissão da Aneel. Segundo o diretor da agência José Jurhosa, a estruturação dos lotes foi o que permitiu a entrada de novos agentes. Ele garantiu que a Aneel está atenta a esses novos players para que as obras sejam efetivamente construídas. “Estamos fazendo de tudo para nos cercar de informações sobre as empresas” , declarou.

Para ele, em contexto de crise econômica e política no país, o leilão terminou bem-sucedido. Os lotes que não tiveram interessados serão objeto de uma nova avaliação técnica pela Aneel e serão levados a licitação em julho. Jurhosa descartou qualquer elevação da RAP.

Felipe Fedalto, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios do GeoGroup, parabenizou o trabalho feito pela Aneel, pois a redução do tamanho dos projetos permitiu que a empresa participasse e arrematasse o lote X com um deságio de 11,36% sobre a RAP máxima. “A existência de lotes em menor proporção permitiu que epecistas, especialistas em linhas de transmissão e subestações como nós, participassem também como concessionário. É caminho certo a ser seguido, e certamente vão ter novas empresas médias como nós participando, trazendo competitividade ao leilão”, avaliou.

Além de gigantes como a State Grid, Alupar, Taesa e o Fundo Pátria Investimentos, venceram empresas como Zopone Engenharia e Comércio, MPE Engenharia e Serviços, WPR Participações (do grupo WTorre) e GeoGroup.

Em nota, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga disse que o resultado “foi bom”, pois demonstra que o interesse dos investidores no setor elétrico também é verificado no segmento de linhas de transmissão.

As linhas leiloadas levarão investimentos e empregos para 12 Estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. De acordo com dados da Aneel, a construção dessas linhas vai gerar quase 17 mil empregos diretos.

Para o Diretor Setorial de Engenharia e Infraestrutura Elétrica do CERNE, engenheiro Milton Pinto, apesar de ter sido um grande leilão, onde foram leiloados 6500 km de linhas de transmissão, apenas 14 dos 24 lotes foram contratados, somando um total de 3.402 Km. O Rio Grande do Norte foi felizmente contemplado pelo Lote I, com 10 km de uma linha de transmissão, situada entre as subestações de João Câmara II e João Câmara III.

Fonte: Wagner Freire – Agência CanalEnergia, com informações do CERNE Press

Foto: Geandson Oliveira

Investimentos internacionais podem beneficiar eólicas no RN

O Rio Grande do Norte apresenta as melhores condições para produção de energia eólica e poderá atrair boa parte dos R$ 7 bilhões de investimentos internacionais direcionados para o setor. Atualmente o estado é o que mais se destaca na produção de energia eólica e deve continuar na dianteira com os leilões do próximo dia 29.

Empresas dos setores de energia elétrica, petróleo e gás natural no Brasil podem ter acesso a dois fundos de incentivo do Reino Unido, com recursos de até 1,345 bilhão de libras (o equivalente a R$ 7 bilhões). Um dos fundos, o “Newton Fund”, tem 45 milhões de libras (cerca de R$ 245 milhões), com contrapartida em igual valor pelo governo brasileiro, para a capacitação de pessoas e o financiamento de pesquisas e projetos de inovação no Brasil. O outro, o “Prosperity Fund”, possui investimento global de 1,3 bilhão de libras (cerca de R$ 7 bilhões), em várias áreas, com destaque para energia. Apesar de a iniciativa ser mundial, o Brasil é um dos países prioritários e o Rio Grande do Norte desponta como preferencial na produção de energia a partir dos ventos.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Flávio Azevedo destaca que nenhum outro estado oferece as condições naturais tão favoráveis como o Rio Grande do Norte. “Essa potencialidade eólica ocorre em função diferenciada porque o estado tem velocidade e constância de vento, tem equilíbrio ideal e oferece maiores incentivos. Temos características naturais para atrair os investimentos”, destaca.

ESTRUTURA DO ESTADO PODE MELHORAR

O secretário Flávio Azevedo reconhece que a infraestrutura logística está na contramão dessas vantagens naturais. “Não temos porto adequado e em algumas situações, dependendo do investidor, escolhe-se algum estado com maior infraestrutura porque o transporte de hélices é muito complicado, inclusive para descarregar. Temos uma saída muito complicada no porto, sem raio de giro e, em algumas situações, isso prejudica o estado”, explica. Mesmo assim, ele acredita que essa deficiência não é um fator que faça o estado perder os investimentos porque em outros estados é mais distante transportar os equipamentos para as usinas.

No setor, o RN é conhecido por ter os melhores ventos para a atividade, ainda melhores do que os da Europa, segundo o coordenador de dados estatísticos do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, João Agra. “Nem 50% da capacidade eólica foi explorada. O estado possui territórios e condições naturais e foi um dos pioneiros desde 2008 quando acreditou na atividade e vem fazendo o dever de casa, abrindo para estudos e investimentos em locais mais atrativos. Aos poucos, os investimentos chegaram e isso se reflete nos dias atuais”, conta Agra.

O engenheiro revela ainda que a região mais atrativa é a do Mato Grande, onde o “ouro eólico” se encontra. “Quanto mais tiver condições de se investir, vai se pensar nessa área do estado”. Cabe ao governo do estado facilitar a chegada de investidores agindo junto aos órgãos ambientais para desburocratizar os processos de licenciamento. “Para isso, precisa que os órgãos de licenciamento tenham estrutura de trabalho ágil porque quando há muitos empreendimentos buscando as licenças a demora é maior”, relembra João Agra.

ESTADO TEM QUASE UM TERÇO DA PRODUÇÃO DO BRASIL

De acordo com informações do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, o Rio Grande do Norte tem 16 municípios com parques eólicos em operação, totalizando 97 empreendimentos e, em até cinco anos, a previsão é que mais 20 que estão em construção comecem a operar, além de outros 55 que já foram contratados.

A partir do momento em que entrarem em operação, os municípios de Jandaíra, Lagoa Nova, São Miguel do Gostoso, Caiçara do Norte, Cerro Corá, Florânia, Jardim de Angicos, Maxaranguape, São Vicente, Rio do Fogo, Guamaré e Tibau começarão a integrar a lista de contemplados com usinas eólicas em atividade.

Somente os parques cujas construções já foram iniciadas vão gerar mais 518,6 Mw, ou seja, 17,07% do que todos os que estão em construção no país irão gerar. Juntos, estes 75 novos parques terão capacidade para produzir 2 Gw, o que aponta para um investimento da ordem de R$ 20 bilhões.

Não é para menos, então, que o estado responda atualmente por quase um terço  de toda a energia eólica produzida no Brasil que é de 8.623,27 Mw em operação comercial. Isso equivale a 31% (2.671,56 MW) de toda a capacidade instalada no país, que possui 353 empreendimentos.

Dos 111 municípios com parques instalados, os dois mais influentes também estão em solo potiguar, mais precisamente nos municípios de João Câmara e Parazinho. Eles têm a maior quantidade de parques, com 22 e 21 empreendimentos, respectivamente.

NOVO LEILÃO TRAZ BOAS PERSPECTIVAS

O próximo leilão de eólicas promete manter o Rio Grande do Norte na dianteira do setor. Vai ocorrer no próximo dia 29 com 864 projetos inscritos. “O Rio Grande do Norte tem mantido nos leilões o padrão de gerar um terço dos projetos. Isso deve se repetir no próximo, dadas as condições naturais para a atividade”, destaca o diretor do Cerne e especialista em energia, Jean-Paul Prates.

Neste leilão, o Rio Grande do Norte tem 232 projetos inscritos, que equivalem a 5.599 Mw, mas não se sabe quantos destes estarão habilitados para o leilão. Antes será analisado se todas as licenças estão em dia. Quando entram na disputa, as empresas já devem ter posse da área ou acordo com os proprietários para locação. As empresas também precisam ter garantias com fornecedores e financiamentos para que o parque entre em operação no prazo de cinco anos.

“O leilão de energia tem a característica de passar segurança contratual ao investidor com um contrato de 20 anos com receita fixa. Este leilão está com uma boa oferta de projetos e permite à gente esperar competitividade razoável e atratividade boa para todo o país. Acredito que não tão cedo o Rio Grande do Norte poderá ser ultrapassado por outro estado nesta área”, avalia Jean Paul. O estado ainda vai sediar dias 18 e 19, na Escola de Governo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o Solar Invest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável no Brasil. O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país.

ENTREVISTA

Jean Paul Prates

Diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia

NOVO – O que o Rio Grande do Norte precisa fazer para se tornar atrativo para estes  fundos internacionais interessados em investir no setor eólico?

Jean-Paul Prates – Fundos internacionais, especialmente os chamados investidores institucionais, estão menos preocupados com processos políticos e crises econômicas eventuais e mais com a estabilidade legal, o respeito aos contratos e a existência de projetos com capacidade de gerar fluxo de caixa a longo prazo. Os projetos de geração de energia no Brasil apresentam todas estas características básicas. Por isso, este setor não sofreu tanto os efeitos da desaceleração econômica dos últimos três anos. Neste sentido, o RN foi beneficiado pois as construções e implantações mantiveram seu ritmo. Isso mostra que o Estado precisa priorizar a proliferação de empreendimentos da mesma natureza, na energia, no petróleo, na mineração, na agro/fruticultura, na extração de sal, na aquicultura, no turismo etc. São setores que, em sua maioria, provêm segurança até no contra-fluxo econômico. Em suma, tratar com atenção e dar total apoio a empreendimentos eólicos é, genericamente, a forma certa de continuar atraindo mais.

NOVO – O RN exerce liderança nessa área de produção de energia eólica, mas sofre forte concorrência. O que o estado precisa fazer para assegurar os investimentos que já tem e ainda receber novos?

Jean-Paul Prates – É normal que os outros estados tenham aprimorado seus ambientes para investimento também, afinal, desde 2008 o RN saiu na frente e mostrou um caminho de sucesso. Nosso estado segue sendo referência para os gestores estaduais em todo o Brasil, e por isso é importante mantermos o nosso nível de esforço para ser sempre a melhor opção para investidor. Temos que evoluir no apoio à logística de implantação dos parques, na conciliação de interesses com os Prefeitos e comunidade locais e ainda há espaço até para aprimorar determinados procedimentos de licenciamento e fiscalização ambiental. Nada grave, apenas aprimoramentos mesmo, pois o nosso Idema, por exemplo, está bem à frente de outros órgãos ambientais estaduais no que diz respeito a parques eólicos e plantas solares. Temos que estar sempre melhorando, e jamais andar para trás.

NOVO- Quais as dificuldades que o setor enfrenta no RN e como superá-las?

Jean-Paul Prates – O fato de ainda vivermos a transição de um estado historicamente importador absoluto de energia (até 2010) para um estado que exporta quase dois terços da sua geração energética em menos uma década faz com que ainda tenhamos gargalos quanto ao escoamento da geração nova. O problema de planejamento federal foi equacionado e, hoje, o Governo Federal já consegue ter elementos para projetar novas linhas de transmissão a tempo para os leilões. O que aconteceu recentemente foi diferente disso: foram registrados problemas com a incapacidade de duas empresas concessionadas que não performaram – ou seja, não conseguiram construir as linhas que lhes foram outorgadas. Isso pode acontecer. Faz parte do jogo. Foram multadas, punidas, mas o fato é que a linha não apareceu. São casos isolados, e que serão resolvidos. Mas cabe ao Estado acompanhar tudo o que acontece no setor e nos projetos sob sua territorialidade. Para ajudar, defender, colaborar como for possível para que saiam do papel e sejam bem sucedidos. Por que isso é que tornará o RN atrativo para novos investimentos no futuro.

ENTREVISTA

José Henrique Azeredo

Advogado especialista em M&A (fusões e aquisições) e assessoramento a investidores estrangeiros

NOVO – Quais vantagens o RN dispõe, além das condições naturais, para quem deseja investir em energia eólica e em outras áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A vantagem principal é que, no RN, o setor eólico é uma das principais atividades econômicas de grande porte, e, por isso, recebe um tratamento especial. É o “estado dos ventos”, reconhecidamente, e isso faz com que tenhamos estruturas governamentais específicas que priorizam estes empreendimentos, além de um histórico de processos já bem sucedidos e pessoal capacitado para tratar do assunto. Já dispomos também de uma cadeia de fornecedores locais com experiência em empreendimentos energéticos (coisa que não tínhamos até 10 anos atrás) que já começam até a “exportar” serviços para outros estados! Por fim, temos uma rede de formadores de profissionais em energia eólica e solar a partir das excelentes bases do CTGás-ER, Senai/RN, UFRN, IFRN, UnP e entidades setoriais que se associam a eles para prover capacitação de alto nível para todo o Brasil, com destaque para o RN, é claro.

NOVO – De que forma o poder público pode contribuir para que este setor se consolide ainda mais no RN, uma vez que é também gerador de emprego e renda?

José Henrique Azeredo – Como não temos grandes indústrias e grandes aglomerações urbanas, o setor eólico (como será o solar também, em breve) é importante – e tem que ser tratado como tal. Ele gera uma coisa muito importante para nós: interiorização; ou seja, a fixação e qualificação de mão-de-obra, e a capitalização de comunidades e cidades do Estado que não teriam alternativas tão positivas no curto prazo. Conciliar interesses, principalmente com as comunidades locais, arrendatários, cartórios, empreendedores locais e apaziguar alguns prefeitos mais “vorazes”, principalmente em tempos de eleição, são missões importantes para o Governo do Estado. O exagero na criatividade tributária municipal, por exemplo, tem sido crescente e pode vir a ameaçar a atratividade do Estado aos novos investimentos.

NOVO – Como consultor, qual a imagem que os investidores têm do potencial do Rio Grande do Norte na área de energia eólica e nas demais áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A melhor possível. O Estado é atrativo. Do ponto de vista das condições naturais, é notório o potencial eólico (hoje já cabalmente demonstrado) e solar, já em desenvolvimento. Em relação às condições sócio-econômicas e governamentais, tudo o que estou listando aqui são aprimoramentos. O RN não está mal na fita. Está bem. A preocupação deve ser em manter o status. E aprimorar o que for possível. Para atrair fábricas, por exemplo, há que se falar em porto. Um assunto que interessa a todos os setores econômicos do Estado. E interconexão modal (com o aeroporto de São Gonçalo, com o interior do Estado, etc). Para manter a mão-de-obra empregada, é preciso manter os ciclos de novos empreendimentos entrando. Para manter estes ciclos, evoluir sempre na desburocratização responsável e no apoio aos empreendimentos. Financiadores gostam de ver seus projetos bem acolhidos nos locais de implantação. Enfim, o RN tem tudo para continuar sendo o melhor lugar para se investir em eólica e solar no Brasil.

Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal

Milton _IFRN

CERNE participa de aula magna no IFRN

O Diretor Setorial de Engenharia e Infraestrutura Elétrica do CERNE, engenheiro Milton Pinto, foi um dos palestrantes durante a aula magna que marcou o lançamento do curso de Engenharia de Energia do Instituto Federal Tecnológico do RN. O curso é o primeiro curso de engenharia do IFRN.

A aula aconteceu ontem, no Campus Central do IFRN em Natal e contou também com a participação dos professores Ricardo Pinheiro (UFRN) e Neilton Fidelis (COPPE-UFRJ).