Foto: novojornal.jor.br

Eólica bate novo recorde de geração e de potência instalada em 2015

Fator de capacidade em agosto ficou em 52% e pico de geração instantânea ocorreu em 2 de novembro com 10% de toda energia injetada no SIN

Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Operação e Manutenção

O avanço da energia eólica continua a plena carga e com novos recordes de geração registrados em 2015. Somente no ano passado o crescimento foi de 74,8% ante o reportado em 2014. Foram produzidos 21,37 TWh ante os 12,22 TWh do período anterior. A geração média do ano passado foi de 2.433,56 MW médios e o recorde foi alcançado em agosto, com 3.382,03 MW médios. Os dados são da Associação Brasileira de Energia Eólica e farão parte do boletim anual que a entidade divulga.

Segundo a avaliação da ABEEólica, em termos de representatividade e abastecimento, esse montante equivale a 4% na média de toda a geração injetada no SIN. Sendo que o recorde mensal elevou essa participação a 6% e, em termos de geração instantânea, 10% do total, registrados em 2 de novembro com 4.957 MW. Somente no Nordeste em 2 de novembro a eólica representou 45% da carga desse subsistema. Já em 13 de novembro, apenas no Sul a geração alcançou 1.340 MW, o equivalente a 14,3% da carga da região. Os quatro estados com maior geração no período de 2015 foram Rio Grande do Norte com 7,18 TWh, Ceará com 4,62 TWh, Bahia com 4,01 TWh e Rio Grande do Sul com 3,33 TWh.
Pela primeira vez desde que a fonte entrou na matriz elétrica nacional foram instaladas mais de 100 usinas. A entidade reporta que no ano passado o Brasil ganhou 111 parques de geração eólicos Esses empreendimentos somaram 2.753,79 MW de potência ao parque de geração nacional. No total, o país terminou 2015 com 349 usinas no total, representando 8.725,88 MW de potência eólica instalada, um crescimento de 46% em relação a dezembro de 2014.
O fator de capacidade atingiu valor médio 38,1% em 2015. Dessa forma, manteve a média de 2014. De acordo com o documento da entidade, ao se considerar somente os parques eólicos participantes dos leilões, o fator de capacidade médio foi de 39,9% em 2015, tendo atingindo pico de 55% em agosto. Já em termos de picos de geração instantânea, o fator de capacidade atingiu patamares de 85% e de 83% nos casos de recordes de geração no subsistema NE e no SIN. Os estados que apresentaram os maiores indicadores foram a Bahia com 46%, Pernambuco com 44%, Piauí com 43,8% e Ceará com 42,7%. Também nesse estado é que foi registrado o maior valor médio mensal ao atingir 66,1%.
Com esses números a ABEEólica calculou que o total das emissões evitadas em 2015 foi de 10,42 milhões de toneladas de CO2, o equivalente a cerca de 7 milhões de automóveis durante todo o período, considerando os índices apresentados em relatório de 2014 da Cetesb, a companhia ambiental do estado de São Paulo.
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Natal vai sediar o maior evento eólico do Brasil

Natal vai sediar, dias 18 e 19 de abril, na Escola de Governo, Centro Administrativo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o SolarInvest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável do Brasil.

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias (Cerne), Jean-Paul Prates, destaca que depois de três anos sediado na Bahia, o Fórum volta a ser realizado em Natal.

O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país. O evento montou a regulação do setor.

Na época, reporta o diretor-presidente do Cerne, foi escrita a Carta dos Ventos, o primeiro documento do setor em que lideranças parlamentares e empresariais, e entidades do segmento de energias propõem as intenções e pleitos sobre estratégias  para o desenvolvimento do setor eólico nacional. “Foi o marco inicial da indústria eólica do Brasil”, assinala Prates.

O Fórum foi realizado em Natal até 2012 mas por falta de incentivo, de 2013 a 2015 migrou para a Bahia onde encontrou apoio governamental, explica Jean-Paul Prates. “Agora, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sesed) o evento volta para Natal”, ressalta. O Cerne conta também com apoio, além do Governo do Estado, de entidades como a Fiern e o Sebrae e outras entidades e instituições.

“A importância do evento, agora, é que ele resgata Natal como sede nacional das decisões regulatórias e das políticas para o setor eólico”, ressalta Jean-Paul Prates. Segundo ele, esta é a única ocasião anual no Brasil onde as mais importantes autoridades, empresas, instituições como o Senado e a Câmara Federal se reúnem para discutir o setor. “O Rio Grande do Norte é líder e referência nacional no setor eólico para o Brasil”.

É a primeira vez que o SolarInvest e o Fórum são realizados ao mesmo tempo e reúnem a cadeia produtiva dos segmentos em um só evento.  Serão discutidas a agenda da legislação e projetos de lei para os dois setores este ano e em 2017,  alternativas de financiamentos de empreendimentos, licenciamentos, fiscalização e responsabilidades sócio-ambientais de empreendimentos eólicos e solares no país.

Fonte: Novo Jornal

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Senado aprova uso do FGTS para compra de equipamentos de microgeração

Foi aprovado pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), um projeto que permite o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a aquisição e a instalação de equipamentos de geração elétrica em residências. O Projeto de Lei do Senado (PLS) 371/2015, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), estabelece o benefício para energia a ser gerada a partir de fontes hidráulica, solar, eólica ou de biomassa. A proposta segue para a análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Os recursos poderão ser sacados uma vez com essa finalidade e para obtê-los, o interessado precisa comprovar no mínimo três anos com carteira assinada. A casa em que os equipamentos serão instalados tem de ser do beneficiado.

Segundo o autor desse projeto, o grande objetivo é estimular a eficiência energética por meio de fontes renováveis. Nos últimos anos, segundo o senador, o Brasil tem sofrido com o desfalque entre oferta e a demanda de energia elétrica, por falta das chuvas ou por deficiência no planejamento setorial. A solução tem sido acionar as usinas termoelétricas, uma produção mais cara e poluente. Ciro Nogueira afirmou, ainda, que sabia que alguns setores do governo são contra o acesso ao FGTS para determinadas coisas.

Esta comissão terá o bom senso de saber que um projeto desses tem como ideia gerar energia de forma mais limpa possível, a melhorar a renda dos trabalhadores brasileiros e, principalmente, a fazer jus a um dinheiro que é dele, do trabalhador — afirmou Ciro.

Isso afeta o FGTS?
O recurso do FGTS é uma poupança dos trabalhadores, e seu volume de recurso está diminuindo. Atualmente, o programa de governo de financiamento quase 80% dos recursos a serem aplicados vêm do FGTS, a menor parte é do Tesouro. E um outro fato a comentar aqui é que a presidente Dilma vetou a utilização de investimento de recursos exatamente onde deveria incentivar: na geração de energia alternativa, que é a eólica e a solar.

Fonte: Exame.com

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Mais 18 usinas eólicas entram em operação na Bahia

As 18 novas usinas eólicas que entraram em funcionamento no semiárido baiano, no primeiro trimestre de 2016, representam investimentos de R$ 1,7 bilhão e mais 458.500 MW adicionados à rede elétrica. Sento Sé, com quatro – Banda de Couro, Baraúnas I e II, Morro Branco I e Mussambê – e um total de R$ 495 milhões investidos, foi o município que mais se destacou neste período como produtor de energia via a força dos ventos.

Campo Formoso também se destacou, começando a produzir energia eólica com as usinas Campo Formoso I, Andorinha, Morrinhos e Sertão, onde as empresas Renova e Atlantic investiram R$ 495 milhões. A Renova também colocou em funcionamento, em Caetité, três novas usinas eólicas –  Borgo, Serra do Espinhaço e Caetité – com investimentos da ordem de R$ 275,5 milhões.

Em Igaporã, a companhia investiu R$ 127,6 milhões nas usinas Espigão e Pelourinho Pindaí, na microrregião de Guanambi, no sudoeste baiano e com cerca de 15 mil habitantes, também passa a ser produtor de energia eólica com a ativação das usinas Angical, Caititu, Coqueirinho e Tamanduá Mirim. Nelas, o consórcio Brazil Energy/Sequoia Capital investiu R$ 326,2 milhões.

“São municípios da caatinga que ganham um adicional de renda e receita, o que seria bastante improvável não fosse a bênção de eles terem os melhores ventos do Brasil. Com o acréscimo dessas novas usinas, a Bahia completa um total de 60 usinas em operação e mais de 1,53 GW em potência instalada na produção de energia eólica”, diz  o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Hereda.

Liderança

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Bahia é o terceiro maior estado brasileiro em produção de energia eólica, ficando atrás do Rio Grande do Norte, com 97 usinas e 2,6 GW de potência instalada; e o Rio Grande do Sul, com 67 usinas e 1,55 GW. No Brasil, o território baiano é o que mais possui usinas eólicas em construção, um total de 46, mais que o dobro do segundo colocado, o Rio Grande do Norte, com 20 empreendimentos.

Os investimentos em eólica na Bahia são da ordem de R$ 18,5 bilhões em 186 usinas, com 4,5 GW de potência, distribuídas em 22 municípios. O estado também começa a se destacar na produção de energia fotovoltaica,  com investimentos de R$ 4,2 bilhões.

Fonte: A Tarde

Foto: www.innovarepesquisa.com.br

Capacidade de geração de energia cresce 357 MW em fevereiro

O Brasil registrou a entrada em operação comercial de novos 357,35 Megawatts (MW) de capacidade instalada em fevereiro. O volume, incluído ao Sistema Interligado Nacional (SIN), tem participação de 270 MW de capacidade eólica e 86 MW hidrelétrica de novos empreendimentos.

Também entraram em operação comercial 289,0 quilômetros de linhas de transmissão em fevereiro. Os dados são do Boletim Mensal de Monitoramento do Setor Elétrico, divulgado, na última sexta-feira (1º), pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

De acordo com a boletim, a capacidade instalada total de geração elétrica no Brasil atingiu 142.179 MW em fevereiro. Em relação ao mesmo período de 2015, houve expansão de 7.386 MW (crescimento de 5,5%), sendo 2.809 MW gerados por fonte hidráulica, 1.799 MW produzidos por térmicas, 2.770 MW de eólicas e 8 MW de energia solar.

Quanto à produção de energia elétrica, o boletim aponta que, em dezembro de 2015, a geração hidráulica correspondeu a 71,5% do total gerado no País, 2,0 pontos percentuais (p.p.) acima ao verificado no mês anterior. Já o segmento eólico apresentou aumento de 0,2 p.p na matriz de produção de energia elétrica no Brasil. A participação de usinas térmicas caiu 2,2 p.p. entre novembro e dezembro de 2015.

O Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico Brasileiro traz informações atualizadas e consolidadas sobre a operação eletroenergética no País, para registro e acompanhamento de temas relevantes do setor elétrico, tais como a expansão e o desempenho dos sistemas de geração, transmissão e distribuição, as condições hidrometeorológicas e a política operativa adotada, o comportamento do mercado consumidor e as ocorrências de maior impacto ao Sistema Elétrico Brasileiro (SEB).

Confira o boletim clicando AQUI.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério de Minas e Energia

Foto: Aléx Régis

Eólicas: panorama atual e os desafios do setor no Brasil

Com o primeiro leilão de energia do ano marcado para 29 de abril, o Rio Grande do Norte poderá impulsionar em investimento potencial cerca de R$ 20 bilhões, em concorrência, para o certame. A estimativa é feita pelo presidente Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, com base na estimativa de habilitação de até 60% dos 232 projetos inscritos para o Estado, o que representaria a geração de mais 4 GigaWatts. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Jean-Paul Prates fala sobre infraestrutura dos linhões, mudanças nas regras do leilão e o reflexo da crise política e econômica para o setor com a redução de financiamento.  Além de eólicas, o leilão realizado no final deste mês terá a contratação de energia elétrica proveniente de hidrelétricas e de termelétricas a biomassa, a carvão e a gás natural. Também serão realizados esse ano dois leilões de reserva.
No primeiro certame, em 29 de julho e com prazo de suprimento de 20 anos, serão negociados contratos para empreendimentos de geração solar fotovoltaica. A produção de energia fotovoltaica deverá aproveitar a infraestrutura já existente, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e usam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. Um segundo leilão de reserva, em outubro, terá projetos de fonte solar fotovoltaica e de eólica, que terão contratos com prazo de 20 anos.

Confira os principais trechos da entrevista, que também trata do “Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos”,  evento que será realizado nos dias 18 e 19 de abril na Escola de Governo do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo, em Natal.

Expectativas de leilão
Esse ano teremos três leilões de energia. Agora, para o dia 29 de abril,  haverá o leilão de energia regular A-5, para começar a gerar em 5 anos após a contratação. O Brasil tem  864 projetos inscritos (21.232 MW) e o Rio Grande do Norte tem 232 projetos (5.599 MW).  O segundo é o leilão de reserva, marcado para o dia 29 de julho, que não terá eólica, só fotovoltaica e outras fontes. E no dia 28 de outubro,  haverá outro leilão de reserva que terá eólica. Os investidores preferem o leilão A -5 porque o prazo para construir e entrar em funcionamento é de cinco anos, com contrato assegurado por 20 anos.

Perda de espaço
Existem dois movimentos em relação a questão de perda de espaço. O primeiro foi o vácuo quando os parques ficaram prontos e não havia estrutura de conexão para transmissão da energia. Houve uma cochilada entre 2011 e 2012 em relação as cobranças de infraestrutura e linhas, que deveriam ficar prontas em 2012, entretanto, chegaram ao final do ano sem estar. Neste mesmo período, outros estados como a Bahia, com um projeto do Jacques Wagner, no modelo que adotamos aqui em 2009 e 2010, além de outros estados, avançaram.

Atrasos de linhões
Houve duas fases em relação as linhas de transmissão. Na primeira, entre 2009 e 2010, quando a eólica não era considerada certa no Brasil, já falava-se em linhas de transmissão. Tivemos que mostrar no mapa que a região do Mato Grande tinha potencial e que era preciso o chamado ICG, considerado uma espécie de ancoradouro. Havia outro projeto para linhas transmissão, conhecida como Translitorânea, que saía do Rio Grande do Norte fazendo um arco até a cidade de Russas, no Ceará. Porém, não foi considerada prioritária pelo Governo e, por isso, não saiu. Nesta fase, as linhas só eram licitadas e concedidas depois dos leilões A -3 e A -5. Consequentemente, alguns conjuntos de linhas atrasaram. As linhas que deveriam estar prontas em 2012 não ficaram. Também houve todo o problema dos atrasos. Parques parados, à espera. Não houve debandada de investidores porque àquela época havia uma cláusula contratual de autorização elétrica que previa o pagamento pela geração, mesmo que o parque não estivesse conectado. Porque não era culpa do investidor, a linha estava prometida e cabia a ele colocar o parque de pé no prazo contratado, não os linhões. Se colocou o parque de pé, recebia por isso. Essa cláusula dava maior segurança ao investidor. Hoje, eu considero essa questão equacionada porque o empreendedor é, em regra, o responsável pelo planejamento do seu parque.

Mudança na regra 
A partir de 2012, como poderiam ocorrer mais atrasos e já se desenvolvia uma descentralização da matriz energética do país, que deixava de ser concentrada em grandes hidrelétricas para ser pulverizada com parques eólicos, solares e térmicas em outros pontos do país, a cláusula mudou. Havia o risco de divergências de prazos, além dos atrasos. O Governo alterou as regras e acabou com o pagamento pela geração só por construir o empreendimento. Por isso, o investidor passou a ter responsabilidade pela conexão do parque. A mudança fez com que os empreendedores participantes do leilão também fossem  responsáveis em assegurar a conexão com as linhas de transmissão.

Leilões desertos
Não houve leilões desertos. A mudança na regra não foi a causa do baixo número de projetos para o Rio Grande do Norte nos últimos certames. Esta regra existe desde 2012 e já está bem digerida. Hoje, a questão dos linhões está equacionada no sentido de que o empreendedor tem que apresentar para o leilão uma tarifa que inclua a solução do escoamento de energia. É necessário planejar antes e assim ajudar o governo. Por outro lado, o Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia e da EPE, já dispõe de informações e de potencial eólico real no Brasil para prever e se antecipar em relação as demandas das bacias de ventos.

Investimento potencial
O investimento pode ser mensurado assim que sair o números de projetos habilitados pela EPE para o leilão. Mas, em geral, temos conseguido nos últimos leilões habilitar 60% dos projetos inscritos. Se temos inscritos 232 projetos, caso passe a metade, teremos 4 GigaWatts habilitados. Se considerarmos o valor de R$ 4,5 milhões por MW, este leilão do dia 29 de abril pode representar, em investimento potencial, cerca de R$ 20 bilhões em concorrência.

Emprego
A grande projeção de geração de emprego deve-se a uma característica do setor em ter investimentos assegurados em projetos contratados a longo prazo nos leilões federais. Como a performance dos leilões se dá em cinco anos para construção dos parques, isso faz o setor estar na sombra dos leilões de 2014 e 2015, girando na inércia dos processos dos certames. Diferente de outros mercados que estão demitindo, o número de contratações até 2019 em toda a cadeia produtiva de energia eólica deve chegar a cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Teremos problemas se a crise se prolongar mais e superar esse período de cinco anos.

Tensão política e econômica
Essa tensão política e econômica tem afetado os negócios da indústria eólica, sim, no sentido de ter menos financiamento. Antes, o BNDES era um propulsor, um impulsionador de investimentos. Todos os projetos até hoje tiveram o financiamento do BNDES. Acontece que há dois anos, com a  saída do Banco do Nordeste, o BNDES  endureceu as condições. Se antes financiava 80% do parque, agora só 70%. Isso faz com que o setor busque o investimento privado. E no momento em que o BNDES começou a deixar parcialmente o financiamento nas mãos dos investidores privados e estrangeiros, surge esse ambiente confuso na política e economia do país fazendo com que o investidor fique mais cauteloso a espera de uma definição do cenário político e econômico do país. Isso pode se refletir neste próximo leilão com esta redução das facilidades de financiamento. Se há menos projetos com confiança de que serão financiados, há uma participação menor, então a tarifa é reduzida e fica menos competitivo. Essa indefinição para o investidor é pior, por exemplo, do que em período pré-eleitoral, onde é possivel analisar os projetos eleitorais e tomar decisões.

Energia Solar
Os primeiros parques solares, de grande porte e maior viabilidade, devem ser instaladas em áreas onde existem parques eólicos – gerando usinas híbridas – para que possam utilizar a estrutura já existente de linhões e subestações, além dos acessos, arrendamentos, negociação com as comunidades. E tendo isso já acertado, não há entrada na tarifa e torna o projeto mais competitivo para entrar no leilão de reserva de energia fotovoltaica.

Gargalos
Continua sendo um gargalo a questão do planejamento de linhas  de transmissão. Entretanto, no Rio Grande do Norte, o secretário de desenvolvimento econômico do estado, Flávio Azevedo, tem dado uma maior atenção. O CERNE e o Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN também tem acompanhado essa questão. Há toda uma vigilância para que esse gargalo seja superado.  Por outro lado, o Governo Federal também tem limitações e não pode concentrar-se em um só estado,  é preciso tratar o tema com os demais.

Fórum Nacional Eólico
Criado em Natal, o Fórum Nacional Eólico volta para a capital potiguar em 2016. Por focar na parte de política setorial e de legislação, sem cunho comercial, o evento faz de Natal a capital do pensamento estratégico em energia eólica. Esse ano ele será realizado em conjunto com o Solar Invest. A programação terá reuniões fechadas para o setor e sessões abertas ao público em geral. Serão discutidos temas relevantes, como a agenda legislativa de 2016 que trata de todos os projetos que devem ser votados e que irão tramitar no Congresso, a revisão da política estratégica do setor e também a análise crítica da pauta legislativa do ano. Haverá debates para tratar alternativas de financiamentos ao BNDES com bancos privados e um encontro de órgãos de licenciamento para os parques eólicos.

RAIO-X DO SETOR
Leilão de Energia A-5  – 29 de Abril
+ Brasil: 864 Projetos Inscritos (21.232 MW)
+ RN: 232 Projetos Inscritos (5.599 MW)

Leilão de Energia de Reserva – 29 de Julho
– Energia Solar Fotovoltaica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Leilão de Energia de Reserva – 28 de Outubro
– Energia Solar Fotovoltaica e Energia Eólica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Parques eólicos em Operação
+ Brasil: 349 Parques Eólicos – 8.533,268 MW
+ RN: 97  Parques Eólicos – 2.671,56 MW (31,31%)

Parques eólicos em Construção
+ Brasil: 132 Parques Eólicos – 3.113,754 MW
+ RN: 20 Parques Eólicos – 518,60 MW (16,66%)

Contratados/Outorgados
+ Brasil: 249 Parques Eólicos – 5.950,050 MW
+ RN: 55 Parques Eólicos – 1.404,70 MW (23,61%)

Não Cadastrados
+ Brasil: 24 Parques Eólicos – 591,10 MW
+ RN: 4 Parques Eólicos – 49,20 MW (8,32%)

Total
+ Brasil: 754 Parques Eólicos – 18.188,172 MW
+ RN: 173Parques Eólicos – 4.613,76 MW (25,37%)

Dados: CERNE/SEERN

Fonte: Sarah Vasconcelos | Tribuna do Norte

Foto: www.camargocorrea.com.br

CPFL compra energia de usinas eólicas próprias e obtém R$764,1 mi com BNDES

A CPFL Energia fechou a compra de toda a capacidade de dois complexos eólicos que estão sendo construídos por sua subsidiária CPFL Renováveis, em uma operação que garantiu a assinatura de financiamento de 764,1 milhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os empreendimentos.

O contrato de venda da produção por um período de 20 anos foi fechado junto à unidade de comercialização de eletricidade da companhia, a CPFL Brasil, e teve um preço “semelhante” ao praticado nos leilões de contratação de energia promovidos pelo governo federal, afirmou à Reuters o presidente da CPFL Renováveis, André Dorf, nesta sexta-feira.

“O mérito dessa negociação foi trazer para o credor, o BNDES, uma segurança muito parecida com a que ele tem no mercado regulado… isso abre um caminho para operações parecidas com a própria CPFL Brasil ou com outras comercializadoras do mercado”, disse o executivo.

Ele disse que a CPFL Brasil revenderá a energia produzida pelas eólicas a clientes do mercado livre de eletricidade, principalmente indústrias de menor porte e centros comerciais, que são chamados nesse ambiente de “consumidores especiais” e por lei podem negociar apenas a compra de energia renovável.

As usinas financiadas somam 231 megawatts em capacidade instalada e deverão iniciar operação comercial ainda a partir deste mês, sendo que estarão completamente concluídas em novembro.

Segundo a CPFL, 270,6 milhões de reais do financiamento acertado anteriormente já foram desembolsados pelo BNDES para os empreendimentos, e o restante será liberado de acordo com o andamento das obras. O financiamento será por um prazo de 16 anos.

O mercado livre de eletricidade tem crescido fortemente neste ano, conforme a redução do consumo no país devido à recessão e as boas chuvas reduziram os preços dos contratos nesse segmento.

O número de consumidores especiais caminha para crescer mais de 30 por cento neste ano, segundo dados preliminares da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o que a CPFL Renováveis espera que gere uma grande demanda pela compra de contratos de energia eólica.

“Essa migração (de clientes regulados para o mercado livre) está originando interesse das comercializadoras, que compram energia no longo prazo de fontes renováveis para atender seus clientes… esses movimentos estão ligados”, disse Dorf.

Ele ainda destacou que o financiamento obtido pela companhia foi na modalidade project finance, em que não é necessário dar garantia corporativa, uma vez que o banco conta com o próprio fluxo de receitas do empreendimento financiado para quitar o empréstimo.

“Isso é bom para o balanço (da empresa) e no fundo é a modalidade correta para esse perfil de projeto… a grande inovação foi conseguir financiar nessa modalidade”.

O presidente da CPFL Renováveis disse que as usinas no mercado livre são um dos caminhos para a companhia crescer, junto com as vendas de energia em leilões regulados e aquisições.

“No fundo, avaliamos projeto a projeto qual a melhor solução comercial no momento, dado o perfil dos contratos, os riscos”.

Ele não quis comentar, no entanto, o preço-teto definido pelo governo federal para usinas eólicas no leilão de energia A-5 de 29 de abril, de 223 reais por megawatt-hora.

Fonte: Luciano Costa; edição de Roberto Samora | Reuters

 

Foto: www.ambienteenergia.com.br

Investimentos de US$ 7 bi colocam Brasil entre os dez maiores mercados de energia renovável

Investimentos em energias renováveis atingiram o valor de 286 bilhões de dólares em 2015. O montante é um dos mais altos já registrados e foi, pela primeira vez, maior que o dobro do registrado para os recursos gastos com carvão e gás.

Além de quebrar este recorde, 2015 também foi o primeiro ano em que países em desenvolvimento investiram mais em energias limpas do que as nações desenvolvidas. O Brasil esteve entre os dez maiores investidores do mundo.

As informações são de um novo relatório publicado em 25 de março e elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em parceria com o organismo de Finanças de Nova Energia da Bloomberg (BNEF) e o Centro de Colaboração para o Clima e o Financiamento de Energia Sustentável da Escola de Frankfurt e da agência da ONU.

Recursos do Brasil foram calculados em cerca de 7 bilhões. A maior parte dos investimentos foi destinada à produção de energia eólica (5,7 bilhões)

A pesquisa revela que fontes renováveis geraram 134 gigawatts adicionais em 2015, em comparação com os 106 GW produzidos em 2014. O valor equivale a 54% de toda a potência energética adicional produzida no ano passado. Essa quantidade de energia limpa impediu que 1,5 gigatonelada de gás carbônico fosse liberada na atmosfera. Desde 2004, países teriam investido 2,3 trilhões em energias renováveis.

Negócio da China
Somados, os investimentos da China, Índia e Brasil – os “três gigantes” – registraram um aumento de 16% em 2015, alcançando 120,2 bilhões de dólares. A China responde pela maior fatia deste volumoso orçamento – quase 100 bilhões.

Recursos do Brasil foram calculados em cerca de 7 bilhões. A maior parte dos investimentos foi destinada à produção de energia eólica (5,7 bilhões). Estimativas indicam que esse tipo de energia produziu dois gigawatts a mais em 2015 para o país.

Também no ano passado, pela primeira vez, os projetos brasileiros em energia solar alcançaram a casa das centenas de milhões, chegando a 657 milhões de dólares. Segundo o relatório, isso poderia indicar o início de um novo grande mercado para o uso de placas fotovoltaicas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi citado pela pesquisa como o quarto banco de desenvolvimento mais ativo do mundo no setor de financiamento de projetos de energia limpa.

Eólica e solar
O organismo brasileiro informou ao Pnuma e às outras instituições responsáveis pela pesquisa que emprestou o equivalente a 1,8 bilhão de dólares para iniciativas envolvendo energia eólica.

Quando considerados os investimentos globais, o documento mostra que as energias solar e eólica dominaram a produção limpa em 2015, gerando 118 gigawatts do total. Esse cálculo do Pnuma excluiu os valores associados a grandes hidrelétricas.

O uso de biomassa, de energia geotermal, de resíduos e de pequenas hidrelétricas produziu quantidades mais modestas de potência de acordo com a pesquisa.

“O acesso à energia limpa e moderna é de enorme valor para todas as sociedades, mas especialmente em regiões onde a energia confiável pode oferecer profundas melhorias para a qualidade de vida, o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade ambiental”, afirmou o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner.

Fonte: IBahia