Jean-Paul Prates: “Queremos que o documento seja considerado e o Estado participe do leilão” (Foto: Júnior Santos)

Sindicato aponta saída para RN voltar a leilão de energia

O Sindicato das Empresas do Setor Elétrico do Rio Grande do Norte (Seern) pediu ontem a autoridades federais que reconsiderem a exclusão do RN do leilão de energia  programado para 16 de dezembro e alertou  que, caso a decisão não seja revista, o estado poderá  perder empregos e cerca de R$ 4 bilhões em investimentos – cifra que estima como necessária nos próximos anos para tirar do papel possíveis projetos potiguares, caso sejam autorizados a participar e vençam a disputa.

O RN, maior gerador de energia eólica do Brasil, assim como a Bahia e o Rio Grande do Sul foram excluídos do leilão por meio de nota técnica divulgada na semana semana passada. Segundo  a nota, elaborada por autoridades do setor elétrico, os três estados  não podem concorrer ao leilão por estarem com capacidade remanescente “nula” para escoamento de energia elétrica. Ou seja, não há margem para novas conexões no sistema integrado nacional (SIN).

Segundo o  Seern, há porém, uma solução para o caso já cogitada, inclusive, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas que não foi considerada na nota técnica. E o pedido do Sindicato é para que o seja.

Trata-se de uma autorização dada em agosto, pela Agência, para que a empresa Esperanza Transmissora de Energia assuma parte das obras de linhas de transmissão da Abengoa – espanhola que decretou falência – garantiria, de acordo com o Sindicato, o escoamento de 500 MW até 2017.

“A solução já existe e está autorizada pela Aneel, o que significa ter o mesmo status da concessão e nos garante o resgate de 500 MegaWatts que poderão ser relocados entre as linhas de Assu e João Câmara”, explica Jean-Paul Prates, presidente do Seern.

O documento – com o pedido de reconsideração quanto à exclusão do estado – foi enviado ao Ministério de Minas e Energia, à Aneel, à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para que  os empreendimentos  sejam incorporados nos cálculos das margens de escoamento do RN.

Projetos
Para este leilão, o Rio Grande do Norte tinha cadastrados 7,195 GW em 223 projetos de energia  eólica e 58 projetos de energia solar, o que representava 20%  dos 1.260 empreendimentos inscritos. Segundo Prates, não há alegação que impeça ou adie a realização do leilão. “Apenas queremos que o documento seja considerado e o Estado participe do leilão”, observa ele.

No último dia 3, a EPE e o ONS publicaram a Nota Técnica (121/2016), excluindo os projetos de geração eólica e solar da Bahia, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, alegando a falta de capacidade disponível para escoarem a energia a ser gerada – sem incluir a publicação da Resolução Autorizativa nº 6.014, de 30 de agosto de 2016, dada pela Aneel à Esperanza Transmissora de Energia S.A.   A autorização permite que a empresa assuma parte das obras da Abengoa, para a construção das linhas necessárias para esta energizar e conectar suas linhas.

A implantação de um barramento de ligação de 500kv (SE Açu III) vai permitir que o escoamento de energia no Rio Grande do Norte seja feito com maior facilidade, permitindo ao sistema a conexão de novos empreendimentos, que podem significar 500MW ou mais em oferta.

“Considerando contratar de 800 MW a 1GW, isto gera de imediato R$ 4 bilhões em investimentos para o Estado. Se podemos escoar 500MW temos ai, pelo menos, R$ 2 bilhões em investimentos nos próximos anos em projetos a ser contratados neste leilão”, acrescenta Prates.

Os reforços entram em operação comercial em prazo de 12 meses, ou seja, até 1º de setembro de 2017.    A TRIBUNA tentou contato com a direção da empresa Esperanza, que não atendeu e nem retornou as ligações até o fechamento desta  edição. Já  a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia sugeriu procurar o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

ANEEL
Em nota à TRIBUNA DO NORTE, a Aneel  esclarece que não foi autorizada qualquer transferência de ativos da Abengoa. Ocorre que as concessionárias controladas pelo grupo Abengoa, por motivos financeiros, declararam que a previsão para entrada em operação comercial seria apenas no final de 2021.

Dessa forma, para mitigar os prejuízos causados ao sistema interligado por este atraso, foram identificados os principais impactos e, para alguns dos casos, as concessionárias de transmissão que teriam a entrada em operação comercial de suas instalações impossibilitada tecnicamente foram autorizadas a implantar reforços em subestações para viabilizar essa entrada em operação comercial.

Nesse sentido, a Esperanza Transmissora foi autorizada a implantar reforços na Subestação Açu III, conforme REA nº 6.014/2016. A Belo Monte Transmissora de Energia foi autorizada a implantar reforços na Subestação Xingu e na Subestação Estreito, conforme autorizado pelas REA nº 5.948/2016 e 6.006/2016, respectivamente. E a São João Transmissora foi autorizada a implantar reforços na Subestação São João do Piauí, conforme REA nº 5.988/2016.
Por fim, está em análise na Diretoria da Aneel, a recomendação de autorização de reforços na Subestação Gilbués II, a serem implantados pela São Pedro Transmissora.

Fonte: Sara Vasconcelos | Tribuna do Norte

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SEERN divulga nota oficial sobre a exclusão do Rio Grande do Norte do 2º Leilão de Energia de Reserva (2016)

Como já é de conhecimento geral, os atrasos na concretização de reforços e ampliações da rede de transmissão têm afetado, de forma cada vez mais crítica, o escoamento de energia e o acesso de novos empreendimentos de geração no país, em especial no Nordeste.

No último dia 03 de outubro, a Nota Técnica (EPE/ONS 121/2016-r1), publicada pela Empresa de Projetos Energéticos (EPE) juntamente com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), determinou a exclusão dos projetos de geração eólica e solar localizados nos estados da Bahia, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul do próximo 2º Leilão de Energia de Reserva, marcado para 16 de dezembro de 2016.

A causa apontada foi a falta de capacidade disponível para o escoamento da energia a ser gerada nesses estados.

Razão da exclusão
Segundo a nota, a capacidade remanescente para escoamento de energia elétrica nos barramentos da Rede Básica, DIT e ICG localizados no estado do Rio Grande do Norte estaria esgotada. Isto seria reflexo do atraso nas obras de construção de uma subestação e 3 linhas de transmissão, a saber:

1) A Subestação 500/230 kV Açu III e a Linha de Transmissão 500 kV Açu III – Milagres II C1, que não estarão finalizadas até janeiro de 2020 (previsão de entrada em operação comercial  para 30 de dezembro de 2021).

2) Duas linhas de transmissão:  a) 500 kV Açu III – João Câmara III , em circuito simples (com previsão de entrada em operação comercial para 5 de setembro  de 2017) e  b) Açu III – Quixadá C1, em circuito simples (com previsão de entrada em operação comercial para 5 de setembro de 2017).

O atraso apontado se refere exclusivamente às linhas que seriam construídas pela empresa ABENGOA, que, no fim de 2015, entrou em processo de insolvência global e paralisou as atividades no Brasil.

Ressalva
Ocorre, no entanto, que, dentre os empreendimentos acima, somente a SE Açu III e a LT Açu III – Milagres II estavam sob concessão e responsabilidade da Abengoa.

As demais linhas (LT Açu III – João Câmara III C1 e LT Açu III – Quixadá C1) , apesar de serem responsabilidade de outra concessionária, a Esperanza Transmissora de Energia S.A., também são impactadas por serem interligadas à primeira.

Solução
A proposta da Aneel (mediante publicação da Resolução Autorizativa nº 6.014 de 30 de agosto de 2016) foi que a Esperanza Transmissora de Energia S.A. assumisse a parte das obras da Abengoa, permitindo energizar os ativos da própria Esperanza também. Desta forma, já foi autorizada a complementação do módulo geral da Subestação Açu III com um módulo de infraestrutura de manobra em 500 kV e instalação, na Subestação Açu III, de um módulo de interligação de barras em 500 kV para possibilitar a conexão do reator de barras 500 kV, 3 x 50 Mvar, ao barramento de 500 kV da subestação).

A implantação de um barramento de ligação de 500kv (SE Açu III) vai permitir que o escoamento de energia no Rio Grande do Norte seja feito com maior facilidade, permitindo ao sistema a conexão de novos empreendimentos, que podem significar 500MW ou mais em oferta.

Tais reforços têm o compromisso de entrar em operação comercial dentro de 12 meses, ou seja, até 01 de setembro de 2017; mesmo prazo dado à Esperanza Transmissora de Energia S.A. para a entrada em operação das suas próprias instalações.

Ocorre, no entanto, que este barramento na SE Açu III não foi consideradonas premissas adotadas para elaboração da referida Nota Técnica da EPE/ONS (republicada no dia 07 de outubro de 2016, já com informação disponível relativa à Resolução Autorizativa nº 6.014 de 30 de agosto de 2016), o que não permitiu a inclusão das LT 500 kV Açu III – João Câmara III e LT Açu III – Quixadá.

Números da exclusão
O 2º Leilão de Energia de Reserva conta com 1.260 empreendimentos, sendo 841 projetos eólicos e 419 fotovoltaicos, somando 35.147 MW de potência instalada ofertada. Como efeito direto desta nota do ONS/EPE, teremos 56% dos projetos eólicos e solares automaticamente fora do certame.

Pelo Rio Grande do Norte, foram cadastrados 7,195 GW em 223 projetos eólicos e 58 projetos solares, o que representa 20% do total, dos quais 5,55 GW de eólicas (25% da oferta da fonte) e 1,64 GW de solar (12% do cadastrado para a fonte).

Os números indicam uma perda para o Rio Grande do Norte de quase 6 GW (5,889,7 MW) em projetos eólicos e cerca de 1 GW (1.072 MW) em projetos solares fotovoltaicos, totalizando quase 7 GW (6.961,7 MW) em potência instalada ofertada. Considerando os cortes dos estados da Bahia e Rio Grande do Sul, este total chega de 15 GW, ou seja, mais de 70% da potência total cadastrada ao certame.

Pedido de Reconsideração
Em face do exposto, em nome de suas empresas filiadas, empreendedoras e operadoras da geração de energia no Estado, vem o Sindicato das Empresas do Setor Elétrico do Estado do Rio Grande do Norte respeitosamente requerer às autoridades federais responsáveis que RECONSIDEREM a exclusão do Estado do Rio Grande do Norte do leilão, por sua capacidade comprovada de investimento e potencial de geração de energia limpa, geração de renda e trabalho, efeitos sócio-ambientais positivos e contribuição substancial para a matriz do Nordeste e do Brasil,  e incorporem os empreendimentos acima citados nos cálculos das margens de escoamento, pois o efeito no estado será expressivo, sinalizando margens não nulas em boas partes das subestações onde projetos foram cadastrados.

Acreditamos que o efeito maior será em subestações como João Câmara III 500 kV ou Ceará Mirim 500 kV – além de oferecer um novo ponto de conexão na subestação Açu III 500 kV, permitindo assim a continuidade da participação da maior parte dos empreendimentos já registrados pelo estado no referido leilão.

Convocamos, por meio da presente, todas as entidades empresariais e sociais, lideranças políticas e setoriais que se interessam e se importam com a consolidação do setor energético no Estado do Rio Grande do Norte para que se unam a esta solicitação.

Jean-Paul Prates | Presidente
SEERN | Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte 

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Voltalia construirá mais um parque eólico no RN

O Brasil é peça fundamental nos planos da empresa de energia renovável Voltalia, de origem francesa. A companhia está prestes a iniciar a construção de mais um parque eólico, no Rio Grande do Norte, com capacidade instalada de 27 MW. Ao todo, a Voltalia já soma 381 MW em funcionamento no País, mas esse número vai aumentar nas próximas semanas, já que a empresa colocou em operação recentemente o Complexo Eólico Vila Pará, também no Rio Grande do Norte. Quando estiver em pleno funcionamento, o empreendimento ajudará a companhia a chegar à marca de 402 MW de capacidade. “O Brasil representa hoje a maior parte dos MWs instalados pelo grupo Voltalia. Esta posição se deve ao fato de que apostamos muito cedo no setor eólico brasileiro, até mesmo antes de existir o mecanismo de leilão“, explicou o diretor-geral da Voltalia no Brasil, Robert Klein. O executivo também falou sobre a expectativa que a empresa tem em relação ao País: “Apesar de no momento não haver tanta demanda para 2019, acreditamos que o cenário deve mudar. É preciso dar continuidade aos investimentos que foram realizados e não aderir à política stop and go, pois quando a economia retomar seu crescimento, o País precisará de infraestrutura energética suficiente para suportar a demanda”, afirmou.

Quais são os projetos em execução mais recentes da companhia no Brasil?

Recentemente, a Voltalia iniciou a operação de 26 aerogeradores, com 3 MW de capacidade instalada cada, em seu Complexo Eólico Vila Pará, localizado no município de Serra do Mel (RN). A partir da entrada em operação desses 78 MW em Vila Pará, a Voltalia ajudou o Brasil a ultrapassar a marca histórica de 10 GW de energia eólica. Nas próximas semanas, esperamos colocar 100% de Vila Pará em operação, que possui capacidade instalada total de 99 MW.

Em junho deste ano, inauguramos o Complexo Eólico Vamcruz, também no município de Serra do Mel (RN), e que possui capacidade instalada total de 93 MW, por meio de seus 31 aerogeradores. Vamcruz tem potencial para gerar aproximadamente 450 gigawatts-hora (GWh) por ano, energia suficiente para atender mais de 200 mil famílias, e ainda reduzir a emissão de CO2 em aproximadamente 160.535 toneladas por ano.

Qual a perspectiva da empresa com o mercado brasileiro?

Ajudamos o Brasil a atingir a marca histórica de 10 GW de energia eólica e isso é motivo de muito orgulho para a Voltalia. Levando em consideração os 78 MW já em operação em Vila Pará, possuímos um total de 381 MW em funcionamento no Brasil, localizados, principalmente, no estado do Rio Grande do Norte. Assim que Vila Pará passar a operar com 100% de sua capacidade, esse total será de 402 MW. Por isso, a Voltalia acredita no Brasil e em seu potencial de gerar energia limpa e renovável.

Apesar de no momento não haver tanta demanda para 2019, acreditamos que o cenário deve mudar. É preciso dar continuidade aos investimentos que foram realizados e não aderir à política stop and go, pois quando a economia retomar seu crescimento, o país precisará de infraestrutura energética suficiente para suportar a demanda.

Qual o balanço que a empresa faz desde que começou sua operação no Brasil, em 2006?

Além do Brasil, a Voltalia historicamente está presente na França, Grécia, Guiana Francesa e Marrocos. O Brasil é peça-chave nos negócios da companhia, haja visto a representatividade no total de volume de MW instalados por aqui. Prova disso são os 381 MW em operação atualmente, com a expectativa de atingirmos 402 MW nas próximas semanas assim que Vila Pará estiver operando em sua plenitude. Além de Vila Pará, a Voltalia possui outros 3 complexos eólicos em atividade no Rio Grande do Norte. São eles: Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso*, com 36 aerogeradores e capacidade instalada total de 108 MW; Complexo Eólico Areia Branca, com 30 aerogeradores e capacidade instalada total de 90 MW; e Complexo Eólico Vamcruz**, com 31 aerogeradores e capacidade instalada total de 93 MW. Outro empreendimento da Voltalia no Brasil é a usina de Oiapoque, uma central hidrotérmica com capacidade instalada de 12 MW.

Qual a expectativa para os próximos leilões de energia no País?

O leilão de dezembro vai depender, essencialmente, da demanda que o governo vai colocar. Nossa expectativa é que hajam leilões satisfatórios, de forma a suportar toda a cadeia de fornecedores por trás do setor de energia eólica e os investimentos realizados neste setor até então. Como mencionado acima, é essencial dar continuidade aos investimentos já realizados para que o Brasil não entre na chamada política stop and go e consiga suportar a demanda por energia quando o país retomar seu crescimento.

Qual fonte tem rendido mais negócios para a Voltalia no Brasil? A empresa tem planos de expandir seus contratos dentro de alguma outra fonte renovável no Brasil?

No Brasil, a fonte de energia mais utilizada pela Voltalia tem sido o vento. O Nordeste brasileiro, em especial o Rio Grande do Norte, é o local ideal para construir um complexo eólico, devido à sua topografia e, claro, ao vento. No entanto, a Voltalia também atua de maneira a produzir energia limpa e renovável por meio de outras fontes, tais como: solar, hidrelétrica e biomassa. Estamos sempre analisando o mercado e as condições ambientais para realizar investimentos.

A Voltalia hoje está em cinco países. Qual a importância do Brasil para a empresa?

O Brasil representa hoje a maior parte dos MWs instalados pelo grupo Voltalia. Esta posição se deve ao fato de que apostamos muito cedo no setor eólico brasileiro, até mesmo antes de existir o mecanismo de leilão, o que nos proporcionou um posicionamento competitivo, além do quadro geral bastante satisfatório neste setor promissor que motiva players de longo prazo que somos.

O senhor vê algum entrave na legislação do setor elétrico brasileiro que precisa ser superado?

Acredito que uma das chaves de sucesso para que possamos não depender somente do BNDES para financiamento dos projetos é realizar leilões com uma porção dos PPAs em dólar, de tal maneira a atrair outros bancos de desenvolvimento ou comercial e continuar demonstrando competitividade em fontes de energias renováveis no crescimento da matriz energética.  É importante também oferecer mais incentivos ao mercado livre para que não dependamos somente dos leilões para o crescimento do setor.

Quais são os próximos planos e projetos da Voltalia para o Brasil?

Estamos prestes a iniciar a construção de mais um parque eólico também no município de Serra do Mel (RN). É o Vila Acre I com capacidade instalada de 27 MW e que se tornou possível a partir do último leilão de quem a Voltalia participou, em novembro de 2015.

Todos esses empreendimentos localizados no estado do Rio Grande do Norte são possíveis graças à gestão de projetos no conjunto Serra Branca, uma área que reúne projetos adjacentes com potencial de 1,2 GW, desenvolvida pela Voltalia. Os complexos beneficiam-se da infraestrutura já existente, construída em 2014 para o Complexo Eólico Areia Branca e que pertence ao conjunto Serra Branca, incluindo uma linha de transmissão de alta tensão de 52 km e capacidade instalada de 400 MVA, ambos de propriedade da Voltalia.

* O Complexo de São Miguel do Gostoso é uma parceria entre Voltalia e Copel.
** O Complexo Vamcruz é fruto de uma parceria entre Voltalia, Chesf e Encalso.

Fonte: Petronotícias | Davi de Souza

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SEERN participa de debate sobre lei que consolidará regras de licenciamento ambiental

Uma nova lei que consolide as regras relativas ao licenciamento e à gestão sócio-ambiental dos empreendimentos de infra-estrutura – inclusive o setor elétrico – é bem-vinda mas não pode gerar entraves que comprometam sua implementação. Essa foi uma das conclusões da primeira manhã do encontro executivo anual de Licenciamento Ambiental do Setor Elétrico (LASE), realizado nesta quinta (06/10) e sexta, em São Paulo.

O evento, realizado pela Viex Americas com apoio do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN), discute anualmente as diretrizes, leis e procedimentos do licenciamento e da gestão sócio-ambiental relativa ao setor elétrico nacional.

Foto: SEERN/Divulgação

Foto: SEERN/Divulgação

O presidente do SEERN, Jean-Paul Prates, participou como um dos mediadores do debate sobre o Projeto de Lei 3.729/2004 e seus sucessivos substitutivos, tema que volta à pauta do setor elétrico neste e nos próximos anos.

“Foi praticamente unânime o entendimento de que uma lei ajudará a consolidar conceitos e harmonizar procedimentos, mas também houve muita preocupação em não retirar capacidade e autonomia da instância estadual e em assegurar que haverá recursos para estruturar, equipar e capacitar os órgãos licenciadores, tanto em nível federal quanto local”, explica Prates.

Na ocasião, também foi reiterada a necessidade de remover a criminalização direta da responsabilização do servidor que participa dos licenciamentos. “Hoje em dia, qualquer item negligenciado, mesmo sem dolo, pode levar o servidor à cadeia e praticamente metade do tempo de trabalho é gasto respondendo a interpelações dos Ministérios Públicos e de entes do Poder Judiciário sem o direito a qualquer assistência adicional para isso”, analisa Prates.

“É legítimo que a sociedade tenha seus interesses gerais defendidos, mas o reflexo operacional disso hoje é insustentável para os órgãos estaduais e federais que licenciam e monitoram empreendimentos complexos”, complementa o presidente do SEERN.

Foram discutidos também aspectos nacionais do relacionamento com as comunidades locais, identificação de riscos sócio-ambientais dos empreendimentos, prevenção e gerenciamento de crises, resolução de conflitos, avaliação ambiental estratégica e integrada, componentes indígenas, quilombolas e arqueológicos, e outros temas.

O evento segue até esta sexta com uma sessão executiva sobre “compliance” ambiental e estruturação de práticas institucionais, governança corporativa e exigências das instituições financeiras e do mercado.

Fonte: SEERN Press

 

Foto: Adriano Abreu

Sem ter como escoar energia, RN, BA e RS ficam fora de leilão

O Rio Grande do Norte, líder na geração de energia eólica no país, ficará de fora do 2º Leilão de Energia de Reserva de 2016. Uma nota técnica divulgada ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Operador Nacional do Sistema  (ONS) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) classifica como “nula” a capacidade remanescente para escoamento de energia elétrica no RN e nos estados da Bahia e Rio Grande do Sul. Ou seja, não há margem para novas conexões no sistema integrado nacional (SIN).

A decisão, segundo analistas do setor, acende o alerta para  a urgência de um plano nacional de investimentos para expansão das linhas de transmissão de energia uma vez que a nota alega atraso ou não realização de obras de linhas de transmissão nesses estados. O leilão, o último de 2016  exclusivo para empreendimentos de geração de energias solar fotovoltaica e eólica – para suprimento da partir de 1º de julho de 2019 – é previsto para o dia 16 de dezembro.

De acordo com a nota técnica 21/2016, o cálculo da capacidade remanescente para escoamento de geração levou em consideração as usinas em operação comercial e a expansão da configuração de usinas vencedoras de Leilões precedentes de Energia Nova, de Fontes Alternativas ou de Energia de Reserva do ambiente de contratação regulado – ACR, com entrada em operação comercial no prazo de até seis meses contados a partir do início de suprimento do 2º LER/2016, ou seja, 1º de janeiro de 2020.

“Isto demonstra o quanto é importante termos um planejamento para a transmissão de energia. O RN já provou que tem potencial, passou de importador para exportador de energia, é autossuficiente e pode expandir”, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Energia do RN (SEERN), Jean-Paul Prates.

Prates esteve reunido na tarde de ontem com a direção da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e da ABSolar para analisar o que muda com a nota técnica, quantos projetos estão abrigados, quem poderá ou não concorrer. “Ainda estamos avaliando o que fazer. Porque se havia antes uma sinalização de capacidade de escoamento, porque agora não há mais? Há outras alternativas?”, questiona.

Limpeza da malha ajudaria, diz Azevedo

Por ora, ainda não há definição oficial se é uma situação pontual (apenas para este leilão) ou se impedirá a participação do Estado em futuros leilões a partir de 2017. O secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Flávio Azevedo, acredita ser restrito ao 2º LER/2016. Na visão dele, o quadro será revertido a partir do levantamento de disponibilidade para novos projetos de investimento em linhões.

Azevedo conta que a EPE se comprometeu a rever, a partir de janeiro de 2017, a malha de transmissão nos estados, a chamada “limpeza de malha”.  O assunto foi discutido durante reunião com a direção da EPE na última quinta-feira (29).

“Estamos formalizando nosso protesto e o nosso pleito para que seja feita a limpeza da malha, de modo que projetos que não foram viabilizados voltem a ter seu potencial ofertados e novas linhas sejam construídas e o Rio Grande do Norte não seja ainda mais prejudicado”, disse Azevedo.

A mudança no status  que surpreendeu operadores do mercado e investidores, segundo o secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Flávio Azevedo, se deve ao remanejamento de linhas do Rio Grande do Norte, Campina Grande (PE) e de outros estados do Nordeste para escoar a energia gerada pela hidrelétrica de Belo Monte (PA) para as regiões Sul e Sudeste do país, após a falência da empresa espanhola responsável pela construção dos linhões. “Mais uma vez, o Nordeste e sobretudo o RN são prejudicados para atender o Sul e Sudeste”, frisa. “Mas não deve atingir os projetos que estão ligados a subestação de Assu para cima (Mossoró, Grossos)”, afirma.

Fonte: Sara Vasconcelos | Tribuna do Norte