Foto: Exame

Em meio à recessão histórica, renováveis tem crescimento galopante

A depressão econômica que sufoca o Brasil não arrefeceu o investimento em energias renováveis. Em 2016, a produção de energia eólica disparou impressionantes 55,1%.

Os dados fazem parte de um estudo exclusivo feito pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Segundo o relatório, no ano passado os 402 empreendimentos eólicos em operação no Sistema Nacional Elétrico alcançaram 10.221 MW em capacidade instalada, um recorde.

O Rio Grande do Norte é o principal produtor de energia eólica no Brasil. As usinas potiguares produziram 1.206 MW médios no período, aumento de 50% em relação a 2015.

Fonte: Veja | Radar Online

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Complexo Eólico Santo Agostinho vai gerar mais de mil empregos diretos no Rio Grande do Norte

Na manhã da terça-feira passada (14), na Prefeitura de Pedro Avelino, o secretário de Agricultura, Matheus Rodrigues; do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Joaldo Bezerra, e a chefe de gabinete Meireane Alves receberam o diretor institucional do Instituto Heráclito Projetos e Consultoria, Rogis Juarez Bernardy; Roque Sanchez, PHD em Geografia e diretor geral do Geo. Informação e Gestão Territorial.

Foram discutidas a implementação do Plano Diretor do Município de Pedro Avelino e constituição de núcleo gestor representativo da Engie, representada por suas executivas Gisele Mendes e Carolina Morais, com o objetivo de envolver o Poder Executivo e participação social; no intuito de captar recursos para implementar planos ambientais.

O Complexo Eólico Santo Agostinho será financiado pela Engie Brasil junto ao BNDES. Serão feitos investimentos na implantação do Plano Diretor, recursos serão disponibilizados para aquisição de equipamentos e melhoramento da Casa de Cultura Popular e investimentos em fundos de desenvolvimento municipal, como o da Criança e Adolescente, além da perfuração de poços profundos, que também poderão beneficiar as comunidade rurais.

A expectativa da Engie Brasil é a contratação de aproximadamente 1.200 empregos diretos, o que será um grande avanço na economia local. Além da garantia de empregos, será firmada uma parceria com o SENAI e o IFRN para qualificar nativos. Um dos grandes objetivos é priorizar a mão-de-obra local.

Os secretários reiteraram o que disse a prefeita Neide Suely, no primeiro encontro, que “toda estrutura da Prefeitura está à disposição, para ajudar no que for possível”.

Fonte: Agora RN

Foto: Agora RN

Cosern investe R$ 261 milhões e melhora indicadores

A distribuidora de energia Cosern, do grupo Neoenergia, investiu R$ 261 milhões em modernização e expansão do sistema elétrico do Rio Grande do Norte – quase 30% a mais do que em 2015. A concessionária registrou melhora em seus indicadores de qualidade. O DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Consumidor) apresentou redução de 8% em relação a 2015 e o índice de perdas não técnicas (1,05%) atingiu seu menor patamar nos últimos cinco anos.

A entrada em operação das subestações de Campo Grande e Capim Macio, bem como a construção da subestação Currais Novos I, foram os destaques na área operacional, segundo comunicado divulgado pela companhia na última quinta-feira, 9 de fevereiro. Além disso, a Cosern agregou ao seu sistema 1.378 quilômetros de redes de média tensão e 1.108 quilômetros de baixa tensão.

Mesmo num contexto macroeconômico adverso, com pressões sobre custos financeiros e operacionais, a Cosern registrou Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) de R$ 329 milhões e lucro líquido de R$ 181 milhões.

A Cosern chegou ao fim de 2016 com 1.386.855 consumidores ativos, um aumento de 2,84% em sua base de clientes em relação a 2015. A energia distribuída cresceu 1,28% se comparada ao ano anterior, totalizando 5.582 GWh, sendo 85% referente ao mercado cativo e 15% ao mercado livre, resultando em aumento de 4% da receita operacional bruta.

No campo da responsabilidade socioambiental, merece destaque a parceria entre a Cosern e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef): 49 municípios potiguares receberam o Selo Unicef Município Aprovado, que reconhece ações desenvolvidas para reduzir desigualdades que afetam a vida de milhares de crianças e adolescentes no semiárido. Em 2016, a Cosern também recebeu o Selo Energia Sustentável do Instituto Acende Brasil para o período 2017-2019, na categoria prata, e foi eleita pelo segundo ano consecutivo como uma das 35 melhores empresas para se trabalhar no Brasil pela pesquisa Great Place to Work 2016, e uma das 150 melhores pelo Guia Você S.A. 2016.

Fonte: SEERN Press com informações Cosern

 

Foto: CERNE Press

Chineses querem instalar fábrica de painéis e equipamentos fotovoltaicos no Rio Grande do Norte

O setor de energia solar no Rio Grande de Norte espera um salto com instalação da primeira fábrica de painéis fotovoltaicos e componentes para a indústria de energia solar. Um protocolo de intenções – contendo as condições e atribuições do Estado e do grupo investidor — para a instalação da unidade industrial será assinado pelo governador Robinson Faria e empresários chineses, em Xangai, na China, no dia 22.

O anúncio foi feito ontem pelo secretário de desenvolvimento econômico, Flávio Azevedo, na abertura do 9ª Encontro de Investidores de Energia Solar – Solarinvest 2017, em Natal. Azevedo afirmou que, devido a cláusulas de sigilo, não poderia revelar a identidade do grupo e previsão de investimento.

A fábrica deverá ser uma das âncoras do Parque Tecnológico do Estado, o Potiparky, se instalando em terreno próximo. A estimativa é que gere 320 empregos diretos e desencadeie negócios com fornecedores e em logística necessária à operação no Estado. “A produção irá atender tanto a geração compartilhada [mini e microgeração] como a centralizada [usinas grandes] inicialmente do Nordeste do Brasil, mas também exportar para a América do Sul e Caribe”, disse Flávio Azevedo.

O grupo chinês tem unidades na Alemanha, na Índia e nos Estados Unidos. “A fábrica aqui vai produzir o ciclo completo de placas fotovoltaicas e equipamentos de energia solar, com inversores, transformadores que precisam se adequar as condições locais, semelhante ao que aconteceu com a eólica e os primeiros geradores”, diz Azevedo.

Embora ressalte ser cedo para avaliar o impacto na cadeia produtiva e na economia da região, uma vez que se trata de um termo de intenções, o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia, destacou a importância da atração de fábricas de grande porte, sobretudo no Nordeste, que abriga parcela significativa dos projetos. Hoje, no Brasil, há cerca de 20 indústrias que fabricam equipamentos fotovoltaicos. A chinesa deverá ser a primeira de fabricação de inversores e materiais elétricos do Nordeste, diz Sauaia.

O presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, afirma que a produção se destina a cobrir a demanda da região, mercados que vão desde o Sul de Pernambuco ao Piauí, onde há desde montadoras de painéis solares a startups e a partir daí iniciar novo ciclo de exportações.

O Rio Grande do Norte é o sexto maior gerador de energia solar centralizada, em projetos contratados de usinas de grande porte para entrar em operação até o final do ano que vem, no ranking nacional, com um portfólio de 206,8 Megawatts (MW), segundo a Absolar. “Os projetos entrarão em operação a partir de 2017 e 2018”, diz Sauaia.

Em relação a geração distribuída (sistemas de micro e minigeração) o Estado tem menor participação, ocupando a 12ª posição no ranking nacional.

A Absolar defende políticas estaduais, com um programa de incentivos para instalação em comércios, indústrias e nas repartições do Governo e órgãos públicos como medida de eficiência energética e mitigar os custos.

Além disso, diz que, nacionalmente, é preciso firmar um cronograma de leilões para contratação de projetos e dar condições, como a ampliação da infraestrutura de linhas de transmissão e também ampliação da oferta de crédito. “Esta semana, discutiremos com a EPE medidas para contratação de energia solar, com regularidade dos leilões e retomada do 2º leilão de Energia reserva de 2016 neste semestre”, afirma. Mais de 10% do portfólio de projetos inscritos para o leilão, que seria em dezembro mas foi cancelado pelo Governo Federal, eram no RN.

Prates, do Cerne, ressalta que o arcabouço legal com sistema de compensação na conta de quem gera a própria energia e disponibiliza o excedente no sistema nacional levou, só no último ano, a um crescimento de 300% no número de sistemas instalados em residências e estabelecimentos comerciais e indústria em todo o país.

Fonte: Tribuna do Norte | Sara Vasconcelos

Foto; divulgação

Inovação e competitividade movimentam setor elétrico em Natal

Em um período de desafios para a economia brasileira, a inovação tem sido um elemento-chave para o sucesso de muitas empresas, órgãos e instituições tanto da esfera pública quanto privada.

Com o setor elétrico não foi diferente. A partir da criação da Lei nº 9.991, de 24 de julho de 2000, as empresas de geração, transmissão e distribuição passaram a aplicar de 1% das receitas líquidas em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e em eficiência energética. O Plano Inovar, lançado à quatro anos pelo Governo Federal, investiu cerca de 3 bilhões para apoio à inovação tecnológica no setor elétrico.

É nesse panorama que será realizado hoje, 09 de fevereiro, o primeiro “Encontro da Inovação – Competitividade e Qualidade para o Setor Elétrico Brasileiro”, em Natal, Rio Grande do Norte. O evento propõe uma análise prática dos processos de inovação não apenas ligados à geração e distribuição, mas também nos processos e tecnologias para gestão ambiental, regulação, consumo, mobilidade e atendimento.

Lideranças empresariais e autoridades capazes de modificar o panorama do setor elétrico brasileiro vão debater, juntos, a inovação no campo da regulação, os incentivos à pesquisa e desenvolvimento existentes no país, políticas públicas vigentes, inteligência competitiva e P&D em energias renováveis.

O “Encontro da Inovação” é uma realização do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) em parceria com a empresa Viex Américas e tem o apoio do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio grande do Norte (SEERN). A programação completa e inscrições podem ser realizadas no site do evento pelo endereço: http://viex-americas.com/conferencias/encontro-da-inovacao-setor-eletrico/

Fonte: SEERN/CERNE Press

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Cancelamento de leilão inviabiliza mais de 9 bilhões em investimentos para energia solar

O presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia, afirmou que o cancelamento do leilão de energia, que aconteceria no final de 2016, frustrou expectativas e gerou desconfiança entre os investidores nacionais e internacionais.

O alerta foi dado em um debate sobre política energética para a geração centralizada durante o Solar Invest 2017, evento que aconteceu em Natal, no Rio Grande do Norte, com o objetivo de reunir investidores e executivos para discutir a regulamentação, potencial econômico e desenvolvimento da geração de energia solar no Brasil.

“Vem aí um desafio grande para o setor, porque apesar do começo positivo, tivemos um tropeço importante com o cancelamento do leilão”, disse.

De acordo com o executivo da Absolar, o impacto vai inviabilizar mais de 9 bilhões em investimentos privados e a geração de mais de 30 mil postos de trabalho diretos e indiretos até 2019.

Universalização

O gerente de projetos da Eletrobras, Eduardo Luis Borges, mostrou os desafios em levar energia elétrica para regiões remotas do Brasil e como a energia solar tem sido um grande aliado nesse processo.

Foto: CERNE Press

Foto: CERNE Press

A geração fotovoltaica vem sendo utilizada no fornecimento de energia elétrica para comunidades isoladas especialmente na região Norte do país através do Programa Luz Para Todos. “Estamos investindo fortemente na instalação de usinas fotovoltaicas para beneficiar cerca de 207 mil famílias atendidas pelo Programa, sendo 30 mil destas localizadas em regiões isoladas”, disse Borges.

Fonte: SEERN/CERNE Press

Foto: CERNE Press

Financiamento e oportunidades dão novo fôlego para energia solar no Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reformulou suas Políticas Operacionais em 2016, porém manteve a energia solar como prioridade, com a melhor condição atualmente disponível no banco, que é participação máxima de até 80% em Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), segundo afirmou o executivo do BNDES, Adriano Zanetti.

“Esse reforço no apoio às fontes alternativas vai aumentar ainda mais a participação da fonte solar na matriz energética brasileira e vai extinguir apoio a investimentos em usinas com maior emissão de poluentes como termelétricas a carvão e óleo combustível”, explicou Zanetti durante o Solar Invest 2017, realizado nesta quarta-feira (8) em Natal/RN. O evento teve apoio do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN).

Os investimentos internacionais também tiveram espaço para debate durante o evento. A representante da Agência Brasileira de Promoção a Exportação e Investimentos (Apex), Aline Oliveira, afirmou que no ano passado grandes players estrangeiros apostaram seus investimentos no mercado brasileiro, sobretudo no segmento das energias renováveis.

“A Canadian Solar, uma das maiores empresas globais no ramo das renováveis, anunciou investimentos de 2 bilhões em projetos de geração fotovoltaica no Brasil”, salientou a executiva.

O potencial econômico da cadeia produtiva foi discutido pelo diretor da empresa de consultoria Eolus, Rafael Valverde. Para ele, os fabricantes tem interesse no mercado solar brasileiro, mas é preciso vencer algumas barreiras: “É necessário mais oportunidades para os fornecedores, em especial no Nordeste. Também é importante que a questão tributária seja aperfeiçoada para a cadeia de valor”, frisa.

Paulo Morais, diretor de energia solar do CERNE e CEO da New Energy, e Helder Ferreira, diretor da empresa Enerbras, mostraram cases de projetos de sistemas fotovoltaicos como oportunidade para consumidores residenciais e empreendimentos reduzirem seus gastos na conta de energia. “Apesar do custo elevado para aquisição do sistema, o consumidor pode ter a certeza que, a médio e longo prazo, terá um retorno satisfatório do valor investido”, enfatiza.

A geração distribuída foi o assunto trazido pelo professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Augusto Fialho. O docente mostrou os sistemas fotovoltaicos instalados nos Campi em todo o Estado. “Temos 12 usinas fotovoltaicas em operação e gerando cerca de 1.203MW de energia ao todo. Só o sistema instalado no Campus Central, em Natal, gera 197KW de potência. Teremos mais nove usinas solares instaladas em unidades localizadas no interior até março deste e que irão produzir mais 744,12KW de energia limpa”.

Fonte: SEERN/CERNE Press

Foto: CERNE Press

Ambiente regulatório e política energética movimentam debates no Solar Invest 2017

Lideranças empresariais, autoridades e profissionais do setor energético estiveram reunidos em Natal/RN nesta quarta-feira (08) para discutir os rumos para o mercado de energia solar e os gargalos a serem vencidos para a geração centralizada, distribuída, autoprodução e microgeração, durante o 9º SolarInvest 2017, evento é realizado pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) em parceria com a empresa Viex Américas e tem o apoio institucional do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN).

O diretor-presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, apresentou um panorama geral sobre o setor de energia solar, em especial o mercado de geração centralizada e distribuída. Prates alertou para a questão da tributação dos equipamentos fotovoltaicos. “Os gastos brasileiros com a importação de células fotovoltaicas cresceram seis vezes em 2016. A geração distribuída tende a preferir equipamentos importados, que são mais baratos que os nacionais”, ressaltou.

Apesar da expansão ainda tímida, a geração distribuída registrou um pico de crescimento no ano passado, segundo o presidente da Associação Brasileira de energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia. “O segmento de geração distribuída apresentou um crescimento de 300% em 2016. Em relação à capacidade instalada, estamos prevendo um aumento de mais 150MW em operação no país em 2017”, afirmou o executivo.

Capacitação e desenvolvimento profissional também foram destaques na sessão de abertura do evento. Para o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, Flávio Azevedo, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) são fundamentais para o crescimento do mercado energético, sobretudo no segmento solar. Ele citou o papel do CT-GAS ER e Senai-RN como pólos formadores de mão de obra especializada para o setor.

Azevedo afirmou que o estado vai assinar um protocolo de cooperação com uma grande empresa chinesa que irá fabricar painéis fotovoltaicos no Rio Grande do Norte.

Fonte: SEERN/CERNE Press

Foto: Steve Hockstein / Bloomberg News

Setor elétrico brasileiro aposta em menos leilões em 2017

O peso da queda da demanda de energia no ano passado e as perspectivas menos otimistas para a economia neste ano fazem o governo adotar um postura mais conservadora em relação às possibilidades de leilões de expansão em 2017. Até o momento a tendência é de que seja realizado um leilão de energia de reserva, dois de transmissão e um de privatização que está no âmbito do PPI apenas com hidrelétricas existentes. O setor acredita que em 2017, se houver contratação, o país verá em um volume muito baixo em leilões de energia nova por conta da sobrecontratação das distribuidoras e a perspectiva de continuidade dessa situação até o final da década.

Segundo as estimativas da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, que está para fechar os números do excesso de contratos das associadas, os índices apontam para um volume de 11,6% acima da demanda em 2017, 11,9%, para 2018, 10% em 2019, cai para 6,9% em 2020 e chega a 2021 com 5,8% acima da demanda. Esses indicadores levam em conta os 100% de demanda desconsiderando a flexibilidade regulatória de 5% de excedente que é repassada à tarifa, caso exista.

“Nós estamos com ambiente ainda marcado pela sobrecontratação das distribuidoras. Estamos fechando os números de 2016, mas não deverá mudar muito em relação às projeções que tínhamos de 11,6% para 2017 ainda no mês de outubro, já contando com as medidas mitigadoras do governo”, afirmou o presidente executivo da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, Nelson Fonseca Leite. “Estimamos que a migração de consumidores para o mercado livre tenha um impacto de 1.800 MW médios esse ano, ou em termos percentuais, um aumento de 4,4%, sobre a demanda das distribuidoras, isso é muito significativo”, revelou ele ao destacar que as migrações para o mercado livre tiveram mais importância para a redução da demanda das distribuidoras do que o próprio desempenho da economia.

O presidente executivo da Abradee é taxativo ao afirmar que com essa fotografia do momento no setor elétrico é possível afirmar com alto grau de precisão que este ano não deveremos ver a realização de leilões de energia nova. E ainda, para 2018, talvez um A-5 seja viável, diferente do A-3, uma vez que não faz sentido realizar um leilão de geração em meio a um cenário de excesso de contratos quando estes projetos entrarem em operação. Até porque existe o MCSD que pode compensar as sobras de uma distribuidora para aquelas que necessitam eventualmente de energia e assim no contexto geral se tem o atendimento da demanda sem a necessidade de contratação de energia nova.

Essa é a mesma avaliação por parte das empresas. Mesmo entre as distribuidoras a percepção é de que ainda este ano deveremos ver a manutenção do cenário de sobrecontratação das concessionárias deste segmento. Mesmo com as reuniões que a Abradee vem mantendo com a Aneel e com o próprio Ministério de Minas e Energia para que os volumes de contratos sejam considerados como contratação involuntária, e inclusos nos reajustes tarifários. Para um alto executivo do setor, esse cenário demonstra que a tendência no país para este ano é de ter poucos ou até nenhuma demanda para o curto prazo, pelo menos.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Luiz Augusto Barroso, explica que a contratação de energia nova depende da declaração de volumes pelas distribuidoras e da dinâmica de contratação do mercado livre.

“No caso da geração, o maior desafio é a demanda, que é oriunda das concessionárias. A EPE atua apoiando a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento nesse processo, visando definir um calendário permanente para os leilões”, comentou ele. “No caso da geração, o ambiente efetivamente é desafiador e o balanço físico entre oferta e demanda deve ditar o ritmo e a necessidade de nova oferta”, acrescentou.

Até o momento o ministério dá sinais de que ainda não definiu sua posição sobre a realização de leilões de energia nova. De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético, Eduardo Azevedo, a intenção no momento é de realizar um leilão de energia de reserva, como vem se falando e que o próprio ministro Fernando Coelho Filho comentou semanas atrás, após reunião com diversos agentes interessados em retomar essa modalidade de contratação. Entre esses, os governadores de estados do Nordeste.

“Nossa intenção é fazer sim um LER ainda no primeiro semestre, Nesse prazo, também teremos um sinal mais preciso do rumo da economia, o que tem impacto direto na demanda futura e, consequentemente do quanto precisaremos contratar e em que prazo”, disse Azevedo que é o líder do Comitê de Governança de Informações Energéticas e o Grupo de Trabalho para a Promoção das Energias Renováveis. “Nosso objetivo é saber nossa real necessidade de energia e nossa real disponibilidade de geração para atendê-la”, acrescentou.

Já no caso da transmissão as necessidades são, num primeiro momento, um pouco desacopladas do crescimento econômico. Na avaliação de Barroso, da EPE, há necessidades de reforços por questões de confiabilidade e preparação do sistema de transmissão para acomodar a expansão das renováveis. Além disso, há um volume de ativos que não tiveram vencedores em leilões anteriores e que poderão ser colocados em disputa novamente e sob novas condições. “Temos dois leilões de transmissão planejados para esse ano, somando cerca de R$ 20 bilhões em investimentos”, lembrou.

Sobre os atrasos de Belo Monte, acrescentou a assessora da presidência da EPE, Ângela Livino, estudos recentes que foram divulgados corroboram estudos da própria EPE e indicam que efetivamente há possibilidade de restrições de escoamento em cenários das regiões Norte e Nordeste exportadoras. “Estão sendo tomadas providências para agilizar desbloqueio de ações judiciais que impedem o andamento das obras e também estão sendo estudadas soluções técnicas que possibilitem a minimização destes cenários de restrição”, comentou.

Fonte: Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia,