Foto: Dow Chemical

Investimento estrangeiro em infraestrutura sobe 500% no ano

O ingresso de capital externo para atividades de infraestrutura no Brasil cresceu mais de 500% no primeiro quadrimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2016, atingindo a marca de US$ 11,4 bilhões. O fluxo representa mais de 50% do investimento direto no país para operações de participação no capital registrado pelo Banco Central (BC) de janeiro a abril, um total de US$ 21,5 bilhões.

Analistas de mercado projetam, no entanto, que esse desempenho poderá sofrer uma diminuição acentuada a partir deste mês, em virtude da nova crise política que envolve diretamente o presidente Michel Temer, embora essa reação não signifique que investidores e operadores de infraestrutura “estejam desistindo do país”.

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“Basicamente quando um investidor vai botar dinheiro num projeto ele considera riscos e retorno. Ambos são mensuráveis. Incerteza não dá para medir”, afirma o economista Cláudio Frischtak. “Hoje estamos no pântano da incerteza. Enquanto esse véu de incerteza não for levantado, os investidores vão esperar. Isso não significa desistência, não conheço ninguém que tenha desistido do país”, conclui. Frischtak é especialista na área de infraestrutura da consultoria Inter.B.

O Banco Central já reduziu em quase 50% a projeção do IDP total de maio, mas não informou se a decisão tem a ver com a crise política. Neste mês a autoridade monetária prevê um fluxo líquido de US$ 2,8 bilhões em investimentos diretos, ante US$ 5,577 bilhões registrados em abril.

“Momentos de indefinição deixam o Brasil em condição mais desfavorável para disputar recursos com outros países, lembrando que a oferta não é tão grande como foi em 2011 e 2012. Agora disputamos volume menor de recursos”, comenta, Luís Afonso Lima, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet).

Apesar do potencial revés colocado pelo quadro político, o investimento direto no país destinado à infraestrutura tem a vantagem de ser um capital com características de longo prazo e deve continuar ajudando as contas externas brasileiras, avalia Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria. Campos Neto revela que manteve as projeções da consultoria para o IDP neste ano em US$ 78 bilhões. Nos últimos 12 meses encerrados em abril, o IDP totalizou US$ 84,7 bilhões, somando participação no capital e empréstimos intercompanhia.

“Claro que depende muito do cenário político, é uma ressalva que estará sempre presente, mas os números devem se manter robustos porque já há muita decisão tomada. E também estamos falando de nichos atrativos da infraestrutura, impulsionados pela recente agenda de concessões”, avalia Campos Neto, citando possíveis privatizações no setor elétrico e os leilões de óleo e gás que devem ocorrer ao longo do ano.

Considerando apenas as operações de participação no capital – um investimento sem caráter especulativo – o IDP em infraestrutura (aeroportos, rodovias, saneamento, energia, telecomunicações, obras) representou 53% dos recursos que ingressaram no país de janeiro a abril (US$ 21,5 bilhões).

Esse montante contempla, entre outras coisas, as concessões de quatro aeroportos federais, a privatização da Companhia Elétrica de Goiás (Celg) e os leilões de transmissão de energia elétrica, duas concessões de rodovias no interior de São Paulo e aportes para compra e expansão de empresas de saneamento básico no Brasil, com destaque para a operação envolvendo a gigante canadense Brookfield e a Odebrecht Ambiental.

Setorialmente, as atividades ligadas à infraestrutura aumentaram seu peso dentro dos ingressos para participação no capital, de 15,9% para 52,9% levando em conta a comparação nos primeiros quatro meses de 2016 e 2017, enquanto a participação de indústria e agricultura regrediu.

Energia elétrica, transportes e saneamento lideram o avanço das entradas de capital estrangeiro em infraestrutura no primeiro quadrimestre do ano. No período, o IDP em energia atingiu US$ 5,560 bilhões, quase o dobro do total registrado em 2016 inteiro. Os ingressos em transportes, que envolvem operação de rodovias, saíram de US$ 44 milhões de janeiro a abril de 2016 para US$ 3,9 bilhões nos primeiros quatro meses deste ano. Na mesma comparação, a conta saneamento (captação, tratamento e distribuição de água) saiu de US$ 2 milhões para US$ 927 milhões.

Fonte: Valor Econômico | Luciano Máximo

Foto: Ambiente Energia

Condições para recarga de veículos elétricos entram em audiência pública

A Agência Nacional de Energia Elétrica vai abrir audiência pública para discutir proposta de resolução que estabelece os procedimentos e as condições para a realização de atividades de recarga de veículos elétricos em unidades consumidoras conectadas ao serviço  distribuição. As contribuições serão recebidas pela agência de 25 de maio a 31 de julho.

Em abril do ano passado, a Aneel submeteu o assunto a consulta pública, com a intenção de avaliar previamente a necessidade de regulamentação dos aspectos relacionados ao fornecimento de energia para esse tipo de veículo. Um grupo de 26 instituições de diferentes segmentos participou do processo, dentre as quais dez concessionárias de distribuição.

O tratamento a ser dado pela agência no regulamento busca “reduzir eventuais barreiras regulatórias para empreendedores e usuários interessados na mobilidade elétrica, mas preservando a integridade das redes de distribuição e seus consumidores, independentemente destes serem ou não usuários de veículos elétricos.”

A regra permite a recarga de veículos de terceiros pelo titular da unidade consumidora de energia elétrica, inclusive para fins de exploração comercial e a preços livremente negociados. A instalação de estação de recarga deverá ser comunicada previamente às distribuidoras. Equipamentos operados por terceiros que não sejam exclusivos para uso privado deverão seguir protocolos abertos de comunicação e de supervisão e controle remotos de domínio público.

A própria distribuidora poderá instalar estações de recarga pública de veículos na área em que atua como permissionária ou concessionária, atividade que exercerá por sua conta e risco e de forma separada do serviço de distribuição. Os preços também serão livremente negociados com os clientes, e o serviço tratado como atividade acessória, não vinculada ao fornecimento de energia elétrica. Os ativos que compõem a infraestrutura das estações de recarga não entrarão na base de ativos da empresa para fins de remuneração na revisão e/ou no reajuste tarifário.

As distribuidoras terão de repassar à Aneel informações das unidades consumidoras com estações de recarga e enviar a cada semestre dados consolidados para registro na agencia. A partir de 1º de julho de 2018 as empresas deverão implantar um sistema eletrônico para que o consumidor possa enviar os dados necessários sobre estações de recarga.

Os interessados em participar da audiência poderão enviar contribuições para o e-mail ap029_2017@aneel.gov.br ou para o endereço da Aneel – SGAN Quadra 603 – Módulo I Térreo/Protocolo Geral, CEP 70.830-110, Brasília–DF.

Fonte:

Foto: Neo Energia

Chesf energiza instalações no Rio Grande do Norte

Com investimentos superiores a R$ 44 milhões, a Chesf energizou no dia 12 de maio, a subestação Touros, com capacidade de transformação de 150 MVA, localizada no município de São Miguel do Gostoso, litoral do Rio Grande do Norte.

O empreendimento vai possibilitar o aumento da oferta de energia a partir das usinas eólicas instaladas no Potiguá, e serão conectadas a essa subestação um total de 36 unidades geradoras, com o total de 108 MW de potência instalada.

A integração da SE Touros ao Sistema Interligado Nacional foi possível através da construção de linha de transmissão, em circuito simples, com extensão de 56 km, operada na tensão de 230 kV, e interligará a SE Touros à SE Ceará-mirim, situada na Região Metropolitana de Natal.

Fonte: Chesf

Foto: Alex Régis

Aneel libera operação em teste de quatro usinas eólicas no RN

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou desde a última sexta-feira, 20 de maio, a operação em fase de teste de quatro parques eólicos da empresa francesa Voltalia, no Rio Grande do Norte.
As usinas Carnaúbas, Reduto, Santo Cristo e São João, cada uma  com 27 MW em potência instalada devem entrar em operação comercial até o dia  30 de junho, de acordo com a Aneel. Os empreendimentos somam um total de 108 MW em potência instalada a partir de 9 aerogeradores de 3 MW cada.
Os parques estão localizados no município de São Miguel do Gostoso, exceto o parque de Santo Cristo, instalado no município de Touros.
Fonte: SEERN Press
Foto; Brasil News

Comissão aprova renovações sucessivas para concessão de energia

A Comissão de Minas e Energia aprovou proposta que permite prorrogações sucessivas dos contratos de concessão no setor de energia elétrica. O texto aprovado é o do Projeto de Lei 7068/10, do deputado Wladimir Costa (PMDB-PA).

A proposta mantém os prazos atuais de prorrogação (20 anos na área de geração de energia e 30 anos nas áreas de transmissão e de distribuição), mas prevê que esses prolongamentos de contrato podem ocorrer várias vezes seguidas.

Relator na comissão, o deputado Marcelo Álvaro Antônio (PR-MG) disse que a existência de regras claras permite a continuidade dos investimentos no setor elétrico e favorece a qualidade na prestação dos serviços.

“Entende-se urgente que regras claras sobre o tema sejam aprovadas e instituídas legalmente, de modo que as relações jurídicas possam ocorrer em ambiente seguro e equilibrado”, disse o relator.

A proposta também prevê que, no ato da prorrogação, o Poder Público poderá exigir das concessionárias uma redução do valor das tarifas pagas pelos consumidores – apenas no caso dos contratos de geração de energia.

Tramitação
O texto aprovado será ainda analisado conclusivamente pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Câmara dos Deputados

Foto: Raul Motta Junior

Aneel libera 4,2MW para operação em testes no RN

A usina eólica Vila Acre I recebeu autorização para operação em teste das unidades geradoras UG1 e UG2,  segundo despacho publicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última quarta-feira, 10 de maio.

As unidades correspondem a potência de 2,1 MW cada, totalizando 4,2 MW de capacidade instalada. O empreendimento está localizado no município de Serra do Mel, no Rio Grande do Norte.

Fonte: Canal Energia

Foto: SEERN Press

Estudante do RN é premiado em mostra científica nos Estados Unidos

O estudante Ciros Kauer Tavares das Chagas, estudante do Curso Técnico Integrado em Eletrotécnica do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN) Campus Mossoró recebeu o certificado de menção honrosa pelo seu trabalho apresentado na 10ª edição da I-SWEEEP, uma Mostra Científica realizada entre os dias 3 e 7 de maio, no Texas, Estados Unidos.

A pesquisa realizada pelo estudante tem como título “Greenplat: Automação de estufa com monitoramento web” e concorreu na categoria Gestão e Poluição. O trabalho consiste em um sistema de automação capaz de monitorar e verificar as variáveis climáticas e a partir delas controlar os recursos hídricos e energéticos, minimizando o impacto das severas mudanças climáticas que ocorrem no Nordeste.

O projeto visa tornar a plataforma mais acessível aos pequenos produtores. “Utilizei plataformas de código aberto ou ‘open source’ para a construção de sensores com custo mais barato do que os apresentados pelo mercado. A ideia é que essa tecnologia de baixo custo esteja acessível ao pequeno agricultor, considerando que são eles que garantem a qualidade dos alimentos que chegam até a mesa dos brasileiros”, explicou Ciros.

A 10ª I-SWEEEP reuniu estudantes de 70 países oriundos de diversas instituições de ensino. “Enfrentei alguns desafios pelo caminho mas foi recompensador. Essa experiência trouxe visibilidade ao meu trabalho e quero seguir com ele adiante”, disse o estudante

Os próximos passos de Ciros serão o de transformar o projeto em um produto comercializável. “Farei mais testes para verificar a durabilidade dos sensores e como eles vão se comportar diante das variáveis climáticas, além de buscar meios de reduzir seu tamanho para que ele se adapte melhor à usabilidade e comercialização”, finaliza.

O promissor projeto será discutido junto a especialistas nos Estados Unidos. O Diretor Setorial de Tecnologia e Inovação do CERNE (Centro de estratégias em Recursos Naturais e Energia), Olavo Oliveira, vai levar o trabalho para a Universidade de Houston para conversar sobre possíveis aplicações e parcerias em um projeto de materiais termoelétricos em cooperação com o MIT, suportado pelo Departamento de Energia do Governo Americano. A pesquisa é realizada pelo professor Zhifeng Ren.

O Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN) apoiou financeiramente a ida do estudante aos Estados Unidos cobrindo parte dos custos relativos às passagens aéreas.

Fonte: SEERN Press

Foto: Novo Jornal

Rio Grande do Norte amplia capacidade instalada de energia solar

Em quatro anos, o Rio Grande do Norte ampliou em mais de 4000% sua capacidade instalada de geração em energia solar fotovoltaica distribuída – aquela que é feita em sistemas instalados, em casas, prédios públicos, comércios e indústrias. Passou de 56 kilowatts em 2013 para 2.219 kw neste primeiro semestre de 2017, que ainda tem dois meses para acabar. As quatro unidades consumidoras instaladas naquele ano transformaram-se em atuais 168 – a grande maioria na zona urbana.

De acordo com a Absolar – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica – o crescimento segue a tendência nacional. Nos últimos levantamentos, as taxas de avanço superam os 300% anuais. E ainda tem muito espaço para crescer, já que a fonte representa menos de 1% da matriz energética brasileira. O estado sequer figura entre os principais geradores no país.

Apesar da evolução do setor ser animadora para a indústria, ela está abaixo das projeções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), explica o diretor-executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia. O Brasil encerrou o ano com cerca de 7,5 mil sistemas instalados, quando o governo federal esperava ter 14 mil no mesmo período. A projeção para 2017 era de 40 mil, mas as empresas do setor preveem 21 mil sistemas instalados até o final do ano.

As razões para isso são simples, aponta Sauaia: a falta de alternativas de financiamento a juros baratos e a alta tributação sobre o setor.

Rodrigo Sauaia, diretor-executivo da Absolar. (Foto: Fábio Cortez)

Rodrigo Sauaia, diretor-executivo da Absolar. (Foto: Fábio Cortez)

“A maior parte das linhas de crédito que existem é voltada para pessoas jurídicas. Falta opção para pessoa física. Isso é importante quando a gente repara que 70% dos entrevistados em uma pesquisa do Datafolha com o Greenpeace, feita no início do ano, investiriam nesses sistemas se houvesse financiamento a juros baixos. Esses consumidores representam uma demanda reprimida”, assinala o presidente da Absolar.

De acordo com ele, a associação tem tentado dialogar com o governo federal na expectativa de que bancos públicos como Banco do Brasil e Caixa Econômica forneçam esse tipo de opção aos consumidores.

O outro ponto da pauta, a tributação, é dividido pelo representante do setor em duas áreas. A primeira é a tributação sobre os equipamentos utilizados para geração e distribuição de energia. “A fonte solar fotovoltaica não precisa de incentivos diferenciados. A gente só quer o mesmo tratamento que já é dado a outras fontes renováveis, que têm uma carga tributária muito menor que a nossa. É preciso equalizar isso”, argumenta.

Do outro lado, está a taxação sobre a energia gerada. A maior parte dos estados brasileiros já assinou o convênio do ICMS 16/2015, com exceção do Amazonas, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. O acordo isenta a energia gerada pelas unidades do imposto estadual. Sauaia argumenta que, por mais que o estado perca uma parte pequena de sua arrecadação – a geração ainda é irrisória – a isenção é compensada pelo aumento da arrecadação na fabricação, distribuição e instalação dos equipamentos. “Antes de terminar a instalação, o governo já ganhou”, aponta.

Rodrigo Sauaia esteve em Natal na última sexta-feira (8), participando de um encontro promovido pelo Conselho Técnico e Científico do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) no campus central do IFRN, em Natal. A reunião foi a segunda de uma série de cinco que serão realizadas ao longo do ano. “É um evento voltado para a interação entre a academia, a parte científica, e as empresas. Faz parte das atividades do conselho que é justamente onde estão professores, orientadores e pesquisadores que são convidados por nós para se juntarem a nós, com várias universidades do país na área de energia e recursos naturais. Esse conselho visa essa interação entre essas universidades e delas com as empresas”, explica Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Cerne.

SETOR TEM PREJUÍZO SEM LEILÕES

Nove bilhões de reais deixaram de ser investidos ano passado no Brasil, por causa do cancelamento dos dois leilões de compra de energia que foram anunciados pelo governo federal e eram aguardados pelos investidores. O dado é da Absolar. Desse total, o setor não sabe quanto poderia ter vindo para o Rio Grande do Norte. A certeza é que seria pouco. Esse tipo de compra é o de energia concentrada, fornecida por grandes usinas construídas pelas empresas contratadas para fornecer energia ao sistema nacional.

Rodrigo Sauaia explica que o Rio Grande de Norte, assim como outras unidades federativas do Nordeste, encontra dificuldade na atração deste tipo de investimento por falta de infraestrutura, como disponibilidade de linhas de transmissão – diferente de São Paulo e Minas Gerais. Embora os estados do Sul e Sudeste tenham menos disponibilidade de sol, contam com infraestrutura, logística e demanda de consumo.

Para Jean-Paul Prates, do Cerne, a região nordestina precisa criar um ambiente favorável, como foi feito no caso da energia eólica. Nesse sentido, ele aponta que o estado está caminhando positivamente.

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Jean-Paul Prates,diretor-presidente do Cerne. (Foto: Fábio Cortez)

“Quando nós começamos o trabalho em relação à eólica, havia um deserto de circunstância e tivemos que criar um ambiente favorável para a energia eólica. É a mesma coisa com a solar”, pontua Prates. Ele salienta que o estado não pode esperar apenas pelos leilões e pelo investimento do governo federal em linhas de transmissão. O diretor do Cerne considera que, sem um calendário de leilões, os fabricantes tendem a não investir no país. Isso poderia inclusive ter afastado o investimento da chinesa Chint Eletrics, que anunciou instalação de fábrica de placas fotovoltaicas no município de Extremoz, Região Metropolitana de Natal. “Os leilões são cruciais para indicar o caminho, principalmente para os fabricantes”, pondera. Sem geração concentrada e sem fornecedores, a expansão do sistemas de geração distribuída (aqueles instalados individualmente pelo consumidor final) também têm maior dificuldade de crescimento, pois se torna mais caro.

Prates atribui a garantia do investimento chinês ao trabalho da administração do estado e de instituições como da Federação das Indústrias (Fiern). “Os estados também podem se mover. E temos feito coisas acertadas. No caso da solar, é importante atrair fabricantes. Tivemos o anúncio da fábrica da Chint. É um agente muito importante e sério no mercado internacional, nessa área de fabricação de painéis e de equipamentos em geral. É um gigante na fabricação de equipamentos elétricos. Não foi dada a devida importância a esse anúncio, porque caso essa fábrica venha se viabilizar, tem um enorme potencial de geração de empregos, contratação de outros subcontratados e fornecedores que vão gravitar no entorno dela”, aponta.

Prates lembrou que, diferente da energia eólica, a matriz solar tem uma gama maior de modelos de geração e que a atração de empresas, mesmo internacionais, também pode fortalecer o parque tecnológico do estado, tornando-o referência no país.

Se na eólica o desafio era primeiro ter uma melhor infraestrutura de portos para poder atrair fabricantes, no caso da solar, o estado deve primeiro se concentrar em atrair esses fornecedores. Criando uma “massa crítica”, o Rio Grande do Norte teria maior poder de atração de infraestrutura de linhas de transmissão, destaca Prates. “Quando você tem uma tecnologia competitiva, fabricada no Brasil, você passa a dominar essa tecnologia e ter controle sobre isso. A política é diferente”.

USINAS MENORES

Para Rodrigo Sauaia, mesmo sem leilão, o estado pode aproveitar  o sol para geração concentrada.   “O estado tem dados mais granulares (mais detalhados) a respeito da sua estrutura de transmissão e distribuição, de modo que existem espaços potenciais em que usinas podem ser instaladas para atender uma demanda local. Para isso é preciso que o governo faça um mapeamento, e ajude a indicar para o setor onde existem esses espaços”, explica. De acordo com ele, a Cosern (Companhia Energética do RN) também pode ser uma base de dados para que o governo faça um mapeamento na área de distribuição: “Ele pode receber usinas de porte menor, por exemplo, de cinco megawatts. Já é um porte significativo. Essas usinas não participam de leilão, portando o fornecedor não está competindo com o custo de geração, mas com a tarifa cheia, incluindo impostos e encargos. Nesse sentido, a energia solar se mostra bastante competitiva, barata”.

Fonte: Igor Jácome | Novo Jornal

Foto: Energia eólica (Thinkstock/Thinkstock)

O vento soprou forte para eólica no Brasil em 2016

No ano passado, o Brasil adicionou mais 2 gigawatts (GW) de energia eólica em 81 novos parques, fazendo com que o setor atingisse 10,75 GW de capacidade acumulada. Ao todo, o país já conta com 430 parques eólicos, representando 7% da matriz elétrica nacional.

Os dados constam no relatório anual sobre o setor divulgado nesta semana pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Os bons ventos, associados a  investimentos vultosos que somaram  de US$ 5,4 bilhões, refletiram na geração de mais de 30 mil postos de trabalho em 2016.

Em termos de geração, a energia eólica cresceu 55% em relação a 2015, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), gerando o equivalente ao abastecimento mensal de uma média de 17,27 milhões de residências por mês.

No mercado internacional, o Brasil ultrapassou a Itália e ocupa agora a nona posição no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica, de acordo com dados do GWEC (Global Wind Energy Council).

Todo o vigor que os números do mercado em 2016 refletem, porém, pode estar com os dias contados pela falta de previsibilidade do governo brasileiro.

Segundo estimativa da ABEEólica, o setor eólico deve terminar o ano de 2017 com cerca de 13 GW. “Será um bom resultado, mas sempre é bom lembrar que ele é consequência de leilões realizados em anos anteriores”, diz Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica.

“O cancelamento do Leilão de Reserva no final do ano foi uma notícia muito negativa para a indústria e tirou o setor de sua trajetória positiva: 2016 foi o primeiro ano, desde que as eólicas começaram a participar de leilões, em que não houve contratação de energia dessa fonte”, analisa.

Fonte: Exame.com

Foto: O Globo

Governo prepara decreto para reduzir subsídios no setor elétrico

O governo decidiu colocar a mão no vespeiro e enfrentar o tema dos subsídios no setor elétrico. Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, o governo deverá publicar nas próximas semanas um decreto para reduzir esses benefícios concedidos a alguns segmentos do mercado de energia elétrica.

“Fechamos o decreto por exemplo da CDE [Conta de Desenvolvimento Energético], que trata da questão do subsídio ao carvão. Estamos fechando o decreto geral da regulamentação da lei 13.360/16, que vai ter vários mecanismos de aperfeiçoamento e transparência em relação à questão dos subsídios. Nos próximos 15 dias esse decreto estará apresentado”, afirmou o representante do governo nesta quinta-feira, 4 de maio, ao conversar com a imprensa após participar de evento em São Paulo promovido pela WTC.

Para uma palestra formada por empresários do setor elétrico, Pedrosa foi contundente ao afirmar que o peso dos subsídios no setor elétrico se tornou “insustentável”. “Que os beneficiados pelos subsídios tenham o seus CPFs e o CNPJs divulgados. Vamos trazer para o conhecimento da sociedade quem são aqueles que estão recebendo os subsídios e em que montantes. Esse controle social é muito importante para enfrentar a questão dos subsídios”, disse.

Os subsídios presentes no setor elétrico, em geral, são custeados com recursos de fundos setoriais, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a Conta de Consumo de Combustíveis). Esses dois fundos nos últimos quatro anos têm apresentado cifras anuais que ultrapassam uma dezena de bilhão, custo esse que é suportado por todos os consumidores de energia do país, principalmente aqueles da região Sudeste.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem feito um movimento regulatório para reconhecer apenas os custos do uso eficiente do carvão. Essa fonte de energia é muito utilizada por termelétricas no Norte e no Nordeste, assim como o óleo combustível. Devido ao alto custo, as empresas recebem recursos da CCC, via CDE, para custear parte dos custos pela utilização desses combustíveis.

Há ainda outras benesses no setor para subsidiar, por exemplo, as tarifas de consumidores de baixa renda, o uso de energia na irrigação, ou para incentivar novas fontes de geração, como a energia eólica.

O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que não só apoia a iniciativa do governo, como cobra que haja uma reavaliação dos subsídios no setor elétrico. “Tem subsídios que não faz mais nenhum sentido”, disse ele, que também esteve em São Paulo. “A partir do momento que uma determinada fonte [subsidiada] já desloca outras fontes, será que ela precisa de subsídio? No Brasil é isso, você dá subsídio e nunca mais tira”, criticou.

Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Regulação e Política