Foto: Agência Brasil

Justiça invalida venda de campos terrestres da Petrobras no RN

A negociação sofreu várias críticas de Jean-Paul Prates, futuro senador da República que assumirá a vaga deixada por Fátima Bezerra, eleita governadora do RN.

A euforia dos representantes de entidades empresariais do Rio Grande do Norte durou pouco. Depois de comemorar a assinatura do contrato de cessão de 34 campos terrestres da Petrobras no Estado para a empresa 3R Petroleum, na semana passada, os empresários foram surpreendidos com a suspensão do negócio, nesta sexta-feira (7).

Atendendo a uma solicitação do Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindipetro/RN), o juiz Carlito Antônio Cruz, da 2ª Vara do Trabalho de Natal, concedeu liminar invalidando o negócio. Motivo: ausência de um representante dos trabalhadores na reunião do conselho de administração da petroleira, que aprovou a venda no valor de US$ 453,1 milhões.

Pela decisão, também fica determinado que a Petrobras não pode assinar o contrato de cessão dos 34 campos de exploração, localizados na região Oeste Potiguar, pelo prazo mínimo de 90 dias. A Petrobras tem 15 dias para apresentar uma defesa.

Oportunidade

Na época do anúncio do negócio, Amaro Sales, presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern) chegou a afirmar que “é uma oportunidade para as pequenas e médias empresas que já atuam no setor, assumir a exploração desses poços maduros da Bacia Potiguar, ou seja, reativar a atividade e reestruturar o setor”.

O negócio também foi festejado pelo presidente da RedePetro/RN, Gutemberg Dias. “A partir de agora, com um novo operador, há possibilidades de melhorias no campo de produção. Esperamos que a empresa faça os investimentos necessários e aumente a produção, assim como os royalties, trazendo renda para a população”.

Insegurança

Senador pelo Rio Grande do Norte a partir de 2019, assumindo a cadeira de Fátima Bezerra (PT/RN), eleita governadora do Estado, Jean-Paul Prates já havia criticado a Petrobras. Segundo ele, a atuação de uma empresa sem experiência na área, poderia gerar insegurança. “Deixa insegurança. A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) deve analisar detalhadamente esta cessão, sob pena de prevaricação”, chegou a alertar, Prates, através do twitter.

De acordo com nota publicada pela Petrobras, “a 3R Petroleum conta, em seus quadros, com executivos com extensa experiência em operação de campos maduros e aumento de produção e reservas em países como Venezuela, Argentina, Brasil, Peru, Equador e Bolívia. Conta também, em sua estruturação financeira, com a parceria de grandes empresas globais, como uma companhia de tradingde classe mundial, uma empresa internacional de serviços petrolíferos e uma operadora independente”.

As 34 concessões englobam campos do Polo Riacho da Forquilha, em produção há mais de 40 anos, gerando 6 mil barris de petróleo por dia. De acordo com projeções da Petrobras, o primeiro ano de operação, através da 3R; Petrolium, renderia cerca de R$ 150 milhões ao Estado.

Fonte: Portal Negócios

Foto: Reuters

BNDES libera R$674 mi para empreendimentos no Rio Grande do Norte

A elétrica paranaense Copel informou na última quarta-feira que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou 674 milhões de reais em financiamentos acertados com a instituição de fomento para projetos da companhia.

Segundo a Copel, na primeira liberação de recursos dos financiamentos, foram autorizados 513 milhões de reais para a implantação do empreendimento Eólico Cutia, no Rio Grande do Norte, e 161 milhões de reais para a Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu.

O Eólico Cutia, cujo contrato é de 619,4 milhões de reais, é formado por 13 parques eólicos que totalizam 312,9 MW de capacidade instalada.

A Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, construído pelo consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu, com 30 por cento de participação da Copel, teve um total de financiamentos contratados de 194 milhões de reais.

O Baixo Iguaçu tem potência instalada de 350,2 MW e está localizado no Rio Iguaçu, entre os municípios de Capanema e de Capitão Leônidas Marques, e entre a UHE Governador José Richa e o Parque Nacional do Iguaçu, no Estado do Paraná.

Ambos contratos de financiamento preveem amortização em 192 parcelas (vencimento em 16 anos) e carência de seis meses.

Fonte: Reuters

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Empresas e fornecedores do setor de energia eólica e solar ganham portal de negócios

Ferramenta integra, em um único local, oportunidades de negócios entre compradores e supridores da cadeia produtiva de energia em todo o Nordeste.

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) agora disponibiliza para as empresas uma ferramenta que une demandas e ofertas de bens e serviços no setor energético. A REDE RENOVÁVEIS é um portal integrado de gestão de demandas e ofertas de bens e serviços dos segmentos eólico e solar, que articula oportunidades de negócios entre compradores e supridores da cadeia produtiva no Nordeste.

Encontrar fornecedores confiáveis e conseguir boas referências deles são as principais dificuldades das empresas do setor de energia. Em contrapartida, os empreendedores que prestam serviço às geradoras não conseguem se vender de forma adequada. Segundo Hugo Fonseca, a Rede Renováveis será um canal de geração de negócios no segmentos eólico e solar, induzindo uma melhoria na eficiência das empresas e tornando-as mais competitivas.

“Nesse processo, também espera-se que empresas oriundas de outros segmentos de energia, como petróleo e gás, façam o uso do portal como ferramenta de inserção para novos nichos de mercado, adaptando-se as mudanças na matriz energética e agregando valor à cadeia”, enfatiza o coordenador.

Mesmo com o recente lançamento, a ferramenta já está recebendo acessos de fora do país. “Temos registros de acessos ao portal de oito empresas dos Estados Unidos, três da Inglaterra, um da Espanha, além de 14 empresas brasileiras”, afirma Hugo. No evento, a equipe do portal realizou um trabalho de atendimento individual às empresas, realizando o cadastramento.

O  Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN) é uma das entidades parceiras que apoiam a Rede Renováveis. Acesse o portal para cadastro e consultas pelo endereço www.rederenovaveis.com.br.

 

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Energia solar: custo de equipamentos pode cair à metade em dez anos

Essa é a fonte energética que mais tende a crescer no país. Eólica deslancha e deve assumir o 2º lugar na matriz

Um crescimento explosivo é esperado para os próximos anos na geração de energia eólica e solar, que respondem, respectivamente, por 8,12% e 0,95% da matriz elétrica brasileira. São 568 parques eólicos e mais de sete mil aerogeradores em 12 estados. A solar ainda tem presença incipiente, mas é na qual se espera o maior avanço. O consultor Antonio Bolognesi, da Opperman Engenharia e Consultoria, estima que, com o aumento da demanda por essa fonte, o custo dos equipamentos deve cair à metade em dez anos, impulsionando o crescimento da geração distribuída (feita pelo próprio consumidor).

“Em 2012, havia apenas uma instalação de energia fotovoltaica ligada no sistema. Agora, temos de 40 mil a 50 mil ligações. Nos próximos cinco a dez anos, chegaremos a um milhão” — diz Bolognesi.

A superintendente de Energia do BNDES, Carla Primavera, confirma o potencial de crescimento e diz que o mercado de renováveis tem despertado grande interesse de investidores internacionais. O BNDES foi o primeiro banco brasileiro a emitir Green Bonds, títulos lastreados em projetos de energia eólica e solar. Levantou US$ 1 bilhão — o equivalente a R$ 3,8 bilhões — com a emissão, mas a demanda foi cinco vezes maior.

O avanço dessas duas fontes de energia levanta discussões sobre a necessidade de manutenção dos subsídios. Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), diz que, em breve, a eólica ocupará o segundo lugar na matriz elétrica, superando a energia gerada com biomassa.

Para ela, nenhuma fonte de energia precisa mais de subsídio hoje porque, desde 2013, o Brasil faz leilões de energia por fonte, o que permite que as características de cada uma sejam levadas em conta na precificação. Mas Elbia aponta ser necessária uma reforma estrutural no setor elétrico, para incorporar as inovações tecnológicas recentes.

Já Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSolar) cobra a criação de uma política para essa fonte de energia, por exemplo nos programas de habitação popular e prédios governamentais. Além disso, diz ser preciso desenvolver uma política industrial para fabricar módulos fotovoltaicos no país. Hoje, a carga tributária para a indústria chega a 50%, o que inviabiliza a competição com o produto importado.

Fonte: O Globo | Lucila Soares

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Capital da 3R Petroleum é 300 vezes menor que valor da cessão

A empresa 3R Petroleum e Participações Ltda., selecionada pela Petrobras para operacionalizar 34 campos maduros de produção de petróleo no Riacho da Forquilha, no Oeste potiguar, tem capital social 303,24 vezes menor que o valor da transação que envolve a cessão dos campos. Conforme dados extraídos da Receita Federal, a 3R Petroleum é enquadrada no porte de ME (microempresa), formada por dois sócios (Ricardo Rodrigues Savini, sócio-administrador; e Daniel Annucaro Lassance Soares, sócio). O capital social informado é de R$ 5.935.838,00. O valor da transação com a Petrobras, que depende de repasse de 7,5% no ato da assinatura do contrato marcado para o próximo dia 7, foi de R$ 1,8 bilhão. O caso chamou atenção de especialistas ligados ao setor.

“Eu não tenho detalhes sobre os sócios, sobre a empresa em si. É uma empresa sem histórico na área de produção de petróleo e não é associada à ABPIP”, declarou o secretário executivo da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP), Anabal Santos. Questionado sobre o processo que deu origem à escolha da 3R Petroleum como a beneficiada com a cessão dos campos, Santos destacou que a Petrobras cometeu falhas. “Foi um processo mal conduzido. Nós alertamos a Petrobras diversas vezes. Não nos parece razoável que uma empresa faça uma oferta 300 vezes maior que seu patrimônio. É um valor muito elevado”, frisou.

Ainda conforme disposto nas informações da empresa junto à Receita Federal, consta uma alteração cadastral datada de 14 de novembro deste ano. Das 14 atividades econômicas descritas no Cadastro Nacional da Pessoas Jurídica (CNPJ), consta a de que a 3R Petroleum atua nas “atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural”. Adiante, consta que também atua com “reparação e manutenção de computadores e de equipamentos periféricos”. Uma fonte da TRIBUNA DO NORTE ligada à Petrobras informou que a 3R Petroleum e Participações Ltda. foi constituída há pouco tempo e com o objetivo específico de participar do processo de cessão dos campos terrestres maduros.

No site da empresa (https://3rpetroleum.com/) com versões em inglês e português, consta a informação de que é “uma empresa de Petróleo e Gás recentemente criada com sede no Rio de Janeiro, Brasil, especializada na explotação de campos terrestres, com experiência em implantação de projetos de otimização da produção, estudos de reservatórios e aplicação das melhores práticas da indústria para o gerenciamento de cada campo”. A reportagem tentou contato com a empresa, mas não consta nenhum número telefônico disponível no referido endereço eletrônico.

Repercussão

No Rio Grande do Norte,  o anúncio da empresa gerou repercussão entre especialistas e economistas. O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean Paul Prates, usou as redes sociais para criticar a Petrobras. “O ciclo de petróleo no RN está fraquejando há tempos, em virtude de teimosias e experiências quanto à formação de empresas locais para suceder a @petrobras. Não temos mais tempo para erros. Fornecedores, trabalhadores e o Estado não podem estar inseguros quanto ao futuro do setor”, escreveu. Noutra postagem, ele destacou que a Agência Nacional de Petróleo deve investigar o caso sob pena de “prevaricação”.

O economista José Aldemir Freire também recorreu às redes sociais para questionar a cessão dos poços. “Eles fizeram uma modificação no último dia 14/11. Eventualmente podem ter entrado novos sócios. Ou eles tem uma engenharia financeira com algum grupo grande. O volume de recursos para recuperar esses campos não é pequeno. Além do R$ 1,8 bilhões na aquisição, terão que investir um valor considerável para aumentar o nível de recuperação do petróleo. Não justifica uma empresa com zero histórico fazer essa aquisição. É um risco”, argumentou.

A Petrobras foi procurada para comentar o processo de seleção, mas não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem. “O mercado não conhece o edital. Não sabemos quais são as consequências se a empresa não honrar o contrato. Poderia ter sido um processo melhor”, disse Anabal Santos.

Questionamentos
A TRIBUNA DO NORTE enviou questionamentos à Petrobras, que não os respondeu. Veja abaixo perguntas enviadas relativas à cessão dos poços do Riacho da Forquilha. Sobre o anúncio feito pela Petrobras no início desta semana a respeito da empresa 3R Petroleum, solicito os seguintes esclarecimentos:1. Como se deu o processo de seleção, quais critérios foram analisados e com quantas outras empresas a vencedora concorreu?2. A empresa vencedora da licitação para exploração dos 34 campos maduros do Riacho da Forquilha, no Rio Grande do Norte, possui capital social de R$ 5,9 milhões conforme informações da Receita Federal. Como a Petrobras avalia o lastro financeiro das concorrentes a esse tipo de operação para escolher a ideal?

3. A empresa escolhida possui expertise na exploração de poços de petróleo maduros? De que forma ela confirmou isso à Petrobras?

Fonte: Ricardo Araújo | Tribuna do Norte