EDP Renováveis anuncia parque eólico de 126 MW no RN

A EDP Renováveis, controlada pela elétrica portuguesa Energias de Portugal (EDP), anunciou que construirá uma usina eólica no Rio Grande do Norte com uma capacidade instalada de 126 megawatts após ter assegurado a venda da produção do parque em um contrato privado com 20 anos de duração.

Em comunicado nesta segunda-feira, a EDP Renováveis afirmou que o empreendimento deverá iniciar operações em 2022.

O anúncio da operação vem em meio a um forte crescimento do número de projetos de energia renovável no Brasil viabilizados com a venda da produção futura em contratos privados, no chamado mercado livre de eletricidade— em que grandes clientes como indústrias podem negociar o suprimento diretamente com geradores e comercializadoras.

Segundo a EDP Renováveis, o contrato de 20 anos viabilizará os projetos Monte Verde VI e Boqueirão I e II.

“Atualmente, a EDP R tem 467 MW em parques eólicos de tecnologia ‘onshore’ (em terra) instalados no Brasil, e com esse novo contrato a EDP R reforça sua presença em um mercado com um baixo perfil de risco, por meio do estabelecimento de contratos de longo prazo, ativos renováveis atraentes e sólidas perspectivas de médio e longo prazo”, disse a empresa no comunicado.

A EDP Renováveis acrescentou que, com essa nova transação, alcançou agora 3,3 gigawatts de sua meta global de viabilizar cerca de 7 gigawatts em projetos no período 2019-2022, como parte de seu plano estratégico.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

RN contrata apenas um dos 305 projetos cadastrados

Ricardo Araújo
Editor de Economia | Tribuna do Norte

Dos 305 projetos de energias renováveis cadastrados para o Rio Grande do Norte no Leilão de Energia Nova A-4 realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nesta sexta-feira, 28, somente um foi contratado pela empresa VDB II. O empreendimento Vila Alagoas III terá como fonte a eólica. O investimento será de R$ 86,1 milhões divididos entre os 33 lotes do parque eólico, que terá potência de 21,000 megawatts. O vizinho Ceará foi o Estado campeão em contratações, com cinco empreendimentos. A Bahia, que cadastrou 456 projetos para o certame em referência, não teve nenhum deles contratado.
Questionado sobre o resultado do leilão, o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Darlan Santos, reconheceu que houve um resultado ruim. “Baixíssima contratação em todo o Brasil. Baixa expectativa de crescimento econômico, demanda baixa de contratação de energia”, argumentou. Ele destacou, ainda, que 76% dos projetos do Leilão A-4 foram recadastrados para o Leilão A-6 (previsto para ocorrer no fim do ano). “O mercado esperava baixa contratação. Não foi surpresa”, destacou Darlan Santos.

Resultados
O Leilão de Geração de Energia A-4 de 2019 registrou deságio médio de 45% no preço da energia e vai gerar investimentos de R$ 1,892 bilhão na construção de novas usinas.

Destinado à contratação de energia proveniente de novos empreendimentos de fontes hidrelétrica, eólica, solar fotovoltaica e termelétrica a biomassa, com início do suprimento a partir de janeiro de 2023, o certame contratou 401,6 MW de potência e teve preço médio de R$ 151,15 por MWh. O deságio médio em relação aos preços-teto estabelecidos, de 45,03%, representa uma economia de R$ 2,166 bilhões para os consumidores de energia.

Um aspecto positivo dessas contratações, tanto na fonte eólica quanto na solar, é que elas ocorreram na região Nordeste do País (RN, CE, PI), onde certamente esses empreendimentos irão gerar empregos e afetar positivamente a economia”, disse o diretor-geral substituto da ANEEL, Sandoval Feitosa.

Foram negociados Contratos de Comercialização em Ambiente Regulado (CCEARs) por quantidade, com prazo de suprimento de 30 anos, para empreendimentos hidrelétricos, contratos por disponibilidade, com prazo de suprimento de 20 anos, para usinas a biomassa, além de contratos por quantidade, com prazo de 20 anos, diferenciados por fontes, para empreendimentos a partir das fontes eólica e solar fotovoltaica.

“Percebemos uma tendência dos empreendimentos solares e eólicos destinarem cerca de 70% de sua garantia física para o mercado livre. Desta maneira, além do preço negociado no leilão é preciso considerar as estratégias comerciais de cada empresa. Mas é importante a sinalização do mercado livre auxiliar na expansão do Sistema”, ressaltou Rui Altieri, presidente do Conselho de Administração da CCEE.

Os projetos hidrelétricos tiveram deságio de 31,2%, negociados a R$ 198,12/MWh, enquanto os empreendimentos eólicos chegaram ao preço de R$ 79,9 por MWh (deságio de 61,5%). Os projetos a energia solar negociaram seus contratos por R$ 67,48/MWh, com deságio de 75,6% e termelétricas a biomassa venderam energia por R$ 179,87/MWh, com deságio de 42,2%.

Foram contratados 15 empreendimentos de geração, sendo 5 Pequenas Centrais Hidrelétricas  (81,3 MW), 1 usina térmica movida a biomassa (21,4 MW), 3 usinas eólicas (95,2 MW) e outras 6 usinas solares  (203,7 MW). Os estados beneficiados com a contratação de projetos foram Ceará (5), Piauí (2), Santa Catarina (2), Minas Gerais (2), Rio Grande do Norte (1), Paraná (1), Mato Grosso (1) e Mato Grosso do Sul (1).

Os investimentos nas usinas devem gerar 4,5 mil empregos.
Veja abaixo quantos projetos o RN cadastrou para o leilão A-4
Estado: Rio Grande do Norte

Fonte: Eólica / 181 projetos / 5.890 MW

Fotovoltaica / 124 projetos / 4.628 MW

Total: 10,5 GW

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
Projeto Contratado
Empresa: VDB II

Empreendimento: Vila Alagoas III

Fonte: Eólica

Investimento: R$ 86.126.250,00

Potência: 21,000 MW

Lotes contratados: 33

Preço de referência: R$ 208,00/MWh

Fontes: Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)