Foto: Vestas

Vestas anuncia fábrica de aerogeradores na Argentina

A empresa dinamarquesa Vestas anunciou a construção de uma instalação de montagem de hub e nacelle na província de Buenos Aires, Argentina. A nova instalação está sendo estabelecida para atender ao grande potencial de crescimento do país em energia eólica, que deverá chegar a 10 GW de novas instalações até 2025.

“Nossa posição de liderança com mais de 900 MW de capacidade instalada ou capacidade em construção sublinha a necessidade de dar um grande passo em frente para apoiar melhor as ambições do governo em matéria de energia renovável”, diz o diretor de vendas da empresa no Sul da América Latina, Andrés Gismondi.

Com nove instalações de produção em todo o mundo e parceiros cuidadosamente selecionados, a pegada de fabricação global da Vestas garante a entrega de produtos de alta qualidade aos seus clientes através da fabricação de componentes básicos próximos aos principais mercados. Com a nova instalação de produção na Argentina, a Vestas visa otimizar a produção, criando cerca de 300 empregos diretos e indiretos.

O ministro da Energia, Juan José Aranguren, destaca que “o fato de que um líder global em energia renovável está interessado em expandir sua presença na Argentina demonstra claramente que estamos no caminho certo, proporcionando aos investidores a confiança e a confiança necessárias para investir em nossa transição verde”.

Na mesma linha, o ministro da Produção, Francisco Cabrera, enfatizou que “o posicionamento da Vestas na Argentina é uma boa notícia, não só para o número de empregos que serão criados graças ao seu plano de localização, mas também para a transferência de tecnologia para pequenas – e médias empresas no país”.

Fonte: Vestas

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Governo estuda mudança no formato de compra de energia no país

Com o intuito de resolver uma parcela do problema de financiamento de projetos voltados para o mercado livre no setor energético, o governo pretende alterar a forma como a compra de energia é realizada antes de acelerar o processo de abertura nesse meio. Segundo o jornal Valor Econômico, o Ministério de Minas e Energia (MME) espera implementar a separação da contratação de lastro e de energia das usinas em 2021.

A medida integra a proposta do Projeto de Lei (PL) que trata da reforma do marco legal do setor elétrico, que já está na Casa Civil e deve ser apresentada ao Congresso nas próximas semanas.

A separação do lastro e energia faz parte de uma nota técnica feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e usada para a elaboração da proposta do PL. No documento, a EPE sugere que cada fonte de energia internacionalize suas questões ambientais, principalmente em se tratando de emissões de gases do efeito estufa.

A proposta do MME estabelece que o limite mínimo de carga para o usuário migrar para o mercado livre passe de 3 megawatts (MW) para 2 MW, em janeiro de 2020. No ano seguinte, o limite será reduzido para 1MW. Em 2022 e 2023, a carga mínima será de 500 quilowatts (kW) e 300 kW, respectivamente. Os consumidores poderão migrar para o mercado livre em 2026, desde que sejam atendidos com uma tensão igual ou superior a 2,3 quilovolts (kV).

A compra de energia poderá ser negociada através de um outro contrato de forma bilateral, no qual o governo não poderá interferir, sem prazo definido. O objetivo da separação entre lastro e energia, antes da abertura completa do mercado livre, é garantir a possibilidade de financiamento para construção de novas usinas em um cenário em que os contratos de energia deverão ter prazos inferiores aos do financiamento da usina.

Fonte: Valor Econômico | Rodrigo Polito e Camila Maia

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BNDES reduz taxa de juros e amplia prazo de financiamentos em infraestrutura a até 34 anos

BNDES baixou o juro de 1,7% para 0,9% ao ano nos empréstimos feitos pelo banco para projetos acima de R$ 20 milhões nas áreas de segurança pública, saneamento, energia solar, inovação; e nas linhas voltadas à exportação

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta terça (6) a redução de taxa de juros de suas principais linhas em setores específicos.

Nos empréstimos feitos pelo BNDES, é cobrada a TLP (taxa de longo prazo válida desde janeiro), mais um spread, que remunera o banco. É esta taxa que foi reduzida nas principais linhas.

Em linhas gerais, o BNDES baixou o juro de 1,7% para 0,9% ao ano nos empréstimos feitos pelo banco para projetos acima de R$ 20 milhões nas áreas de segurança pública, saneamento, energia solar, inovação; e nas linhas voltadas à exportação.

Também nos projetos de grande porte, mas voltados às áreas de mobilidade, energia eólica, geração, transmissão e distribuição de energia, a redução foi um pouco menor, de 1,7% para 1,3% ao ano.

Em alguns dos empréstimos indiretos (aqueles que são repassados por outros bancos), como os que envolvem a compra de ônibus e caminhões por pequenas e médias empresas, a queda foi de 1,87% para 1,27% ao ano.

Em algumas linhas, no entanto, houve aumento. Como nos empréstimos para equipamentos importados sem similar nacional (de 1,7% para 2,1% ao ano), e a compra de ônibus e caminhões por grandes empresas (de 1,87% para 2,1%). A alta mais expressiva foi em capital de giro para grandes empresas, de 1,27% para 2,1% ao ano.

O BNDES também alongou o prazo de financiamento em alguns casos, como projetos de ferrovias, rodovias, hidrovias e mobilidade urbana, de 20 anos para até 34 anos. Em energias alternativas, esse prazo pode chegar a 24 anos. Capital de giro se mantém em 5 anos.

Com as mudanças, disse o presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, o spread médio do banco caiu de 1,7% para 1,3% ao ano.

Segundo ele, cerca de 85% das operações do banco contarão com taxas mais baixas ou similares às cobradas anteriormente.

TLP Nos empréstimos feitos pelo BNDES, a TLP (taxa de longo prazo) incide desde janeiro, em substituição a TJLP. Inicialmente, ela é igual à TJLP, mas em cinco anos, gradualmente, se igualará à taxa de mercado, tomando como base um dos títulos da dívida pública, a NTN-B.

Segundo o banco, a TLP ficou em de cerca de 2,7% em janeiro, mais a inflação do período do contrato.

A diretoria aprovou as mudanças nos juros hoje, que passam a valer nos próximos dias.

O objetivo é acelerar os empréstimos do banco e o desenvolvimento da economia.

O presidente disse ainda que seria desejável conseguir influenciar a redução de taxas dos bancos comerciais.

Pagamento ao Tesouro

Rabello de Castro confirmou a devolução de R$ 30 bilhões em recursos do banco ao Tesouro.

“Acredito que hoje o BNDES, o Carlos Thadeu [diretor financeiro do banco] deve enviar o cheque de R$ 30 bilhões”, disse.

Fonte: FolhaPress | Marina Lima

Foto: i-Stockr/Getty Images

Quatro gigantes lideram mercado global de turbinas eólicas

No ano passado, desenvolvedores colocaram em operação 52 gigawatts no mundo

 Quatro gigantes lideram o mercado global de energia eólica. Juntas, a espanhola Siemens Gamesa, a dinamarquesa Vestas, a chinesa Goldwind e a norte-americana GE responderam por 53% das vendas de turbinas eólicas do setor no ano passado. Os dados são do relatório Global Wind Turbine Market Shares (Participações de Mercado Globais de Turbinas Eólicas), da Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

No ano passado, desenvolvedores colocaram em operação 52 gigawatts (GW). Considerando apenas as instalações em terra (onshore), quem lidera é a Vestas, com 7,7GW de turbinas em operação, o equivalente a uma participação de mercado global de 16%.

As estatísticas se baseiam no banco de dados global da BNEF sobre projetos eólicos de escala de serviços públicos e informações da indústria.

A Siemens Gamesa, formada em 2016 pela fusão do setor de energia eólica da gigante alemã de engenharia Siemens e da fabricante espanhola de turbinas Gamesa, ficou em segundo lugar em turbinas onshore, com 6.8 GW em operação. Sua participação de mercado aumentou em relação aos 11% que suas duas empresas antecessoras detinham em 2016, para 15% no ano passado.

A Goldwind registrou 5,4GW em operação, sendo que mais de 90% das turbinas fabricadas foram para projetos na própria China em 2017. O país é o principal mercado para o setor, instalando sozinho quase 19,5 GW no ano passado, quase o triplo dos projetos dos Estados Unidos.

Já a norte-americana GE instalou 4.9 GW, equivalentes a uma participação de mercado 10%.

Agora, em alto-mar, a Siemens Gamesa foi em disparado a maior fornecedora global, com 2,7 GW em instalações offshore. Essa vantagem marítima somada ao desempenho em terra coloca a espanhola no topo do ranking mundial de instalações de turbina eólica. Seu contrato mais recente inclui a implantação de 1 GW com o governo da Turquia. Confira a lista completa na tabela abaixo.

Fonte: Vanessa Barbosa | Época Negócios

Foto: Época

Foto: Época

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Aneel aprova edital para primeiro leilão de energia de 2018

Marcado para 4 de abril, leilão terá valor máximo de R$ 329 por MWh. Grupos vencedores começarão a entregar a energia às distribuidoras em 1º de janeiro de 2022.

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (27) o edital do primeiro leilão de energia elétrica de 2018, que será realizado no dia 4 de abril.

No leilão, será ofertada para as distribuidoras energia gerada por fontes hidrelétricas, eólicas e solar, além de termelétrica movida a biomassa.

A energia é contratada pelas distribuidoras de energia, de acordo com a necessidade que cada uma para atender o seu mercado consumidor.

De acordo com a agência, o preço máximo da energia variará de R$ 169,17 a R$ 329 por megawatts-hora (MWh), dependendo do tipo de geração. Ganha o leilão a usina que aceitar receber o menor valor pela energia elétrica que vai fornecer.

O prazo de concessão para as usinas hidrelétricas será de 30 anos. Para as outras usinas, de 20 anos. O início da oferta de energia é em 1º de janeiro de 2022.

Fonte: Laís Liz | Portal G1

DNT 29-08-2017  BOM JESUS DA LAPA - BA / ESPECIAL DOMINICAL / EXCUSIVO EMBARGADO / ECONOMIA / MAIOR USINA SOLAR DO BRASIL - Torres de linha de transmissao proximo ao parque solar da empresa Enel Green Power na cidade de Bom Jesus da Lapa no interior da Bahia e o maior do pais gerando energia suficiente para abastecer 166 mil residencias por ano - FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Mercado livre de energia atrai mais investidores

Das dez maiores comercializadoras de energia independentes, seis têm alguma parceria com empresas estrangeiras e do setor financeiro

Consideradas durante anos como a segunda divisão do setor elétrico, as comercializadoras de energia viraram um negócio bilionário, cobiçado por bancos e fundos de investimentos. Essas empresas são o principal elo de um segmento que não para de crescer no País: o mercado livre de energia, ambiente que permite aos consumidores deixarem de ser atendidos por distribuidoras para escolherem de quem vão comprar a eletricidade (ver quadro).

As comercializadoras fazem a intermediação entre geradores e consumidores, além de prestarem assessoria aos clientes na redução de custos. Com a escalada da conta de luz nos últimos anos e a necessidade cada vez maior de as empresas melhorarem a competitividade, esse universo de clientes aumentou e incentivou novos negócios.

De 2015 para cá foram criadas 50 novas comercializadoras, somando 222 empresas. Para este ano há 35 pedidos de aberturas, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O movimento é acompanhado de forte apetite do setor financeiro e de empresas estrangeiras. Hoje, das dez maiores comercializadoras independentes (não ligadas a geradores) do País, seis já têm algum tipo de parceria ou sócios do setor financeiro e de empresas estrangeiras. A lista inclui BTG, que hoje está entre as dez maiores comercializadora do País; o banco de investimento australiano Macquarie, sócio da Nova Energia; e o Credit Suisse, que ajudou a Delta a desenvolver um fundo de investimento de R$ 1 bilhão com ativos lastreados na venda de energia.

Uma das últimas investidas ocorreu em agosto passado, quando o banco Brasil Plural comprou 100% da Celler, comercializadora até então considerada pequena. Mas, desde a aquisição, que ainda precisa ser aprovada pelo Banco Central, a empresa saltou 20 posições no ranking nacional das comercializadoras independentes e está entre as dez maiores.

“O faturamento subiu de R$ 200 milhões para perto de R$ 1 bilhão e o lucro líquido triplicou”, diz o co-presidente da Celer, Cristian Nogueira, responsável pela Mesa de Energia do Brasil Plural. Segundo ele, trata-se de um casamento perfeito, pois os clientes são os mesmos do banco.

O próximo passo é criar duas novas comercializadoras, sendo uma para contratos com um único consumidor e outra para negociar contratos de energia pré-paga (compra-se do gerador mais barato e ganha na venda pelo valor de mercado). Os produtos financeiros ligados à energia elétrica tem tido grande apelo no mercado, especialmente por parte de fundos de investimentos e de family office.

Transparente. De olho nesse filão, a Delta – antiga comercializadora do mercado –, se uniu com o Credit Suisse para desenvolver um fundo de investimentos que foca, especialmente, no pré-pagamento de energia. O fundo CSHG Delta Energia foi aberto em 21 de julho do ano passado e captou R$ 1 bilhão.

A meta é obter um retorno de 20% a 25% ao ano com o produto. “O setor tem evoluído muito, está mais transparente e as regras são estáveis”, afirma Ricardo Lisboa, sócio do Grupo Delta Energia.

O executivo afirma que desde 2012 tem percebido o interesse de investidores por esse tipo de produto mais sofisticado. No passado, com a falta de incentivo para o crescimento do setor, houve muita especulação nas operações de mercado, o que criou uma certa aversão da ala mais conservadora do setor e até mesmo do governo.

Em 2008, com a crise energética no País, muitas comercializadoras que especulavam no setor quebraram, lembra Gustavo Machado, sócio fundador da Nova Energia, que tem como sócio o banco australiano Macquarie.

“Mas hoje o cenário é outro. A base de clientes aumentou de forma significativa e turbinou o crescimento do mercado”, diz Machado. Em 2015, o mercado livre contava com 1.826 consumidores. Atualmente são em torno de 5 mil. Ou seja, o mercado quase triplicou no período, e criou empresas bilionárias.

No ano passado, a Nova Energia, por exemplo, faturou R$ 3 bilhões com a compra e venda de energia. A Comerc, outra empresa tradicional do setor, faturou próximo de R$ 1,8 bilhão e já foi sondada por investidores para possíveis parcerias.

O presidente da empresa, Cristopher Vlavianos, afirma que o crescimento do mercado se deve especialmente à busca das empresas por custos menores de energia. “O consumidor também vê esse como um mercado de oportunidades.”

Fonte: Reneé Pereira | O Estado de São Paulo

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Total busca parceiros para participa do leilão brasileiro de 2018

A Total Energia SA está buscando potenciais parceiros para participar de um leilão público pelo governo federal brasileiro, que será realizado em abril deste ano, que contratará novas usinas de energia, que deverá entrar em operação em 2022, disse o diretor de estruturação financeira Andre Fonseca.

O chamado leilão “A-4” oferecerá aos PPA de 20 anos dos vencedores com as empresas locais de distribuição de energia (discoms).

O desenvolvedor brasileiro de energia renovável tem quase 1,33GW em projetos para parques de energia solar que estarão prontos para oferecer no concurso acima mencionado A-4. O maior, com 1.3GW, está em Assu, no norte do estado do Rio Grande do Norte. O complexo PV da Serra do Mel é dividido em 20 usinas de energia menores, cada uma de 65MW.

A Total Energia também possui um projeto fotovoltaico menor de 22,8MW a ser construído em Coremas, no estado do norte da Paraíba, que está completamente pronto para oferecer.

Já construiu um complexo eólico de 136MW no Rio Grande do Norte, que foi vendido em 2014 para a empresa estatal brasileira Companhia Paranaense de Energia (COPEL) . A empresa também possui uma planta fotovoltaica de 160MW em construção em parceria com o Scatec Solar ASA da Noruega e o Statoil ASA .

Fonte:

 

Foto: André Correia

Parques eólicos entram em operação em Pedra Grande/RN

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou para operação comercial as unidades geradoras UG7 a UG10, de 2.100 kW cada, somando 8.400 kW de capacidade da usina União dos Ventos 12, a partir de 10 de fevereiro, segundo publicação do despacho do Diário Oficial da União de 15 de fevereiro.

Na segunda-feira (19) a usina recebeu autorização da Aneel para iniciar a operação comercial da unidade geradora número 11, segundo despacho publicado no DOU. A usina é de propriedade da empresa Ventos Fortes Geradora Eólica, integrante do Grupo Serveng.

Também foi liberada para operação comercial a usina “União dos Ventos 14”,  com 8 aerogadores, cada com capacidade instalada equivalente a 2.100kW no total, somando mais 18.800kW a matriz energética do Estado.

Ambos os parques estão localizados no município de Pedra Grande, no Rio grande do Norte. No município já são gerados 164.400kW em energia eólica e com os outros 4 parques que estão em fase de construção, a produção total será de 234.600kW, tornando-se um dos grandes produtores do Estado.

Fonte: CERNE Press

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Geração eólica cresce 26,5% em 2017, diz CCEE

A geração de energia eólica em operação comercial no Sistema Interligado Nacional (SIN) subiu 26,5% no ano passado em relação a 2016, segundo informações da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

As usinas movidas pela força do vento somaram 4.619 MW médios entregues ao longo do ano passado frente aos 3.651 MW médios gerados no mesmo período de 2016. A representatividade da fonte eólica em relação a toda energia gerada no período pelas usinas do sistema alcançou 7,4% em 2017. A fonte hidráulica (incluindo as Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs) foi responsável por 70,7% do total e as usinas térmicas responderam por 21,8%.

A CCEE contabilizou 494 usinas eólicas em operação comercial no País, ao final de 2017, somando 12.589,7 MW de capacidade instalada, incremento de 23,2% frente aos 10.221,5 MW de capacidade das 402 unidades geradoras existentes um ano antes.

A análise indica que, por Estado, o Rio Grande do Norte lidera a produção eólica com 1.455,3 MW médios de energia entregues no ano passado, alta de 20,7% em relação ao mesmo período de 2016. Na sequência, aparecem a Bahia com 890 MW médios produzidos (+28,5%), o Ceará com 718,6 MW médios ( 7,5%), o Rio Grande do Sul com 637,5 MW médios ( 23%) e o Piauí com 524 MW médios, aumento de 58,3% frente à geração alcançada no ano anterior.

Os dados da CCEE confirmam ainda o Rio Grande do Norte com a maior capacidade instalada, somando 3.548,65 MW, aumento de 11,5% em relação a 2016. Em seguida aparece a Bahia com 2.414,94 MW ( 38%), o Ceará com 2.134,96 MW ( 10,6%), o Rio Grande do Sul com 1.777,87 MW ( 9,6%) e o Piauí com 1.443,10 MW de capacidade (57,7%).

Fonte: Agência Estado

Foto: Adriano Abreu

‘O RN não está ficando para trás’, diz Jean-Paul Prates

Reconhecido no mundo por ser “um país tropical e abençoado por Deus” na abundância de belezas naturais e sol o ano inteiro, o Brasil está chamando mais atenção dos investidores internacionais com negócios ligados à geração de energia solar. Nos próximos anos, ao lado da que é gerada pela força dos ventos, essa deverá ser a modalidade com maior expansão no Rio Grande do Norte.

O sol a pino que castiga os sertanejos e seca, ainda mais, os reservatórios de água, poderá se tornar um aliado no desenvolvimento do Seridó e do Alto Oeste potiguar, em decorrência da elevada incidência de raios solares que poderão alimentar as fontes geradoras de energia. Não basta, porém, a força do sol para que o estado se torne destaque, assim como o é na eólica, na geração de energia solar.

De acordo com Jean Paul Prates, é preciso se estruturar para atrair mais investimentos. Acompanhe a análise na entrevista a seguir.

Qual o atual panorama da geração de energia solar no Rio Grande do Norte? Qual a potência instalada e o quantitativo de energia gerado nessa fonte atualmente?
Atualmente, o RN tem seis usinas fotovoltaicas em operação comercial, somando 117,10 MW em potência instalada. A matriz de oferta de energia do estado tem 84,76% de usinas eólicas, 2,79%  de fotovoltaicas e 12,44% de termelétricas. Há ainda duas usinas fotovoltaicas já contratadas no Rio Grande do Norte em construção, que deverão adicionar mais 66 MW até o fim deste ano. O estado tem atraído o interesse de investidores para geração de grande porte e deverá apresentar um número crescente de projetos fotovoltaicos nos próximos leilões federais. Em relação à geração distribuída, que é a mini/micro geração no consumidor final, o crescimento tem ocorrido também sendo de se destacar as 21 usinas próprias do IFRN instaladas em 17 municípios.

Em quais estados estão os maiores potenciais para exploração dessa fonte energética e quais são os mais evoluídos nesse processo exploratório? 
O mapa de potencial solar do Brasil aponta regiões como o Seridó (potiguar e paraibano) e a nossa “tromba do elefante” como áreas de insulação máxima. Mas há áreas de grande potencial em todo o Brasil. O recurso solar é bem mais difuso e capilarizado do que o vento, no Brasil. Estados como o Piauí e a Bahia têm trabalhado o desenvolvimento de seus interiores para empreendimentos solares. Mas o RN não está ficando para trás. A nossa liderança em eólica ajuda muito no processo de conhecimento do nosso território pelos empreendedores, e há também a possibilidade de viabilizar projetos híbridos (eólico-solares) de grande porte no curto prazo.

A burocracia brasileira impede que o setor se expanda mais rapidamente? Por quê e como e possível reverter esse quadro?
Não creio. O histórico de consolidação destes setores no Brasil foi até bastante rápido, e a curva de crescimento será bem acentuada nos próximos anos. Praticamente todos os estados brasileiros aderiram ao Convênio que isenta o ICMS da geração distribuída, onde 99% dos sistemas são solar-fotovoltaicos. Há linhas de crédito bem favorecidas para esta atividade também, já desenvolvidas – inclusive por bancos públicos como o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil. A burocracia, no mais, é a usual de toda atividade econômica – nem maior nem menor. Já são mais de 21 mil sistemas de micro/mini geração instalados no Brasil, totalizando mais de 170 MW. Ainda são números tímidos – considerando-se o potencial imenso que o Brasil tem nesta área, mas o crescimento tem sido rápido e consistente.

A entrada do Brasil na IRENA poderá contribuir para essa transição de qual maneira e a partir de quando?
Considero a participação na IRENA um passo natural para o Brasil. Afinal, há dez anos, iniciamos este processo inédito de leilões reversos que vem ensinando ao mundo como incentivar a geração eólica e solar sem subsídios diretos. Além disso, dentre as grandes economias do mundo, o Brasil é a matriz energética mais renovável. Portanto, o Brasil tem muito a contribuir, e também tem muito a aprender, imediatamente, com os importantes projetos globais e estudos da Agência Internacional de Energia Renovável.

Em relação à formação de mão de obra para atuação nesse setor, o Brasil é bem atendido ou precisa importá-la de outros países, a exemplo do que ocorreu por muitos anos com a energia eólica?
Não creio que tenhamos que importar mão de obra, absolutamente. Apesar do crescimento acelerado nesta área, o Brasil tem plenas condições de formar pessoas para trabalhar com esta tecnologia. Entidades como o SENAI e os Institutos Federais, em todo o Brasil, assim como entidades setoriais, escolas especializadas e universidades, públicas e privadas, já oferecem uma boa quantidade de cursos teóricos e práticos a respeito. O que temos que nos preocupar é com a qualidade e a credibilidade dessas ofertas. Eu sempre recomendo que os interessados tenham cuidado ao escolher. Há muita picaretagem neste setor, devido ao rápido crescimento. Entidade sérias devem ter a prioridade na hora da escolha. Do contrário, a formação fica deficiente e o valor do certificado é posto em dúvida pelo empregador.

O Rio Grande do Norte é um dos estados brasileiros com grande potencial na geração de energia fotovoltaica. O CERNE, em parceria com a ABSOLAR, tem algum estudo específico em relação ao estado? O que ele aponta?
Sem dúvida, do ponto de vista do recurso solar em si, o RN é um dos estados brasileiros com maior potencial. No entanto, diferentemente do que acontece com o nosso vento, que é bem diferenciado de outras regiões do Brasil e do mundo, a insulação é um fenômeno bem mais comum no território brasileiro. Isso faz com que tenhamos que nos preparar ainda melhor para oferecer boas condições para o investimento e para propiciar canais para gerar trabalho e renda na economia local. Assim como ocorre com a Abeeólica, o CERNE trabalha em constante cooperação com a ABSOLAR em várias frentes de debate e concepção de diretrizes. Atualmente, estamos trabalhando na finalização de três programas regionais: um para a região do Seridó (“Seridó Solar”), outro para o Oeste Potiguar (“Oeste Solar”) e a progressão do Projeto Rota dos Ventos, na sua frente relacionada com energia solar, para o eixo de influência da BR-406, que abrange o Mato Grande e o Litoral Norte. Estes planos regionais abrangem ações governamentais locais e também a mobilização de lideranças sociais e econômicas, visando a estabelecer condições para o investimento externo e local na cadeia industrial do setor.

Existe a possibilidade de liderarmos a produção na matriz solar assim como o fazemos na eólica. Do que isso depende?
Não. Temos que ser realistas. O nosso vento é especial e só tem comparativo no nosso vizinho Ceará, no interior da Bahia e em regiões muito específicas do Piauí, da Paraíba e de Pernambuco. Somos muito especiais em matéria de vento. Tanto que a Bloomberg [um dos principais serviços de informação econômico-financeira do mundo] há algumas semanas deu uma matéria de capa sobre o RN com uma manchete que dizia: “a melhor brisa do mundo”, referindo-se à geração eólica daqui. Em relação à energia solar, temos condições de ter um aproveitamento per capita (por habitante) muito significativo, no médio prazo. Podemos desenvolver muito o nosso interior, não só em atividades econômicas como em conforto para a vida em geral, com a geração distribuída baseada em sistemas fotovoltaicos. Mas liderar o quadro nacional de geração solar de grande porte é um desafio quase impossível diante da abundância de territórios dos nossos estados vizinhos, com mesmo potencial. Além disso, temos o fato de dependermos do escoamento para outras regiões, pois o nosso consumo volumetricamente já está plenamente atendido. Precisamos de linhas de transmissão. Em regiões como Minas Gerais e o interior de São Paulo, por exemplo, há potencial solar e eles estão dentro do mercado consumidor, praticamente. Uma coisa, no entanto, é certa: somos e seremos sempre importantes neste setor – mesmo que não sejamos os líderes isolados, como na eólica. E temos muito a fazer para honrar este potencial que temos.

Quem
Jean-Paul Prates é advogado e economista. Mestre em Planejamento Energético e Gestão Ambiental pela Universidade da Pennsylvania; Mestre em Economia do Petróleo pelo Instituto Francês do Petróleo. Participou da elaboração do marco regulatório da atual indústria do petróleo do Brasil. Foi Secretário de Estado de Energia do RN. Atualmente, dirige o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, voltado para estratégias públicas e privadas nestes setores. Preside o SEERN – Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN.

Fonte: Tribuna do Norte | Ricardo Araújo