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Indústria eólica mostra resiliência com demanda menor no leilão

O ponto de equilíbrio da indústria eólica brasileira continua o mesmo, no mínimo 2 GW para que o país consiga o break even. Contudo, com a crise dos últimos anos que levou a uma queda da demanda que deixou o consumo em cerca de 1 GW médio abaixo do projetado no passado e os leilões com volumes menores do que os vistos anteriormente, aparentemente, há uma clima de resiliência no segmento de produção de aerogeradores ante o atual momento pelo qual passa o Brasil.

A projeção de que o governo poderá contratar cerca de 1 GW de capacidade para a eólica no A-6 de 31 de agosto é visto como um volume mínimo que não é o ideal, mas que dentro do contexto nacional pode ser encarado como relativamente positivo. Esse discurso corrobora a impressão do governo que diante do cenário brasileiro era a possibilidade que se poderia colocar na disputa.

Para o presidente da Vestas no Brasil, Rogério Zampronha, o nível de equilíbrio é mais elevado sim, mas que diante do cenário econômico nacional, se confirmada essa projeção, é a demanda que o segmento esperava mesmo. “Essa é a nossa expectativa que temos falado. Não acho que é uma boa demanda não, mas se é o que dá, tudo bem”, comentou o executivo. “Temos que ver que há uma migração grande para o mercado livre que pode ser um caminho para elevar e complementar a demanda. Com 1 GW no leilão creio que dá para trabalhar”, indicou.

Na avaliação do presidente da Wobben Enercon no Brasil, Fernando Real, o nível de contratação de 1 GW traz algum espaço para a sobrevivência da indústria local. Segundo ele, olhando para a situação de crise dos últimos anos a indústria tem capacidade de sobreviver, com dificuldades, mas que é possível de passar pelo momento.

“Somente para a o setor eólico o volume de 1 GW em meio a uma crise no Brasil é um cenário que dá para respirar enquanto atravessamos esse período, mas não é o suficiente para a indústria como um todo”, avaliou ele. “Para toda a indústria seria um volume entre 3,5 GW e 4 GW ao ano de contratos para toda a nossa cadeia industrial no Brasil”, acrescentou.

Daniel Berridi, country manager da Nordex Acciona, o problema todo dessa demanda de 1 GW é que esse volume representa a metade do ponto de equilíbrio histórico da indústria no Brasil. A companhia realizou recentemente ajustes em sua capacidade de produção justamente para adequar a sua estrutura à demanda mais baixa dos anos anteriores e afirma que hoje essa questão está superada dentro da organização que comanda localmente.

“Sempre falamos de 2 GW de eólica como o alvo para a cadeia de fornecedores e a capacidade de produção ocupada. Se pensarmos em 1 GW representa apenas 50% desse total, então é possível entender que há fornecedores que passarão por dificuldades com a realização de mais um leilão com 50% do volume ideal capacidade”, corroborou ele.

Em sua análise, o mercado livre pode ser uma das saídas para recuperar a demanda do setor. Berridi avaliou que projetos com contratos parciais nos mercados regulado e no livre, pode ser o futuro para complementar a demanda ante o que se vê no mercado regulado e que começamos a ver tomar forma a partir do leilão A-6 de 2017. “É uma alternativa razoável e vai depender do financiamento, principalmente. Mas acho que o mercado tem que perder o medo da novidade. Se os primeiros projetos com peso darem certo não vejo porque não funcionar para todos”, finalizou.

Mário Araripe, da Casa dos Ventos, é outra voz que apontou 1 GW de potência como um volume abaixo da necessidade do segmento. E que uma das saídas dos investidores, de forma geral, deverá se dar pelo mercado livre.

“Esse volume gera a necessidade de complementação no mercado livre. Provavelmente, quem bidar colocará parte da energia firme no ACR e o resto para o mercado livre”, comentou ele. “Acredito que essa deverá ser a estratégia da maioria dos players”, opinou. Ele não abriu a estratégia da Casa dos Ventos nessa disputa, mas revelou que podem entrar tanto como desenvolvedores de projeto quanto investidores.

Fonte: Canal Energia

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Rio Grande do Norte cadastra 245 projetos eólicos para o leilão A-6 em agosto

Por Asscom SEERN 

A Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou na última terça-feira, 31 de julho, o edital do leilão de geração Nº 03/2018 – “A-6”, para contratar energia elétrica proveniente de novos empreendimentos de geração. O leilão será realizado em 31 de agosto e o início de suprimento de energia elétrica proposto é para janeiro de 2024. O Rio grande do Norte cadastrou para o certame 245 projetos de geração de energia eólica, que juntas somam uma oferta de 7.244 megawatts (mw) de potência instalada. O Estado também cadastrou um projeto de geração térmica com 1.700 mw de potência instalada.

Para o leilão foram definidos três produtos: dois na modalidade por quantidade de energia elétrica para empreendimentos de geração oriundos de fonte hidrelétrica com prazo de suprimento de 30 anos, e de fonte eólica com prazo de suprimento de 20 anos. Na modalidade por disponibilidade para empreendimentos de geração de fonte termelétrica à biomassa, carvão e gás natural, o prazo de suprimento é de 25 anos. O custo marginal de referência do leilão será de R$308/MWh.

“Com a realização do leilão A-6,  deverão sair mais projetos eólicos vitoriosos. Isso pode garantir boas perspectivas para Rio Grande do Norte”, analisa Jean-Paul Prates, presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN).

Para este leilão, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 1.090 projetos, totalizando 59.116 MW de potência instalada. Desse montante, 928 projetos referem-se a empreendimentos eólicos, 66 de pequenas centrais hidrelátricas (PCHs), sete de hidrelétricas (UHE’s), 23 de centrais geradoras hidrelátricas (CGHs), 25 de termelétricas a biomassa, dois de termelétricas a carvão e o restante (39) de termelétricas a gás natural. Confira no quadro abaixo os empreendimentos cadastrados, por fonte e estados:

Fonte

Projetos

Oferta (MW)

%

 Eólica

928

27.142

45,91

 Hidrelétricas – UHE

7

333

0,56

 Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCH

66

941

1,59

 Centrais Geradoras Hidrelétricas – CGH

23

65

0,11

 Termelétricas a Biomassa

25

1.040

1,76

 Termelétricas a Carvão

2

940

1,59

 Termelétricas a Gás Natural

39

28.656

48,47

 Total

1.090

59.116

100,0%

 Fonte: EPE

Confira o número de projetos cadastrados e a oferta por Estado:

Estados

Fonte

Projetos

Oferta (MW)

 Amazonas Térmica a Gás Natural

2

613

 Bahia Eólica

295

8.229

PCH

1

16

Térmica a Biomassa

2

100

Térmica a Gás Natural

5

3.702

 Ceará Eólica

100

2.880

Térmica a Gás Natural

1

1.047

 Espírito Santo CGH

1

3

Térmica a Gás Natural

5

2.539

 Goiás UHE

2

79

PCH

12

253

CGH

3

9

 Maranhão Eólica

17

542

Térmica a Gás Natural

1

363

 Mato Grosso PCH

9

161

CGH

1

3

 Mato Grosso do Sul UHE

2

52

PCH

1

23

CGH

1

5

Térmica a Biomassa

7

345

Térmica a Gás Natural

1

266

 Minas Gerais Eólica

6

228

PCH

4

65

CGH

7

18

Térmica a Biomassa

1

40

Térmica a Gás Natural

1

260

 Pará Térmica a Gás Natural

2

3.317

 Paraíba Eólica

49

1.766

 Paraná Eólica

19

514

UHE

1

118

PCH

10

172

CGH

1

4

Térmica a Gás Natural

1

9

 Pernambuco Eólica

15

426

PCH

7

22

Térmica a Gás Natural

8

6.889

 Piauí Eólica

76

2.443

 Rio Grande do Norte Eólica

245

7.244

Térmica a Gás Natural

1

1.700

 Rio Grande do Sul Eólica

99

2.681

UHE

1

35

PCH

5

48

CGH

1

5

Térmica a Carvão

1

600

 Rio de Janeiro PCH

2

23

CGH

1

3

Térmica a Gás Natural

8

5.603

 Santa Catarina PCH

13

127

CGH

7

16

Térmica a Carvão

1

340

Térmica a Gás Natural

1

538

 São Paulo Térmica a Biomassa

14

505

 Sergipe Eólica

7

187

Térmica a Gás Natural

2

1.809

 Fonte: EPE
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Aneel agenda leilão de energia A-6 em 31 de agosto; reduz preço para eólicas

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou em reunião nesta terça-feira as regras e preços para o leilão de energia A-6, agendado para 31 de agosto, que contratará novos projetos de geração para atender à demanda das distribuidoras a partir de 2024.

O certame, com participação aberta para investidores interessados em construir usinas hidrelétricas, parques eólicos e termelétricas à biomassa, carvão ou gás natural, acontece sob grande expectativa, após resultados recordes nas últimas licitações para novas usinas de energia no país.

Os vencedores da concorrência assinarão contratos para a venda da produção futura às distribuidoras por 30 anos no caso das usinas hídricas, 20 anos para as eólicas e 25 anos para as térmicas.

O preço-teto para a venda da energia dos novos projetos hidrelétricos será de 290 reais por megawatt-hora, maior que o estabelecido para certame semelhante em 2017, enquanto para as eólicas serão 227 reais, mais baixos que os vistos no ano passado, em momento que o setor se mostra bastante competitivo frente a outras fontes. Para as termelétricas, o valor fixado foi de 308 reais, também inferior ao teto do ano passado.

No leilão A-6 do ano passado, que contratou empreendimentos para operação a partir de 2023, os preços foram de 281 reais para as hidrelétricas, 276 reais para as eólicas e entre 319 e 329 reais para as térmicas.

O certame do final do ano passado assinou contratos com projetos de geração que devem demandar 13,9 bilhões de reais em investimentos. Os preços finais de venda da energia caíram em média 38,7 por cento frente ao teto, em meio à disputa entre os investidores.

Um outro leilão, em abril deste ano, que prevê entrega dos projetos em 2022, também teve resultados positivos, com os menores preços já registrados para a venda da produção futura de parques eólicos e usinas solares. Esse certame, o chamado “A-4”, contratou 1 gigawatt em usinas, que devem exigir aportes de 5,3 bilhões de reais.

Para o leilão A-6 de agosto, a estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recebeu o cadastramento de mais de mil projetos de geração, que somariam uma capacidade de 59 gigawatts.

A expectativa de especialistas, no entanto, é que a contratação não se afaste muito do volume movimentado no leilão do ano passado, em meio a uma economia brasileira ainda em recuperação de uma enorme crise financeira.

PROJETOS COM OUTORGA

O leilão A-6 de agosto também abrirá espaço para que usinas já contratadas em leilões anteriores busquem fechar contratos para a venda de energia, desde que elas não tenham entrado em operação antes da publicação do edital aprovado nesta terça-feira.

Os preços a serem praticados por esses empreendimentos, no entanto, terão um teto menor que os definidos para novos projetos.

A Aneel estabeleceu o teto para hidrelétricas com outorga e com contrato em 151,68 reais por megawatt-hora, enquanto para as eólicas o valor limite será de 171,82 reais por megawatt-hora.

Fonte: Reuters

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Setor elétrico reduz previsão de crescimento da carga de energia em 2018 para 1,6%

A carga de energia do sistema elétrico interligado do Brasil deverá fechar 2018 com avanço de 1,6 por cento, disseram em relatório nesta segunda-feira a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), revisando projeção anterior de alta de 3 por cento.

Segundo as instituições, houve “reversão brusca das expectativas a partir de maio deste ano, com redução significativa das projeções” para o desempenho da economia medido pela variação do Produto Interno Bruto (PIB).

As novas projeções para a carga, que representa a soma do consumo de energia com as perdas na rede, foram agora baseadas em uma estimativa de crescimento da economia de 1,6 por cento neste ano, contra 2,6 por cento anteriormente.

O corte nas novas previsões representa uma redução de 914 megawatts médios em carga neste ano frente à projeção anterior. Em 2019, o corte foi de 1.079 megawatts médios. No último ano da previsão, 2022, a carga estimada agora é 1.277 megawatts médios abaixo do visto anteriormente.

O crescimento médio da carga no período 2018-2022, assim, deverá somar 3,8 por cento, frente a 3,9 por cento na previsão anterior.

No acumulado de 2017 e 2022, a expansão deverá representar 3,4 por cento, ante 3,7 por cento antes da revisão.

Fonte: Luciano Costa

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CPFL Renováveis inaugura sistemas de abastecimento de água no RN

Projeto Segurança Hídrica será entregue na próxima quarta-feira (25); iniciativa é uma das ações do Programa Raízes, com investimento social privado de R$ 1,7 milhão

Com o objetivo de promover o acesso e uso sustentável da água ao consumo humano e à produção em áreas rurais, a CPFL Renováveis anunciou que irá inaugurar na próxima quarta-feira, 25 de julho, três sistemas produtores de água nas comunidades campestres de Umburana, Queimadas e Florêncio José, no Rio Grande do Norte.

A iniciativa faz parte do Programa Raízes, um investimento social que visa impactar positivamente nas esferas sociais, ambientais e econômicas em regiões nos entornos dos empreendimentos da companhia. No caso do Projeto Segurança Hídrica, milhares de habitantes do semiárido serão beneficiados com ações que irão ampliar o acesso a água, através de um modelo que integra inovação tecnológica, fortalecimento de capacidades e gestão comunitária do recurso natural mais precioso para a vida.

Para Christiana Costa, gerente de Sustentabilidade Corporativa, Responsabilidade Social e Relações Governamentais da empresa, iniciativas como essas podem transformar vidas ao proporcionar retorno financeiro e autoestima. “Mesmo em locais urbanos, muitos não conhecem ou convivem com essas inovações. Portanto, é motivo de satisfação para nós prover esse benefício”, comentou.

Nesta etapa de inauguração, o foco será voltado para as três comunidades dos municípios de João Câmara e São Miguel do Gostoso, contemplando 273 famílias e cerca de 1.365 pessoas. Se for considerada a abrangência completa do projeto, os benefícios chegarão a 807 famílias, cerca de 3.230 pessoas ao todo, provenientes de nove comunidades.

Em Queimadas, por exemplo, o sistema será composto por uma rede de abastecimento com 9 km de extensão, recuperação de um poço profundo, reservatório de 60 m3, uma microusina solar de 3,24 kwp e um dessalinizador que filtrará 500 litros de água por hora. Cerca de 200 famílias, num total de 1.000 pessoas serão beneficiadas.

Em Umburana, por sua vez, 65 famílias serão contempladas com uma rede de abastecimento de 6 km de extensão. Ainda está prevista a recuperação de um poço profundo, um reservatório de 30 m3, uma microusina solar de 3,24 kwp e um dessalinizador que filtrará 250 litros de água por hora.

Já em Florêncio José, o sistema implantado prevê a recuperação do poço da comunidade, a instalação de um kit de irrigação para dois hectares e de uma bomba de 7,5 cv. Além disso, será instalada uma microusina solar de 3,24 Kwp.

Além das infraestruturas implantadas nas comunidades, o Programa Raízes tem atuado na capacitação de famílias para a gestão eficiente e sustentável dos recursos hídricos. Os investimentos somam mais de R$ 1,7 milhão e buscam manter o atendimento atual e para as futuras demandas, diante do crescimento esperado para as próximas décadas.

Fonte: Canal Energia

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MPF defende ICMS sobre tarifas de transmissão e distribuição de energia para consumidores cativos

O Ministério Público Federal (MPF) entende que é legal a inclusão da Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (Tust) e da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (Tusd) de energia elétrica na base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Essas tarifas foram criadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por meio de resoluções, para remunerar as etapas de transmissão e distribuição da energia elétrica.

A tese foi encaminhada à Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – onde a questão será analisada em julgamento submetido ao rito dos recursos repetitivos.

O caso é relatado pelo ministro Herman Benjamin e já está concluso para decisão da Corte.

No parecer, a subprocuradora-geral da República Darcy Santana Vitobello explica que, no ambiente de contratação regulada, as distribuidoras de energia elétrica adquirem a energia das geradoras ou comercializadoras para venda aos consumidores cativos de sua região.

Os custos pela transmissão e distribuição da energia da geradora até o medidor são suportados pelas distribuidoras e integram o custo da operação.

Controvérsia
Em março de 2017, a Primeira Turma do STJ decidiu pela legalidade do ICMS na Tusd, cobrada nas contas de grandes consumidores que adquirem a energia elétrica diretamente das empresas geradoras.

A Segunda Turma avalia, por outro lado, que o tributo deve considerar apenas o preço final da operação de fornecimento de energia, sem inclusão das etapas anteriores ao consumo.

Para o MPF, no mercado cativo, os custos de transmissão e distribuição são inerentes ao fornecimento da energia – previstos num único contrato de adesão realizado entre distribuidora e consumidor – e integram necessariamente o processo que viabilizará o consumo de energia elétrica, devendo, por isso, compor o preço final da mercadoria, base de cálculo do imposto.

Já no mercado livre, o uso das redes de transmissão e/ou distribuição é contratado separadamente do fornecimento de energia.

Embora o transporte – transmissão e distribuição – ocorra simultaneamente à geração da eletricidade, o custo não está previsto no contrato de fornecimento de energia – realizado livremente no mercado – e, portanto, não compõe o preço da operação final de fornecimento.

Assim, apenas no caso dos consumidores cativos as tarifas de transmissão e distribuição devem integrar a base de cálculo do ICMS.

Devido à controvérsia, a Primeira Seção decidiu que serão julgados como repetitivos três recursos sobre o tema: o REsp 1.692.023, o REsp 1.699.851 e o EREsp 1.163.020.

Até que os ministros decidam sobre o recurso repetitivo, estão suspensos todos os processos pendentes, individuais ou coletivos que tratem da questão em todo o território nacional.

A Primeira Seção reúne os dez ministros da Primeira e da Segunda Turmas do STJ, ambas especializadas em direito público.

ICMS
O ICMS é o imposto mais importante dos estados e do Distrito Federal, sendo responsável pela maior parte da receita tributária desses entes.

A cobrança de ICMS sobre a Tust e a Tusd foi suspensa em diversos estados por decisão judicial.

Leia a íntegra do parecer do MPF: http://www.mpf.mp.br/pgr/documentos/resp-1-699.851

Fonte: Ambiente Energia

Foto: Reprodução/Pixabay

Energia solar atrai mercado financeiro

Febraban anunciou que oito bancos já mostraram interesse em testar um modelo que avaliza o perfil de risco técnico do negócio, que prevê investimentos em torno de R$ 50 mil para pessoas físicas e de R$ 500 mil a R$ 15 milhões para empresas

Eduarda Barbosa, da Folha de Pernambuco

De olho no potencial do Brasil em produzir fontes renováveis de energia, o segmento bancário está oferecendo linhas de créditoe financiamento para estímulo da energia solar. Com forte atuação no Nordeste, incluindo Pernambuco, os bancos têm intenção de realizar investimentos na região para desenvolvimento e custos mais reduzidos de energia, seja em residências ou em empreendimentos comerciais. E além de buscar a redução na fatura, – principalmente em meses de bandeira vermelha com custo adicional na conta – o apoio a uma energia mais sustentável é um interesse cada vez mais presente nas empresas.

Para facilitar as negociações para implantação de sistemas solares, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lançou um modelo de negócio que está em teste para que os bancos possam avaliar o perfil do risco no momento de oferecer o financiamento para o cliente. Realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o modelo é um mecanismo para examinar o risco técnico de um projeto em energia solar.

“Apresentamos solução para o instalador fazer o projeto de forma eficiente. Oito bancos se dispuseram a testar o modelo para ver a funcionalidade”, disse o diretor de Relações Institucionais da Febraban, Mario Sergio Vasconcelos. O modelo prevê investimentos em torno de R$ 50 mil para projetos de pessoas físicas e de R$ 500 mil a R$ 15 milhões para financiamento de projetos para pessoas jurídicas. Através do modelo, é possível os bancos enxergarem grandes negócios para o Nordeste.

“As empresas já estão de olho nas negociações da região. Estamos torcendo para Pernambuco entrar na avaliação. É uma atividade que desenvolve o local, principalmente a região do semiárido, que tem sol intenso”, comentou Vasconcelos.

Ao fomentar fontes de energias renováveis, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) apoia o desenvolvimento solar para oferecer potencial à região Nordeste por meio de diversas alternativas. “Oferecemos financiamento para as empresas que participam dos leilões de energia. Além disso, temos projetos para pessoas físicas instalarem placas fotovoltaicas em residências e pequenos negócios”, disse a superintendente da área de energia solar do BNDES, Carla Primavera. Em Pernambuco, ao total, já foram mais de R$ 4 bilhões de crédito, em 11 projetos que totalizam mais de R$ 8,5 bilhões de investimentos.

Através também de outro programa chamado de Fundo Clima, o banco apoia pessoas físicas e jurídicas para energia solar distribuída, com taxa de juros de 4% ao ano. “O Fundo Clima destina até R$ 30 milhões de financiamento ao ano para uma empresa. Mas o importante é que não estabelecemos limite, estamos abertos para analisar projetos independente do valor”, registrou o gerente do departamento de energia do BNDES, Alexandre Esposito, ao complementar que a média de projetos para pessoas físicas é de R$ 40 mil a R$ 50 mil, mas não há restrição para outros recursos maiores.

No mesmo caminho de desenvolver a fonte solar, o Banco do Nordeste (BNB) divide as suas atuações em dois grupos: o da micro e mini geração, com potência de até 75 quilowatts (KW) e de até 5 megawatts (MW), respectivamente, e o outro grupo é o da geração centralizada, que é a partir de 5 MW. “No ano passado, foram sete empreendimentos solares centralizados negociados com o banco, o que resultou no valor de R$ 680 milhões financiados”, disse o gerente executivo da célula de meio ambiente, inovação e RSA do BNB, Kleber de Oliveira. Até abril deste ano já foram quase 500 operações nacionais, resultando em R$ 83 milhões de recursos financiados. Para o Estado de Pernambuco, foram financiados R$ 8,94 milhões em 52 operações.

Para ampliar as possibilidades, o BNB também investiu no programa FNESol, voltado bastante para o consumo de micro e mini geração. “Financiamos projetos em até 100%. São diversos setores, como supermercados, pequenas indústrias, pousadas e muitos outros”, disse o gerente de produtos e serviços da célula de meio ambiente, inovação e RSA do BNB, Mário Fraga, ao complementar que o banco está em finalização de um projeto para oferecer financiamento a pessoas físicas.

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Nordex fornecerá 595 MW em turbinas para eólica da Enel no Piauí

Trata-se do maior contrato único para fornecimento de turbinas da história da fabricante

A Nordex-Acciona anunciou nesta terça-feira, 10 de julho, o maior contrato único para fornecimento de turbinas na sua história. A empresa irá fabricar e instalar 191 turbinas AW125 no parque eólico Lagoa dos Ventos, localizado no Piauí, de propriedade da Enel Green Power. A potência instalada total do projeto está estimada em 595 MW. O valor do negócio não foi informado.

Os aerogerador terão potência individual entre 3.15 e 3 MW, instalados em torres de concreto a 120 metros de altura. A produção local dos equipamentos reduzirá os custos e a pegada ambiental.

O parque eólico está localizado no Estado do Piauí, no norte do Brasil, onde os ventos são caracterizados como favoráveis para produção de energia eólica. Um ano atrás, a Nordex fechou outro contrato para o fornecimento de 65 turbinas da mesma série para outro parque localizado na mesma região.

A Nordex começará a instalar as turbinas em outubro de 2019, fornecendo na sequência os serviços de acompanhamento dos equipamentos pelos próximos dois anos. Com o contrato de Lagoa dos Ventos, a Nordex soma 1.9 GW no Brasil entre projetos instalados e em construção.

Fonte: Wagner Freire | Canal Energia

Alex Fernandes, contato@alexfernandes.com.br, fotografia.alexfernandes@gmail.com, 84 9991-8762, 8885-0997, 9410-4474, 8149-0974

Eólicas investirão R$ 2 bilhões no Rio Grande do Norte até 2021

Tribuna do Norte

Ricardo Araújo | Editor de Economia

O maior produtor de energia eólica no Brasil na atualidade poderá bater mais um recorde até 2021. O Rio Grande do Norte deverá atingir a marca dos 5 gigawatts (GW) de capacidade instalada com a entrada em operação dos 16 parques eólicos em construção e de outros 13 empreendimentos contratados nos mais recentes leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e que deverão ser construídos no período. Cerca de R$ 1,8 bilhão está envolvido na fase inicial de investimentos dos parques eólicos para os próximos três anos, além das linhas de transmissão, de acordo com o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). Hoje, o estado conta com 135 parques eólicos instalados com capacidade de geração posta de 3.678,9 megawatts (MW) – correspondente a 84,76% dessa matriz energética localmente.

Existem, porém, muitos desafios a serem superados para que o estado rompa os números atuais e chegue aos 5 GW num intervalo mais curto de tempo que seu concorrente mais próximo, a Bahia. A falta de linhas de transmissão para escoamento da energia produzida e de um porto que consiga dar vazão à logística envolvida na instalação dos parques eólicos no estado são pontos cruciais apontados pelo presidente do Cerne, Jean Paul Prates. Além disso, a Bahia está conseguindo expandir o número de empreendimentos em construção numa velocidade superior à potiguar e poderá ultrapassar a marca prevista pelo RN antes de 2021. Hoje, a Bahia é o segundo maior produtor de energia eólica do país, com 100 parques instalados e capacidade de geração de 2.594,5 MW e outros 2.425,75 MW de potência em construção.
“Há uma competição, um exercício de comparação saudável entre os estados brasileiros nesse quesito. O que interessa, porém, é que o setor cresça como um todo. Existem desafios comuns aos estados doRN, PB e CE, por exemplo, que são as linhas de transmissão. O momento atual é de consolidação do setor da energia eólica brasileira. O RN é pioneiro . Por termos sido líderes desde os primeiros leilões, lá em 2008, as dificuldades são sempre vistas aqui inicialmente”, aponta Jean Paul Prates.
Com os 135 parques eólicos em operação comercial, o RN encerrou o ano de 2017 com 1.455,3 MW médio de energia entregues ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O número representa crescimento de 20,7% em relação ao ano de 2016. Especialistas do Cerne afirmam que “apenas um terço do potencial eólico foi explorado até o momento no estado, que até 2003 encontrava-se na estaca zero no tocante à produção energética.” Com um potencial estimado em 10 GW, o incremento na produção eólica local depende da operacionalização dos empreendimentos em construção e, acima disso, do aprimoramento dos mecanismos técnicos, gerenciais e comerciais no setor.
“Temos um potencial ainda maior.  Aprimorar negócios, o ambiente operacional e atrair mais empresas precisam estar entre as metas dos empresários  e do governo estadual para que consigamos ampliar a produção. O RN é um dos ambientes mais atrativos do mundo para a energia eólica, mas precisamos vencer os desafios das linhas e transmissão e do porto”, ressalta Jean Paul Prates. Ele informa, ainda, que o único estado com potencial de ultrapassar o RN é a BA em decorrência da vastidão de terras disponíveis. A Bahia é maior que o RN.
Desde 2010, o RN é autossuficiente na geração de energia eólica. Hoje, a produção corresponde ao dobro do que é consumido internamente (média de 800 megawatts). “Era um estado que saiu do zero, praticamente, e em poucos anos atingiu a condição de exportador regional de energia e referência no setor de energia renovável tendo já passado um bom período como referência no setor de petróleo e gás, também”, relembra o presidente do Cerne.
VENTOS NORDESTINOS: Estados do RN, BA e CE são líderes na produção eólica
Rio Grande do Norte
135 parques eólicos instalados;
3.678,9 MW de capacidade instalada (3.592,6 MW em operação comercial e 86,3 MW em operação teste);
846,63 MW em parques em construção (381,7 MW estão em construção e 467,93 MW estão contratados);
Bahia
100 parques eólicos instalados;
2.594,5 MW de capacidade instalada (2.233,9 MW em operação comercial e 360,6 MW em operação teste);
2.425,75 MW em parques em construção (1.750,85 MW estão em construção e 674,90 MW estão contratados);
Ceará
74 parques eólicos instalados;
1.935,8 MW de capacidade instalada (1.738,4 MW em operação comercial; 98,7 MW em operação teste e 98,7 MW aptos);
229,3 MW em parques em construção (114,1 MW estão em construção e 115,2 MW estão contratados).

Um Nordeste movido pela força dos ventos

A cada dez parques eólicos erguidos no Brasil, oito estão no Nordeste. Os dados são do Cerne. Numa relação antagônica, a região mais pobre do País oferta os ventos mais ricos para a produção de energia a partir dessa força motriz. “Eles são fortes, constantes e unidirecionais, o que potencializa o trabalho dos aerogeradores. Desta forma, as máquinas não precisam mudar de posição o tempo todo para buscar o vento mais adequado do momento. Em alguns meses do ano, onde os ventos sopram com mais intensidade, a geração de energia pela força dos ventos garante 60% do abastecimento de todo o Nordeste”, acrescenta o Cerne.

No dia 23 de junho passado, a geração eólica bateu novo recorde no Nordeste atingindo 6.475 megawatts médios ou 70% da carga de energia elétrica deste subsistema, informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico.  O último recorde de geração média diária tinha ocorrido no dia 14 de setembro de 2017, quando foram produzidos 6.413 MW médios.

Junior Santos

O pico da geração eólica, ou geração instantânea, foi registrado às 10h09 do próprio dia 23 de junho, quando foram produzidos 7.311 MW. O montante equivale a 80% de toda a carga do Nordeste. O recorde de geração instantânea anterior havia acontecido no dia 25 de setembro de 2017, quando foram gerados 7.085 MW.
A geração eólica já corresponde a mais de 10% da geração de energia elétrica no Brasil – no dia 24 de junho passado, registrou 12,29% do total de carga enviada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) – e tem melhor performance no período de seca, quando as hidrelétricas estão gerando menos, do que no período chuvoso (novembro a abril).
Os reservatórios das hidrelétricas no Nordeste estão operando com 38,1% de armazenamento de água, o mais baixo entre as regiões do País, porém bem melhor do que no mesmo dia do ano passado, quando registrou armazenagem de 18,09%.
Já o subsistema Sudeste/Centro-Oeste registrava armazenamento de 40,7% em 24/6 deste ano contra 42,63% na mesma comparação; o Sul está com 49% dos reservatórios cheios, contra 64,48% há um ano; e o Norte tem 70,7% dos reservatórios de hidrelétricas cheios, ante 95,85% no mesmo dia de 2017.
Linhas de transmissão
O grupo indiano Sterlite saiu vitorioso da disputa pelo lote 3 do leilão de transmissão que aconteceu no fim do mês passado, em São Paulo. O grupo conquistou o maior projeto ofertado no certame ao propor-se a receber uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 85,050 milhões, para construir e operar o empreendimento. O montante corresponde a um deságio de 58,54% em relação à RAP máxima estabelecida para o empreendimento, de R$ 205.139.050,00.
A empresa superou outras 10 ofertas, incluindo de grupos como o Consórcio Columbia, formado por ISA Cteep e Taesa, Energisa, EDP Enegias do Brasil, Alupar, Neoenergia, Engie, Equatorial e um consórcio liderado pela espanhola Cymi, além do consorcio LARA/JAAC, com a empresa que obteve uma decisão liminar suspendendo o leilão pela manhã.
Esse grupo ofereceu o segundo maior deságio, de 56,12%, e recebeu uma vaia dos representantes dos demais proponentes quando o leiloeiro leu seu nome.
O lote 3 é composto por cinco linhas de transmissão e quatro subestações, localizadas entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, somando 541 quilômetros de extensão. O empreendimento exigirá investimentos de R$ 1,217 bilhão e deve gerar 2.434 empregos diretos, segundo estimativas da Aneel.
A agência explica que o projeto deve propiciar o atendimento às regiões de Mossoró, Aracati e Fortaleza e escoamento do potencial eólico e solar para a região de Aracati e Mossoró. O empreendedor terá 60 meses para concluir as obras.

“O RN tem sido nosso principal foco”

Com o crescimento dos investimentos nas energias renováveis, o Rio Grande do Norte já é considerado um dos principais estados do Brasil no tocante à geração de energia eólica. Sobre esse e outros assuntos, a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE conversou com o diretor-geral da Voltalia no Brasil, Robert Klein. Confira o bate-papo a seguir.

Qual a importância do complexo eólico Ventos da Serra do Mel para a Voltalia? 
O Ventos da Serra do Mel é o nosso maior projeto eólico no Brasil e mais um importante investimento da Voltalia no RN. Estamos planejando comissionamento progressivo das turbinas ao longo de 2020, até três anos antes do início dos contratos de venda de energia de 20 anos e essa antecipação nos permitirá começar a vender energia no mercado livre a preços atrativos por meio de contratos de curto prazo antes do início dos contratos de venda de longo prazo. O Brasil possui claramente um forte recurso eólico, alguns dos melhores ventos do mundo e por isso é um mercado potencialmente muito forte. Somado a isso, políticas adequadas para promover as energias limpas, fazem com o que o país se encaixe perfeitamente com as prioridades e capacidades da Voltalia, onde temos atividades em toda a cadeia de valor, do desenvolvimento à operação.
E em relação ao RN?
O Rio Grande do Norte tem sido o nosso principal foco, mas também estamos investindo em outros estados. O Rio Grande do Norte é uma região conhecida por suas excepcionais condições de vento, um dos principais estados que concentra a indústria eólica no país.
A Voltalia acredita que todas as linhas estarão em operação até a conclusão da instalação do parque? A transmissão é hoje o principal gargalo para as geradoras de energia?
É importante dizer que o escoamento de energia do novo parque Ventos da Serra do Mel não depende de obras de reforço do sistema de transmissão. Em paralelo, ainda que as linhas de transmissão sejam o principal gargalo para expansão de parques eólicos no Rio Grande do Norte, estamos bastante confiantes no futuro graças ao sucesso dos últimos leilões. Estamos certos que estes leilões vão fazer com que o estado possa voltar a ter uma grande capacidade de escoamento viabilizando, assim, milhares de novos MW de eólica.
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Energia solar avança no Brasil e atrai empresas

De 2013 para cá, número de instalações de ‘microgeração’ de energia subiu de 23 para 31 mil

O empresário Luiz Figueiredo usou 1.150 painéis solares para cobrir o lago de sua fazenda e gerar a própria energia. O consultor Carlos Tabacow instalou 18 placas no teto de sua casa e ficou livre da conta de luz. No Rio, uma escola cobriu o telhado com 50 painéis e agora produz metade da energia que consome. Iniciativas como essas começaram a se espalhar pelo País e têm garantido uma escalada dos projetos de microgeração de energia solar no Brasil.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que, de junho de 2013 para cá, o número de conexões de microgeração de energia subiu de 23 para 30.900 – sendo 99% desse montante de energia solar. Mais de dois terços das ligações foram feitas por consumidores residenciais. Eles veem nos painéis solares uma saída para ficarem menos vulneráveis ao encarecimento da energia elétrica no Brasil, cujo custo tem subido bem acima da inflação.

Foto: Estadão

A exemplo do que ocorreu com a energia eólica, as “microusinas” solares só ficaram acessíveis a uma parte da população, com o barateamento dos equipamentos, quase todos importados. Hoje, para instalar um sistema solar numa residência média, o consumidor vai gastar cerca de R$ 20 mil. Ainda não é um custo que esteja ao alcance da maioria dos brasileiros, mas os prognósticos para o futuro são positivos.

Apesar da alta do dólar, que tem reflexo direto no custo dos projetos, mudanças nas diretrizes e políticas de alguns países, que estão reduzindo os subsídios à fonte solar, começam a derrubar o preço dos equipamentos, afirma o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia. Essas alterações vão elevar os estoques no mundo e o Brasil pode se beneficiar do movimento.

Mas, independentemente do atual momento conjuntural, as previsões para a energia solar no Brasil são promissoras por outros fatores. Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu um empurrão no setor ao decidir financiar pessoas físicas interessadas em microgeração de energia solar. O empréstimo tem taxas que variam de 4,03% e 4,55% ao ano, prazo de carência de 3 a 24 meses e 12 anos para pagar. “É uma linha que representa um marco histórico para o setor”, diz Sauaia.

Clima. Do ponto de vista climático, as condições também são favoráveis, uma vez que a irradiação solar no País é ideal para a produção elétrica. Essa vantagem aliada ao fato de que no futuro os consumidores estarão cada vez mais aptos a gerar a própria energia tem provocado uma corrida das empresas para conquistar um pedaço desse mercado, que ainda engatinha no País.

Foto: Estadão

De olho nesse filão, as distribuidoras de energia, que hoje fazem a intermediação entre geradores e consumidores, decidiram criar novas empresas com foco na microgeração pegando carona no sucesso de companhias independentes que vinham surfando nessa onda sozinhas.

No ano passado, a CPFL Energia criou a marca Envo, para trabalhar o varejo. Por enquanto, a prioridade está nos arredores de Campinas, principal área de concessão do grupo. Só no primeiro ano de atuação, a companhia já atendeu 365 clientes. “São consumidores com perfis diferentes. Temos aposentados de olho na redução da conta de luz e pessoas mais jovens que defendem um papel mais sustentável da sociedade”, afirma a vice-presidente de Operações de Mercado do grupo, Karin Luchesi.

Outro grupo que aposta no avanço desse mercado é a francesa Engie. A companhia comprou uma empresa de projetos e instalação de sistemas solares em 2016 e desde então o negócio não para de crescer.

Foto: Estadão

Em 2013, a empresa fez 200 sistemas; neste ano, cerca de 1.900, afirma o diretor de soluções da Engie, Leonardo Serpa. “O modelo de geração vem passando por grande transformação no mundo, agora com foco maior na geração distribuída (microgeração) e não mais na centralizada (grandes projetos).”

Fonte: Estadão | Reneé Pereira