Foto: noctula.pt

Brasil atinge 8º lugar em ranking mundial de energia eólica. RN segue líder nacional

O Brasil ultrapassou o Canadá no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica em 2017, passando a ocupar a oitava posição, de acordo com levantamento feito pelo Global World Energy Council (GWEC) e divulgado pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). No ano passado, foram adicionados 52,57 gigawatts (GW) de potência de energia eólica no mundo, chegando a uma capacidade instalada total de 539,58 GW.

A energia produzida pelas usinas eólicas chegou a ser responsável por 64% da energia consumida na Região Nordeste, no dia 14 de setembro do ano passado. A Abeeolica estima que o Brasil, cuja capacidade instalada é 12 GW, tenha potencial eólico superior a 500 GW.

A Região Nordeste aparece na frente na capacidade de produção de energia a partir dos ventos. Com 135 parques, o Rio Grande do Norte é o estado que mais produziu energia usando a força dos ventos. São 3.678,85 MW de capacidade instalada. Em seguida, com 93 parques e 2.410,04 MW de capacidade instalada, vem a Bahia. Em terceiro lugar vem o Ceará, que conta com 74 parques e tem 1.935,76 MW de capacidade instalada.

Em quarto lugar aparece o Rio Grande do Sul. O estado tem 80 parques e 1.831,87 MW de capacidade instalada. Em seguida vem o Piauí, com 52 parques e 1.443,10 MW instalados, e Pernambuco com 34 parques e 781,99 MW de capacidade instalada.

Ranking global

O Brasil acrescentou 2,022 GW de potência eólica ano passado, chegando a 12,763 GW. O primeiro lugar segue com a China, que acrescentou 19,5 GW ano passado e chegou a 188,232 GW de capacidade instalada da fonte eólica.

Depois da China, aparecem ainda Estados Unidos (89 GW), Alemanha (56,1 GW), Índia (32,8 GW), Espanha (23,2 GW), Reino Unido (18,8 GW) e França (13,7 GW).

Em nota, a presidente da Abeeólica, Élbia Gannoum, destacou que o Brasil vem galgando posições no ranking “de forma consistente”. Em 2015, o país estava em décimo lugar, e subiu uma posição por ano desde então.

O levantamento também classifica os países pela capacidade acrescentada no ano. Nesse ranking, o Brasil ficou em sexto lugar, atrás de China, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Índia. No ano anterior, o país estava em quinto lugar.

“A tendência é que a gente ainda oscile mais, visto que em 2019 e 2020 nossas instalações previstas são menores porque ficamos sem leilão por quase dois anos no período 2016/2017, o que vai se refletir no resultado de 2019 e 2020”, disse Élbia, em nota.

Segundo a presidente da entidade, até 2020, considerando os contratos já assinados e os leilões realizados, a capacidade instalada de energia eólica do país vai chegar a 18,63 GW. Com os novos leilões, a tendência é que o número cresça.

Fonte: CERNE Press

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FNE Sol multiplica projetos de energia renovável no RN

O Rio Grande do Norte foi o Estado que mais recebeu crédito do Banco do Nordeste para projetos de micro e minigeração distribuída de energia para consumo próprio dos empreendimentos, em 2017. Os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE Sol) totalizaram R$ 9,95 milhões e beneficiaram 59 clientes.

O desempenho potiguar corresponde a 22,3% das operações gerais com a linha de crédito e 21,6% dos investimentos. O FNE Sol foi lançado em meados de 2016, como forma de contribuir para a sustentabilidade ambiental da matriz energética da Região Nordeste.

A procura pela linha de crédito é crescente na rede de agências do Banco, movimento que já havia sido detectado em diagnóstico traçado pela Superintendência do BNB no RN, durante a programação do FNE 2018. O processo, que tem a participação dos principais atores econômicos do Estado, apontou para o foco dos empreendedores no “aumento da eficiência, realizando investimentos em modernização e geração própria de energia”.

Quem venceu o receio de investir na energia renovável, comemora os resultados. Na Aço Brasil, empresa de beneficiamento de aço inox, com foco na produção e venda de móveis, ferragens e acessórios, a instalação de dois sistemas de energia, um na fábrica, em Parnamirim, outro na loja própria, em Natal, resultou numa economia significativa na conta de energia elétrica, maior que a prestação paga ao Banco do Nordeste pelo financiamento.

“Na soma dos dois projetos, chegamos perto de atingir 100% da geração planejada. Acredito que fizemos o investimento na hora certa e, se já estamos satisfeitos com as parcelas do empréstimo menores que a conta de energia, imagina com o reajuste anunciado de 14% na tarifa? E a ajuda do BNB para fazer tudo isso dar certo foi muito interessante”, diz Antônio Pitta, sócio da Aço Brasil.

A Superintendência do RN adotou a estratégia de estruturar, com parceiros, o mapeamento e a divulgação do FNE Sol junto aos empresários do setor de supermercados, dos meios de hospedagem e ainda discutir mecanismos de facilitação do acesso à linha de crédito para as empresas da cadeia de energia fotovoltaica (representantes, instaladores, montadores e epcistas).

“Estamos trabalhando para fazer chegar ao conhecimento dos empreendedores mais remotos as vantagens do FNE Sol. A linha de crédito está se popularizando e, com a redução das taxas de juros do FNE, as perspectivas para 2018 são as melhores possíveis”, diz o superintendente do BNB no Estado, Fabrizzio Feitosa.

RN RENOVÁVEL

De acordo com dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), o Rio Grande do Norte é autossuficiente na geração de energia elétrica desde 2014. No Estado, 84,8% da capacidade instalada vêm de usinas eólicas, 12,4% de termelétricas e 2,8% de  fotovoltaicas. A depender da atuação do Banco do Nordeste, a participação da energia solar nessa equação só tende a aumentar.

Ainda segundo o Cerne, não há uma medição da fonte fotovoltaica distribuída, para consumo próprio. Na geração centralizada, onde o empreendedor gera a energia de fonte solar para venda, o Estado tem 6 usinas fotovoltaicas em operação comercial (quatro delas ligadas no final de 2017), somando  117,10 MW. Há também duas usinas contratadas, que devem acrescentar 66 MW ao sistema fotovoltaico potiguar.

Fonte: Banco do Nordeste

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Proposta de “royalties sobre o vento” força setores eólico e solar a refletir

Terminado o carnaval, o ano começa para os setores de energias renováveis com uma pauta tão exdrúxula quanto inconveniente: a proposta de um senador piauiense retoma, desta vez com mais firmeza e respaldo de uma emenda constitucional, a reiterada tentativa de assessores e parlamentares iluminados de instituir um “royalty” sobre o uso do vento e, por que não logo estender, também sobre o uso da radiação solar.

Não é a primeira vez que oportunistas ocasionais sucumbem à quase inevitável comparação com os royalties do petróleo, mesmo devidamente avisados quanto à natureza jurídicadestes visando a compensar financeiramente as regiões produtoras pela depleção de jazidas de recursos não-renováveis.

Tampouco adianta explicar sobre a aguda regressividade deste mecanismo na viabilidade econômica dos projetos, uma vez que, apesar de apresentar alíquotas aparentemente pequenas, o royalty incide sobre a receita bruta, sem considerar as diferenças de rentabilidade e volume de investimentos de cada empreendimento.

A essência do argumento para os royalties do vento e do sol soa mais forte e mais imponente que tudo isso. O argumento é que usinas eólicas e fotovoltaicas são construídas em localidades remotas e/ou turísticas do Brasil, fortalecem e aquecem as economias locais por um tempo mas, ao longo da sua operação, passam a não gerar mais tanta receita para os estados e municípios anfitriões.

Isso cala fundo na pauta local de prefeitos, vereadores, governadores e deputados estaduais – o que tende a subir com força impetuosa para os debates federais no Congresso Nacional. Por isso, apesar de não fazer qualquer sentido técnico-fiscal e de não encontrar precedente em país algum, a idéia dos royalties vem ganhando força.

Convenientemente fora de pauta, persiste a insólita questão de que o setor energético (juntamente com o de petróleo e gás) recolherem ICMS para as regiões consumidoras, e não para os locais onde produzem/geram – como é o caso de todos os demais produtos. Decorrente de um cenário completamente obsoleto de compensação para São Paulo pela criação dos royalties do petróleo na Constituinte de 1988, hoje esta configuração mostra-se inapropriada, desigual e até anti-econômica. Com o advento das fontes renováveis (biomassa, PCHs, eólicas e fotovoltaicas), a quantidade de estados e municípios que geram energia aumentou substancialmente. Por outro lado, a incidência do ICMS em favor da localidade consumidora é uma indução ao desperdício e à ineficiência energética!

Por todas estas razões, urge a alteração da destinação do ICMS da energia de forma a compensar, ao menos parcial e gradualmente, os estados e municípios geradores. Isso eliminaria a discussão sobre benefício fiscal local e, ao mesmo tempo, não oneraria adicionalmente os empreendimentos recém-viabilizados nas áreas de aproveitamento de fontes renováveis.

Mesmo apesar de todas as explicações formais, o fato de apenas subestimar as causas reais do ambiente que gerou este inadequado projeto de royalties sobre o vento (e sobre o sol) não resolve a questão. É preciso atacá-las de frente, e só a indústria energética pode fazê-lo efetivamente.

Em tempo, é preciso adicionar que a equalização das taxas de juros e condições de financiamento aos projetos socioambientais (“sub-crédito“), recentemente determinada pelo Governo Federal ao BNDES, também contribui para este cenário de decepção das cidades e comunidades quanto aos empreendimentos eólicos e solares.

Portanto, é passada a hora de se deixar de escamotear este desconfortável dilema: ou se trabalha consensualmente no aprimoramento das receitas e benefícios para as regiõesque geram energia, ou se terá que brigar o tempo todo contra iniciativas legislativas e executivas heterodoxas, impositivas e surpreendentes.

Este e outros temas serão discutido no X Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos +10, a realizar-se no primeiro semestre deste ano, e também, no que se referem às repercussões para o setor solar fotovoltaico, na X Conferência Nacional de Energia Solar – Solarinvest Brasil 2018.

Fonte: E&P Brasil | Artigo escrito pelo Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates

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Seridó se prepara para expandir energia renovável

Programa Seridó Solar almeja atrair investimentos em energia renovável para a região

A cidade de Currais Novos (RN) sediará na próxima quarta-feira (07) a instalação do Programa Regional de Desenvolvimento das Fontes Renováveis de Energia do Seridó́ (“Seridó Solar”), que visa a criar e organizar ambientes favoráveis ao investimento na geração de energia a partir das fontes renováveis – solar e eólica.

A iniciativa do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) em parceria com o Sindicato das Empresas do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte (SEERN) e entidades parceiras nacionais e regionais começará a apresentada às lideranças governamentais, empresariais e rurais da região do Seridó em reunião ordinária da Associação dos Municípios do Seridó Oriental (AMSO) e da Associação dos Municípios do Seridó do RN (AMS), e prosseguirá com outras reuniões ao longo da semana, em Caicó e em Currais Novos.

Na região do Seridó, o potencial de geração de energia mais conhecido é o vento da Serra de Santana, na qual foram instaladas algumas dezenas de parques eólicos, com centenas de turbinas (aerogeradores). “Hoje, a Serra de Santana é uma das principais regiões produtoras de energia do Estado, juntamente com a região do Mato Grande e o Litoral Norte potiguar”, explica Darlan Santos, diretor setorial de energia eólica do CERNE.

Quanto à radiação solar, não chega a ser novidade para o seridoense de que se trata de um elemento abundante no seu dia a dia. No entanto, só recentemente é que o desenvolvimento tecnológico e a evolução do cenário energético global e nacional vêm fazendo do recurso solar uma fonte de energia cada vez mais competitiva.

“Há séculos o homem faz uso do calor e da luz do sol para inúmeras atividades mas, recentemente, os esforços dos países para sair da dependência do petróleo fizeram com que tecnologias para utilização de fontes renováveis se tornassem cada vez mais viáveis e acessíveis”, explica Luis Carlos Cheracomo, coordenador de área na divisão de Geração Solar Distribuída da ENGIE, uma das maiores empresas de energia do mundo, com presença em mais de 70 países.

Cadastro de Terras

Uma das iniciativas preliminares é o mapeamento das áreas com potencial energético, ou seja, áreas cujos proprietários desejam saber se serviriam ou não para a instalação de grande porte.

O site www.cadastresuaterra.com.br já permite submeter terrenos e propriedades que ficam diretamente disponíveis à consulta por parte das mais importantes empresas do setor. “É um cadastro simples, que permite que um empreendedor ou corporação energética visualize e analise uma propriedade sem necessariamente visitá-la, desde a sua sede em qualquer lugar do mundo. Mas é importante que o preenchimento seja feito com atenção especial quanto às coordenadas geográficas do terreno”, detalha o gestor de projetos do CERNE, Paulo Henrique Macedo, também ex-Secretário de Estado do Desenvolvimento Agrário à época da consolidação do setor no RN.

Mas há desafios a enfrentar como a logística de escoamento da energia (as linhas de transmissão e subestações de coleta). Para isso, o CERNE defende que a região precisa mobilizar suas lideranças e pressionar diretamente tanto o governo estadual quanto federal ao longo dos próximos dois anos, pelo menos. “O trabalho começa agora, mas os resultados efetivos só podem ser esperados a médio prazo, pois o planejamento do setor é feito em Brasília e as prioridades existem em todo o Brasil. Basicamente, quem pressiona mais, leva”, conclui o coordenador.

CERNE

O CERNE é uma entidade civil empresarial que reúne as principais empresas que investem e operam nos setores relacionados a recursos naturais e energia renovável no Nordeste.

“Somos hoje o estado líder nacional em parques eólica e potência instalada, em geração eólica efetiva e em exportação de energia eólica para o sistema nacional, graças ao processo de preparação que organizamos desde o início da nova era dos leilões federais de energia em 2008”, explica o diretor-presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, que foi Secretário de Energia do Estado entre 2007 e 2010, quando liderou o movimento de atração de investimento em energia eólica para o RN.

Os diretores e técnicos do CERNE organizaram o Programa Seridó Solar em três frentes: a primeira diz respeito à chamada geração centralizada, que são os grandes empreendimentos destinados a gerar energia para o sistema integrado nacional. A segunda e a terceira frentes dizem respeito às ações e projetos de geração distribuída, ou seja, a micro e minigeração realizadas pelos próprios consumidores finais.

“O CERNE conta com uma equipe muito competente, ética e apoiada pelas principais marcas do setor energético mundial e nacional, por isso temos a certeza de que é possível desenvolver o potencial energético do Seridó de forma inteligente, eficiente e sustentável, gerando renda local e postos de trabalho qualificados”, assegura André Medeiros, empresário local e coordenador regional do Seridó Solar.

Fonte: CERNE Press

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Royalties para energia eólica fazem sentido?

Mesmo antes de chegar ao plenário, polêmica PEC aprovada por comissão da Câmara gera preocupação. Se proposta receber luz verde, Brasil passará a ser o primeiro país do mundo a adotar a cobrança.

No apagar das luzes do ano legislativo de 2017, uma polêmica Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. De autoria do deputado Heráclito Fortes (Sem partido-PI), a PEC prevê a cobrança de royalties sobre a produção de energia eólica. Se aprovada, o Brasil se tornará o primeiro país do mundo a adotar esse modelo de compensação para o setor.

Atualmente, a Constituição garante a partilha entre a União, estados, Distrito Federal e municípios dos royalties obtidos pela exploração de petróleo e gás natural, recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e recursos minerais.

O autor do projeto argumenta que os parques eólicos inviabilizam a utilização das terras onde estão instalados para outras atividades econômicas. Além disso, as turbinas provocariam uma poluição visual que teria potencial para prejudicar o turismo nessas áreas, notadamente em cidades nordestinas.

Imediatamente após a aprovação da PEC na CCJ, representantes do setor manifestaram preocupação. Élbia Gannoum, presidente da ABEEólica, associação que reúne empresas ligadas a essa atividade, considera “absurda” a cobrança de royalties sobre a exploração de um recurso não finito, como o vento, e ressalta que a oneração deve desacelerar o desenvolvimento de uma fonte energética limpa no país.

“O conceito de royalties não se aplica aqui, porque o vento não é um recurso finito e tampouco causa impacto irreversível na propriedade. Pelo contrário, os parques eólicos incentivam outras atividades, já que levam energia elétrica para regiões onde não havia e propiciam, por exemplo, a atividade de irrigação do solo. Além disso, a ocupação de uma área reservada para a produção de energia eólica é de apenas 3%”, argumenta.

“Para piorar, a PEC é colocada em discussão justamente em um momento de baixa demanda por energia nos leilões, o que pode prejudicar ainda mais o desenvolvimento dessa fonte limpa, em expansão no Brasil, que criou uma cadeia produtiva 80% nacionalizada”, acrescenta.

Fonte energética em expansão

Em apenas cinco anos, a capacidade instalada da energia eólica no Brasil aumentou mais de 400%, e a participação na matriz energética brasileira chegou a 8,2%, atrás somente da hidrelétrica (60,9%) e biomassa (9,3%). Em um dia do mês de outubro, o percentual de energia consumida no Nordeste proveniente dos parques eólicos chegou a 64%. Além disso, ainda em 2016, o Brasil superou a Itália no ranking mundial de capacidade instalada e ocupa agora a 9ª colocação.

Luciano Dias Losekann, pesquisador do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEE-UFRJ), afirma que o crescimento do setor em um momento de estagnação da atividade nos países desenvolvidos atraiu investidores. Ele vê com reprovação o projeto em tramitação na Câmara.

“A eólica tem um potencial de crescimento consolidado e deve alcançar 20% de participação na matriz energética brasileira em alguns anos. Com as limitações de expansão das outras fontes, fica aberto o espaço para seu desenvolvimento, impulsionado pelos leilões”, afirma.

“É um dos poucos casos de sucesso da política de conteúdo local, já que a tecnologia específica para o contexto brasileiro é desenvolvida em território nacional. Certamente, a cobrança de royalties sobre uma fonte de energia limpa é uma sinalização muito ruim”, completa o especialista.

No fim do ano passado, foi realizado o primeiro leilão de energia com participação das fontes eólica e solar desde 2015. Em ambos os casos, foi registrado o menor preço médio da série histórica: R$ 98,62 por megawatt-hora, no caso da eólica, e R$ 145 para a solar – frente o valor de R$ 297 registrado em 2015.

Desestímulo a investimentos ou compensação necessária?

A presidente da ABEEólica lembra que o Brasil foi pioneiro e se tornou referência internacional ao implementar leilões competitivos para o setor, em 2009, replicados em outros países. Gannoum considera que a iniciativa faria o país caminhar no sentido contrário, ao onerar o setor e desestimular o investimento.

“Não faz sentido falar em trazer benefícios para os estados, pois irão perder investimentos, que têm efeito multiplicador, pelo arrendamento das terras, por exemplo. Estamos levando crescimento econômico e desenvolvimento para regiões pouco desenvolvidas, como o semiárido brasileiro”, afirma.

Roque Antônio Carrazza, parecerista e professor de Direito Tributário na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, também vê com ressalvas a cobrança de royalties sobre a atividade. Entretanto, considera legítimos os argumentos do deputado Heráclito Fortes e acredita que o Congresso poderá instituir tributos específicos para o setor.

“Tratar o vento como patrimônio nacional, tal como o minério, não me parece apropriado. Porém, o proponente tem razão ao mencionar, no projeto, os impactos dos parques eólicos sobre o turismo em regiões onde a atividade é de grande importância, como o Nordeste”, avalia. “Assim como já é feito na mineração, por meio da CFEM [Compensação Financeira pela Exploração de Recursos], poderia se pensar em outras formas de taxação.”

Procurado pela reportagem, o deputado Heráclito Fortes não quis comentar o tema. O parlamentar do Piauí se desfiliou, em dezembro, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e mantém conversas adiantadas com o Democratas (DEM). Seu estado é o terceiro com maior capacidade instalada de energia eólica, atrás apenas do Ceará e do Rio Grande do Norte, primeiro na lista.

Fonte: Deutsche Welle | João Soares

Foto: O Petróleo

ANP publica pré-edital da 4ª Rodada do pré-sal prevista para junho

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou nesta quinta-feira (25) o pré-edital e as minutas de contrato da 4ª Rodada de Partilha de Produção no Pré-sal, prevista para 7 de junho.

Os documentos, segundo a autarquia, ficarão em consulta pública até 15 de fevereiro e a audiência pública ocorrerá em 22 do mesmo mês, com o objetivo de obter subsídios e informações sobre os documentos.

Por um bônus de assinatura total fixo de R$ 4,65 bilhões, a rodada vai ofertar um total de cinco áreas: Itaimbezinho, Três Marias, Dois Irmãos, Saturno e Uirapuru, nas bacias de Campos e Santos.

Nos leilões de partilha, leva uma área o consórcio que ofertar por ela, à União, o maior percentual de excedente em óleo. Parâmetros como bônus de assinatura, conteúdo local e programa exploratório mínimo são fixados antes do leilão.

A Petrobras já manifestou interesse em participar como operadora nas áreas de Dois Irmãos, Três Marias e Uirapuru, com a participação obrigatória de 30%.

Assim como nas últimas duas rodadas do pré-sal, para os blocos em que a Petrobras exerceu seu direito de preferência em atuar como operadora e o excedente em óleo para a União da oferta vencedora for superior ao mínimo estabelecido no edital, a Petrobras deverá, na sessão pública de apresentação de ofertas, manifestar seu interesse em compor o consórcio que assinará o contrato.

O disposto neste parágrafo não se aplica caso a Petrobras seja a licitante vencedora, isoladamente ou em consórcio. Caso a Petrobras decida não integrar o consórcio, a licitante vencedora, individualmente ou em consórcio, assumirá 100% da participação no bloco licitado, devendo indicar a operadora e os novos percentuais de participação.

A ANP destacou em nota que o pré-edital mantém ainda as regras da reabertura, ao final da rodada, das ofertas dos blocos não arrematados, que já constaram dos editais da 2ª e 3ª Rodadas de Partilha.

Além disso, a agência explicou que as minutas de contrato trazem, entre as novidades, uma revisão da cláusula que trata de arbitragem, como resultado de consulta e audiência públicas, que buscou melhorias na redação.

Fonte: Reuters

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Horizonte para leilões em diferentes áreas de energia é favorável em 2018

O mercado vislumbra um cenário positivo para os leilões de energia – incluindo geração e transmissão, além de petróleo e gás – neste ano, após o êxito das rodadas promovidas pelo governo em 2017.

De acordo com o especialista em energia Juarez Fontana, os recentes leilões sinalizam um horizonte extremamente favorável para os diferentes segmentos de energia no Brasil no curto e médio prazo.

“Principalmente na camada pré-sal, 2018 vai ser um ano brilhante para o setor no País”, avalia o consultor.

Com a retração econômica entre 2015 e 2016, houve uma paralisação dos leilões de energia elétrica por quase um ano e meio no Brasil, que só foram retomados em dezembro do ano passado. Porém, com um ambiente econômico mais favorável, a atratividade desses certames pode ser medida pelos altos deságios obtidos.

No leilão A-6, por exemplo, o preço médio final das negociações ficou em R$ 189,45 por megawatt-hora (MWh), com deságio de 38,7%, incluindo térmicas e Pequenas Centrais Hidrelétricas. Apenas para a contratação de energia eólica o deságio atingiu 64,2%, representando um preço de médio de cerca de R$ 98,62 MWh.

Já no leilão A-4, o deságio médio geral ficou em 54,6% (R$ 144,51 por MWh), enquanto para os projetos fotovoltáicos o desconto chegou a 57%, para R$ 98,62 MWh.

“Foi a primeira vez que vendemos energia a um custo abaixo da térmica a biomassa e da hidráulica”, comemora o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia. A redução dos preços das ofertas foi resultado da grande quantidade de projetos represados desde meados de 2015, e pela agressividade dos concorrentes nos lances.

“As vencedoras foram empresas consolidadas e com acesso a financiamento direto”, destacou o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) e do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN), Jean-Paul Prates. Segundo ele, ainda existem muitos projetos habilitados que deverão ser arrematados nos leilões previstos para 2018. “O cenário é bastante favorável para este ano”, acrescenta.

Petróleo e gás

O ano de 2017 também foi altamente movimentado no setor de óleo e gás, que contou com licitações em terra e águas profundas – 14ª rodada da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) – e as 2ª e 3ª rodadas sob o regime de partilha na camada pré-sal.

“As majors globais estão em busca de reservas para exploração e produção abundantes já descobertas e o Brasil é o único país do mundo com esse perfil”, analisa Fontana.

Só a 14ª rodada de licitações teve o maior bônus total de assinatura da história, de aproximadamente R$ 3,8 bilhões, além de um ágio de 1.556,05%. “Daqui a alguns anos, o mercado global de óleo e gás vai ter uma mudança radical, com uma demanda cada vez menor por combustíveis fósseis. Neste cenário, a busca por investimentos de curto prazo em petróleo vai aumentar e o Brasil vai ser protagonista no mundo”, diz o analista.

Ele acrescenta que a Petrobras ainda terá uma longa jornada de atuação sem precisar abrir mão de nenhum ativo estratégico, enquanto concorrentes globais poderão elevar o seu market share interno. “As majors devem vir neste ano com muito apetite pelos ativos brasileiros, o que deve trazer bons resultados para os leilões”, destaca Fontana.

Fonte: Jornal DCi | Rodrigo Petry

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Chega à Câmara proposta que regulamenta privatização da Eletrobras

A Câmara dos Deputados vai analisar o Projeto de Lei 9463/18, do Poder Executivo, que regulamenta a desestatização do setor de energia no Brasil, a ser feita a partir do aumento do capital social da Eletrobras e de suas subsidiárias. Na prática, mais ações serão disponíveis no mercado – e a participação da União deve diminuir.

Como contrapartida, as regras propostas impedem que qualquer acionista possa acumular mais de 10% dos votos em capital da empresa. A União não poderá mais indicar o presidente do conselho diretor da companhia, mas poderá ter um conselheiro a mais por possuir uma “golden share”, ou ações especiais da Eletrobras. Segundo o governo, isso impede que alguma única empresa controle a holding e garante que investidores comprem as cotas.

Segundo o governo, a principal razão para a privatização da Eletrobras é a redução das tarifas pagas pelo consumidor. Isso se dará com a melhoria da eficiência do sistema, com critérios de mercado para projetos e menor controle político sobre as decisões da empresa.

O governo argumenta que a Eletrobras tem passado por dificuldades e estima em R$ 122 bilhões com impostos e dividendos não pagos a perda para o País com a ineficiência da empresa. Apesar dos custos elevados em seus investimentos, o sistema não consegue ofertar serviço de melhor qualidade.

Como exemplo, o governo cita que, no ano de 2012, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e Furnas, as duas empresas do grupo mais atingidas pela conversão de sua energia ao modelo de cotas, registraram perdas no resultado operacional de R$ 10,3 bilhões diretamente causadas pela adesão ao modelo de prorrogação de concessão criado pela Medida Provisória 579/12, criticado pelo atual governo, que quer rever essas concessões.

“De fato, a proposta de desestatização da Eletrobras reflete o reconhecimento de que o Estado brasileiro priorizará gastos em áreas em que a sua atuação é essencial em detrimento daquelas em que o setor privado tem condições suficientes”, diz a nota do Ministério de Minas e Energia que acompanha o projeto, destacando que os recursos devem ser concentrados em áreas como saúde, educação e segurança.

No texto enviado pelo governo, duas empresas devem ficar sob controle da União, a Eletronuclear, que abriga projetos de pesquisa em energia atômica; e a Usina Hidrelétrica de Itaipu, controlada pelo Brasil e pelo Paraguai por meio de um acordo internacional.

Disputa

O texto chega à Câmara em meio a uma disputa política sobre a privatização do setor. Como a privatização da Eletrobras é vedada pela legislação vigente, o governo editou uma medida provisória (MP 814/17) liberando as ações necessárias para preparar o processo. Ocorre que a Justiça suspendeu essa medida na MP e, até que a decisão seja revista pela segunda instância, ela não está valendo.

A Câmara inclusive entrou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo que o tribunal federal de Pernambuco exorbitou suas prerrogativas ao suspender a MP, o que só poderia ser feito pelo próprio STF. “Quando decide dessa maneira, a Justiça, principalmente de primeira instância, usurpa o poder do legislador”, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Em novembro, o presidente Michel Temer assinou um decreto criando um regime especial para a venda de ativos das estatais para a iniciativa privada. Esse decreto, juntamente com a promessa de que o projeto específico para a Eletrobras seria enviado à Câmara, fez com que parlamentares contrários à privatização se mobilizassem.

Em novembro, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 948/01, do Senado, que estabelece a necessidade de consulta popular para concretizar a transferência de empresas públicas de energia para o setor privado. O projeto original se referia apenas à Chesf, uma das subsidiárias da Eletrobras, mas foi ampliado para todo o sistema. O PDC ainda precisa ser votado no Plenário da Câmara, e caso seja aprovado, retornará ao Senado para revisão.

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A Força está com a energia limpa: 10 previsões para 2018

Por Angus McCrone, Editor-chefe da Bloomberg New Energy Finance.

É janeiro, o que significa que é hora da BNEF olhar para frente e tentar prever o que vai acontecer em 2018 nos setores de energia e transporte limpos. Por sorte, está passando um novo filme da série Star Wars e eu encontrei o sábio Mestre Yoda no LinkedIn.

Resumidamente, a Força estará com a energia e o transporte limpos neste ano, mas também existe um Lado Negro da Força.

Claro, nem todas as previsões são do Mestre Yoda. Meus colegas analistas da Bloomberg New Energy Finance deram uma mãozinha. Detalhei as previsões deles a seguir, cobrindo energia solar, eólica, armazenamento de energia em baterias, veículos elétricos, mobilidade inteligente, gás na América do Norte, GNL, políticas do governo americano e o dinamismo dos mercados da China e Índia.

Antes, vamos discutir os amplos fatores que podem embalar — ou atrapalhar — o progresso em 2018. A queda consistente nos custos de energia solar e eólica e das baterias de íon de lítio significa que continuarão surgindo oportunidades de mercado para energia limpa, armazenamento limpo e veículos elétricos. Em 2017, foram atingidos novos recordes para as tarifas em leilões de energia renovável ao redor do mundo. Um exemplo foi o valor de US$18,60 por MWh para energia eólica onshore no México, que seria impensável dois ou três anos atrás.

No caso das baterias, calculamos que os preços dos pacotes de baterias de íon de lítio caíram nada menos do que 24% no ano passado, criando a perspectiva, com melhorias adicionais de custos, de os veículos elétricos deixarem para trás, em meados ou no final da década de 2020, os carros convencionais com motor de combustão interna — tanto em termos de investimento inicial quanto de longevidade.

Estudos aprofundados das nossas equipes sugerem que essas tendências de redução de custos continuarão nos próximos anos, graças a economias de escala e avanços tecnológicos. Ainda assim, nenhuma tendência mostra uma linha reta, dada a importância do equilíbrio entre oferta e demanda e dos preços das commodities.

A expansão da economia mundial nos últimos meses também pode ajudar a transição em energia e transporte porque elevou os preços de petróleo e carvão (e, em menor medida, do gás), favorecendo um pouco a competitividade da energia eólica e solar e dos veículos elétricos. A confiança dos investidores em nossos setores vem aumentando discretamente. O WilderHill New Energy Global Innovation Index (NEX), que acompanha o desempenho de aproximadamente 100 ações de empreendimentos de energia e transporte limpo no mundo todo, subiu 28% entre o final de 2016 e o dia 11 de janeiro deste ano.

Mas é aí que entra o Lado Negro da Força. Há motivo para preocupação com alguns dos riscos neste início de 2018 e com movimentos externos que podem impactar a transição energética. Um risco específico é a coexistência instigante de vários anos de pujança do mercado financeiro com o potencial para um choque político ou geopolítico, como, por exemplo, uma colisão entre o presidente Donald Trump e Robert Mueller (o responsável por investigar se houve interferência da Rússia na eleição presidencial dos EUA), um erro de cálculo na Península Coreana ou enfrentamento militar entre Irã e Arábia Saudita.

Também há o risco convencional de mercado. A economia mundial mais saudável aumentou a probabilidade de aperto da política monetária não só nos EUA, mas também na Europa e no Japão. Os juros de longo prazo vêm subindo. A taxa de 10 anos nos EUA saiu de 2% em setembro para mais de 2,5% atualmente. Um movimento maior na mesma direção pode começar a afetar o custo do capital e, portanto, a competitividade relativa de tecnologias de alto investimento e baixa despesa operacional, como energia eólica e solar.

Com esta introdução e a observação nada original de que o progresso da transição em energia e transporte depende do sucessodas principais empresas do ramo e da capacidade dos países de administrar uma matriz energética desafiadora, aqui vão as ‘‘10 previsões para 2018” da BNEF:

1. US$ 330 BILHÕES EM INVESTIMENTOS EM ENERGIA LIMPA, OUTRA VEZ

Os dados da BNEF sobre investimentos em energia limpa em 2017 mostram um valor robusto de US$ 333,5 bilhões, 3% a mais do que o total revisado do ano anterior e 7% abaixo do recorde estabelecido em 2015. Espero valor bastante similar em 2018 porque os fatores que podem contribuir para uma quantia maior parecem bem equilibrados com os fatores que justificariam um investimento menor.

Primeiramente, a redução inclemente do custo de capital dos projetos solares (e, em certa medida, eólicos) significa que a mesma quantia em dólares compra mais gigawatts do que um ano atrás. Os investimentos em projetos eólicos offshore podem ficar aquém dos US$ 20,8 bilhões do ano passado, a menos que projetos na França se acelerem e recebam financiamento em 2018.

Por outro lado, o investimento dos mercados abertos pode ser maior do que a quantia modesta de US$ 8,7 bilhões de 2017, que foi a menor em cinco anos. Isso a menos que o mercado acionário de modo geral se abale. Por exemplo, a fabricante de baterias para veículos elétricos Contemporary Amperex Technology apresentou a documentação para uma operação de abertura de capital de US$ 2 bilhões na bolsa de Shenzhen. Nossa equipe de energia solar prevê crescimento adicional em 2018, assim como a equipe especializada em armazenamento de energia (ver abaixo as previsões específicas para cada categoria). Talvez isso seja suficiente para anular o impacto da redução dos custos de investimento.

(Angus McCrone)

2. ENERGIA SOLAR PASSANDO DE 100GW – E AVANTE!

Em 2018, serão instalados ao menos 107GW de capacidade de energia solar, acima dos surpreendentes 98GW do ano passado. Outros países se estabelecerão como mercados significativos. A China ainda domina as previsões para sistemas fotovoltaicos neste ano, com 47-65GW. No entanto, América Latina, Sudeste Asiático, Oriente Médio e África terão fatias significativas neste ano. Por exemplo, o México deve passar de 3GW em 2018, enquanto Egito, Emirados Árabes Unidos e Jordânia devem ter juntos 1,7-2,1GW.

A expansão da China, que teve extraordinários 53GW adicionados em 2017, ainda é irracional. O mecanismo de subsídios ainda não foi definido e muitos projetos estão sendo construídos antes de garantirem uma ‘cota’ do governo para ter acesso aos subsídios. No entanto, parece que investidores e empresas estatais da China vão erguer esses projetos, presumindo que o governo encontrará uma saída ou que pelo menos oferecerá compensação pela energia, impedindo perda completa.

A China pode introduzir a obrigatoriedade de um crédito de energia renovável em 2018, o que pode solucionar parte a questão da origem dos subsídios. Aproximadamente metade dos projetos novos na China terá conexão com a rede de distribuição, ou seja, são projetos menores com capacidade para vender para consumidores locais. Esses projetos não são sujeitos a cotas, mas são limitados pela capacidade dos grandes desenvolvedores de juntar grandes volumes em contratos pequenos.

(Jenny Chase, responsável pela equipe de energia solar)

3. INSTALAÇÕES DE ENERGIA EÓLICA AUMENTARÃO NOVAMENTE

Globalmente, o total adicionado de projetos de energia eólica – onshore e offshore – foi de 56GW em 2017, pouco acima dos 54GW de 2016, porém bem abaixo do recorde de 63GW atingido no ano anterior. A nosso ver, essa recuperação lenta continuará em 2018, com a chegada de aproximadamente 59GW. Outro recorde provavelmente será atingido em 2019, ao redor de 67GW, com a proximidade do vencimento do crédito tributário nos EUA. China e América Latina devem apresentar crescimento entre 2017 e 2018.

Na categoria offshore, os principais mercados ainda serão Reino Unido, Alemanha, Holanda e China, mas EUA e Taiwan estarão preparando o terreno neste ano para uma série de projetos na década de 2020. Um dos destaques de 2018 será o resultado do leilão com subsídio zero na Holanda para as zonas Hollandse Kust I e II, somando 700MW. Duas empresas confirmaram participação (Vattenfall e Statoil) e esperamos que outras façam o mesmo. A disputa entre concorrentes fortes seria outro sinal da grande melhora da rentabilidade da energia eólica offshore.

(Tom Harries, analista sênior de energia eólica)

4. PREÇO DE BATERIAS DIMINUI APESAR DA PRESSÃO DOS PREÇOS DOS METAIS

Os preços das baterias de íon de lítio continuarão caindo em 2018, mas em ritmo mais lento do que em anos anteriores. Os preços do cobalto e do carbonato de lítio subiram 129% e 29%, respectivamente, em 2017. Isso começará a elevar os preços médios das células em 2018, alimentando muitos relatos de ameaça à revolução dos veículos elétricos e da armazenagem de energia. Apesar disso, esperamos queda de 10-15% do preço médio das baterias devido a economias de escala, tamanhos maiores e melhoria na densidade energética de 5-7% por ano.

A diminuição dos custos de investimento, a maior necessidade de recursos flexíveis e a maior confiança na tecnologia subjacente seguirão embalando a demanda por armazenamento de energia. Globalmente, a instalação de sistemas de armazenamento em 2018 passará de 2GW/4GWh e a Coreia do Sul será o maior mercado pelo segundo ano consecutivo. No entanto, o mercado ainda está frágil e algumas expectativas sobre a velocidade de instalação não são realistas. As baterias são promovidas como a resposta para todos os males das renováveis intermitentes, incluindo a canibalização de preços causada pelo efeito de ordem de mérito, equilíbrio no sistema e restrições de rede. O que determinará a taxa de aceitação são medidas governamentais, não somente a economia. O armazenamento de energia ainda é um tema pouco compreendido por autoridades e profissionais do setor energético. Isso é muito importante porque investir em alternativas, como usinas à base de gás natural com duração prevista acima de 25 anos, vai criar um longo período de bloqueio que limitaria oportunidades para outros recursos flexíveis, como armazenamento, ou resultar em ativos problemáticos mais adiante.

(Logan Goldie-Scot, responsável por armazenamento)

5. VENDAS DE 1,5 MILHÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS

Serão vendidos no mundo inteiro aproximadamente 1,5 milhão de veículos elétricos em 2018, com a China representando mais da metade do mercado global. Isso representa um aumento de 40% em relação a 2017, uma pequena desaceleração na taxa de crescimento à medida que a China reduz subsídios em preparação para a adoção da cota de veículos elétricos em 2019. A previsão é que as vendas por lá diminuam no primeiro trimestre e se recuperem no resto do ano. A Europa se manterá como segundo maior mercado para veículos elétricos. As preocupações com a qualidade do ar estão aumentando nas capitais europeias e a rejeição ao diesel beneficiará esse mercado. A Alemanha merece especial atenção. As vendas de veículos elétricos dobraram no país em 2017 e podem dobrar novamente em 2018. Na América do Norte, as vendas em 2018 devem chegar a 300.000 unidades, mas a grande dúvida é a Tesla. Se a empresa cumprir as metas de produção, as vendas nos EUA podem ficar muito acima disso.

(Colin McKerracher, responsável por veículos elétricos)

6. CARROS AUTÔNOMOS SE APROXIMAM DA MARCA DE 10 MILHÕES DE MILHAS

Com base na última atualização da Waymo e na nossa análise das atividades de outras companhias, calculamos que, no fim de 2017, os carros da categoria percorreram 8,37 milhões de quilômetros em modo autônomo. No final de 2018, projetamos 13,3 milhões de quilômetros. A maior parte da distância até agora foi percorrida por veículos para teste, mas isso pode mudar em 2018. Os veículos fabricados pela Tesla são os principais candidatos a percorrer maior quilometragem autônoma. A empresa ainda não ativou o pacote “Full Self-Driving” que já está vendendo. E o desempenho do recurso “Enhanced Autopilot” já ativado nos automóveis da Tesla piorou desde o fim da parceria com a Mobileye, em setembro de 2016. Se a Tesla superar esses desafios em 2018, terá liderança da quilometragem autônoma percorrida por carros pertencentes a consumidores privados.

Outra fonte de quilometragem autônoma será a linha de automóveis semiautônomos de Nível 3 que GM, Mercedes, Toyota e VW começaram a vender. A contribuição desses veículos provavelmente será menor do que a da frota da Tesla, uma vez que essas montadoras definiram mais restrições a respeito das circunstâncias em que os consumidores podem usar os recursos de direção autônoma. Os carros pertencentes a consumidores privados podem se tornar grande fonte de quilometragem autônoma em 2018, potencialmente elevando a distância total acumulada de modo totalmente autônomo para acima de 16 milhões de quilômetros (10 milhões de milhas). No entanto, existem riscos associados ao uso equivocado da tecnologia por consumidores – como o acidente fatal envolvendo o Model S, da Tesla, em maio de 2016 – e mais acidentes podem resultar em restrições maiores ao avanço dos veículos autônomos.

(Ali Izadi-Najafabadi, responsável por mobilidade inteligente)

7. AUMENTO ADICIONAL EM PRODUÇÃO DE GÁS E GERAÇÃO NOS EUA

A BNEF estima que o preço do gás natural na Nymex, usando como referência Henry Hub, ficará, na média, em US$3 por milhão de Btu (MMBtu) em 2018, com variações de 10% ao redor dessa média, puxado pela demanda sazonal e por eventos de curto prazo que afetem o mercado. Os mercados de gás natural continuarão evoluindo em 2018, com o aumento da produção nos EUA e da demanda. Nossa expectativa é que a faixa de preços fique próxima ao observado em 2017.

O ano passado foi monumental para a produção nos EUA, quando foi atingido um novo pico de 77,3 bilhões de pés cúbicos (2,19 bilhões de metros cúbicos) por dia (Bcfd), com base em estimativas da BNEF. Isso ocorreu porque os produtores reativaram as plataformas, já que a recuperação de preços e os avanços tecnológicos melhoraram a lógica econômica da produção. Esperamos que essa tendência continue em 2018 — liderada pelas formações de Marcellus/Utica, na região Nordeste do país, e por Permian, no Oeste do Texas —, uma vez que o break-even da produção ficará bem abaixo de US$3/MMBtu. No agregado, a BNEF projeta que a produção de gás natural seco atingirá novo recorde, passando de 80 Bcfd até o fim deste ano.

O consumo e a exportação de gás natural pelos EUA também foram notáveis no ano passado. A recuperação do preço do gás natural, de 18% para uma média em 2017 de US$3,02/MMBtu ajudou a reverter o forte movimento de troca de carvão por gás nos EUA em 2015 e 2016. Para 2018, esperamos que a geração de gás se acelere novamente, em 4% para uma média de 26,6 Bcfd, embora 17GW em novas instalações de energia eólica e solar caminhem para destruir parte da demanda por gás natural. O aumento se deve sobretudo a novos projetos mais eficientes de geração de gás nos EUA, diminuindo ainda mais a presença do carvão na matriz energética. A exportação voltará a desempenhar papel significativo na estabilização da balança e do preço do gás natural, com a chegada de dois novos projetos de liquefação de GNL.

(Het Shah, responsável por gás na América do Norte)

8. COMÉRCIO DE GNL CHEGARÁ A US$ 120 BILHÕES

O mercado global de gás natural liquefeito terá outro ano de expansão significativa. A demanda deu um salto de 10% em 2017 para 285MMtpa – o maior crescimento desde 2011 – e projetamos acréscimo de 7-10% em 2018. Volumes e preços maiores levarão o comércio de GNL para US$ 120 bilhões, valor 15% maior do que o apurado no ano passado. Os fatores mais importantes serão o aumento da demanda na China e a competitividade do GNL (cujo preço é influenciado pelo petróleo e pela cotação de referência Henry Hub) em relação a petróleo e carvão.

O preço spot do GNL na Ásia, região que consome 75% desse combustível, ficou em US$9/MMBtu, na média, no último trimestre de 2017, 35% a mais do que um ano antes, sugerindo um mercado com menos folga no inverno. A China foi o principal determinante. Consumidores industriais e residenciais chineses aceleraram os esforços de troca do carvão pelo gás, ao mesmo tempo em que a demanda por aquecimento no inverno disparava em outras partes do mundo. Em janeiro de 2018, o preço spot subiu ainda mais no Norte da Ásia, superando US$11/MMBtu, provocando dúvidas quanto ao excedente no mercado neste ano. Por um lado, diversos fatores favorecem o aumento da demanda, como o maior consumo na China para melhora da qualidade do ar, a retomada mais lenta do que o previsto das operações nucleares no Japão, novos centros de demanda como Paquistão e Bangladesh e a política energética favorável ao gás na Coreia do Sul. Por outro lado, chegarão ao mercado 35MMtpa em capacidade adicional de liquefação em 2018, indicando que o mercado pode ter mais folga.

(Maggie Kuang, principal analista de GNL para Ásia Pacífico)

9. CARVÃO ESCORRE PELOS DEDOS DE TRUMP

O governo Trump continuará usando todos os estratagemas possíveis para revitalizar a produção de energia à base de carvão nos EUA, mas não vai interromper o inevitável e inexorável declínio de carvão. Não é preciso ir muito longe. Já se sabe que 2018 será o segundo ano com o maior número de desativações de usinas movidas a carvão, com previsão de encerramento de projetos com capacidade somada de 13GW. A primeira semana de janeiro foi especialmente gelada nos EUA, o que pode elevar a métrica de megawatts de carvão por hora, mas a capacidade total ativa de usinas movidas a carvão vai continuar diminuindo. Além disso, em 8 de janeiro, a Comissão Federal Reguladora de Energia dos EUA rejeitou uma solicitação do secretário de Energia, Rick Perry, para que os mercados de energia do país recompensassem usinas nucleares e movidas a carvão pela suposta “resiliência” que proporcionam ao sistema elétrico. A comissão, que se orgulha da sua independência, rejeitou o pedido de Perry por 5 votos a 0, sem inclinações partidárias.

O suporte crítico aos projetos de energia eólica e solar nos EUA ainda vem dos créditos tributários, que sobreviveram praticamente intactos à legislação de corte de impostos do ano passado. Ainda existem questões pendentes sobre o financiamento de projetos após as mudanças fiscais, mas os planos parecem relativamente saudáveis para 2018. No entanto, se Trump optar por tarifas ou outras penalidades sobre células fotovoltaicas fabricadas no exterior, os preços locais para módulos fotovoltaicos podem subir e inviabilizar economicamente uma parcela significativa dos projetos solares planejados nos EUA. Ironicamente, Trump provavelmente justificaria tal medida professando apoio à energia solar, uma vez que duas companhias que fabricam os equipamentos nos EUA estão defendendo as tarifas.

(Ethan Zindler, responsável pelas Americas)

10. CARVÃO DE PARTIDA NA ÍNDIA, CHINA CONSTRÓI PROJETOS SOLARES MENORES

A transição energética continuará a todo vapor nos dois maiores mercados de energia da Ásia, a Índia e a China, embora os dois países enfrentem oportunidades e desafios bem distintos. Na Índia, 2017 foi misto. Foram construídos 12GW em energia renovável, uma quantia decente, mas os novos investimentos em energias limpas diminuíram 20% devido a leilões cancelados e renegociação de contratos. Por outro lado, a Índia também teve um ano ruim em termos de acréscimo de capacidade de combustíveis fósseis em 2017, com um número significativo de projetos atrasados. O tempo entre financiamento e construção de projetos indica que a terceira maior economia da Ásia deve ver apenas 10GW em capacidade renovável construída em 2018. O comissionamento de usinas movidas a combustíveis fósseis chega a 13GW, boa parte referente a projetos não concluídos no ano passado.

No entanto, 2018 será o último ano em que os combustíveis fósseis superam os renováveis na Índia. A partir de 2019, o grau maior de certeza sobre políticas governamentais para renováveis e menos projetos envolvendo carvão significam que a construção de projetos de energia renovável vai superar a de combustíveis fósseis a cada ano. Isso será um marco para um país considerado campo de batalha importante para estabilizar o crescimento global das emissões que causam o efeito estufa.

A empolgação com a energia solar na China continuará em 2018 (ver Previsão 2, acima). Em 2018, a China também chegará a um ponto de transição, no qual construirá mais projetos solares conectados à rede de distribuição do que os projetos maiores, conectados à rede de transmissão, além de dobrar o volume de projetos solares construídos.

A diferença entre os dois — distribuição e transmissão — vai além do tamanho. Os projetos conectados à rede de distribuição envolvem redes de voltagem mais baixa, permitindo que se localizem mais perto dos usuários finais, portanto sujeitos a menos restrições e desperdício de energia. São menores e aproximadamente 70% deles são montados em telhados. Mais importante, o segmento de maior crescimento entre os projetos conectados à rede de distribuição são os sistemas de telhado dedicados a fornecer energia renovável somente para um local específico. Nossa estimativa é que dobrem para 14GW na China em 2018.

(Justin Wu, responsável por Ásia-Pacífico)

Estas foram as 10 previsões da BNEF para 2018. Vamos retornar a essas previsões adiante para verificar onde erramos e acertamos. Nos próximos dias, alguns dos meus colegas publicarão previsões mais detalhadas e fatores a serem monitorados neste ano que começa.

Até lá, desejamos um 2018 feliz e próspero para nossos clientes e leitores. E que a Força esteja com vocês!

Não posso prometer que o Mestre Yoda será um dos palestrantes, mas nunca se sabe…

Fonte: Bloomberg

Regiões-Nordeste-e-Sul-se-destacam-na-geração-de-energia-gerada-pelos-ventos

Investimento em energia renovável segue em alta no Rio Grande do Norte

O Brasil deve atrair gigantes globais do mercado de energia em leilões para contratação de novos projetos de geração renovável previstos para este ano.

O Rio Grande do Norte está bem na foto com a consolidação dos projetos eólicos, e avança na energia solar.

Os custos da energia dos ventos e solar tem caído nos últimos anos. E o investimento tende a crescer nas duas fontes.

No Brasil, a alta de 10% nos investimentos em energia renovável pode ser atribuído, em parte, a retomada dos leilões do setor, principalmente no final do ano passado, depois de uma pausa de dois anos Por meio desses certames foram contratados novos projetos das fontes eólica e solar.

Nesta sexta-feira (19/01) o Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, concedeu entrevista para o Jornal da 96FM e fez um balanço do setor energético do Rio Grande do Norte, e perspectivas para 2018.