Foto: Geandson Oliveira

Investimentos internacionais podem beneficiar eólicas no RN

O Rio Grande do Norte apresenta as melhores condições para produção de energia eólica e poderá atrair boa parte dos R$ 7 bilhões de investimentos internacionais direcionados para o setor. Atualmente o estado é o que mais se destaca na produção de energia eólica e deve continuar na dianteira com os leilões do próximo dia 29.

Empresas dos setores de energia elétrica, petróleo e gás natural no Brasil podem ter acesso a dois fundos de incentivo do Reino Unido, com recursos de até 1,345 bilhão de libras (o equivalente a R$ 7 bilhões). Um dos fundos, o “Newton Fund”, tem 45 milhões de libras (cerca de R$ 245 milhões), com contrapartida em igual valor pelo governo brasileiro, para a capacitação de pessoas e o financiamento de pesquisas e projetos de inovação no Brasil. O outro, o “Prosperity Fund”, possui investimento global de 1,3 bilhão de libras (cerca de R$ 7 bilhões), em várias áreas, com destaque para energia. Apesar de a iniciativa ser mundial, o Brasil é um dos países prioritários e o Rio Grande do Norte desponta como preferencial na produção de energia a partir dos ventos.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Flávio Azevedo destaca que nenhum outro estado oferece as condições naturais tão favoráveis como o Rio Grande do Norte. “Essa potencialidade eólica ocorre em função diferenciada porque o estado tem velocidade e constância de vento, tem equilíbrio ideal e oferece maiores incentivos. Temos características naturais para atrair os investimentos”, destaca.

ESTRUTURA DO ESTADO PODE MELHORAR

O secretário Flávio Azevedo reconhece que a infraestrutura logística está na contramão dessas vantagens naturais. “Não temos porto adequado e em algumas situações, dependendo do investidor, escolhe-se algum estado com maior infraestrutura porque o transporte de hélices é muito complicado, inclusive para descarregar. Temos uma saída muito complicada no porto, sem raio de giro e, em algumas situações, isso prejudica o estado”, explica. Mesmo assim, ele acredita que essa deficiência não é um fator que faça o estado perder os investimentos porque em outros estados é mais distante transportar os equipamentos para as usinas.

No setor, o RN é conhecido por ter os melhores ventos para a atividade, ainda melhores do que os da Europa, segundo o coordenador de dados estatísticos do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, João Agra. “Nem 50% da capacidade eólica foi explorada. O estado possui territórios e condições naturais e foi um dos pioneiros desde 2008 quando acreditou na atividade e vem fazendo o dever de casa, abrindo para estudos e investimentos em locais mais atrativos. Aos poucos, os investimentos chegaram e isso se reflete nos dias atuais”, conta Agra.

O engenheiro revela ainda que a região mais atrativa é a do Mato Grande, onde o “ouro eólico” se encontra. “Quanto mais tiver condições de se investir, vai se pensar nessa área do estado”. Cabe ao governo do estado facilitar a chegada de investidores agindo junto aos órgãos ambientais para desburocratizar os processos de licenciamento. “Para isso, precisa que os órgãos de licenciamento tenham estrutura de trabalho ágil porque quando há muitos empreendimentos buscando as licenças a demora é maior”, relembra João Agra.

ESTADO TEM QUASE UM TERÇO DA PRODUÇÃO DO BRASIL

De acordo com informações do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, o Rio Grande do Norte tem 16 municípios com parques eólicos em operação, totalizando 97 empreendimentos e, em até cinco anos, a previsão é que mais 20 que estão em construção comecem a operar, além de outros 55 que já foram contratados.

A partir do momento em que entrarem em operação, os municípios de Jandaíra, Lagoa Nova, São Miguel do Gostoso, Caiçara do Norte, Cerro Corá, Florânia, Jardim de Angicos, Maxaranguape, São Vicente, Rio do Fogo, Guamaré e Tibau começarão a integrar a lista de contemplados com usinas eólicas em atividade.

Somente os parques cujas construções já foram iniciadas vão gerar mais 518,6 Mw, ou seja, 17,07% do que todos os que estão em construção no país irão gerar. Juntos, estes 75 novos parques terão capacidade para produzir 2 Gw, o que aponta para um investimento da ordem de R$ 20 bilhões.

Não é para menos, então, que o estado responda atualmente por quase um terço  de toda a energia eólica produzida no Brasil que é de 8.623,27 Mw em operação comercial. Isso equivale a 31% (2.671,56 MW) de toda a capacidade instalada no país, que possui 353 empreendimentos.

Dos 111 municípios com parques instalados, os dois mais influentes também estão em solo potiguar, mais precisamente nos municípios de João Câmara e Parazinho. Eles têm a maior quantidade de parques, com 22 e 21 empreendimentos, respectivamente.

NOVO LEILÃO TRAZ BOAS PERSPECTIVAS

O próximo leilão de eólicas promete manter o Rio Grande do Norte na dianteira do setor. Vai ocorrer no próximo dia 29 com 864 projetos inscritos. “O Rio Grande do Norte tem mantido nos leilões o padrão de gerar um terço dos projetos. Isso deve se repetir no próximo, dadas as condições naturais para a atividade”, destaca o diretor do Cerne e especialista em energia, Jean-Paul Prates.

Neste leilão, o Rio Grande do Norte tem 232 projetos inscritos, que equivalem a 5.599 Mw, mas não se sabe quantos destes estarão habilitados para o leilão. Antes será analisado se todas as licenças estão em dia. Quando entram na disputa, as empresas já devem ter posse da área ou acordo com os proprietários para locação. As empresas também precisam ter garantias com fornecedores e financiamentos para que o parque entre em operação no prazo de cinco anos.

“O leilão de energia tem a característica de passar segurança contratual ao investidor com um contrato de 20 anos com receita fixa. Este leilão está com uma boa oferta de projetos e permite à gente esperar competitividade razoável e atratividade boa para todo o país. Acredito que não tão cedo o Rio Grande do Norte poderá ser ultrapassado por outro estado nesta área”, avalia Jean Paul. O estado ainda vai sediar dias 18 e 19, na Escola de Governo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o Solar Invest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável no Brasil. O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país.

ENTREVISTA

Jean Paul Prates

Diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia

NOVO – O que o Rio Grande do Norte precisa fazer para se tornar atrativo para estes  fundos internacionais interessados em investir no setor eólico?

Jean-Paul Prates – Fundos internacionais, especialmente os chamados investidores institucionais, estão menos preocupados com processos políticos e crises econômicas eventuais e mais com a estabilidade legal, o respeito aos contratos e a existência de projetos com capacidade de gerar fluxo de caixa a longo prazo. Os projetos de geração de energia no Brasil apresentam todas estas características básicas. Por isso, este setor não sofreu tanto os efeitos da desaceleração econômica dos últimos três anos. Neste sentido, o RN foi beneficiado pois as construções e implantações mantiveram seu ritmo. Isso mostra que o Estado precisa priorizar a proliferação de empreendimentos da mesma natureza, na energia, no petróleo, na mineração, na agro/fruticultura, na extração de sal, na aquicultura, no turismo etc. São setores que, em sua maioria, provêm segurança até no contra-fluxo econômico. Em suma, tratar com atenção e dar total apoio a empreendimentos eólicos é, genericamente, a forma certa de continuar atraindo mais.

NOVO – O RN exerce liderança nessa área de produção de energia eólica, mas sofre forte concorrência. O que o estado precisa fazer para assegurar os investimentos que já tem e ainda receber novos?

Jean-Paul Prates – É normal que os outros estados tenham aprimorado seus ambientes para investimento também, afinal, desde 2008 o RN saiu na frente e mostrou um caminho de sucesso. Nosso estado segue sendo referência para os gestores estaduais em todo o Brasil, e por isso é importante mantermos o nosso nível de esforço para ser sempre a melhor opção para investidor. Temos que evoluir no apoio à logística de implantação dos parques, na conciliação de interesses com os Prefeitos e comunidade locais e ainda há espaço até para aprimorar determinados procedimentos de licenciamento e fiscalização ambiental. Nada grave, apenas aprimoramentos mesmo, pois o nosso Idema, por exemplo, está bem à frente de outros órgãos ambientais estaduais no que diz respeito a parques eólicos e plantas solares. Temos que estar sempre melhorando, e jamais andar para trás.

NOVO- Quais as dificuldades que o setor enfrenta no RN e como superá-las?

Jean-Paul Prates – O fato de ainda vivermos a transição de um estado historicamente importador absoluto de energia (até 2010) para um estado que exporta quase dois terços da sua geração energética em menos uma década faz com que ainda tenhamos gargalos quanto ao escoamento da geração nova. O problema de planejamento federal foi equacionado e, hoje, o Governo Federal já consegue ter elementos para projetar novas linhas de transmissão a tempo para os leilões. O que aconteceu recentemente foi diferente disso: foram registrados problemas com a incapacidade de duas empresas concessionadas que não performaram – ou seja, não conseguiram construir as linhas que lhes foram outorgadas. Isso pode acontecer. Faz parte do jogo. Foram multadas, punidas, mas o fato é que a linha não apareceu. São casos isolados, e que serão resolvidos. Mas cabe ao Estado acompanhar tudo o que acontece no setor e nos projetos sob sua territorialidade. Para ajudar, defender, colaborar como for possível para que saiam do papel e sejam bem sucedidos. Por que isso é que tornará o RN atrativo para novos investimentos no futuro.

ENTREVISTA

José Henrique Azeredo

Advogado especialista em M&A (fusões e aquisições) e assessoramento a investidores estrangeiros

NOVO – Quais vantagens o RN dispõe, além das condições naturais, para quem deseja investir em energia eólica e em outras áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A vantagem principal é que, no RN, o setor eólico é uma das principais atividades econômicas de grande porte, e, por isso, recebe um tratamento especial. É o “estado dos ventos”, reconhecidamente, e isso faz com que tenhamos estruturas governamentais específicas que priorizam estes empreendimentos, além de um histórico de processos já bem sucedidos e pessoal capacitado para tratar do assunto. Já dispomos também de uma cadeia de fornecedores locais com experiência em empreendimentos energéticos (coisa que não tínhamos até 10 anos atrás) que já começam até a “exportar” serviços para outros estados! Por fim, temos uma rede de formadores de profissionais em energia eólica e solar a partir das excelentes bases do CTGás-ER, Senai/RN, UFRN, IFRN, UnP e entidades setoriais que se associam a eles para prover capacitação de alto nível para todo o Brasil, com destaque para o RN, é claro.

NOVO – De que forma o poder público pode contribuir para que este setor se consolide ainda mais no RN, uma vez que é também gerador de emprego e renda?

José Henrique Azeredo – Como não temos grandes indústrias e grandes aglomerações urbanas, o setor eólico (como será o solar também, em breve) é importante – e tem que ser tratado como tal. Ele gera uma coisa muito importante para nós: interiorização; ou seja, a fixação e qualificação de mão-de-obra, e a capitalização de comunidades e cidades do Estado que não teriam alternativas tão positivas no curto prazo. Conciliar interesses, principalmente com as comunidades locais, arrendatários, cartórios, empreendedores locais e apaziguar alguns prefeitos mais “vorazes”, principalmente em tempos de eleição, são missões importantes para o Governo do Estado. O exagero na criatividade tributária municipal, por exemplo, tem sido crescente e pode vir a ameaçar a atratividade do Estado aos novos investimentos.

NOVO – Como consultor, qual a imagem que os investidores têm do potencial do Rio Grande do Norte na área de energia eólica e nas demais áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A melhor possível. O Estado é atrativo. Do ponto de vista das condições naturais, é notório o potencial eólico (hoje já cabalmente demonstrado) e solar, já em desenvolvimento. Em relação às condições sócio-econômicas e governamentais, tudo o que estou listando aqui são aprimoramentos. O RN não está mal na fita. Está bem. A preocupação deve ser em manter o status. E aprimorar o que for possível. Para atrair fábricas, por exemplo, há que se falar em porto. Um assunto que interessa a todos os setores econômicos do Estado. E interconexão modal (com o aeroporto de São Gonçalo, com o interior do Estado, etc). Para manter a mão-de-obra empregada, é preciso manter os ciclos de novos empreendimentos entrando. Para manter estes ciclos, evoluir sempre na desburocratização responsável e no apoio aos empreendimentos. Financiadores gostam de ver seus projetos bem acolhidos nos locais de implantação. Enfim, o RN tem tudo para continuar sendo o melhor lugar para se investir em eólica e solar no Brasil.

Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal

banner-prospecto-1030x610

Natal vai sediar o maior evento eólico do Brasil

Natal vai sediar, dias 18 e 19 de abril, na Escola de Governo, Centro Administrativo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o SolarInvest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável do Brasil.

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias (Cerne), Jean-Paul Prates, destaca que depois de três anos sediado na Bahia, o Fórum volta a ser realizado em Natal.

O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país. O evento montou a regulação do setor.

Na época, reporta o diretor-presidente do Cerne, foi escrita a Carta dos Ventos, o primeiro documento do setor em que lideranças parlamentares e empresariais, e entidades do segmento de energias propõem as intenções e pleitos sobre estratégias  para o desenvolvimento do setor eólico nacional. “Foi o marco inicial da indústria eólica do Brasil”, assinala Prates.

O Fórum foi realizado em Natal até 2012 mas por falta de incentivo, de 2013 a 2015 migrou para a Bahia onde encontrou apoio governamental, explica Jean-Paul Prates. “Agora, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sesed) o evento volta para Natal”, ressalta. O Cerne conta também com apoio, além do Governo do Estado, de entidades como a Fiern e o Sebrae e outras entidades e instituições.

“A importância do evento, agora, é que ele resgata Natal como sede nacional das decisões regulatórias e das políticas para o setor eólico”, ressalta Jean-Paul Prates. Segundo ele, esta é a única ocasião anual no Brasil onde as mais importantes autoridades, empresas, instituições como o Senado e a Câmara Federal se reúnem para discutir o setor. “O Rio Grande do Norte é líder e referência nacional no setor eólico para o Brasil”.

É a primeira vez que o SolarInvest e o Fórum são realizados ao mesmo tempo e reúnem a cadeia produtiva dos segmentos em um só evento.  Serão discutidas a agenda da legislação e projetos de lei para os dois setores este ano e em 2017,  alternativas de financiamentos de empreendimentos, licenciamentos, fiscalização e responsabilidades sócio-ambientais de empreendimentos eólicos e solares no país.

Fonte: Novo Jornal

77a564c1-51ce-4fa4-a493-ed4c61272d2d

Senado aprova uso do FGTS para compra de equipamentos de microgeração

Foi aprovado pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), um projeto que permite o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a aquisição e a instalação de equipamentos de geração elétrica em residências. O Projeto de Lei do Senado (PLS) 371/2015, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), estabelece o benefício para energia a ser gerada a partir de fontes hidráulica, solar, eólica ou de biomassa. A proposta segue para a análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Os recursos poderão ser sacados uma vez com essa finalidade e para obtê-los, o interessado precisa comprovar no mínimo três anos com carteira assinada. A casa em que os equipamentos serão instalados tem de ser do beneficiado.

Segundo o autor desse projeto, o grande objetivo é estimular a eficiência energética por meio de fontes renováveis. Nos últimos anos, segundo o senador, o Brasil tem sofrido com o desfalque entre oferta e a demanda de energia elétrica, por falta das chuvas ou por deficiência no planejamento setorial. A solução tem sido acionar as usinas termoelétricas, uma produção mais cara e poluente. Ciro Nogueira afirmou, ainda, que sabia que alguns setores do governo são contra o acesso ao FGTS para determinadas coisas.

Esta comissão terá o bom senso de saber que um projeto desses tem como ideia gerar energia de forma mais limpa possível, a melhorar a renda dos trabalhadores brasileiros e, principalmente, a fazer jus a um dinheiro que é dele, do trabalhador — afirmou Ciro.

Isso afeta o FGTS?
O recurso do FGTS é uma poupança dos trabalhadores, e seu volume de recurso está diminuindo. Atualmente, o programa de governo de financiamento quase 80% dos recursos a serem aplicados vêm do FGTS, a menor parte é do Tesouro. E um outro fato a comentar aqui é que a presidente Dilma vetou a utilização de investimento de recursos exatamente onde deveria incentivar: na geração de energia alternativa, que é a eólica e a solar.

Fonte: Exame.com

05-03-2013_12_26_00_

Mais 18 usinas eólicas entram em operação na Bahia

As 18 novas usinas eólicas que entraram em funcionamento no semiárido baiano, no primeiro trimestre de 2016, representam investimentos de R$ 1,7 bilhão e mais 458.500 MW adicionados à rede elétrica. Sento Sé, com quatro – Banda de Couro, Baraúnas I e II, Morro Branco I e Mussambê – e um total de R$ 495 milhões investidos, foi o município que mais se destacou neste período como produtor de energia via a força dos ventos.

Campo Formoso também se destacou, começando a produzir energia eólica com as usinas Campo Formoso I, Andorinha, Morrinhos e Sertão, onde as empresas Renova e Atlantic investiram R$ 495 milhões. A Renova também colocou em funcionamento, em Caetité, três novas usinas eólicas –  Borgo, Serra do Espinhaço e Caetité – com investimentos da ordem de R$ 275,5 milhões.

Em Igaporã, a companhia investiu R$ 127,6 milhões nas usinas Espigão e Pelourinho Pindaí, na microrregião de Guanambi, no sudoeste baiano e com cerca de 15 mil habitantes, também passa a ser produtor de energia eólica com a ativação das usinas Angical, Caititu, Coqueirinho e Tamanduá Mirim. Nelas, o consórcio Brazil Energy/Sequoia Capital investiu R$ 326,2 milhões.

“São municípios da caatinga que ganham um adicional de renda e receita, o que seria bastante improvável não fosse a bênção de eles terem os melhores ventos do Brasil. Com o acréscimo dessas novas usinas, a Bahia completa um total de 60 usinas em operação e mais de 1,53 GW em potência instalada na produção de energia eólica”, diz  o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Hereda.

Liderança

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Bahia é o terceiro maior estado brasileiro em produção de energia eólica, ficando atrás do Rio Grande do Norte, com 97 usinas e 2,6 GW de potência instalada; e o Rio Grande do Sul, com 67 usinas e 1,55 GW. No Brasil, o território baiano é o que mais possui usinas eólicas em construção, um total de 46, mais que o dobro do segundo colocado, o Rio Grande do Norte, com 20 empreendimentos.

Os investimentos em eólica na Bahia são da ordem de R$ 18,5 bilhões em 186 usinas, com 4,5 GW de potência, distribuídas em 22 municípios. O estado também começa a se destacar na produção de energia fotovoltaica,  com investimentos de R$ 4,2 bilhões.

Fonte: A Tarde

Foto: Aléx Régis

Eólicas: panorama atual e os desafios do setor no Brasil

Com o primeiro leilão de energia do ano marcado para 29 de abril, o Rio Grande do Norte poderá impulsionar em investimento potencial cerca de R$ 20 bilhões, em concorrência, para o certame. A estimativa é feita pelo presidente Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, com base na estimativa de habilitação de até 60% dos 232 projetos inscritos para o Estado, o que representaria a geração de mais 4 GigaWatts. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Jean-Paul Prates fala sobre infraestrutura dos linhões, mudanças nas regras do leilão e o reflexo da crise política e econômica para o setor com a redução de financiamento.  Além de eólicas, o leilão realizado no final deste mês terá a contratação de energia elétrica proveniente de hidrelétricas e de termelétricas a biomassa, a carvão e a gás natural. Também serão realizados esse ano dois leilões de reserva.
No primeiro certame, em 29 de julho e com prazo de suprimento de 20 anos, serão negociados contratos para empreendimentos de geração solar fotovoltaica. A produção de energia fotovoltaica deverá aproveitar a infraestrutura já existente, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e usam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. Um segundo leilão de reserva, em outubro, terá projetos de fonte solar fotovoltaica e de eólica, que terão contratos com prazo de 20 anos.

Confira os principais trechos da entrevista, que também trata do “Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos”,  evento que será realizado nos dias 18 e 19 de abril na Escola de Governo do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo, em Natal.

Expectativas de leilão
Esse ano teremos três leilões de energia. Agora, para o dia 29 de abril,  haverá o leilão de energia regular A-5, para começar a gerar em 5 anos após a contratação. O Brasil tem  864 projetos inscritos (21.232 MW) e o Rio Grande do Norte tem 232 projetos (5.599 MW).  O segundo é o leilão de reserva, marcado para o dia 29 de julho, que não terá eólica, só fotovoltaica e outras fontes. E no dia 28 de outubro,  haverá outro leilão de reserva que terá eólica. Os investidores preferem o leilão A -5 porque o prazo para construir e entrar em funcionamento é de cinco anos, com contrato assegurado por 20 anos.

Perda de espaço
Existem dois movimentos em relação a questão de perda de espaço. O primeiro foi o vácuo quando os parques ficaram prontos e não havia estrutura de conexão para transmissão da energia. Houve uma cochilada entre 2011 e 2012 em relação as cobranças de infraestrutura e linhas, que deveriam ficar prontas em 2012, entretanto, chegaram ao final do ano sem estar. Neste mesmo período, outros estados como a Bahia, com um projeto do Jacques Wagner, no modelo que adotamos aqui em 2009 e 2010, além de outros estados, avançaram.

Atrasos de linhões
Houve duas fases em relação as linhas de transmissão. Na primeira, entre 2009 e 2010, quando a eólica não era considerada certa no Brasil, já falava-se em linhas de transmissão. Tivemos que mostrar no mapa que a região do Mato Grande tinha potencial e que era preciso o chamado ICG, considerado uma espécie de ancoradouro. Havia outro projeto para linhas transmissão, conhecida como Translitorânea, que saía do Rio Grande do Norte fazendo um arco até a cidade de Russas, no Ceará. Porém, não foi considerada prioritária pelo Governo e, por isso, não saiu. Nesta fase, as linhas só eram licitadas e concedidas depois dos leilões A -3 e A -5. Consequentemente, alguns conjuntos de linhas atrasaram. As linhas que deveriam estar prontas em 2012 não ficaram. Também houve todo o problema dos atrasos. Parques parados, à espera. Não houve debandada de investidores porque àquela época havia uma cláusula contratual de autorização elétrica que previa o pagamento pela geração, mesmo que o parque não estivesse conectado. Porque não era culpa do investidor, a linha estava prometida e cabia a ele colocar o parque de pé no prazo contratado, não os linhões. Se colocou o parque de pé, recebia por isso. Essa cláusula dava maior segurança ao investidor. Hoje, eu considero essa questão equacionada porque o empreendedor é, em regra, o responsável pelo planejamento do seu parque.

Mudança na regra 
A partir de 2012, como poderiam ocorrer mais atrasos e já se desenvolvia uma descentralização da matriz energética do país, que deixava de ser concentrada em grandes hidrelétricas para ser pulverizada com parques eólicos, solares e térmicas em outros pontos do país, a cláusula mudou. Havia o risco de divergências de prazos, além dos atrasos. O Governo alterou as regras e acabou com o pagamento pela geração só por construir o empreendimento. Por isso, o investidor passou a ter responsabilidade pela conexão do parque. A mudança fez com que os empreendedores participantes do leilão também fossem  responsáveis em assegurar a conexão com as linhas de transmissão.

Leilões desertos
Não houve leilões desertos. A mudança na regra não foi a causa do baixo número de projetos para o Rio Grande do Norte nos últimos certames. Esta regra existe desde 2012 e já está bem digerida. Hoje, a questão dos linhões está equacionada no sentido de que o empreendedor tem que apresentar para o leilão uma tarifa que inclua a solução do escoamento de energia. É necessário planejar antes e assim ajudar o governo. Por outro lado, o Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia e da EPE, já dispõe de informações e de potencial eólico real no Brasil para prever e se antecipar em relação as demandas das bacias de ventos.

Investimento potencial
O investimento pode ser mensurado assim que sair o números de projetos habilitados pela EPE para o leilão. Mas, em geral, temos conseguido nos últimos leilões habilitar 60% dos projetos inscritos. Se temos inscritos 232 projetos, caso passe a metade, teremos 4 GigaWatts habilitados. Se considerarmos o valor de R$ 4,5 milhões por MW, este leilão do dia 29 de abril pode representar, em investimento potencial, cerca de R$ 20 bilhões em concorrência.

Emprego
A grande projeção de geração de emprego deve-se a uma característica do setor em ter investimentos assegurados em projetos contratados a longo prazo nos leilões federais. Como a performance dos leilões se dá em cinco anos para construção dos parques, isso faz o setor estar na sombra dos leilões de 2014 e 2015, girando na inércia dos processos dos certames. Diferente de outros mercados que estão demitindo, o número de contratações até 2019 em toda a cadeia produtiva de energia eólica deve chegar a cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Teremos problemas se a crise se prolongar mais e superar esse período de cinco anos.

Tensão política e econômica
Essa tensão política e econômica tem afetado os negócios da indústria eólica, sim, no sentido de ter menos financiamento. Antes, o BNDES era um propulsor, um impulsionador de investimentos. Todos os projetos até hoje tiveram o financiamento do BNDES. Acontece que há dois anos, com a  saída do Banco do Nordeste, o BNDES  endureceu as condições. Se antes financiava 80% do parque, agora só 70%. Isso faz com que o setor busque o investimento privado. E no momento em que o BNDES começou a deixar parcialmente o financiamento nas mãos dos investidores privados e estrangeiros, surge esse ambiente confuso na política e economia do país fazendo com que o investidor fique mais cauteloso a espera de uma definição do cenário político e econômico do país. Isso pode se refletir neste próximo leilão com esta redução das facilidades de financiamento. Se há menos projetos com confiança de que serão financiados, há uma participação menor, então a tarifa é reduzida e fica menos competitivo. Essa indefinição para o investidor é pior, por exemplo, do que em período pré-eleitoral, onde é possivel analisar os projetos eleitorais e tomar decisões.

Energia Solar
Os primeiros parques solares, de grande porte e maior viabilidade, devem ser instaladas em áreas onde existem parques eólicos – gerando usinas híbridas – para que possam utilizar a estrutura já existente de linhões e subestações, além dos acessos, arrendamentos, negociação com as comunidades. E tendo isso já acertado, não há entrada na tarifa e torna o projeto mais competitivo para entrar no leilão de reserva de energia fotovoltaica.

Gargalos
Continua sendo um gargalo a questão do planejamento de linhas  de transmissão. Entretanto, no Rio Grande do Norte, o secretário de desenvolvimento econômico do estado, Flávio Azevedo, tem dado uma maior atenção. O CERNE e o Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN também tem acompanhado essa questão. Há toda uma vigilância para que esse gargalo seja superado.  Por outro lado, o Governo Federal também tem limitações e não pode concentrar-se em um só estado,  é preciso tratar o tema com os demais.

Fórum Nacional Eólico
Criado em Natal, o Fórum Nacional Eólico volta para a capital potiguar em 2016. Por focar na parte de política setorial e de legislação, sem cunho comercial, o evento faz de Natal a capital do pensamento estratégico em energia eólica. Esse ano ele será realizado em conjunto com o Solar Invest. A programação terá reuniões fechadas para o setor e sessões abertas ao público em geral. Serão discutidos temas relevantes, como a agenda legislativa de 2016 que trata de todos os projetos que devem ser votados e que irão tramitar no Congresso, a revisão da política estratégica do setor e também a análise crítica da pauta legislativa do ano. Haverá debates para tratar alternativas de financiamentos ao BNDES com bancos privados e um encontro de órgãos de licenciamento para os parques eólicos.

RAIO-X DO SETOR
Leilão de Energia A-5  – 29 de Abril
+ Brasil: 864 Projetos Inscritos (21.232 MW)
+ RN: 232 Projetos Inscritos (5.599 MW)

Leilão de Energia de Reserva – 29 de Julho
– Energia Solar Fotovoltaica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Leilão de Energia de Reserva – 28 de Outubro
– Energia Solar Fotovoltaica e Energia Eólica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Parques eólicos em Operação
+ Brasil: 349 Parques Eólicos – 8.533,268 MW
+ RN: 97  Parques Eólicos – 2.671,56 MW (31,31%)

Parques eólicos em Construção
+ Brasil: 132 Parques Eólicos – 3.113,754 MW
+ RN: 20 Parques Eólicos – 518,60 MW (16,66%)

Contratados/Outorgados
+ Brasil: 249 Parques Eólicos – 5.950,050 MW
+ RN: 55 Parques Eólicos – 1.404,70 MW (23,61%)

Não Cadastrados
+ Brasil: 24 Parques Eólicos – 591,10 MW
+ RN: 4 Parques Eólicos – 49,20 MW (8,32%)

Total
+ Brasil: 754 Parques Eólicos – 18.188,172 MW
+ RN: 173Parques Eólicos – 4.613,76 MW (25,37%)

Dados: CERNE/SEERN

Fonte: Sarah Vasconcelos | Tribuna do Norte

Foto: www.ambienteenergia.com.br

Investimentos de US$ 7 bi colocam Brasil entre os dez maiores mercados de energia renovável

Investimentos em energias renováveis atingiram o valor de 286 bilhões de dólares em 2015. O montante é um dos mais altos já registrados e foi, pela primeira vez, maior que o dobro do registrado para os recursos gastos com carvão e gás.

Além de quebrar este recorde, 2015 também foi o primeiro ano em que países em desenvolvimento investiram mais em energias limpas do que as nações desenvolvidas. O Brasil esteve entre os dez maiores investidores do mundo.

As informações são de um novo relatório publicado em 25 de março e elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em parceria com o organismo de Finanças de Nova Energia da Bloomberg (BNEF) e o Centro de Colaboração para o Clima e o Financiamento de Energia Sustentável da Escola de Frankfurt e da agência da ONU.

Recursos do Brasil foram calculados em cerca de 7 bilhões. A maior parte dos investimentos foi destinada à produção de energia eólica (5,7 bilhões)

A pesquisa revela que fontes renováveis geraram 134 gigawatts adicionais em 2015, em comparação com os 106 GW produzidos em 2014. O valor equivale a 54% de toda a potência energética adicional produzida no ano passado. Essa quantidade de energia limpa impediu que 1,5 gigatonelada de gás carbônico fosse liberada na atmosfera. Desde 2004, países teriam investido 2,3 trilhões em energias renováveis.

Negócio da China
Somados, os investimentos da China, Índia e Brasil – os “três gigantes” – registraram um aumento de 16% em 2015, alcançando 120,2 bilhões de dólares. A China responde pela maior fatia deste volumoso orçamento – quase 100 bilhões.

Recursos do Brasil foram calculados em cerca de 7 bilhões. A maior parte dos investimentos foi destinada à produção de energia eólica (5,7 bilhões). Estimativas indicam que esse tipo de energia produziu dois gigawatts a mais em 2015 para o país.

Também no ano passado, pela primeira vez, os projetos brasileiros em energia solar alcançaram a casa das centenas de milhões, chegando a 657 milhões de dólares. Segundo o relatório, isso poderia indicar o início de um novo grande mercado para o uso de placas fotovoltaicas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi citado pela pesquisa como o quarto banco de desenvolvimento mais ativo do mundo no setor de financiamento de projetos de energia limpa.

Eólica e solar
O organismo brasileiro informou ao Pnuma e às outras instituições responsáveis pela pesquisa que emprestou o equivalente a 1,8 bilhão de dólares para iniciativas envolvendo energia eólica.

Quando considerados os investimentos globais, o documento mostra que as energias solar e eólica dominaram a produção limpa em 2015, gerando 118 gigawatts do total. Esse cálculo do Pnuma excluiu os valores associados a grandes hidrelétricas.

O uso de biomassa, de energia geotermal, de resíduos e de pequenas hidrelétricas produziu quantidades mais modestas de potência de acordo com a pesquisa.

“O acesso à energia limpa e moderna é de enorme valor para todas as sociedades, mas especialmente em regiões onde a energia confiável pode oferecer profundas melhorias para a qualidade de vida, o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade ambiental”, afirmou o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner.

Fonte: IBahia

 

Foto: Aluisio Moreira | SEI

BNDES prevê elevar em mais de 30% aprovações e liberações para usinas eólicas em 2016

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estima elevar em mais de 30 por cento neste ano tanto as aprovações quanto as liberações de financiamentos para empreendimentos de energia eólica no Brasil.

“A gente pretende aprovar 10 bilhões de reais e liberar cerca de 8 bilhões de reais”, afirmou à Reuters a gerente do departamento de energias alternativas do BNDES, Cláudia Noel.

Em 2015, o banco registrou 7,4 bilhões em aprovações e cerca de 6 bilhões em liberações.

O forte crescimento foi previsto apesar de empresas do setor de energia eólica se queixarem de uma maior lentidão na liberação de recursos pelo banco.

Mas a gestora negou que haja problemas.

“Não faltam recursos, é prioritário para o banco apoiar esse setor de renováveis”, disse Cláudia.

Em 2015, o BNDES desembolsou 22,3 bilhões de reais para projetos no setor de energia elétrica, maior montante destinado a essa área na história do banco.

“O banco não tem nenhuma limitação, não tem nenhuma deficiência… para liberar e aprovar. Agora, às vezes os projetos não conseguem atender as condições do banco ou não estão maduros o suficiente para que sejam aprovados”, afirmou.

 Fonte: Luciano Costa | Agência Reuters
Foto: Divulgação

Investimentos da Eletrobras para este ano passam de R$ 10 bilhões

A Eletrobras vai investir cerca de R$ 50 bilhões no setor elétrico da holding nos próximos cinco anos, dos quais um pouco mais de R$ 10 bilhões serão destinados aos investimentos do grupo ao longo deste ano.

A informação foi dada hoje (29) pelo presidente da estatal, José da Costa Neto, ao participar do Seminário Internacional Destravando os investimentos de infraestrutura no Brasil e na América Latina em 2016 – A visão da engenharia. O evento ocorreu na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – Firjan, promovido pela Associação Brasileira de Consultores de Engenharia.

Segundo Costa Neto, este é o montante previsto no plano diretor de negócios e gestão da estatal, ainda em fase final de elaboração. O plano deve ficar pronto em junho. “O investimento está em torno de R$ 50 bilhões para os próximos cinco anos, o que dá mais ou menos R$ 10 bilhões por ano. Para este ano, podemos investir até mais do que isto.”

Segundo o presidente da Eletrobras, o orçamento tem que ser sempre um pouco maior, porque o gasto só pode ser implementado se houver um orçamento previamente definido. “Então, é necessário uma sobra para cobrir os percalços. É uma licença que não sai, um equipamento que atrasa, um empreiteiro que deixa de cumprir, ou atrasa o prazo. E você não pode começar uma obra que não tenha garantia de recursos suficientes para implementá-la”, disse.

Eletrosul

O presidente da Eletrobras disse que a holding estuda a venda de parte dos ativos da subsidiária Eletrosul, mas que o processo de venda ainda está em fase preliminar. Ele justificou a decisão, afirmando que “cada subsidiária tem seu próprio de gestão, desde que esteja de acordo com as diretrizes básicas do plano diretor de negócios, e que envolva ativos que não sejam considerados estratégicos”.

Sobre os desinvestimentos na subsidiária e a sua área de alcance Costa Neto disse que, na realidade, são estudos muito preliminares, muito genéricos, que não há nada aprovado. “A Eletrosul está fazendo análises de planejamento para saber o que vai investir, o que eventualmente vai desinvestir. Ela está fazendo todos os estudos possíveis. Posso lhes garantir que não há nada definido, efetivo, por parte da diretoria da Eletrosul sobre o assunto.”

Leilão da Celg

Sobre o leilão da Celg, distribuidora de energia do estado de Goiás, na região Centro-Oeste do pais, o presidente da Eletrobras admitiu atraso no cronograma de lançamento do edital para a venda da subsidiária. O lançamento estava previsto para o início este mês.

O atraso, segundo ele, é decorrente de pedidos das próprias empresas interessadas e que eles tem relação com a conjuntura atual do país. “Vamos ver se o edital sai agora em abril, para que o leilão possa ocorrer em maio. Os interessados têm pedido mais prazo para fazer análises, mas eu acredito, vamos ver, se o edital sai em abril para fazer o leilão 30 dias depois”. Estamos atendendo a pedidos dos interessados e é claro que a gente tem que levar em conta o momento atual.”

Fonte: Eletrobras/Agência Brasil

Foto: www.ambienteenergia.com.br

Setor eólico estuda alternativas para tirar transmissão do papel

O ano de 2016 é encarado pelo setor eólico como o ápice de restrição na transmissão de energia. O segmento está preocupado e desde o início do ano vem procurando por alternativas para não impedir a continuidade de sua expansão no país. Dois pontos mais se destacam no momento, a questão da Abengoa e a falta de interessados nos leilões regulados da Agência Nacional de Energia Elétrica.

Do sistema de transmissão chamado de pré- Belo Monte que a concessionária espanhola Abengoa deveria entregar, as linhas 16, 17 e 19 são as mais críticas para o setor eólico. Segundo a presidente executiva da ABEEólica, Élbia Gannoum, nessa região há seis empreendedores diretamente afetados. Diante disso, comentou, que o setor estuda até mesmo como viabilizar esses projetos tendo as geradoras como investidores de menor porte.

A ideia, acrescentou, seria a de formar consórcios com instituições e empresas credoras da empresa espanhola e tocar as obras. “Há instituições e empresas credoras como fornecedores de cabos, equipamentos e até bancos. Reuniríamos todos os envolvidos que sofrem com a dificuldade da Abengoa”, relatou Élbia. “Estamos trabalhando em conjunto para obtermos uma solução de mercado para essas linhas e de maneira pulverizada até porque também precisamos investir na geração, mas estamos trabalhando em uma proposta nesse sentido”, acrescentou.

No arranjo que está sendo visualizado não haveria a participação de transmissoras de energia, apenas as geradoras e os credores nesses projetos. A perspectiva é de que os estudos sejam concluídos em cerca de duas semanas e que ainda em abril seja entregue ao governo. A executiva disse ainda que ao mesmo tempo o setor está de olho no próximo leilão de transmissão da Aneel e que por isso não estipulou um prazo para entregar o estudo ao MME.

A outra discussão na qual a entidade está envolvida é a possibilidade de um leilão de geração e transmissão, conforme o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, revelou na semana passada. A executiva da ABEEólica adiantou que a entidade está elaborando um estudo mais amplo com a PSR para avaliar, entre outros pontos, a margem de escoamento, soluções de curto prazo, de médio prazo (nesse caso entra o leilão de geração associado à transmissão) e de longo prazo. “Estamos revisitando o modelo de transmissão no estudo e vamos entregar ao governo para contribuir nesse ponto”, justificou.

Élbia lembrou que ao mesmo tempo que a EPE desenvolve seu modelo para um leilão de G+T, a associação também está com essa atribuição. Segundo a executiva, essa iniciativa é conduzida em paralelo até porque em uma reunião com o ministro de Minas e Energia no início de 2016, Eduardo Braga pediu que a entidade sugerisse uma solução. Esse documento também será apresentado ao governo e poderá ser utilizado em uma consulta pública que a Aneel deverá colocar em discussão em breve.

Fonte: Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Planejamento e Expansão

Foto: www.brasilengenharia.com

RN pode produzir energia solar em alta escala

Assim como está na frente em capacidade de empreendimentos eólicos, o Rio Grande do Norte também pode sair na frente em produção de energia solar. A produção de energia fotovoltaica ainda é pontual e tímida no estado, mas, segundo Jean-Paul Prates, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), com a estrutura que o estado já tem para a energia eólica, será possível atrair empreendimentos solares, já que a produção de energia a partir do calor do sol está mais competitiva. “Já se tornou competitiva e desde 2014 aparece nos leilões. Podemos acolher empreendimentos solares adotando a estrutura eólica como base”, diz.
O governo federal tem estudado formas de aproveitar as infraestruturas já existentes, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e utilizam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. “Os parques híbridos tem tendência de serem instalados no RN e há projetos sendo hibridizados para aproveitar infraestrutura de escoamento e dar mais competitividade nos leilões”, explica Jean-Paul Prates. Ele conta que a energia solar para grande porte não tinha competitividade porque até quatro anos atrás era quatro vezes mais cara do que hoje. “Agora é uma vez e meia mais cara, mas todo que se fizer, toda a estrutura que já se tem e os incentivos para viabilizar esses empreendimentos se refletem em uma tarifa mais competitiva”, avalia.
Projetos de energia híbrida já estão sendo desenvolvidos pelo país. No início deste mês, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, inaugurou um projeto inédito no mundo: a instalação de placas fotovoltaicas sobre flutuadores, instalados no lago da Usina Hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas. Ele disse que o Brasil se prepara para um setor elétrico robusto, seguro do ponto de vista energético, eficiente, limpo e sustentável do ponto de vista ambiental e social, além de barato, que gere emprego.
Esse projeto será conduzido por pesquisadores das universidades federais do Amazonas e de Pernambuco, com acompanhamento do governo federal. A inserção de flutuadores em lagos já existe na Europa, mas o aproveitamento com estruturas de hidrelétricas é inédito. O mesmo projeto está sendo lançado na Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia.
Outra proposta inovadora na geração híbrida será implantada na comunidade indígena Raposa Serra do Sol, localizada em Roraima. O modelo que será testado por lá vai associar energia térmica (já existente) e eólica. A ideia é aproveitar os ventos que incidem nos altos dos montes e gerar energia para os índios daquela região. O novo modelo de produção de energia vai baratear os custos da energia gerada, gastando-se menos volume de óleo diesel e equilibrando a conta.
Jean-Paul Prates diz que não se pode prever que a produção de energia alternativa como a dos ventos e do sol venha a superar a das hidrelétricas. “Não são energias de base. Precisamos delas como fonte de energia alternativa. Elas têm o problema de continuidade porque dependem da força dos ventos e da incidência do sol, mas sempre vão conviver com outras formas de energia. Nosso regime hidráulico ainda é avassalador”, avalia o especialista.
Prates diz ainda que um terço do Nordeste é suprido por eólicas. “Se não fosse ela o Nordeste já estaria em racionamento de energia desde novembro passado e o país teria entrado em crise energética. O governo acertou em rever o modelo elétrico por volta de 2006 e 2007 quando passou a não depender unicamente das água dos rios que precisam das chuvas”, conclui o especialista em energias.
RN é o estado com maior capacidade eólica instalada
O Rio Grande do Norte é o estado com maior capacidade instalada em usinas eólicas a maior capacidade instalada em usinas eólicas. Fechou 2015 com um aumento de 28,3%, num total de 2.493 MW. Para os especialistas a tendência é de que o estado continue na dianteira em produção de energia eólica, com previsão de investimentos de mais R$ 6 bilhões nos próximos anos no setor.
Em todo o país, a capacidade instalada de usinas eólicas cresceu 45% em 2015 na comparação com 2014, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Passou de 5.710 MW para 8.277 MW. E isso se deve aos novos empreendimentos que entraram em operação. Em 2015 foram 102 novos empreendimentos que passaram a produzir a energia a partir dos ventos, somando um total de 325 geradoras eólicas. O estado com maior capacidade instalada é o Rio Grande do Norte, seguido do Ceará, Rio Grande do Sul e Bahia.
“O Rio Grande do Norte contratou mais e é o maior estado em energia”, explica a presidente Executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica, Elbia Gannoum. Ela se refere aos investimentos em no setor que começaram em 2009 com leilões e que se estenderam até 2015.  “Desde então, os parques eólicos estão sendo construindo e a capacidade está crescendo como o pre-visto quando cada um é concluído e entra em operação. Estaremos batendo o recorde a cada ano”.
Segundo a CCEE, as usinas eólicas produziram 2.971 MW médios em 2015, num crescimento de 52% em relação ao mesmo período de 2014. Vale destacar o desempenho da fonte no mês de agosto, quando a produção alcançou seu auge e entregou ao Sistema Interligado Nacional de 3.199 MW médios. “O vento é abundante e a energia eólica é a segunda fonte mais barata do país. Isso mantém a trajetória do país de crescimento nesse tipo de energia”, relata a presidente da ABEEolica. Em 2015, diz, o setor investiu R$ 22 bilhões e para 2016, Élbia diz que estão previstos R$ 25 bilhões.
Jean-Paul Prates, do Cerne, também ressalta que a previsão do aumento da capacidade está se cumprindo e diz que vai aumentar ainda mais com o Rio Grande do Norte sempre à frente, mas que é preciso manter o estímulo no setor. “Temos que procurar nos manter assim porque somos a principal referência para o país. É preciso manter um trabalho constante de permanência e fortalecimento do setor que é o principal segmento a substituir o petróleo que tínhamos”, destaca Prates.
O estado não chegou a esse patamar por acaso, segundo Prates, foi preciso acreditar, antes dos primeiros leilões que ocorreram em 2009 que essa era uma atividade que merecia investimentos e facilitar a vinda dos empreendimentos. “Enquanto outros colocaram obstáculos para dificultar a produção de energia eólica, o RN acreditou. É importante manter a atenção especial para este setor que já investiu mais de 10 bilhões de 2008 para cá, e estão em construção ou contratados mais de R$ 6 bilhões”, diz.
Outro ponto importante é que a produção de energia no Rio Grande do Norte está descentralizada levando desenvolvimento econômico para várias regiões do estado. “É no Mato Grande, que vivia de agricultura de subsistência e agora já tem uma economia pujante graças a esse setor; é o litoral Norte; a região central que começa a receber investimentos; e até na serra de Santana”, relata.
E o estado deve continuar atraindo empreendimentos eólicos. Segundo Jean Paul, ainda existem muitas áreas propícias para a instalação de usinas eólicas. “Já tem novas áreas em medição e há disponibilidade pelo menos dois terços, ou seja, duas vezes e meia a mais do que já temos em capacidade de realização para o setor eólico e agora com a expectativa de adotar e receber bem a energia solar”, destaca o presidente do Cerne.
Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal