Dependente de hidrelétricas, Brasil quer mais energias renováveis

Fonte: Isabela Vieira | Agência Brasil

Para a conferência que discute o futuro do planeta, em Paris, a COP21, o Brasil leva a meta de aumentar de 28% para 33% até 2030 as fontes renováveis de energia, como eólica, solar, biomassa, entre elas o etanol, na matriz energética. A meta desconsidera as hidrelétricas que, embora sejam renováveis, causam impacto ambiental e social por causa das barragens.

A proposta tem o objetivo de reduzir o uso do carvão e de combustíveis derivados do petróleo, como o diesel, a gasolina e o querosene. Utilizados em aviões, caminhões, carros e nas usinas termelétricas – para geração de eletricidade –, são considerados vilões do efeito estufa, por liberar gás carbônico na atmosfera. Na 21ª Conferência das Parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que vai até 11 de dezembro, é esperado um acordo para diminuir os incentivos governamentais a esses combustíveis, os chamados subsídios.

De acordo com a organização não governamental (ONG) Greenpeace, a meta do Brasil de ampliar a oferta de energias renováveis, desconsiderando as hidrelétricas, é acertada, mas pouco ambiciosa. Para a ONG, o ritmo natural de crescimento dessas energias no país já é maior do que a meta do governo. “É uma lógica parecida com o compromisso pela redução do desmatamento, apresentam uma meta mais fácil de cumprir para depois dizer que superou”, diz o coordenador da Campanha Clima e Energia, Ricardo Baitelo.

Para o ativista, o governo considera que haverá um aumento da demanda de energia e, dentro desse aumento, se prepara para oferecer fontes renováveis, por exemplo. “Esse número do governo [de 28% para 33%] significa que o Brasil terá 3 mil megawatts por ano a mais em novas [energias] renováveis e acreditamos que o Brasil poderia ter 4 mil”, destacou.

Hoje o Brasil tem produzido energia elétrica de fato, principalmente por meio de usinas hidrelétricas. Junto com as fontes fósseis, as usinas são responsáveis por 83% do total da eletricidade gerada no país, bem mais que os 16% gerados pelas novas renováveis. Com a meta anunciada pelo governo, a previsão é que as fontes limpas em 2024 gerem 28% da eletricidade, sendo 3% solar, também chamada fotovoltaica, e 12% de energia eólica.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a eletricidade produzida pelo sol e pelos ventos era insignificante em 2004. Dez anos depois, por meio de financiamento estatal aliado à queda de preços dos equipamentos, a energia eólica chegou a 5% do total da eletricidade gerada em 2014, embora a energia fotovoltaica ainda estivesse engatinhando (0,02%).

Energia eólica

De acordo com a presidenta executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, por ser uma fonte não poluente, a produção dessa energia é uma tendência mundial. No Brasil, com as condições naturais favoráveis, a vantagem é ainda maior.

“Segundo fabricantes de equipamentos, o Brasil tem o melhor vento do mundo para a produção de energia eólica”, afirmou Elbia. A produtividade por máquina no país, acrescentou, também está acima da média europeia e americana, o que favorece a redução de custos. Ela acredita que o país já tem experiência para ampliar a produção no setor.

Renováveis dependem de financiamento

Como a COP21 em Paris está no começo, o Greenpeace acha que é cedo para delinear acordos na área de energia. A entidade, que acompanha as negociações, conta que países têm discutido como aumentar a oferta, mas sem uma solução global. “Estamos vendo, pelo discurso dos chefes de Estado, que essa é uma preocupação acima da média, com a Índia liderando. A raiz do problema é como trazer investimentos para fazer a transição [para energia limpa]”, disse Baitelo.

Foto: Agência Brasil/Arquivo

CERNE realiza III Fórum Estadual de Energia do Rio Grande do Norte

Fonte: CERNE Press

No próximo ​dia 14 de dezembro, Natal sedia a terceira edição do Fórum Estadual de Energia do Rio Grande do Norte (FEERN). O evento se consolida como um dos mais importantes do setor energético do estado e ​pretende reunir empresários, pesquisadores, profissionais técnicos e demais interessados para debater o panorama atual do mercado energético no RN. O fórum será realizado na Assembleia Legislativa do RN, em Cidade Alta.

O III FEERN também discutirá as atividades do setor que estão em curso, os desafios, investimentos e resultados obtidos em cada área, com o objetivo de apresentar ao público um balanço completo e exclusivo do mercado energético em 2015.

O público poderá conferir palestras ministradas por importantes autoridades e especialistas na área energética. Entre os temas abordados, destacam-se a revitalização do setor petrolífero, consolidação do RN como líder eólico, capacitação profissional, inovação em pesquisa e novas tecnologias, competitividade na área de energia solar e questões sobre geração distribuída.

O Fórum vai contar com a​s​ presença​s​ do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Jorge Camargo, e da presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Élbia Gannoum. Também está prevista uma palestra especial sobre distribuição e consumo de energia elétrica no Rio Grande do Norte, ministrad​a pelo presidente da COSERN, Luiz Antonio Ciarlini.

O III Fórum Estadual de Energia do RN é uma realização do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do RN. O evento conta, entre outros, com o apoio do IBP, ABEEólica, SEBRAE-RN, Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (SEERN), CTGás-ER e Governo do Estado.

A programação completa com palestras, horários e outros detalhes estão disponíveis em www.feern.com.br.

Brasil é campeão em energia limpa

Fonte: Portal Brasil | Lucas Tolentino, enviado especial a Paris – Edição: Alethea Muniz

Especialistas reconheceram a eficiência das políticas brasileiras para frear o aquecimento global. Em evento paralelo da 21ª Conferência das Partes (COP 21), realizado na Embaixada do Brasil em Paris, gestores públicos e pesquisadores apontaram a renovação da matriz energética como uma das principais medidas para que o país atinja a meta de corte de emissões apresentada às Nações Unidas.

As fontes renováveis correspondem, hoje, a 78% da geração de energia do Brasil. O dado supera em mais de três vezes a média mundial, com apenas 20,3% de fontes renováveis e mais de 40% provenientes do carvão. “O Brasil já faz a diferença e pode fazer mais a partir de uma perspectiva de inovação tecnológica”, declarou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “É preciso um debate sobre essa questão na agenda climática.”

CRESCIMENTO

Levantamento apresentado no encontro mostrou que o Brasil está no caminho certo. Liderado pelo pesquisador Emílio La Rovere, da COPPE/UFRJ, o estudo analisou as implicações das ações brasileiras voltadas para o corte de emissões de carbono. “Com a adoção das políticas adequadas, a INDC (meta nacional) do Brasil pode contribuir para o crescimento econômico sustentável, o desenvolvimento social e a redução de emissões’, afirmou Emílio.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou o desafio brasileiro de implantar a meta nacional de corte de emissões e, ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico. “O país tem um enorme potencial em termos de bioenergia e deve investir nisso”, defendeu. “O planejamento de ações é a chave para que o país continue nessa posição de liderança”, acrescentou o diretor-geral da Eletrobrás Cepel, Albert Melo.

O debate faz parte dos Diálogos do Brasil na COP21 – Rumo à Implementação da INDC Brasileira, realizado de hoje ao dia 9 de dezembro na Embaixada do Brasil em Paris.

SAIBA MAIS

O efeito estufa é um fenômeno natural que tem sofrido alterações por conta de atividades humanas como o transporte e a geração de energia. Com isso, têm sido geradas as mudanças do clima. Para mudar esse cenário, diplomatas de 195 países estão reunidos até o fim da próxima semana, em Paris. O objetivo é chegar a um novo acordo global capaz de limitar o aumento da temperatura da Terra a até 2ºC.

CERNE participa de capacitação de fiscais do CREA

Fonte: CERNE Press
O CERNE / SEERN participaram nesta terça-feira (01/12)  do XXV Seminário de Fiscalização, organizado pelo CREA-RN, com a participação de outros regionais.  Com o tema “Instalação de um parque eólico relacionada com as atividades de engenharia, desde a fundação até a geração”, o evento foi destinado aos agentes de fiscalização e demais setores do Conselho,  visando o aprimoramento do corpo de fiscais.
A demanda surgiu diante do crescimento do número de parques eólicos no RN e do grande número de profissionais e empresas de engenharia que são contratados para atuar nesse seguimento. A intenção é qualificar os agentes para que passem a desenvolver ações fiscalizatórias, com o objetivo de coibir o exercício ilegal da profissão e salvaguardar as modalidades envolvidas.
Diretor de tecnologia, pesquisa e inovação do CERNE, engenheiro Olavo Oliveira.

Diretor de tecnologia, pesquisa e inovação do CERNE, engenheiro Olavo Oliveira.

O Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira, falou sobre a  história e a evolução do setor eólico, abordando também aspectos sobre a geração de energia. O Diretor de Sustentabilidade e Meio Ambiente do CERNE, Hugo Fonseca, falou sobre os aspectos ambientais dos empreendimentos. E o representante da empresa Cortez Engenharia, Lívio Sávio, abordou o cenário e personagens envolvidos na construção dos parques.

Representante da empresa Cortez Engenharia, Lívio Sávio.

Representante da empresa Cortez Engenharia, Lívio Sávio.

Fotos: Hugo Fonseca

Energia renovável representa mais de 42% da matriz energética brasileira

Fonte: Portal Brasil

O Ministério de Minas e Energias (MME) prevê que até o fim de 2015 as energias renováveis correspondam a 42,5% de toda a matriz energética brasileira em 2015. O destaque fica para o crescimento da participação das energias renováveis alternativas à geração hidrelétrica, como a eólica, a solar e a biomassa.

Em dez anos, esse tipo de energia renovável cresceu 30%, passando de 2,8% de toda a oferta de energia interna em 2004 para 4,1% em 2014. A matriz energética do País é composta por diversas fontes, que também incluem, por exemplo, o petróleo e seus derivados, como a gasolina, e o gás de cozinha.

O secretário de Planejamento Energético do MME, Altino Ventura, explica que esse cenário faz parte da política do Ministério de diversificação da matriz energética brasileira, que considera uma forma mais eficiente do uso de recursos naturais do planeta.

“Essa composição de diferentes fontes faz com que o País tenha uma matriz mais limpa, porque ela tem uma participação pequena de emissões do chamados gases de efeito estufa, que contribuem para as mudanças climáticas no planeta”, disse.

Quando se considera apenas a geração de energia elétrica, a participação das energias renováveis é ainda maior. Até o final de 2015, espera-se que mais de 84% da energia elétrica gerada no País seja de fontes renováveis. As hidrelétricas ainda fazem parte de mais da metade da geração, mas outras fontes vão representar cerca de 16% de toda energia elétrica brasileira.

Segundo Ventura, a incorporação efetiva de outras formas de produzir energia, como a solar e a eólica, tem também uma necessidade de suprir o consumo de eletricidade de acordo com o cenário mundial de energia limpa.

“A partir dos anos 1970 até o 2000, o Brasil priorizou muito a hidreletricidade. Já temos uma indicação nos próximos 30 anos de que esgotaremos esse potencial. Então é importante que o Brasil desenvolva novas fontes para a produção de energia elétrica dentro da política de diversificar a matriz, o que temos feito nos últimos 15 anos”, explica.

O incentivo às energias renováveis pode ser considerado uma meta coletiva, não só do Ministério de Minas e Energia. O governo federal, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), investiu mais de R$ 97 bilhões em forma de financiamento para 285 inciativas de energias renováveis no período de 2003 a 2015. Somente na energia eólica, foram mais de R$ 19 bilhões em financiamento.

Energia dos ventos

Um dos maiores destaques das formas alternativas de geração de energia é a eólica. Neste ano, o País se tornou o 10º maior gerador de energia eólica no mundo, superando países como Portugal e Suécia, segundo Ranking Mundial de Energia e Socioeconomia. Até o final de 2015, o setor terá expansão de 62% em relação ao ano passado e irá representar 8,3% da oferta de energia elétrica no país.

A região Nordeste é a principal geradora de energia eólica no País. Segundo o secretário, o principal motivo para esse destaque, além do investimento, é a situação privilegiada do Brasil em recursos naturais.

“Nós temos vento de janeiro a dezembro. Isso faz com que a nossa usina eólica se torne mais competitiva, porque o custo da energia é menor. A mesma instalação no Brasil produz mais energia do que os países europeus, por exemplo”.

Ele ainda destaca que não só o Brasil está se tornando gerador de energia como fabrica a maior parte dos equipamentos utilizados. Segundo a presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Melo, o setor foi responsável pela criação de mais de 40 mil postos de trabalho em suas 270 instalações.

Outras fontes

Ainda em crescimento, a energia solar também vem conquistando seu espaço na matriz energética. Em agosto deste ano, o País fez o primeiro Leilão de Energia de Reserva com projetos solares fotovoltaicos, contratando 1.043,7 MWp (megawatts-pico) de potência de 30 projetos diferentes.

A estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê que até 2050, 13% de todo o abastecimento das residências no País seja feita pelas placas fotovoltaicas que aproveitam a energia solar.

No campo, Ventura destaca o pioneirismo do Brasil no uso da cana-de-açúcar como geração de energia. Os derivados da planta, como o etanol e a queima do bagaço, são hoje a segunda maior fonte energética brasileira, perdendo apenas para o petróleo. No período de 2004 a 2014, o País aumentou em 75% a produção de energia elétrica pelo bagaço de cana.

“O aproveitamento da cana-de-açúcar dessa forma só existe no Brasil, é tecnologia nacional. Podemos plantar essa energia no campo e produzir alimentos, sem competir um com o outro, e preservando nossos ecossistemas”, pontua.

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Instituições se unem em defesa da mini e microgeração

Fonte: CERNE Press com informações da Frente Parlamentar da Energia Renovável
Representantes da Frente Parlamentar da Energia Renovável se reuniram com o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, André Pepitone, nesta quinta-feira (19), para tratar das alterações na Resolução Normativa(REN) n° 482/2012, que serão votadas na próxima semana.  Durante o encontro, o deputado federal Beto Rosado  solicitou à ANEEL que o inciso VII do artigo 7º da resolução fosse revisto, pois pode trazer retrocesso ao setor.
A opinião do parlamentar foi baseada em alerta emitido pela Associação Brasileira de Energia Solar – ABSOLAR, de que a redação proposta inviabiliza a instalação de projetos de  micro e mini geração em imóveis que não possuam condições de gerar energia no próprio local e dependeriam das modalidades de autoconsumo remoto ou de geração compartilhada. Além disso, a cobrança pelo transporte da energia (TUSD), também prevista pelo novo texto, encarece o valor final dos projetos.
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Ao final da reunião, os representantes da Frente Parlamentar receberam da ANEEL a garantia de que, por um prazo de seis anos, a TUSD não será aplicada quando origem / destino estiverem dentro da área de atuação da mesma distribuidora.  Mas, para os parlamentares, essa medida ainda é negativa para o setor. “Para ser atrativo à implantação das fábricas dos micro geradores e seus componentes, é preciso ao menos 20 anos de amortização dos investimentos. Após esse prazo, as instalações dos geradores de energia pelos consumidores teriam a isenção da TUSD pelo período de 8 anos, tempo necessário para amortizar o investimento do consumidor de energia”, explicou o Deputado Beto Rosado, reforçando que as negociações com a ANEEL devem prosseguir.
O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) se posicionou em apoio à proposta apresentada pela Frente Parlamentar, ecoando a proposição da ABSOLAR. Segundo o diretor-presidente, Jean-Paul Prates, as sugestões da Frente Parlamentar refletem as preocupações dos desenvolvedores e consumidores que desejam expandir a capacidade instalada de mini e micro geração, e não significam perda de receita significativa para o sistema elétrico: “o que o setor está solicitando não onera o sistema. Ao contrário, ao incentivar a geração distribuída, teremos um alívio físico progressivo do mesmo, daí não ser justo pedagiar as compensações inter-unidades dentro da mesma zona de distribuição”, ressalta Prates.
Fonte: CERNE Press com informações da Frente Parlamentar da Energia Renovável

Fontes renováveis serão protagonistas no futuro da energia no Brasil

Até 2050, a demanda por energia elétrica no Brasil deve triplicar, segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia. Atendê-la com um sistema confiável, sustentável e acessível aos consumidores é um desafio. E ao mesmo tempo, apresenta uma série de boas oportunidades não só de negócio, mas de desenvolvimento da indústria nacional, de formação de mão de obra qualificada e de inclusão social.

“Estamos no meio de uma revolução na área de energia”, disse Wilson Ferreira, da CPFL, no começo do debate. “E o consumidor está no centro dessa revolução”. Os especialistas trataram dos grandes temas que pautam a discussão sobre o futuro da energia no Brasil: fontes renováveis e diversificação da matriz energética, geração distribuída e confiabilidade da rede, smart grids, inovação e eficiência.

Fontes renováveis e diversificação da matriz

Com cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território cortado por rios caudalosos, mais de sete mil quilômetros de litoral, bem como condições climáticas favoráveis, não surpreende que o Brasil já tenha quase 90% de sua matriz energética elétrica renovável.

O problema é que mais da metade dela está concentrada em energia hidrelétrica, o que ficou evidente com a seca que assolou o País em 2015, e acabou por contribuir para a elevação do preço da energia nacionalmente. “Mas toda crise tem seu lado positivo”, diz Marcos Costa, da GE. “Percebemos que não podemos ser tão dependente da geração hidrelétrica, precisamos diversificar”.

Fontes alternativas não faltam. Segundo Ferreira, da CPFL, se explorássemos todo potencial de geração de energia eólica e solar do país, por exemplo, que soma 440 mil MW, já teríamos três vezes mais energia que toda nossa capacidade instalada atualmente, que é de 140 mil MW. Hoje, porém, a capacidade instalada de geração eólica, a mais desenvolvida das duas, é de pouco mais de 6 mil MW, ou 4,8% do total, segundo dados do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico, de setembro de 2015, do Ministério de Minas e Energia.

Pode parecer pouco, mas não é. Afinal, o primeiro leilão para esse tipo de geração de energia foi em 2009, como lembra Elbia Silva Gannoum, da ABEEólica. “Começamos há pouco mais de cinco anos e já somos a 10ª economia do mundo em geração de energia eólica, e o 4º País do mundo que mais aumentou a capacidade instalada em 2014”, diz. “Geramos 40 mil postos de trabalho, investimos R$ 18 bilhões no ano passado, e vamos gerar mais de 50 mil postos de trabalho em 2015, com outros R$ 22 bilhões investidos”. As perspectivas e o ritmo de crescimento são tão bons que a estimativa é de que, até 2025, 25% da matriz de energia brasileira poderão ser de energia eólica. E ainda há a solar, de biomassa e outras variações de energia térmica.

Geração distribuída e confiabilidade da rede

Outra tendência no mercado de energia que rivaliza com a explosão das energias renováveis, com destaque para a eólica, é a geração distribuída. Segundo números da GE, até 2020, projetos de produção descentralizada de energia – em unidades menores, mais ágeis e próximas de quem vai usar a força produzida – receberão investimentos da ordem de US$ 200 bilhões em todo o mundo. No mesmo período, a taxa de crescimento desse tipo de produção será quase 40% superior à taxa de crescimento da demanda mundial por energia. “No caso das máquinas aeroderivadas, que chegam à potência nominal em apenas 10 minutos, podemos gerar entre 18 MW e 100 MW”, afirma Marcos Costa, da GE.

Segundo o executivo, trata-se de uma boa opção no Brasil para complementar a oferta de energia em horários de pico em indústrias, por exemplo, ou durante intermitências. O sistema, guardadas as devidas proporções, é o mesmo que funciona nas termelétricas espalhadas pelo país e que, em 2015, foram fundamentais para garantir a estabilidade e a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro durante a crise hídrica. “São sistemas que não só são confiáveis, mas também eficientes e limpos, principalmente quando funcionam com gás natural, que produz metade das emissões de sistemas que funcionam com diesel e carvão”, afirma Costa.

Há até a opção de usar lixo orgânico e o biogás que ele produz para rodar as turbinas, como já se faz em uma fazenda de porcos nas Filipinas, ou ainda uma fazenda leiteira na Índia. Nesses casos, o benefício pode ser triplo: não se emite o metano do biogás, gera-se energia e, se houver cogeração, aproveita-se o calor dos motores, o que faz a eficiência da máquina superar os 60%.

Smart grids, inovação e eficiência

Com a diversificação das fontes de geração de energia, a tendência é que o sistema elétrico se torne cada vez mais complexo. E isso é bom. Mas para aproveitar ao máximo as distintas fontes de energia em diferentes locais, a transmissão e distribuição terão que ser cada vez mais inteligente. É aí que entram as smart grids, ou redes inteligentes de distribuição de energia.

Funcionando em um sistema interligado nacionalmente e monitorado por uma infinidade de sensores, as smart grids poderão alocar energia de forma autônoma e eficiente para diferentes regiões em horários específicos, e identificar problemas na rede antes que eles interrompam o fornecimento. Elas também reduzem emissões e perdas, um problema no Brasil, onde 16,5% da energia gerada é perdida – 32% a mais que a média, estimada em 12,5%, pelo Banco Mundial. “A palavra de ordem é eficiência”, diz Wilson Ferreira, da CPFL, cuja aposta é a de que haverá cada vez mais demanda por gente especializada em smart grids.
A busca por eficiência, fundamental para garantir o futuro da energia no país, passa, invariavelmente, pelas inovações tecnológicas. Um exemplo recente da dependência saudável do setor por inovações é a lâmpada LED. Durante o racionamento do ano 2000, 99% das lâmpadas residenciais eram incandescentes e gastavam 94% de energia gerando calor, e apenas 6% gerando luz.

Hoje, as proporções de geração de luz e calor em uma lâmpada de LED são o inverso – e as lâmpadas duram 10 vezes mais. “A área de energia vai ser muito demandada por inovação e tecnologia”, diz José Carlos Miranda, presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). “Mas falta gente, somos carentes de pessoal capacitado”, afirma.

Elbia, da ABEEólica, faz coro. “Recentemente foram abertos dois cursos de mestrado e dois de graduação em energia eólica no País”, diz. “Mas ainda não estamos na velocidade do mercado”. Investir na formação e capacitação para este setor não é só garantir o futuro da energia no Brasil, mas também abrir um novo flanco de inteligência industrial que, em última instância, pode culminar na geração de tecnologia brasileira de ponta com grande potencial de exportação. “Somos o país da energia renovável”, diz Wilson, da CPFL. “São muitas as oportunidades por aqui”.

Fonte: Época Negócios

Veja matéria na íntegra aqui.

Leilão de energia de reserva contrata 1,47 GW em usinas eólicas e solares

O leilão de energia de reserva promovido pelo governo federal nesta sexta-feira (13)  contratou 1.477,5 megawatts em usinas eólicas e solares.  Do total, foram 548,20 MW pela fonte eólica e 929,34 MW pela fonte solar fotovoltaica.

A fonte eólica concentrou a maior parte da negociação com 548,2 MW de potência contratados a um preço médio de R$ 203,46 por MWh e deságio de 4,48% em relação ao teto de R$ 213. Os projetos eólicos estão localizados em três estados com destaque para Bahia, com 18 empreendimentos.

Para o Diretor Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, apesar de denotar estagnação,  o resultado não demonstra falta de interesse das empresas no RN. ” O que acontece é que a sobra de pouco mais de 800MW de conexão que o Estado tem foi reservada pelo MME para o mercado livre, o que deixou o RN diante de um cenário de capacidade de conexão zerada. Diante disso, o posicionamento estratégico das empresas com prospecção no RN foi retirar os projetos para aguardar o próximo leilão (A-5)”, explicou Prates, que está a caminho da França para participar do EWEA 2015, a convite da APEX. O EWEA acontece em Paris, de 17 a 20 de novembro e é considerado um dos maiores e mais importantes eventos do setor na Europa.

O Diretor setorial de Energia Eólica do CERNE, Luiz Galdino, esclareceu que o bom resultado da Bahia no leilão A-3 se deu devido ao Estado estar em situação inversa à do RN. “A Bahia entrou com capacidade de conexão nova, recém ativada. É natural que as empresas priorizem os projetos de lá, que serão entregues em espaço de tempo mais curto para começar a produzir”, ressalta.

O preço da energia eólica que começou a R$ 213,00/MW, fechou a R$ 203,46/MW, chegou a um deságio de 4,48% em relação ao valor inicial.

O preço da energia solar fotovoltaica que começou a R$ 381,00/MW, fechou a R$ 297,75/MW, chegou a um deságio de 21,85% em relação ao valor inicial.

Na fonte Eólica o destaque vai para o estado da Bahia com 18 empreendimentos contratados (493 MW), seguidos por Maranhão com 1 empreendimento (30 MW) e RN também com 1 empreendimento (25,2 MW). O resultado realça o crescimento do Estado da Bahia e a estagnação do RN quando observado os resultados dos últimos leilões (Contratação).

Na fonte solar fotovoltaica, o destaque vai para o estado de Minas Gerais com 9 empreendimentos contratados (270 MW), seguido pelo estado da Bahia com 6 empreendimentos (169,34 MW), e o RN com 5 empreendimentos (140 MW).

Durante o leilão, foram negociados Contratos de Energia de Reserva – CER na modalidade por quantidade, com prazo de suprimento de 20 anos.

O leilão A-5 / 2016 está previsto para acontecer no dia 5 de fevereiro do próximo ano e deverá registrar número recorde de projetos inscritos.

 

Vestas prepara inauguração de fábrica de naceles e hubs no Brasil

A dinamarquesa Vestas se prepara para inaugurar sua primeira fábrica de equipamentos eólicos no Brasil. A planta já está em fase pré-operacional, informou Rogério Zampronha, presidente da companhia, em entrevista à Agência CanalEnergia. A empresa espera realizar a inauguração em dezembro, momento em que também pretende anunciar o comprimento das exigências de conteúdo local do BNDES. Com isso, os clientes da Vestas poderão ter acesso aos financiamentos competitivos oferecidos pelo banco de fomento brasileiro.

“O processo com o BNDES está fluindo bem, só finalizando a documentação”, garantiu o executivo. Até o momento, apenas os fabricantes eólicos WEG e Acciona anunciaram que cumpriram com as regras de nacionalização do BNDES. A expectativa é que o setor eólico brasileiro possa contar com sete fabricantes em 2016.

A fábrica da Vestas está sendo construída no município de Aquiraz, próximo a capital Fortaleza, no Ceará. Irá produzir naceles e hubs de 2 MW e 2.2 MW. A capacidade inicial de produção será de 400 MW, podendo ser ampliada para 800MW conforme a demanda e a capacidade de atendimento da cadeia de suprimentos. A empresa investiu R$ 100 milhões na unidade. As pás eólicas serão fornecidas pela Aeris, que construiu uma unidade só para atender a Vestas.

“É um momento muito especial para Vestas”, disse o executivo, explicando que a inauguração dependerá da agenda das autoridades e do Governador do Ceará, Camilo Santana. “A princípio será no início de dezembro, mas podemos adiar para janeiro.” A fábrica vai gerar 500 empregos diretos.

A empresa tem 286 MW de pedidos firmes que vão começar a ser entregues a partir de janeiro de 2016, já com o atendimento das regras do BNDES. “Temos mais 320 MW com compromissos em negociação final e vamos participar com algumas empresas no leilão de amanhã”, disse Zampronha, se referindo ao leilão de energia de energia de reserva, que será realizado na próxima sexta-feira, 13 de novembro, na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, em São Paulo.

Sobre o leilão, o executivo disse que a expectativa já foi melhor em termos de volume a ser contratado. “Nossa expectativa caiu um pouco, os investidores têm tido algumas dificuldades adicionais que envolvem aumento nas condições de financiamento, disponibilidade de empréstimos ponte, questões regulatórias e fundiárias que atrapalham um pouco o processo deles. Mas independente dessas dificuldades, a gente vai ter uma demanda contratada maior que o A-3 de agosto. Acredito que vai ser acima de 1.000 MW”, concluiu.

Foto: en.wind-turbine-models.com

CERNE é convidado a participar de evento na França

O diretor-presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, é um dos convidados de honra para participar da conferência anual organizada pela European Wind Energy Association (EWEA 2015).  O evento tem como objetivo promover a geração de energia eólica no mundo e reúne representantes de diversos países em Paris, de 17 a 20 de novembro.  O EWEA 2015 é considerado um dos maiores e mais importantes eventos do setor eólico na Europa.

Convidado pela APEX, o presidente do CERNE participará do “Invest Brasil – Wind Power”, evento realizado paralelamente à programação da EWEA 2015. Na ocasião, Prates vai tratar dos principais motivos que tornam o Brasil um país atraente para as empresas do segmento energético. O Invest Brasil deve reunir os principais líderes do setor para discutir as oportunidades e desafios de se investir e fazer negócios no setor de energia renovável no Brasil.

Jean-Paul Prates vai mediar um debate com o tema “Where Is The Real Innovation In Wind Energy? Brazil can play this role?”, abordando a inovação no setor eólico brasileiro. Ele também apresentará o trabalho do CERNE frente ao desenvolvimento das eólicas na região nordeste e falará sobre as políticas para estimular a inovação eólica visando atrair investimentos para o país.

O Invest Brasil é organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Investimentos (Apex-Brasil) em parceria com a Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica. Todas as despesas associadas à participação do Presidente do CERNE foram custeadas pelos organizadores do evento.