RN debate incentivos para o uso da energia solar

Os benefícios do uso da energia solar para o Rio Grande do Norte foram tema de debate na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte,  na quarta-feira (11).   A audiência pública, proposta pelo deputado estadual Hermano Morais (PMDB), teve como pano de fundo a instituição de  uma Política Estadual de Incentivo ao Uso de Energia Solar.

Convidado a participar, o Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (SEERN), Jean-Paul Prates, falou sobre as vantagens de se investir em energia solar.  Reafirmou que nos últimos 11 anos os investimentos mundiais voltados ao  desenvolvimento de energias renováveis cresceram 10 vezes, saltando de US$ 27 bilhões, em 2003 para US$ 270 bilhões, em 2014. Somente em energia solar, os investimentos foram de US$ 150 bilhões, sendo US$ 7,5 bilhões investidos no Brasil. “É, com certeza, a matriz energética que mais cresce no mundo e hoje há uma paridade tarifária, apesar da energia solar ainda ser um pouco mais cara. É preciso que se crie soluções e incentivos para que as edificações possam gerar esse tipo de energia”, explicou Prates.

Durante o encontro, que contou também com a presença dos deputados  George Soares (PR) e Fernando Mineiro (PT), o propositor explicou os detalhes da proposta da nova política de incentivos.  Segundo Hermano Morais, o projeto, que tramita pela Assembleia, determina que o Governo do Estado instale a política de incentivo ao uso de energia solar, aumentando a participação na matriz energética do Rio Grande do Norte. Além disso, o executivo estadual deverá conceder incentivos,  promover parcerias e fomentar estudos na área, que estimulem o uso desse tipo de energia no comércio, nas indústrias, em residências, além das atividades agrícolas a custos menores que os atuais.

As discussões sobre o tema devem prosseguir no próximo dia 14 de dezembro, durante o FEERN – Fórum Estadual de Energia, realizado pelo CERNE em parceria com as Comissões de Energia e de Meio Ambiente da AL-RN.

China muda de rota. E o Brasil com isso?

A China é o principal parceiro comercial brasileiro hoje em dia, e está convidando o mundo inteiro a participar dos debates sobre o seu 13o Plano Quinquenal: 十三五 (Xi-Sán-Wu), que servirá de norte para seu desenvolvimento econômico no período 2015-2020 e envolverá também questões sociais, ambientais e científicas/tecnológicas.
Em linhas gerais, o plano quinquenal que está sendo debatido neste momento (e deverá ter sua implementação iniciada no ano que vem) indica metas de crescimento econômico menos espetaculares que no período anterior e um câmbio radical das bases energia-intensivas e carbono-dependentes. Ou seja, a China quer menos poluição, menos voracidade energética e mais consumo e conforto para sua gigantesca população.
Quais as consequências deste plano para o Brasil, que assinou 35 acordos bilaterais com a China em maio deste ano?
Apesar de se esperar que o 十三五 (Xi-Sán-Wu) direcione ações para desacelerar os incentivos às indústrias metalo-siderúrgicas, por exemplo, isso absolutamente não significa que as que existem vão acabar de uma hora para a outra. Ao contrário, terão que ser muito mais eficientes e portanto seletivas nos seus parceiros. E talvez até tenham que instalar, adquirir ou aprimorar unidades suas no exterior. Um dos acordos assinados com o Brasil prevê justamente a instalação de novos complexos metalúrgicos aqui com capital chinês. Evidentemente que temos que ter atenção para aprovar projetos modernos e ambientalmente conscientes, mas esta é uma oportunidade para começarmos a sair gradualmente daquela condição, tão criticada, de meros exportadores de minérios em estado bruto.
A desaceleração em alguns setores implica na aceleração de outros: o consumo, os serviços individuais e a alimentação, por exemplo. Nossos acordos bilaterais assinados em maio também envolvem processos de levantamento das barreiras fito-sanitárias para exportações brasileiras de produtos da nossa agricultura, pecuária, aquicultura e pesca. Investimentos na limpeza, processamento e industrialização destes produtos deverão ser realizados em unidades localizadas no Brasil, facilitando o controle de qualidade e a logística comercial na China.
Nossos produtos naturais e tecnologias relacionadas de saúde, cosmética, tratamentos estéticos, química fina para uso pessoal e nossa indústria de bens de consumo caseiros também poderão ser beneficiados pelo novo direcionamento em prol do conforto individual que o governo chinês promoverá. São mais de 1.3 bilhão de pessoas, muitas regiões desiguais e muito aprimoramento social a realizar por lá.
O Brasil também é visto pelos chineses como um paradigma seguro (não radical, não teórico, mas efetivo, realizador) quanto à “Economia Verde”, com sua matriz energética altamente renovável e suas posturas bem sucedidas quanto a desmatamento, controles ambientais e práticas sustentáveis. Eles têm o Brasil como um país que tem conseguido realizar seu desenvolvimento usando recursos naturais mas tomando precauções necessárias quanto à excessiva carbonização de sua economia. É bem diferente de ouvir países considerados mais avançados pontificarem sobre ecologia para os emergentes após haver dizimado suas reservas naturais para chegar onde chegaram. Por isso, a China simpatiza com o Brasil quanto a este tema. E o Brasil tem que saber se aproveitar disso para financiar soluções para a base de sua agro-indústria: água e energia limpas.
Finalmente, do ponto de vista dos intercâmbios tecnológicos (em curso e planejados), o 十三五 (Xi-Sán-Wu) só nos favorece, pois seu direcionamento tem muito mais pontos de coincidência do que de divergência. Portanto, hora das nossas universidades, centros de excelência, pólos tecnológicos e demais entidades similares consolidarem as pontes com a China num alinhamento desejável entre duas fortes economias emergentes de cada metade do globo para assegurarem soluções adaptadas às suas intempéries e demandas sociais.
Enfim, somente nos acordos já assinados com a China, o Brasil tem cerca de 200 bilhões de reais praticamente assegurados para projetos localizados em seu território, nas áreas de infra-estrutura, transporte, agricultura, mineração, energia, ciência e tecnologia, aeronáutica, construção naval e planejamento setorial. Como se vê, a China não faz nada sem ter planejado antes. E os acordos com o Brasil são certamente uma boa alavancagem e um convite direto para participarmos grandiosamente do seu futuro.

Jean-Paul Prates é diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e membro das consultorias Expetro (Rio) e CRN-Bio (Natal).

Marcelo Mello é sócio e fundador do escritório MMA Mello & Travassos Advogados.

Eólicas no RN recebem aval da Aneel para operação em teste de turbinas

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na última sexta-feira, 6 de novembro, o início da operação em fase de testes de nove unidades geradoras (UG1 a UG9) da EOL Caiçara I, que somam 27 MW de capacidade instalada.

A Aneel também autorizou o funcionamento em teste de seis turbinas (UG1 a UG6) da EOL Caiçara II, com potência instalada total de 18 MW. A Agência liberou ainda a operação em teste de dezesseis unidades nas eólicas Junco I e II. As oito turbinas de cada usina alcançam 24 MW de capacidade instalada. Todas as eólicas ficam localizadas no estado do Rio Grande do Norte.

Foto: gazetadooeste.com.br

Energia eólica atrai recursos para o RN

O setor de energia eólica será o principal motor dos investimentos que o Rio Grande do Norte deverá receber até 2020, segundo levantamento realizado pelo Itaú Unibanco. Até lá, estima Paula Mayumi, economista do banco, espera-se alguma coisa em torno de R$ 1,3 bilhão, dos quais 88%, ou R$ 1,14 bilhão, deverão ser investidos em geração eólica, envolvendo ampliação de capacidade e novos parques. O setor de turismo e hotelaria vai receber em torno de R$ 123 milhões e outros R$ 20 milhões para o segmento de gás natural.

Mas não será um percurso tranquilo. Diante da crise instalada na economia brasileira, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado tende a registrar seus piores momentos neste ano e em 2016, com retração de 2,2% e de 1,1% respectivamente, ligeiramente inferior à queda de 3,3% e de 1,5% projetada para o país. Segundo ela, a economia potiguar deverá registrar um avanço anual médio de apenas 0,1% entre 2015 e 2020, em linha como esperado para o restante do Brasil. A concentração do PIB regional nos setores de serviços e de comércio, que somados respondem por 43% do valor adicionado, e a desaceleração nos gastos do Bolsa Família, sugere Paula, ajudam a entender o baixo dinamismo.

As perspectivas parecem mais animadoras na área da indústria eólica, que responde por 25% a 30% da energia consumida no Nordeste, diz Paula. A holding Complexo Eólico VamCruz, formada pela Centrais Hidroelétricas do São Francisco (Chesf), que tem participação de 49% na sociedade, pelo francês Grupo Voltalia, com 25,6%, e pela cearense Encalso Construções, com 25,4%, investe R$ 474,4 milhões na implantação de quatro parques em Serra do Mel, com potência total 93 megawatts (MW). O início de operação dos empreendimentos está previsto para novembro, no caso das usinas de Junco I e II, e para as duas primeiras semanas de dezembro, nas plantas de Caiçara I e II, segundo a Chesf.

Em dez anos, segundo Jean-Paul Prates, presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (Seern), o Estado passou de importador para exportador de energia, graças aos investimentos em geração eólica. O parque potiguar, com potência para quase 2,3 gigawatts (GW), responde por 34,3% da capacidade instalada no país para a produção de energia eólica vento.

A instalação das usinas atraiu investimentos de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões nos últimos cinco anos, diz Prates, recorrendo a dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias Renováveis (CERNE). Mas a movimentação gerada pelos projetos, considerando-se apenas gastos diretos com equipamentos, materiais, serviços e mão de obra, segundo ele, pode ter superado R$ 10 bilhões.

Na área de infraestrutura e turismo, podem surgir novos investimentos, especialmente se o Estado conquistar o hub (terminal de conexão) que o Grupo Latam, controlador da TAM e da chilena LAN, pretende instalar no Nordeste. A Inframerica, empresa que administra o Aeroporto de Natal, está otimista, segundo seu presidente, José Luis Menghini. “Estamos preparados para fazer as adequações necessárias, no tempo exigido, para atender às necessidades da TAM”, afirma.

O aeroporto, que recebeu em torno de 2,6 milhões de passageiros em seu primeiro ano de operação, iniciada em junho de 2014, espera um crescimento entre 9% e 11% em 2016. Ainda em fase de avaliação, Menghini antecipa a perspectiva de investir de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões na ampliação do terminal de cargas do aeroporto, que atualmente ocupa 4 mil metros quadrados de área construída.

Imagens: Valor Econônico / www.robsonpiresxerife.com / Blog SustenHabilidade

Errata: Parque eólico no RN atinge recorde de produção em agosto

(03/11/2015) Nota da Agência Canal Energia: Ao contrário do noticiado anteriormente (22 de outubro de 2015), baseado em informações repassadas pela empresa, o estudo não foi realizado pela Universidade Federal do Ceará, mas por um estudante da Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte, e analisou a produção de todos os parques eólicos do Brasil. Veja a seguir a matéria corrigida.

O Parque Eólico Eurus II da Atlantic Energias Renováveis, localizado no município de João Câmara (RN), atingiu a maior média mensal de fator de capacidade do setor eólico no país em agosto passado, chegando a 78,11%. Os dados são de um estudo realizado pelo estudante de engenharia da  Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte, Felipe de Freitas.

A pesquisa analisou vinte parques dos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Pernambuco durante o mês agosto deste ano. O Renascença V, outro parque eólico da Atlantic no Estado potiguar, ficou em nono lugar na lista, com uma média de 75,17% de fator de capacidade.

Dados os fortes padrões de vento nesta época do ano, os parques devem alcançar índices semelhantes até dezembro. O acompanhamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostra um fator de capacidade bastante alto dos projetos da Atlantic quando comparados com parques vizinhos na região de João Câmara.

Segundo dados levantados pelo CERNE, a Eurus II tem 30 MW de capacidade instalada. São 15 turbinas de 2 MW cada, modelo V100 da fabricante dinamarquesa Vestas.

O parque é conectado à subestação João Câmara III e foi negociado pelo Leilão de Energia de Reserva em 2010. Em dezembro de 2014, o empreendimento entrou em fase de testes e em janeiro deste ano a Aneel autorizou a operação comercial da Eurus II.

CERNE recebe professor de Universidade da Finlândia

O Professor Doutor Álvaro de Oliveira, da Universidade Aalto Helsinki (Finlândia), foi recebido nesta terça-feira (03) no CERNE, pelo diretor-presidente Jean-Paul Prates, para uma visita técnica. O docente coordena a Rede de Human Smart Cities (Cidades inteligentes e Humanas), é Presidente Emérito da Rede Europeia de Living Labs (EnoLL) e consultor do Banco Mundial.

O professor Álvaro de Oliveira explicou o conceito de Cidades Inteligentes e Humanas, que atualmente congrega 102 cidades de todo o mundo. Nessa plataforma de desenvolvimento sustentável, todos os atores sociais e a população trabalham em conjunto no processo de co-design e co-criação de soluções que favoreçam a implantação de serviços inteligentes para mobilidade,  saúde, educação, energia e até mesmo de casas inteligentes, essencialmente integrados com a tecnologia.

O presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, falou sobre o trabalho do Centro e destacou os potenciais da região nordeste, em especial do Rio Grande do Norte, relacionados à energias renováveis. Prates confirmou o apoio da entidade para trabalhar no projeto.

Adesão

Em julho deste ano, Natal aderiu à Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas durante o evento da Campus Party, em Recife. A visita do professor está inserida em uma série de reuniões com diversos atores sociais, dentre eles o CERNE, com o objetivo de propor novas parcerias e o fomento do Ecossistema Local de Inovação. A identificação desses atores e a forma como estes atuam em todo o processo de inovação permitirá uma análise de Living Labs (Laboratórios Vivos). Esses espaços configuram-se como um campo de pesquisa aberto compartilhado por várias organizações públicas e privadas que desejam colaborar para inovar em conjunto. A partir dessa análise, será possível extrair recomendações para que a prática dos Living Labs seja implantada no município.

Álvaro de Oliveira

O professor Álvaro de Oliveira é português, Mestre em Engenharia Eletrônica pela Universidade Técnica de Lisboa e Ph.D em Telecomunicações pela Universidade de Londres. Trabalhou durante dez anos como Professor e Pesquisador nas Universidades de Londres, Lisboa e Maputo.

É Consultor Sênior do Banco Mundial na área de Inovação, Living Labs, TICs e Cidades Inteligentes e Humanas. Membro fundador da Rede Europeia de Living Labs, presidiu a entidade por dois mandatos e, hoje, é seu Presidente Emérito, sedo responsável pelo Living Labs fora da Europa. Integra o Conselho da Connected Smart Cities Network e é Presidente da Human Smart Cities Network.

Detém grande experiência na coordenação de projetos na Europa, América Latina, África e China; coordena várias parcerias e projetos para desenvolver e implementar as Cidades Inteligentes e Humanas em 27 cidades Europeias localizadas em 17 países; e está ativamente envolvido em estender a iniciativa das Cidades Inteligentes e Humanas no Brasil.

Foto: CERNE/Press

Energia eólica do RN é destaque em reportagem nacional

O Rio Grande do Norte é considerado o maior produtor de energia eólica e também o estado que mais concentra parques eólicos em operação no Brasil. A equipe do programa Good News visitou o estado potiguar, local privilegiado por natureza, conhecido como ‘o local onde o vento faz a curva’. Vento que também movimenta a economia local.

Para assistir a reportagem na íntegra, clique aqui.

CERNE concede acreditação ao curso de Gestão de Energia Eólica da UnP

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia concedeu, ao Curso de Gestão de Energia Eólica realizado em parceria com a Universidade Potiguar, acreditação por atender a todos os requisitos mínimos de qualidade.

Entre os requisitos analisados no reconhecimento formal da capacitação, estão infraestrutura da instituição disponibilizada para as aulas, titulação do corpo docente e a proposta pedagógica elaborada para o curso.

Fonte: CERNE Press