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Cidade potiguar quer usar eólica para fornecer energia a custo zero

Projeto da prefeitura de Macau tem como meta investir em dois aerogeradores para zerar conta de energia própria, ceder excedente para famílias de baixa renda e usar como atrativo a novas indústrias

A cidade de Macau, litoral do Rio Grande do Norte, quer utilizar a fonte eólica para fornecer energia a custo zero. O projeto está em sua primeira fase e poderá ser tirado do papel em breve. Em cerca de seis meses é possível que sejam dados os primeiros movimentos no sentido de alcançar a sustentabilidade energética da Prefeitura e estender os benefícios da fonte por meio de investimentos, inicialmente, em dois aerogeradores, para uma faixa crescente de famílias e usar o insumo para atrair novas indústrias.
Inicialmente, a ideia é que o primeiro equipamento forneça energia para os prédios públicos da Prefeitura e para famílias de baixa renda que tenham cadastro em programa social com NIS, geralmente o Bolsa Família. A segunda turbina poderá ter sua produção dedicada a fornecer energia a custo zero para comércio e indústrias que queiram se instalar na região como forma de incentivo para atração de investimentos de novas indústrias.
O investimento nesse projeto, contou o prefeito da cidade, Túlio Lemos (PSD), deverá ter recursos do BNDES, que segundo ele, já deu o aval. O problema, revelou ele, é que a cidade está no CAUC (lista de municípios devedores) e que impossibilitou a implementação desse projeto. Mas, avaliou o executivo, as negociações estão avançadas e esse problema resolvido nas próximas semanas. “O projeto está bem avançado e é viável, em dois meses deveremos resolver e aí nos habilitaremos oficial e legalmente a obter o financiamento do BNDES”, apontou ele.
Lemos destacou que a meta é de ter a energia como um diferencial competitivo ante outros municípios que vêm disputando uma guerra fiscal para atrair investimentos que tragam emprego para a região. A ideia, disse ele é a de oferecer energia a custo zero para as indústrias. Um projeto, que em sua opinião é possível de ser alcançado com a segunda turbina eólica a ser instalada no município. Ele citou como exemplo de atividades que poderiam ser atraídas a indústria calçadista e a têxtil, bem como atender a demanda da indústria saleira que já atua na região e que tem na energia seu maior custo de produção.
“Com o excedente de energia que colocarmos na rede vamos aproveitar os recursos adicionais para investir em benfeitorias no município”, propagandeou. “Posteriormente, isso já está mais distante, a meta é fazer de Macau uma cidade onde ninguém precise pagar pela energia”, indicou ele.
Mas para chegar a esse objetivo a cidade terá seu primeiro teste com o projeto atual. O projeto é classificado como de eficiência energética. Os dois aerogeradores vão ocupar uma área proporcionalmente pequena em relação ao território do município que tem cerca 788 quilômetros quadrados, cinco vezes a área de Natal, a capital do estado. Segundo um estudo elaborado pela Wind Service Brasil, a velocidade do vento na região é de cerca de 7,5 metros por segundo.
Uma das turbinas é para atender 100% da demanda de energia do município, sendo, Órgãos Públicos e Iluminação Pública cerca de 4,6 MWh ao ano. Esse equipamento está projetado para gerar 5,6 MWh ao ano e esse excedente da geração, 688.500,53kWh a.a. será destinado para o projeto social citado. Nesse caso, comentou Lemos, os requisitos para as famílias que serão elegíveis ao projeto estão em definição. A tendência é de que seja estabelecido um consumo médio dos últimos meses e acrescido um volume adicional que é o quanto aquela família terá direito a ter de fornecimento gratuito. Além disso, lembrou ele, será cobrado um valor daquela unidade de consumo.
Já o foco da geração de energia da segunda turbina será o atendimento das indústrias do Distrito Industrial de Macau. Empresas terceirizadas e prestadores de serviços metalúrgicos para a Petrobras entre outras indústrias locais que queiram se instalar por lá. Mas, destacou o prefeito, antes desse grupo a ideia é de fornecer energia também a custo zero para os comerciantes da região para, sem suas palavras, reverter em benefícios à população com a redução do custo de produtos. A agricultura deverá ter prioridade nesse projeto ao fornecer energia para a irrigação.
“Assim queremos diversificar a fonte de receitas do município ao estimular a economia e atrair novos investimentos com a geração de empregos. E ter energia a custo zero é um diferencial que pode viabilizar essa atração de recursos da indústria”, avaliou ele. E caso a demanda aumente, disse Lemos, a ideia é de poder ampliar o escopo do projeto já que há espaço e vento na região e ter um círculo virtuoso.
Fonte: Maurício Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo (SP)
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