Foto: Divulgação/Gamesa

Complexos eólicos no RN atingem produção de 2 Gigawatts de energia limpa

Com 801,6 MegaWatts (MW) de capacidade instalada para produção de energia no Rio Grande do Norte, a CPFL Renováveis comemorou no estado, esta semana, a operação de 2 GW de energia limpa no Brasil. A marca foi alcançada graças à produção dos Complexos Eólicos Campos dos Ventos e São Benedito, localizados no interior do estado. Os dois atendem ao mercado livre, ou seja, não foram construídos para vender energia nos leilões anuais, realizados pelo governo federal.

Os nove parques que compõem os complexos ficam entre os municípios de João Câmara, Parazinho, São Miguel do Gostoso e Touros, no litoral Norte. As primeiras torres começaram a funcionar em março de 2016. Agora, a empresa alcançou o feito no aerogerador 85, dos 110 instalados. Os 2 GW de energia seriam suficientes para abastecer uma metrópole como Nova York, segundo afirma o presidente da empresa, Gustavo Sousa.

A produção dos dois complexos potiguares, apenas,  podem abastecer até 231 mil famílias com uma média de quatro pessoas, cada. A empresa tem pelo menos mais um projeto para o estado, mas depende das condições do próximo leilão do governo.

“A nossa capacidade principal instalada hoje, para projetos eólicos, é a do RN. É o estado que tem maior relevância para a gente em termos de capacidade. E quando a gente fala do portfólio em desenvolvimento, também é um dos estados que têm maior foco e atratividade”, afirma Sousa, sem revelar detalhes.

Apesar de prever pelo menos mais um complexo com cerca de 200 MW de capacidade, a empresa não tem boas perspectivas para o leilão de energia de reserva marcado para o próximo dia 19 de dezembro. Por enquanto, a CPFL Renováveis não possui nenhum novo projeto em construção ou contratado no RN.

A CPFL Renováveis é a maior empresa do setor no Brasil e na América Latina. Além dos empreendimentos eólicos, ela também possui uma usina de biomassa de cana de açúcar, em Baía Formosa, onde produz 40,0 MW. A capacidade instalada da matriz energética brasileira (contando com todas as fontes) é 161,0 GW. A produção da CPFL no RN representa 0,5% do total dessa matriz. Até 2020, o estado deverá se manter na liderança do ranking de maiores produtores brasileiros de energia eólica – atualmente é responsável por 3 GW de um total de 10 GW que essa matriz produz no país. No fim desta década, deverá ser ultrapassado pela Bahia, que já tem mais projetos contratados.

‘Linhões’ no meio do caminho da energia renovável do Brasil

A CPFL Renováveis atua com todas as fontes limpas no país e opera atualmente 540 MW em projetos de matriz solar. Os planos de ampliar esse tipo de investimento esbarra na dificuldade de conseguir estruturar financiamento e a precificação dos equipamentos em dólar. “É conseguir casar a estrutura do projeto com o risco que a gente está disposto assumir.

O risco cambial é um que a gente não pretende ter. Isso dificulta um pouco o projeto. À medida em que a gente tiver mais fornecedores trazendo fábricas para o Brasil, quem sabe a gente consegue viabilizar isso”, pondera o diretor de Novos Negócio da empresa,  Alessandro Gregori.

O leilão de energia do próximo dia 19 ainda é uma incógnita para os investidores do setor. Eles não estão muito otimistas. O governo federal excluiu o RN – o maior produtor – Bahia e Rio Grande do Sul por causa de atrasos em estruturas dos “linhões” de transmissão. Esses estados contavam, porém, com vários projetos de investidores que querem produzir neles. A CPFL Renováveis, por exemplo, conta com plano de produção de mais 200 MW no RN, que não poderá entrar na concorrência para vender energia de reserva ao governo.

“A restrição de conexão para essa região do Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará pode impactar e reduzir em muito a oferta desse leilão. Hoje nossos projetos são todos nessa região, a maior parte é no Nordeste. Tem escoamento sim. O problema são as condições de escoamento. Às vezes a linha está muito longe daquilo que pode ser o ideal”, assinala Alessandro Gregori.

O presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (Seern), Jean-Paul Prates considera que a exclusão do RN é “artificial” e que pode prejudicar inclusive a manutenção de empregos no setor, nos próximos anos. Isso ocorreu por causa de uma nota técnica que declarou que o estado não tinha nenhuma capacidade de conexão. Um dia após o cálculo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Operador Nacional do Sistema (ONS), a  Aneel resolveu um problema em uma das subestações de Assu e liberou 500 MW, disponíveis já a partir de 2017. Apesar disso, a decisão de exclusão foi mantida.

“A gente considerou que alguns investidores poderiam inscrever seus projetos assim mesmo e conectá-los com o Ceará, ou com outros lugares, e depois pedir a requalificação daquela conexão para um lugar no Rio Grande do Norte, uma vez que já foi solucionado o problema. Mas há alguns dias atrás, o governo mudou a regra e disse que não pode mais haver requalificação das conexões”, explicou.

“Deram outra cacetada no Rio grande do Norte. Nós já não podíamos participar teoricamente, e agora não podemos participar na prática. Fomos excluídos em dois atos. Isso é muito negativo”, acrescenta Prates.

Para o consultor, isso deve criar um “dente” na curva de crescimento da capacidade instalada, trazendo o reflexo em alguns anos, inclusive na manutenção dos 20 mil empregos que se estimam criados para execução de obras daqui a dois ou três anos. Prates afirma que o estado ainda tem muito potencial duas vezes maior que a atual capacidade instalada, considerando-se apenas produção onshore (em terra). “Isso baseado nas medições de hoje. Daqui a cinco anos, com melhores medições, esse potencial pode ser maior”, considera.

Apesar de ainda não ter uma visão clara do que deve acontecer no próximo leilão, Edgard Corrochano, diretor geral da Gamesa Brasil, fabricante de aerogeradores, considera que o governo vai comprar energia e por causa da demanda, mesmo com as restrições. Segundo ele, a perspectiva é de retomada de crescimento econômico a partir de 2018 ou 2019. Com isso, avalia, o Governo precisa garantir oferta de energia,

“Muito da garantia física que existe no Brasil está apenas no papel. Na realidade, muito dela não existe”, argumenta. Ele salienta que são necessários novos 3 GW de energia por ano. “A gente está confiante de que o governo vai comprar isso”.

CRESCIMENTO

A CPFL Renováveis se tornou a maior empresa do  mercado nacional em apenas seis anos, no setor eólico. Até 2011, ela não tinha nenhum projeto em operação. Além de novos, tirados do papel – chamados de greenfield – a empresa também comprou projetos em execução, cujos proprietários enfrentavam dificuldade. Da carteira de projetos, a empresa atualmente conta com dois terços em produtos desenvolvidos e um terço comprado já em operação.

Segundo o diretor de Novos Negócios da empresa, Alessandro Gregori Filho, são analisados os riscos políticos e de captação de financiamento que vão para o cálculo da taxa de retorno. Essa taxa define se o investimento e o risco envolvidos valem ou não à pena.

O diretor explicou que a empresa olha “com os mesmo olhos”, oportunidades de financiamento para projetos em operação ou greenfield.  Ele ressalta que apesar do momento da economia gerar muitos vendedores de projetos, a situação não é tão favorável devido às condições de financiamento, como juros mais elevados. “Tudo isso entra numa grande conta”, pontua.

Fonte: Igor Jácome | Novo Jornal

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