Foto: Adriano Abreu

Desinvestimentos da Petrobras no RN são ‘desastrosos’, avalia SEDEC

O plano econômico de desinvestimentos que já reduziu, apenas em 2016, 77% dos investimentos que a Petrobras já realizou Rio Grande do Norte menos de 10 anos atrás, divulgado na edição deste domingo da Tribuna do Norte, foi amplamente criticado pelo secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Flávio Azevedo. Em entrevista ao jornal, o secretário afirmou que afirmou que “o Governo do Estado vai cobrar de forma enérgica respostas da Petrobras”, e que os efeitos dos desinvestimentos “são desastrosos, especialmente para o Oeste do Estado”. Neste momento, o secretário está em reunião com o governador Robinson Faria (PSD) para discutir possíveis encaminhamentos do Governo em relação à questão.

O programa de desinvestimentos da Petrobras é parte de um projeto nacional, evidenciado pelo seu Plano de Negócios 2017-2021. O plano, que pretende reduzir de US$ 5,4 bilhões para US$ 2,5 bilhões a dívida interna da empresa, vai englobar redução de gastos com pessoal através de demissões, venda de ativos, desaceleração da perfuração de novos postos de exporação e foco maior no pré-sal.

Todas as medidas afetam diretamente o Rio Grande do Norte, um dos maiores produtores de petróleo em terra no país. Localmente, a empresa já está realizando uma série de demissões, tanto de funcionários diretos como de terceirizados que atuam na área. Para o secretário Flávio Azevedo, as consequências disso para o Estado, que tem cerca de 40% de seu Valor Bruto de Produção Industrial (VPBI) provenientes de suas atividades, são desastrosas:

“Conforme está demonstrado na prática pela diminuição das atividades da empresa na região Oeste do estado, essa situação é desastrosa. Não acredito que essa diminuição da atividades deva-se exclusivamente à redução da nossa capacidade de produção nos campos de petróleo, porque os campos não tem como ter uma redução dessa ordem do dia para a noite. Existe, de fato, uma redução da nossa capacidade de produção, mas não desse tamanho. Essa coisa toda está muito mal explicada, e a empresa tem uma responsabilidade para o Estado, não apenas de ordem econômica mas, principalmente, social, e nós já estamos sentindo seus impactos em função das demissões em massa que estão sendo realizadas”, disse o secretário.

A redução da capacidade de produção dos poços do Rio Grande do Norte se devem ao fato de que a produção no Estado já ocorre desde a década de 70, e muitos desses poços já são considerados “maduros”, ou seja, já atingiram o auge de sua capacidade de produção e precisam de alguns mecanismos para continuar produzindo em quantidades vantajosas. Mesmo assim, de acordo com informações do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), o Estado ainda possui reservas comprovadas avaliadas por geólogos da própria Petrobras que correspondem a mais de 2 bilhões de barris.

Rebaixamento é visto com preocupação

O rebaixamento da Refinaria Potiguar Clara Camarão para a categoria de “Ativo Industrial de Guamaré” despertou reações preocupadas do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte (SEERN).

De acordo com eles, o rebaixamento da refinaria significaria, na prática, de sua exclusão do Plano Estratégico e das discussões da Diretoria de Refino e Gás Natural, mesmo com todos os investimentos técnicos para aumentar a capacidade de produção e gestão técnica e comercial especializada.

A Clara Camarão tem capacidade para refinar 45 mil barris de petróleo por dia, produzindo 3.093 metros cúbicos de gasolina, 295 metros cúbicos de querosene de aviação, 1.095 metros cúbicos de óleo diesel e 422 metros cúbicos de nafta petroquímica diariamente. Essa produção é fundamental para o abastecimento do Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco e Paraíba. O querosene de aviação produzido pela refinaria abastece os aeroportos do RN, Ceará e parte de Pernambuco.

De acordo com Jean Paul Prates, presidente da SEERN “A exclusão desta unidade dos planos regulares quanto ao parque de refino nacional implicará, cedo ou tarde, no fechamento desta refinaria, que, acompanhado da redução e minimização da participação da Petrobras nos campos produtores ao longo do tempo, resultará na finalização gradual da presença da estatal brasileira no nosso Estado”, disse, em nota divulgada no último dia 27 de outubro.

Fonte: Mariana Ceci | Tribuna do Norte

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