Foto: Ney Douglas

Empresas são contra a desativação de sondas da Petrobras no RN

Após o anúncio de desativação das cinco sondas de perfuração terrestre de poços no estado feito pela Petrobras na semana passada, o sindicato que representa as empresas que atuam na no mercado petrolífero pediu uma articulação para evitar a medida.
O Sindicato das Empresas de Perfuração, Extração e Refino de Petróleo do RN (Sipetro/RN, ex-sindeperp/RN) emitiu nota propondo a mobilização de trabalhadores, empreendedores, Petrobras e Governo Federal para instalar um processo de discussão conjunta sobre possíveis alternativas à completa paralisação das sondas.
“O momento é difícil para indústria do petróleo não só no Brasil como em todo o mundo. Mas isso é cíclico e é preciso tomar cuidado para não se tomar decisões que depois custem muito mais para reverter do que o que irão economizar no curto prazo”, alerta Fernando Antônio Lucena Soares, presidente do Sipetro.
Uma matéria publicada no dia 23 de fevereiro, no jornal Valor Econômico, destacou que a estatal petrolífera planeja desativar até setembro as sondas de perfuração na atividade de exploração nos estados do Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará. O desligamento, segundo o Valor, está previsto no corte de US$ 32 bilhões no plano de negócios 2015-2019 da estatal, que é de US$ 98,4 bilhões.
Na nota enviada à imprensa, o Sipetro propõe o debate sobre alternativas como a realocação de recursos de outras atividades, a instalação de um sistema cooperativo de participação dos trabalhadores na operação de ativos marginalmente econômicos e a instauração de um marco legal e regulatório específico para as atividades em campos em declínio do seu perfil de produção.
“Uma coisa é suspender ou adiar atividades e investimentos. Outra é cortá-los definitivamente. Se este for o caso, não pode ser feito assim, sem qualquer transição”, defende Soares.
Com isso, o Sindicato pretende evitar a desativação dos equipamentos, que considera preocupante e de “alta relevância”. O Sipetro alerta que a medida da Petrobras vai gerar “enorme repercussão” na economia local das regiões em que estão instaladas as sondas.
A intenção da representação sindical é, segundo a nota, encontrar uma solução intermediária para a necessidade de corte e gastos, adequada aos tempos atuais de crise, mas, ao mesmo tempo, que preserve empregos, renda local e a “relevante presença” da Petrobras e de toda a cadeia produtiva adjacente no Rio Grande do Norte e demais regiões afetadas.
Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), também se pronunciou a respeito a medida anunciada pela Petrobras. Para Prates, também existem alternativas à desativação das sondas.
Jean-Paul Prates, Diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cern) sobre desativação de sondas da Petrobras no RN. (Fonte: Novo Jornal)

Jean-Paul Prates fala sobre desativação de sondas da Petrobras no RN. (Foto: Novo Jornal)

“Há soluções possíveis, partindo da redução de royalties e através da operação de cooperativas e pequenas empresas formadas por ex-funcionários e mesmo trabalhadores na ativa, que podem prolongar a duração destas atividades e captar investidores específicos para elas, contando ainda com o suporte e orientação da Petrobras na maioria dos casos”, argumenta.
A Petrobras no RN tem duas atividades principais, a exploratória e a produção de petróleo. De acordo com José Araújo, presidente do Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindipetro), o gerente de Construção de Poços Terrestres (CPT) disse que a empresa vai parar de construir poços em todo o país com terceirizadas e somente vai construir com sondas próprias.
Hoje, a Petrobras produz 65 mil barris de petróleo por dia no Rio Grande do Norte, retirados de 4 mil poços em atividade. Apesar de ser apenas 2% da produção nacional, é uma área vital para o desenvolvimento do estado.
“Não interessa a ninguém a saída por completo da Petrobras das atividades em terra. É importante que ela, juntamente com o Governo Federal no comando, chegue a um consenso sobre como pretende manter sua atuação nestas áreas. Vender os campos pode não ser uma alternativa única”, reforça Jean-Paul Prates.
Em entrevista concedida ao NOVO para matéria publicada no dia 24 de fevereiro, José Araújo disse que há um receio de que a Petrobras venha a para a atividade de produção no estado.
José Araújo ressaltou que a Petrobras projetou para a Unidade do Rio Grande do Norte e o Ceará, perfurar mil poços de 2015 a 2017. Ano passado foram perfurados 354 e para este ano, estão previstos 150 poços de produção através de terceirizadas que encerraram os contratos. Para 2016, a atividade exploratória será feita apenas com sondas da própria empresa que vão operar até setembro deste ano.
O sindicalista explicou que havia 30 sondas de produção até 2010 e hoje são apenas cinco. Dessas, três estão no Rio Grande do Norte, uma está na Bahia e outra no Amazonas. Porém, de acordo com a medida de redução de custas, serão todas desativadas.
No caso das sondas terceirizadas há um prejuízo, também, para o mercado de trabalho, ponderou o sindicalista. Uma sonda, disse, gera 200 empregos diretos e entre 500 e 700 indiretos.
De acordo com José Araújo, os sindicatos dos estados afetados estão se mobilizando para tentar evitar a desativação e será realizado um seminário para discutir com a sociedade, as intenções da Petrobras e também buscar soluções para que atividade de exploração terrestre não seja prejudicada com os planos da estatal.
Bacia Potiguar tem óleo em águas profundas 
A Bacia Potiguar é um das dez bacias produtoras exploradas pela Petrobras no Brasil. Ela está na região do Rio Grande do Norte e do Ceará está entre as maiores produtoras de petróleo e onshores (em terra) do Brasil. No RN, a empresa atua desde 1951 e o primeiro campo descoberto foi o de Ubarana, no município de Guamaré, litoral norte, que opera desde 1976.
De acordo com o site da Petrobras, o Projeto de Injeção Contínua de Vapor (Vaporduto), na região do Vale do Açu, é o primeiro a operar com vapor superaquecido e é considerado o maior do mundo, com uma extensão aproximada de 30 km.
Em 17 de novembro do ano passado, a Petrobras confirmou que a perfuração de um poço na área de Pitu, na Bacia Potiguar, tem petróleo. A descoberta do poço de Pitu foi anunciada sem alarde dia 17 de novembro de 2013.
Pitu Norte 1 é identificado pela Petrobras como poço 3-BRSA-1317-RNS. Segundo a estatal este é o primeiro poço de extensão na área do Plano de Avaliação da Descoberta (PAD) de Pitu, localizado a 60 km do litoral do Rio Grande do Norte a uma profundidade de água de 1.844 m, e profundidade final de 4.200 metros. Pitu foi descoberto através de análises de perfis e de amostra de fluido que estão em análise laboratorial.
Fonte: Rafael Barbosa | Novo Jornal
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