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Financiamento desafia energia renovável

Esse será um dos maiores desafios ao setor de renováveis, que já vem sendo pressionado pela falta de linhas de transmissão para escoamento da energia gerada. Para o leilão de energia de reserva (LER) de dezembro, por exemplo, ficaram de fora projetos localizados no Rio Grande do Norte (RN), Bahia (BA) e Rio Grande do Sul (RS), uma vez que a capacidade instalada atual já atingiu os limites de escoamento dos Estados.

A mudança do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve ser combinada a um cenário de crédito restrito, colocando ainda mais obstáculos a serem superados no segmento.

De acordo com a CELA Clean Energy Latin America, que presta assessoria financeira e estratégica a empresas e investidores do segmento na América Latina, os investimentos totais em geração de energia renovável devem somar cerca de R$ 200 bilhões até 2025. A projeção leva em conta estimativas preliminares do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de 2025, que estimam a necessidade de entrada de 38,1 gigawatts (GW) de potência de fontes eólica, solar e biomassa até 2025. Supondo a taxa média de 60% de alavancagem, eles precisariam de R$ 120 bilhões em financiamento.

Isso representa cerca de R$ 22,2 bilhões em investimentos por ano até 2025, sendo que R$ 13,3 bilhões serão financiados. Levando em conta a diretriz do governo de reduzir o papel do BNDES nesses investimentos, o desafio dos empreendedores é enorme. Para Eduardo Tobias, diretor da CELA, a visão apresentada no PCE preliminar da EPE era muito otimista e refletia números que ainda não incorporavam a queda na demanda por energia no país e nem que alguns projetos vencedores de energias renováveis poderão não ser construídos.

“Este revés, tanto na demanda quanto na oferta, deve¬se principalmente à recessão da economia brasileira, ao reajuste das tarifas elétricas a partir de 2015 e à volatilidade cambial”, disse Tobias. Mesmo considerando que a expansão da matriz de energia renovável seja de 75% da potência projetada pela EPE, os investimentos ainda seriam muito elevados, da ordem de R$ 150 bilhões. Supondo alavancagem de 60%, seriam R$ 90 bilhões em 9 anos, ainda um desafio muito grande.

O problema fica maior quando se consideram as mudanças nos financiamentos “tradicionais” para o setor. Recentemente, o BNDES aumentou o limite de alavancagem da fonte solar de 70% para 80% dos itens financiáveis, mas manteve em 70% para outras fontes renováveis, como as eólicas.

Segundo cálculos da Cela, porém, o limite real de alavancagem em solar é muito menor, devido a realidade do ritmo de desenvolvimento da cadeia de produção do setor. Como há a exigência de fabricação local de células, o limite chega a 57% no leilão de energia de reserva (LER) do início de dezembro.

Se a regra vigente for mantida, pode chegar a 0% para os vencedores dos leilões de 2017, em função da exigência de fabricação local das células. No caso das eólicas, os limites do BNDES foram mantidos em 70% dos itens financiáveis, mas o banco começou a sinalizar recentemente para o setor sua preferência por operações indiretas ou mistas, com a presença de agentes repassadores, segundo a Cela. Essa prática não altera diretamente o volume de capital alocado ao setor pelo BNDES, mas traz um aumento significativo no custo de financiamento para os empreendedores, diz a consultoria.

As debêntures de infraestrutura poderiam ser uma alternativa para ajudar na expansão do setor, mas ainda estão muito longe disso. Conforme a Anbima, desde a criação do instrumento, em 2011, até o início deste mês, tinham sido emitidos R$ 16,7 bilhões em debêntures de infraestrutura. Desse montante, no entanto, apenas R$ 3,9 bilhões tiveram como destino o setor de energia, incluindo geração e transmissão.

O montante alocado em geração de energia renovável, excluindo grandes hidrelétricas, é ainda menor. Foram dez emissões de complexos eólicos, somando R$ 636,8 milhões, nenhuma de bioenergia ou solar e algumas poucas de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

O próximo leilão de energia exclusivo para fontes renováveis está marcado para 19 de dezembro, com a negociação de projetos das fontes solar e eólica.

Fonte: Valor Econômico

 

 

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