parque-bom-jesus-da-lapa

Medição local reduz incertezas de projetos solares

A exigência de medições solarimétricas pelo período mínimo de um ano para que usinas solares participem em leilão contribuiu para tornar mais precisas as projeções de produção de energia, mas também reduziu a oferta de projetos e número de agentes na última concorrência em que a fonte participaria, o leilão de energia de reserva (LER) de dezembro de 2016, que foi cancelado. A conclusão está presente em nota técnica da EPE sobre o tema.

Por recomendação do MME, as medições locais (em um raio de até 10 km da localização dos projetos) são condição para a participação de solares em leilão desde 2016. Mesmo que o segundo leilão de energia de reserva previsto para aquele ano tenha sido cancelado, foi possível notar o resultado dessa nova exigência.

O nível de incerteza sobre os recursos solares, por exemplo, caiu de mais de 5% nos projetos habilitados no segundo LER de 2015 para 3,5% nos projetos habilitados para o segundo LER 2016, após uma combinação das medições in loco com os dados de longo prazo dos modelos disponíveis.

A EPE comparou as médias mensais de recursos solares apontadas pelas medições locais com as apontadas por modelos baseados em dados de modelos matemáticos. Enquanto alguns projetos mostraram ter medido um recurso aderente ao projetado nos modelos, outros apresentavam projeções mais destoantes. Para a EPE, isto sugere oportunidade de aprimorar os modelos de estimativas usados pelos empreendedores. “Aqueles que utilizam dados com melhores resoluções espacial e temporal demonstraram uma tendência de apresentar resultados mais próximos aos obtidos pelas medições”, diz a nota técnica.

Ainda de acordo com a análise, para muitos empreendimentos, a utilização dos dados medidos localmente foi importante para corrigir desvios dos dados de longo prazo obtido com auxílio de modelos.

Participação menor

O volume de projetos cadastrados caiu 35%, de 649 no leilão anterior, realizado em novembro de 2015, para 419 no de reserva que aconteceria em dezembro de 2016. Já a redução da potência ofertada foi proporcionalmente menor, ficando em 23% na mesma comparação, o que indica uma eficiência maior dos projetos cadastrados.

Além disso, 45 empresas apresentaram projetos para a concorrência, contra 80 no leilão anterior, uma redução de 44%. Já o número de fabricantes de módulos caiu 41%, de 22 para 13 e o de fabriccantes de inversores, caiu 23%, de 17 para 13.

Fator de capacidade maior

Já o fator de capacidade das usinas, que é a relação entre sua capacidade nominal de produção e a efetiva geração, calculado considerando as garantias físicas cadastradas e a potência em corrente alternada, ficou na faixa de 18% a 34%. É uma faixa maior que a apresentada pelos projetos vencedores do segundo LER de 2015, que ficou entre 18 e 31%.

Recurso solar

Os 419 projetos cadastrados para o último leilão apresentaram dados colhidos por 67 estações solarimétricas (que recolheram dados para múltiplos empreendimentos). Os valores anuais de irradiação global horizontal (GHI, na sigla em inglês) considerados pelas certificadoras em suas estimativas de produção de variaram entre 1.910 kWh/m² ao ano e 2.334 kWh/m² ao ano.

Fonte:Lívia Neves |  Brasil Energia

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *