Junior Santos

SEERN defende esforço por leilão

O Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN) divulgou nota ontem defendendo que os setores eólico e solar reúnam esforços e argumentos e insistam pela realização – no primeiro trimestre de 2017 – do leilão de energia que ocorreria na próxima semana, mas que foi cancelado  pelo governo federal.

O Rio Grande do Norte, maior gerador de energia eólica do Brasil, tinha, originalmente, projetos inscritos para a disputa, mas acabou excluído por saturação da atual estrutura das linhas de transmissão usadas para escoar a energia. O mesmo ocorreu com os estados da Bahia e Rio Grande do Sul. O leilão envolvia projetos de energia eólica e solar.

“O SEERN acredita que os setores eólico e solar devem reunir esforços e argumentos e insistir pela realização deste leilão de 2016 ainda no primeiro trimestre de 2017, além de outro leilão correspondente ao anual ainda em 2017!”, disse a entidade em nota assinada pelo presidente, Jean-Paul Prates. “A despeito de quaisquer circunstâncias políticas, o SEERN acredita que as instituições que planejam e regulam o setor elétrico brasileiro estão sob a gestão de técnicos capacitados e que conhecem a realidade das cadeias produtivas (eólica e solar fotovoltaica) no País, tanto no que tange à demanda energética quanto pela geração  de emprego e renda no Brasil. Por isso, estamos confiantes de que tais instituições saberão encontrar uma forma de compensar os potenciais prejuízos que a não-contratação em 2016 irá ocasionar, caso seja simplesmente ignorada”, acrescentou.

O leilão para contratação de energia de reserva estava marcado para o dia 19 de dezembro. Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Paulo Pedrosa, a realização da licitação não se justifica em um momento de excesso de energia no mercado. A projeção, de acordo com Pedrosa, é de uma sobra de 9 mil megawatts (MW) em 2020.

“Revisitamos o leilão de energia de reserva, pois não haveria justificativa para fazê-lo”, afirmou Pedrosa. “Se fizéssemos, seria um leilão tão insignificante em termos de quantidade que não seria nem mesmo adequado ao mercado.”

Segundo ele, as projeções do governo para a demanda futura de energia consideravam um crescimento maior do consumo, que não se concretizou. “Essas estimativas foram ajustadas e isso infelizmente tornou ainda mais complexa a questão da sobrecontratação”, afirmou.

Pedrosa ressaltou que o MME respeita o papel dos geradores renováveis de energia para a expansão do sistema, mas disse ser necessário fazer “testes de consistência” para reorganizar o setor elétrico. “Temos que enfrentar algo que não gostaríamos e fortalecer o conceito da verdade, sem iludir a sociedade.” Pedrosa explicou que a energia de reserva é contratada para compensar o déficit na garantia física dos contratos de energia. “Com sobra de energia, não há necessidade de contratar isso neste momento”, afirmou.

De acordo com o SEERN, O histórico do país mostra que, de 2009 a 2014, a média anual contratada para energia eólica foi de 2 GW. Em 2015, caiu para 1,1 GW. Em 2016, será zero. “Em 2017, teremos juntos a missão de viabilizar pelo menos 3,5 GW de capacidade contratada em eólicas para compensar o ano  perdido. Para isso, é preciso consolidar soluções regulatórias, logísticas, financeiras e operacionais”, disse a entidade.

O Sindicato acrescentou que  empresas geradoras, transmissoras, distribuidoras, fornecedoras e prestadoras de serviços do setor energético do Rio Grande do Norte  demonstram “preocupação com a recente série de acontecimentos envolvendo a continuidade do calendário de leilões federais”.

Fonte: Tribuna do Norte

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