Inovação e competitividade movimentam setor elétrico em Natal

Em um período de desafios para a economia brasileira, a inovação tem sido um elemento-chave para o sucesso de muitas empresas, órgãos e instituições tanto da esfera pública quanto privada.

Com o setor elétrico não foi diferente. A partir da criação da Lei nº 9.991, de 24 de julho de 2000, as empresas de geração, transmissão e distribuição passaram a aplicar de 1% das receitas líquidas em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e em eficiência energética. O Plano Inovar, lançado à quatro anos pelo Governo Federal, investiu cerca de 3 bilhões para apoio à inovação tecnológica no setor elétrico.

É nesse panorama que será realizado hoje, 09 de fevereiro, o primeiro “Encontro da Inovação – Competitividade e Qualidade para o Setor Elétrico Brasileiro”, em Natal, Rio Grande do Norte. O evento propõe uma análise prática dos processos de inovação não apenas ligados à geração e distribuição, mas também nos processos e tecnologias para gestão ambiental, regulação, consumo, mobilidade e atendimento.

Lideranças empresariais e autoridades capazes de modificar o panorama do setor elétrico brasileiro vão debater, juntos, a inovação no campo da regulação, os incentivos à pesquisa e desenvolvimento existentes no país, políticas públicas vigentes, inteligência competitiva e P&D em energias renováveis.

O “Encontro da Inovação” é uma realização do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) em parceria com a empresa Viex Américas e tem o apoio do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio grande do Norte (SEERN). A programação completa e inscrições podem ser realizadas no site do evento pelo endereço: http://viex-americas.com/conferencias/encontro-da-inovacao-setor-eletrico/

Fonte: SEERN/CERNE Press

Rio Grande Norte fecha o ano de 2016 com 3,3GW eólicos

O estado do Rio Grande do Norte fechou o ano de 2016 com 122 parques eólicos em operação comercial, atingindo a expressiva marca de 3,311GW de produção de energia. O resultado equivale a 32,57% de toda a capacidade nacional em operação.

No dia 28 de dezembro, três parques eólicos entraram operação comercial no estado, ou seja, estão em pleno funcionamento para a geração de energia. Confira os detalhes de cada empreendimento listado abaixo. Os dados são do CERNE  – Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia:

 

Parque eólico Santana I

Capacidade Instalada = 30 MW

Proprietário: Força Eólica do Brasil (Neo Energia / Iberdrola Renováveis do Brasil)

Município: Bodó/RN

 

Parque eólico Santana II

Capacidade Instalada = 24 MW

Proprietário: Força Eólica do Brasil (Neo Energia / Iberdrola Renováveis do Brasil)

Município: Lagoa Nova/RN

 

Parque eólico Calango 6

Capacidade Instalada = 30 MW

Proprietário: Força Eólica do Brasil (Neo Energia / Iberdrola Renováveis do Brasil)

Município: Bodó/RN

 

Brasil ultrapassa os 10GW

O país também encerrou o ano com bons números para o setor com a marca de 10,057GW de energia eólica em operação, distribuídos em 413 parques por todo o território nacional. O resultado ocorreu no dia 27 de dezembro com a entrada em operação comercial de um parque eólico no Piauí e outros dois no Rio Grande do Sul.

De acordo com a previsão do CERNE, com essa conquista, há boas chances que o Brasil figure entre os oito países que mais produzem energia eólica no mundo. O ranking global, realizado anualmente pelo Global Wind Energy Council (GWEC), deverá ser divulgado ainda no primeiro trimestre de 2017. Atualmente, o país está posicionado entre as 10 nações que mais geram energia eólica.

Confira tabela abaixo com dados atualizados:

Foto: CERNE/Divulgação
Foto: CERNE/Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: CERNE Press

Mais de 100MW em eólicas devem entrar em operação comercial no RN até dezembro

Um levantamento realizado pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) revela que atualmente o Rio Grande do Norte tem cinco parques eólicos  que se encontram em fase de testes.  Com o funcionamento efetivo desses empreendimentos, mais de 100 MW  (106,8 MW) devem instalados no Estado até dezembro deste ano.

Desse total, cerca de 90 MW são provenientes dos parques eólicos Santana I, Santana II e Calango 6, cada um com 30 MW em potência instalada, do grupo espanhol Iberdrola e todos instalados no município de Bodó. Já 16,8 MW são oriundos do parque Santa Mônica, instalado no município de Touros.

O RN continua absoluto como líder nacional em quantidade de parques eólicos instalados e produção da energia proveniente da força dos ventos, detendo 3,1 GW em potência instalada.

Fonte: CERNE Press

CERNE lança cadastro de terras com potencial eólico ou solar

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) lançou, nesta quinta-feira (14/04), o Cadastro de Terras com Potencial Eólico e Solar (CTPES). O serviço, disponível no portal do CERNE, destina-se aos proprietários de terras que tenham o interesse em oferecer suas propriedades para arrendamento e instalação de empreendimentos de geração de energia, seja ela por fonte eólica ou solar.

O cadastro de terras é o primeiro a ser realizado no Brasil. A ferramenta abrange áreas localizadas em qualquer parte do mundo, mas com destaque para os estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Maranhão e Bahia, regiões promissoras para produção de energia eólica e solar.

O serviço oferece ao usuário um local seguro e confiável para cadastrar a sua propriedade e ofertá-la às empresas interessadas. Já o empresário terá acesso a  um banco de dados confiável, para consulta e análise das áreas disponíveis para instalação de futuros empreendimentos de geração de energia.

O Cadastro de Terras com Potencial Eólico e Solar é uma ferramenta funcional, fácil de preencher e do tamanho certo para atender às necessidades de informações que uma empresa deseja ter e também não cansar o usuário-ofertante durante o processo de inscrição.

A plataforma será lançada oficialmente durante o 8º Fórum Nacional Eólico e o SolarInvest 2016, que começa na próxima segunda-feira (18), na Escola de Governo do RN. O serviço está disponível pelo site www.cadastresuaterra.com.br.

Investimentos internacionais podem beneficiar eólicas no RN

O Rio Grande do Norte apresenta as melhores condições para produção de energia eólica e poderá atrair boa parte dos R$ 7 bilhões de investimentos internacionais direcionados para o setor. Atualmente o estado é o que mais se destaca na produção de energia eólica e deve continuar na dianteira com os leilões do próximo dia 29.

Empresas dos setores de energia elétrica, petróleo e gás natural no Brasil podem ter acesso a dois fundos de incentivo do Reino Unido, com recursos de até 1,345 bilhão de libras (o equivalente a R$ 7 bilhões). Um dos fundos, o “Newton Fund”, tem 45 milhões de libras (cerca de R$ 245 milhões), com contrapartida em igual valor pelo governo brasileiro, para a capacitação de pessoas e o financiamento de pesquisas e projetos de inovação no Brasil. O outro, o “Prosperity Fund”, possui investimento global de 1,3 bilhão de libras (cerca de R$ 7 bilhões), em várias áreas, com destaque para energia. Apesar de a iniciativa ser mundial, o Brasil é um dos países prioritários e o Rio Grande do Norte desponta como preferencial na produção de energia a partir dos ventos.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Flávio Azevedo destaca que nenhum outro estado oferece as condições naturais tão favoráveis como o Rio Grande do Norte. “Essa potencialidade eólica ocorre em função diferenciada porque o estado tem velocidade e constância de vento, tem equilíbrio ideal e oferece maiores incentivos. Temos características naturais para atrair os investimentos”, destaca.

ESTRUTURA DO ESTADO PODE MELHORAR

O secretário Flávio Azevedo reconhece que a infraestrutura logística está na contramão dessas vantagens naturais. “Não temos porto adequado e em algumas situações, dependendo do investidor, escolhe-se algum estado com maior infraestrutura porque o transporte de hélices é muito complicado, inclusive para descarregar. Temos uma saída muito complicada no porto, sem raio de giro e, em algumas situações, isso prejudica o estado”, explica. Mesmo assim, ele acredita que essa deficiência não é um fator que faça o estado perder os investimentos porque em outros estados é mais distante transportar os equipamentos para as usinas.

No setor, o RN é conhecido por ter os melhores ventos para a atividade, ainda melhores do que os da Europa, segundo o coordenador de dados estatísticos do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, João Agra. “Nem 50% da capacidade eólica foi explorada. O estado possui territórios e condições naturais e foi um dos pioneiros desde 2008 quando acreditou na atividade e vem fazendo o dever de casa, abrindo para estudos e investimentos em locais mais atrativos. Aos poucos, os investimentos chegaram e isso se reflete nos dias atuais”, conta Agra.

O engenheiro revela ainda que a região mais atrativa é a do Mato Grande, onde o “ouro eólico” se encontra. “Quanto mais tiver condições de se investir, vai se pensar nessa área do estado”. Cabe ao governo do estado facilitar a chegada de investidores agindo junto aos órgãos ambientais para desburocratizar os processos de licenciamento. “Para isso, precisa que os órgãos de licenciamento tenham estrutura de trabalho ágil porque quando há muitos empreendimentos buscando as licenças a demora é maior”, relembra João Agra.

ESTADO TEM QUASE UM TERÇO DA PRODUÇÃO DO BRASIL

De acordo com informações do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, o Rio Grande do Norte tem 16 municípios com parques eólicos em operação, totalizando 97 empreendimentos e, em até cinco anos, a previsão é que mais 20 que estão em construção comecem a operar, além de outros 55 que já foram contratados.

A partir do momento em que entrarem em operação, os municípios de Jandaíra, Lagoa Nova, São Miguel do Gostoso, Caiçara do Norte, Cerro Corá, Florânia, Jardim de Angicos, Maxaranguape, São Vicente, Rio do Fogo, Guamaré e Tibau começarão a integrar a lista de contemplados com usinas eólicas em atividade.

Somente os parques cujas construções já foram iniciadas vão gerar mais 518,6 Mw, ou seja, 17,07% do que todos os que estão em construção no país irão gerar. Juntos, estes 75 novos parques terão capacidade para produzir 2 Gw, o que aponta para um investimento da ordem de R$ 20 bilhões.

Não é para menos, então, que o estado responda atualmente por quase um terço  de toda a energia eólica produzida no Brasil que é de 8.623,27 Mw em operação comercial. Isso equivale a 31% (2.671,56 MW) de toda a capacidade instalada no país, que possui 353 empreendimentos.

Dos 111 municípios com parques instalados, os dois mais influentes também estão em solo potiguar, mais precisamente nos municípios de João Câmara e Parazinho. Eles têm a maior quantidade de parques, com 22 e 21 empreendimentos, respectivamente.

NOVO LEILÃO TRAZ BOAS PERSPECTIVAS

O próximo leilão de eólicas promete manter o Rio Grande do Norte na dianteira do setor. Vai ocorrer no próximo dia 29 com 864 projetos inscritos. “O Rio Grande do Norte tem mantido nos leilões o padrão de gerar um terço dos projetos. Isso deve se repetir no próximo, dadas as condições naturais para a atividade”, destaca o diretor do Cerne e especialista em energia, Jean-Paul Prates.

Neste leilão, o Rio Grande do Norte tem 232 projetos inscritos, que equivalem a 5.599 Mw, mas não se sabe quantos destes estarão habilitados para o leilão. Antes será analisado se todas as licenças estão em dia. Quando entram na disputa, as empresas já devem ter posse da área ou acordo com os proprietários para locação. As empresas também precisam ter garantias com fornecedores e financiamentos para que o parque entre em operação no prazo de cinco anos.

“O leilão de energia tem a característica de passar segurança contratual ao investidor com um contrato de 20 anos com receita fixa. Este leilão está com uma boa oferta de projetos e permite à gente esperar competitividade razoável e atratividade boa para todo o país. Acredito que não tão cedo o Rio Grande do Norte poderá ser ultrapassado por outro estado nesta área”, avalia Jean Paul. O estado ainda vai sediar dias 18 e 19, na Escola de Governo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o Solar Invest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável no Brasil. O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país.

ENTREVISTA

Jean Paul Prates

Diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia

NOVO – O que o Rio Grande do Norte precisa fazer para se tornar atrativo para estes  fundos internacionais interessados em investir no setor eólico?

Jean-Paul Prates – Fundos internacionais, especialmente os chamados investidores institucionais, estão menos preocupados com processos políticos e crises econômicas eventuais e mais com a estabilidade legal, o respeito aos contratos e a existência de projetos com capacidade de gerar fluxo de caixa a longo prazo. Os projetos de geração de energia no Brasil apresentam todas estas características básicas. Por isso, este setor não sofreu tanto os efeitos da desaceleração econômica dos últimos três anos. Neste sentido, o RN foi beneficiado pois as construções e implantações mantiveram seu ritmo. Isso mostra que o Estado precisa priorizar a proliferação de empreendimentos da mesma natureza, na energia, no petróleo, na mineração, na agro/fruticultura, na extração de sal, na aquicultura, no turismo etc. São setores que, em sua maioria, provêm segurança até no contra-fluxo econômico. Em suma, tratar com atenção e dar total apoio a empreendimentos eólicos é, genericamente, a forma certa de continuar atraindo mais.

NOVO – O RN exerce liderança nessa área de produção de energia eólica, mas sofre forte concorrência. O que o estado precisa fazer para assegurar os investimentos que já tem e ainda receber novos?

Jean-Paul Prates – É normal que os outros estados tenham aprimorado seus ambientes para investimento também, afinal, desde 2008 o RN saiu na frente e mostrou um caminho de sucesso. Nosso estado segue sendo referência para os gestores estaduais em todo o Brasil, e por isso é importante mantermos o nosso nível de esforço para ser sempre a melhor opção para investidor. Temos que evoluir no apoio à logística de implantação dos parques, na conciliação de interesses com os Prefeitos e comunidade locais e ainda há espaço até para aprimorar determinados procedimentos de licenciamento e fiscalização ambiental. Nada grave, apenas aprimoramentos mesmo, pois o nosso Idema, por exemplo, está bem à frente de outros órgãos ambientais estaduais no que diz respeito a parques eólicos e plantas solares. Temos que estar sempre melhorando, e jamais andar para trás.

NOVO- Quais as dificuldades que o setor enfrenta no RN e como superá-las?

Jean-Paul Prates – O fato de ainda vivermos a transição de um estado historicamente importador absoluto de energia (até 2010) para um estado que exporta quase dois terços da sua geração energética em menos uma década faz com que ainda tenhamos gargalos quanto ao escoamento da geração nova. O problema de planejamento federal foi equacionado e, hoje, o Governo Federal já consegue ter elementos para projetar novas linhas de transmissão a tempo para os leilões. O que aconteceu recentemente foi diferente disso: foram registrados problemas com a incapacidade de duas empresas concessionadas que não performaram – ou seja, não conseguiram construir as linhas que lhes foram outorgadas. Isso pode acontecer. Faz parte do jogo. Foram multadas, punidas, mas o fato é que a linha não apareceu. São casos isolados, e que serão resolvidos. Mas cabe ao Estado acompanhar tudo o que acontece no setor e nos projetos sob sua territorialidade. Para ajudar, defender, colaborar como for possível para que saiam do papel e sejam bem sucedidos. Por que isso é que tornará o RN atrativo para novos investimentos no futuro.

ENTREVISTA

José Henrique Azeredo

Advogado especialista em M&A (fusões e aquisições) e assessoramento a investidores estrangeiros

NOVO – Quais vantagens o RN dispõe, além das condições naturais, para quem deseja investir em energia eólica e em outras áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A vantagem principal é que, no RN, o setor eólico é uma das principais atividades econômicas de grande porte, e, por isso, recebe um tratamento especial. É o “estado dos ventos”, reconhecidamente, e isso faz com que tenhamos estruturas governamentais específicas que priorizam estes empreendimentos, além de um histórico de processos já bem sucedidos e pessoal capacitado para tratar do assunto. Já dispomos também de uma cadeia de fornecedores locais com experiência em empreendimentos energéticos (coisa que não tínhamos até 10 anos atrás) que já começam até a “exportar” serviços para outros estados! Por fim, temos uma rede de formadores de profissionais em energia eólica e solar a partir das excelentes bases do CTGás-ER, Senai/RN, UFRN, IFRN, UnP e entidades setoriais que se associam a eles para prover capacitação de alto nível para todo o Brasil, com destaque para o RN, é claro.

NOVO – De que forma o poder público pode contribuir para que este setor se consolide ainda mais no RN, uma vez que é também gerador de emprego e renda?

José Henrique Azeredo – Como não temos grandes indústrias e grandes aglomerações urbanas, o setor eólico (como será o solar também, em breve) é importante – e tem que ser tratado como tal. Ele gera uma coisa muito importante para nós: interiorização; ou seja, a fixação e qualificação de mão-de-obra, e a capitalização de comunidades e cidades do Estado que não teriam alternativas tão positivas no curto prazo. Conciliar interesses, principalmente com as comunidades locais, arrendatários, cartórios, empreendedores locais e apaziguar alguns prefeitos mais “vorazes”, principalmente em tempos de eleição, são missões importantes para o Governo do Estado. O exagero na criatividade tributária municipal, por exemplo, tem sido crescente e pode vir a ameaçar a atratividade do Estado aos novos investimentos.

NOVO – Como consultor, qual a imagem que os investidores têm do potencial do Rio Grande do Norte na área de energia eólica e nas demais áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A melhor possível. O Estado é atrativo. Do ponto de vista das condições naturais, é notório o potencial eólico (hoje já cabalmente demonstrado) e solar, já em desenvolvimento. Em relação às condições sócio-econômicas e governamentais, tudo o que estou listando aqui são aprimoramentos. O RN não está mal na fita. Está bem. A preocupação deve ser em manter o status. E aprimorar o que for possível. Para atrair fábricas, por exemplo, há que se falar em porto. Um assunto que interessa a todos os setores econômicos do Estado. E interconexão modal (com o aeroporto de São Gonçalo, com o interior do Estado, etc). Para manter a mão-de-obra empregada, é preciso manter os ciclos de novos empreendimentos entrando. Para manter estes ciclos, evoluir sempre na desburocratização responsável e no apoio aos empreendimentos. Financiadores gostam de ver seus projetos bem acolhidos nos locais de implantação. Enfim, o RN tem tudo para continuar sendo o melhor lugar para se investir em eólica e solar no Brasil.

Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal

Natal vai sediar o maior evento eólico do Brasil

Natal vai sediar, dias 18 e 19 de abril, na Escola de Governo, Centro Administrativo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o SolarInvest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável do Brasil.

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias (Cerne), Jean-Paul Prates, destaca que depois de três anos sediado na Bahia, o Fórum volta a ser realizado em Natal.

O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país. O evento montou a regulação do setor.

Na época, reporta o diretor-presidente do Cerne, foi escrita a Carta dos Ventos, o primeiro documento do setor em que lideranças parlamentares e empresariais, e entidades do segmento de energias propõem as intenções e pleitos sobre estratégias  para o desenvolvimento do setor eólico nacional. “Foi o marco inicial da indústria eólica do Brasil”, assinala Prates.

O Fórum foi realizado em Natal até 2012 mas por falta de incentivo, de 2013 a 2015 migrou para a Bahia onde encontrou apoio governamental, explica Jean-Paul Prates. “Agora, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sesed) o evento volta para Natal”, ressalta. O Cerne conta também com apoio, além do Governo do Estado, de entidades como a Fiern e o Sebrae e outras entidades e instituições.

“A importância do evento, agora, é que ele resgata Natal como sede nacional das decisões regulatórias e das políticas para o setor eólico”, ressalta Jean-Paul Prates. Segundo ele, esta é a única ocasião anual no Brasil onde as mais importantes autoridades, empresas, instituições como o Senado e a Câmara Federal se reúnem para discutir o setor. “O Rio Grande do Norte é líder e referência nacional no setor eólico para o Brasil”.

É a primeira vez que o SolarInvest e o Fórum são realizados ao mesmo tempo e reúnem a cadeia produtiva dos segmentos em um só evento.  Serão discutidas a agenda da legislação e projetos de lei para os dois setores este ano e em 2017,  alternativas de financiamentos de empreendimentos, licenciamentos, fiscalização e responsabilidades sócio-ambientais de empreendimentos eólicos e solares no país.

Fonte: Novo Jornal

Eólicas: panorama atual e os desafios do setor no Brasil

Com o primeiro leilão de energia do ano marcado para 29 de abril, o Rio Grande do Norte poderá impulsionar em investimento potencial cerca de R$ 20 bilhões, em concorrência, para o certame. A estimativa é feita pelo presidente Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, com base na estimativa de habilitação de até 60% dos 232 projetos inscritos para o Estado, o que representaria a geração de mais 4 GigaWatts. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Jean-Paul Prates fala sobre infraestrutura dos linhões, mudanças nas regras do leilão e o reflexo da crise política e econômica para o setor com a redução de financiamento.  Além de eólicas, o leilão realizado no final deste mês terá a contratação de energia elétrica proveniente de hidrelétricas e de termelétricas a biomassa, a carvão e a gás natural. Também serão realizados esse ano dois leilões de reserva.
No primeiro certame, em 29 de julho e com prazo de suprimento de 20 anos, serão negociados contratos para empreendimentos de geração solar fotovoltaica. A produção de energia fotovoltaica deverá aproveitar a infraestrutura já existente, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e usam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. Um segundo leilão de reserva, em outubro, terá projetos de fonte solar fotovoltaica e de eólica, que terão contratos com prazo de 20 anos.

Confira os principais trechos da entrevista, que também trata do “Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos”,  evento que será realizado nos dias 18 e 19 de abril na Escola de Governo do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo, em Natal.

Expectativas de leilão
Esse ano teremos três leilões de energia. Agora, para o dia 29 de abril,  haverá o leilão de energia regular A-5, para começar a gerar em 5 anos após a contratação. O Brasil tem  864 projetos inscritos (21.232 MW) e o Rio Grande do Norte tem 232 projetos (5.599 MW).  O segundo é o leilão de reserva, marcado para o dia 29 de julho, que não terá eólica, só fotovoltaica e outras fontes. E no dia 28 de outubro,  haverá outro leilão de reserva que terá eólica. Os investidores preferem o leilão A -5 porque o prazo para construir e entrar em funcionamento é de cinco anos, com contrato assegurado por 20 anos.

Perda de espaço
Existem dois movimentos em relação a questão de perda de espaço. O primeiro foi o vácuo quando os parques ficaram prontos e não havia estrutura de conexão para transmissão da energia. Houve uma cochilada entre 2011 e 2012 em relação as cobranças de infraestrutura e linhas, que deveriam ficar prontas em 2012, entretanto, chegaram ao final do ano sem estar. Neste mesmo período, outros estados como a Bahia, com um projeto do Jacques Wagner, no modelo que adotamos aqui em 2009 e 2010, além de outros estados, avançaram.

Atrasos de linhões
Houve duas fases em relação as linhas de transmissão. Na primeira, entre 2009 e 2010, quando a eólica não era considerada certa no Brasil, já falava-se em linhas de transmissão. Tivemos que mostrar no mapa que a região do Mato Grande tinha potencial e que era preciso o chamado ICG, considerado uma espécie de ancoradouro. Havia outro projeto para linhas transmissão, conhecida como Translitorânea, que saía do Rio Grande do Norte fazendo um arco até a cidade de Russas, no Ceará. Porém, não foi considerada prioritária pelo Governo e, por isso, não saiu. Nesta fase, as linhas só eram licitadas e concedidas depois dos leilões A -3 e A -5. Consequentemente, alguns conjuntos de linhas atrasaram. As linhas que deveriam estar prontas em 2012 não ficaram. Também houve todo o problema dos atrasos. Parques parados, à espera. Não houve debandada de investidores porque àquela época havia uma cláusula contratual de autorização elétrica que previa o pagamento pela geração, mesmo que o parque não estivesse conectado. Porque não era culpa do investidor, a linha estava prometida e cabia a ele colocar o parque de pé no prazo contratado, não os linhões. Se colocou o parque de pé, recebia por isso. Essa cláusula dava maior segurança ao investidor. Hoje, eu considero essa questão equacionada porque o empreendedor é, em regra, o responsável pelo planejamento do seu parque.

Mudança na regra 
A partir de 2012, como poderiam ocorrer mais atrasos e já se desenvolvia uma descentralização da matriz energética do país, que deixava de ser concentrada em grandes hidrelétricas para ser pulverizada com parques eólicos, solares e térmicas em outros pontos do país, a cláusula mudou. Havia o risco de divergências de prazos, além dos atrasos. O Governo alterou as regras e acabou com o pagamento pela geração só por construir o empreendimento. Por isso, o investidor passou a ter responsabilidade pela conexão do parque. A mudança fez com que os empreendedores participantes do leilão também fossem  responsáveis em assegurar a conexão com as linhas de transmissão.

Leilões desertos
Não houve leilões desertos. A mudança na regra não foi a causa do baixo número de projetos para o Rio Grande do Norte nos últimos certames. Esta regra existe desde 2012 e já está bem digerida. Hoje, a questão dos linhões está equacionada no sentido de que o empreendedor tem que apresentar para o leilão uma tarifa que inclua a solução do escoamento de energia. É necessário planejar antes e assim ajudar o governo. Por outro lado, o Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia e da EPE, já dispõe de informações e de potencial eólico real no Brasil para prever e se antecipar em relação as demandas das bacias de ventos.

Investimento potencial
O investimento pode ser mensurado assim que sair o números de projetos habilitados pela EPE para o leilão. Mas, em geral, temos conseguido nos últimos leilões habilitar 60% dos projetos inscritos. Se temos inscritos 232 projetos, caso passe a metade, teremos 4 GigaWatts habilitados. Se considerarmos o valor de R$ 4,5 milhões por MW, este leilão do dia 29 de abril pode representar, em investimento potencial, cerca de R$ 20 bilhões em concorrência.

Emprego
A grande projeção de geração de emprego deve-se a uma característica do setor em ter investimentos assegurados em projetos contratados a longo prazo nos leilões federais. Como a performance dos leilões se dá em cinco anos para construção dos parques, isso faz o setor estar na sombra dos leilões de 2014 e 2015, girando na inércia dos processos dos certames. Diferente de outros mercados que estão demitindo, o número de contratações até 2019 em toda a cadeia produtiva de energia eólica deve chegar a cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Teremos problemas se a crise se prolongar mais e superar esse período de cinco anos.

Tensão política e econômica
Essa tensão política e econômica tem afetado os negócios da indústria eólica, sim, no sentido de ter menos financiamento. Antes, o BNDES era um propulsor, um impulsionador de investimentos. Todos os projetos até hoje tiveram o financiamento do BNDES. Acontece que há dois anos, com a  saída do Banco do Nordeste, o BNDES  endureceu as condições. Se antes financiava 80% do parque, agora só 70%. Isso faz com que o setor busque o investimento privado. E no momento em que o BNDES começou a deixar parcialmente o financiamento nas mãos dos investidores privados e estrangeiros, surge esse ambiente confuso na política e economia do país fazendo com que o investidor fique mais cauteloso a espera de uma definição do cenário político e econômico do país. Isso pode se refletir neste próximo leilão com esta redução das facilidades de financiamento. Se há menos projetos com confiança de que serão financiados, há uma participação menor, então a tarifa é reduzida e fica menos competitivo. Essa indefinição para o investidor é pior, por exemplo, do que em período pré-eleitoral, onde é possivel analisar os projetos eleitorais e tomar decisões.

Energia Solar
Os primeiros parques solares, de grande porte e maior viabilidade, devem ser instaladas em áreas onde existem parques eólicos – gerando usinas híbridas – para que possam utilizar a estrutura já existente de linhões e subestações, além dos acessos, arrendamentos, negociação com as comunidades. E tendo isso já acertado, não há entrada na tarifa e torna o projeto mais competitivo para entrar no leilão de reserva de energia fotovoltaica.

Gargalos
Continua sendo um gargalo a questão do planejamento de linhas  de transmissão. Entretanto, no Rio Grande do Norte, o secretário de desenvolvimento econômico do estado, Flávio Azevedo, tem dado uma maior atenção. O CERNE e o Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN também tem acompanhado essa questão. Há toda uma vigilância para que esse gargalo seja superado.  Por outro lado, o Governo Federal também tem limitações e não pode concentrar-se em um só estado,  é preciso tratar o tema com os demais.

Fórum Nacional Eólico
Criado em Natal, o Fórum Nacional Eólico volta para a capital potiguar em 2016. Por focar na parte de política setorial e de legislação, sem cunho comercial, o evento faz de Natal a capital do pensamento estratégico em energia eólica. Esse ano ele será realizado em conjunto com o Solar Invest. A programação terá reuniões fechadas para o setor e sessões abertas ao público em geral. Serão discutidos temas relevantes, como a agenda legislativa de 2016 que trata de todos os projetos que devem ser votados e que irão tramitar no Congresso, a revisão da política estratégica do setor e também a análise crítica da pauta legislativa do ano. Haverá debates para tratar alternativas de financiamentos ao BNDES com bancos privados e um encontro de órgãos de licenciamento para os parques eólicos.

RAIO-X DO SETOR
Leilão de Energia A-5  – 29 de Abril
+ Brasil: 864 Projetos Inscritos (21.232 MW)
+ RN: 232 Projetos Inscritos (5.599 MW)

Leilão de Energia de Reserva – 29 de Julho
– Energia Solar Fotovoltaica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Leilão de Energia de Reserva – 28 de Outubro
– Energia Solar Fotovoltaica e Energia Eólica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Parques eólicos em Operação
+ Brasil: 349 Parques Eólicos – 8.533,268 MW
+ RN: 97  Parques Eólicos – 2.671,56 MW (31,31%)

Parques eólicos em Construção
+ Brasil: 132 Parques Eólicos – 3.113,754 MW
+ RN: 20 Parques Eólicos – 518,60 MW (16,66%)

Contratados/Outorgados
+ Brasil: 249 Parques Eólicos – 5.950,050 MW
+ RN: 55 Parques Eólicos – 1.404,70 MW (23,61%)

Não Cadastrados
+ Brasil: 24 Parques Eólicos – 591,10 MW
+ RN: 4 Parques Eólicos – 49,20 MW (8,32%)

Total
+ Brasil: 754 Parques Eólicos – 18.188,172 MW
+ RN: 173Parques Eólicos – 4.613,76 MW (25,37%)

Dados: CERNE/SEERN

Fonte: Sarah Vasconcelos | Tribuna do Norte

RN pode produzir energia solar em alta escala

Assim como está na frente em capacidade de empreendimentos eólicos, o Rio Grande do Norte também pode sair na frente em produção de energia solar. A produção de energia fotovoltaica ainda é pontual e tímida no estado, mas, segundo Jean-Paul Prates, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), com a estrutura que o estado já tem para a energia eólica, será possível atrair empreendimentos solares, já que a produção de energia a partir do calor do sol está mais competitiva. “Já se tornou competitiva e desde 2014 aparece nos leilões. Podemos acolher empreendimentos solares adotando a estrutura eólica como base”, diz.
O governo federal tem estudado formas de aproveitar as infraestruturas já existentes, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e utilizam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. “Os parques híbridos tem tendência de serem instalados no RN e há projetos sendo hibridizados para aproveitar infraestrutura de escoamento e dar mais competitividade nos leilões”, explica Jean-Paul Prates. Ele conta que a energia solar para grande porte não tinha competitividade porque até quatro anos atrás era quatro vezes mais cara do que hoje. “Agora é uma vez e meia mais cara, mas todo que se fizer, toda a estrutura que já se tem e os incentivos para viabilizar esses empreendimentos se refletem em uma tarifa mais competitiva”, avalia.
Projetos de energia híbrida já estão sendo desenvolvidos pelo país. No início deste mês, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, inaugurou um projeto inédito no mundo: a instalação de placas fotovoltaicas sobre flutuadores, instalados no lago da Usina Hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas. Ele disse que o Brasil se prepara para um setor elétrico robusto, seguro do ponto de vista energético, eficiente, limpo e sustentável do ponto de vista ambiental e social, além de barato, que gere emprego.
Esse projeto será conduzido por pesquisadores das universidades federais do Amazonas e de Pernambuco, com acompanhamento do governo federal. A inserção de flutuadores em lagos já existe na Europa, mas o aproveitamento com estruturas de hidrelétricas é inédito. O mesmo projeto está sendo lançado na Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia.
Outra proposta inovadora na geração híbrida será implantada na comunidade indígena Raposa Serra do Sol, localizada em Roraima. O modelo que será testado por lá vai associar energia térmica (já existente) e eólica. A ideia é aproveitar os ventos que incidem nos altos dos montes e gerar energia para os índios daquela região. O novo modelo de produção de energia vai baratear os custos da energia gerada, gastando-se menos volume de óleo diesel e equilibrando a conta.
Jean-Paul Prates diz que não se pode prever que a produção de energia alternativa como a dos ventos e do sol venha a superar a das hidrelétricas. “Não são energias de base. Precisamos delas como fonte de energia alternativa. Elas têm o problema de continuidade porque dependem da força dos ventos e da incidência do sol, mas sempre vão conviver com outras formas de energia. Nosso regime hidráulico ainda é avassalador”, avalia o especialista.
Prates diz ainda que um terço do Nordeste é suprido por eólicas. “Se não fosse ela o Nordeste já estaria em racionamento de energia desde novembro passado e o país teria entrado em crise energética. O governo acertou em rever o modelo elétrico por volta de 2006 e 2007 quando passou a não depender unicamente das água dos rios que precisam das chuvas”, conclui o especialista em energias.
RN é o estado com maior capacidade eólica instalada
O Rio Grande do Norte é o estado com maior capacidade instalada em usinas eólicas a maior capacidade instalada em usinas eólicas. Fechou 2015 com um aumento de 28,3%, num total de 2.493 MW. Para os especialistas a tendência é de que o estado continue na dianteira em produção de energia eólica, com previsão de investimentos de mais R$ 6 bilhões nos próximos anos no setor.
Em todo o país, a capacidade instalada de usinas eólicas cresceu 45% em 2015 na comparação com 2014, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Passou de 5.710 MW para 8.277 MW. E isso se deve aos novos empreendimentos que entraram em operação. Em 2015 foram 102 novos empreendimentos que passaram a produzir a energia a partir dos ventos, somando um total de 325 geradoras eólicas. O estado com maior capacidade instalada é o Rio Grande do Norte, seguido do Ceará, Rio Grande do Sul e Bahia.
“O Rio Grande do Norte contratou mais e é o maior estado em energia”, explica a presidente Executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica, Elbia Gannoum. Ela se refere aos investimentos em no setor que começaram em 2009 com leilões e que se estenderam até 2015.  “Desde então, os parques eólicos estão sendo construindo e a capacidade está crescendo como o pre-visto quando cada um é concluído e entra em operação. Estaremos batendo o recorde a cada ano”.
Segundo a CCEE, as usinas eólicas produziram 2.971 MW médios em 2015, num crescimento de 52% em relação ao mesmo período de 2014. Vale destacar o desempenho da fonte no mês de agosto, quando a produção alcançou seu auge e entregou ao Sistema Interligado Nacional de 3.199 MW médios. “O vento é abundante e a energia eólica é a segunda fonte mais barata do país. Isso mantém a trajetória do país de crescimento nesse tipo de energia”, relata a presidente da ABEEolica. Em 2015, diz, o setor investiu R$ 22 bilhões e para 2016, Élbia diz que estão previstos R$ 25 bilhões.
Jean-Paul Prates, do Cerne, também ressalta que a previsão do aumento da capacidade está se cumprindo e diz que vai aumentar ainda mais com o Rio Grande do Norte sempre à frente, mas que é preciso manter o estímulo no setor. “Temos que procurar nos manter assim porque somos a principal referência para o país. É preciso manter um trabalho constante de permanência e fortalecimento do setor que é o principal segmento a substituir o petróleo que tínhamos”, destaca Prates.
O estado não chegou a esse patamar por acaso, segundo Prates, foi preciso acreditar, antes dos primeiros leilões que ocorreram em 2009 que essa era uma atividade que merecia investimentos e facilitar a vinda dos empreendimentos. “Enquanto outros colocaram obstáculos para dificultar a produção de energia eólica, o RN acreditou. É importante manter a atenção especial para este setor que já investiu mais de 10 bilhões de 2008 para cá, e estão em construção ou contratados mais de R$ 6 bilhões”, diz.
Outro ponto importante é que a produção de energia no Rio Grande do Norte está descentralizada levando desenvolvimento econômico para várias regiões do estado. “É no Mato Grande, que vivia de agricultura de subsistência e agora já tem uma economia pujante graças a esse setor; é o litoral Norte; a região central que começa a receber investimentos; e até na serra de Santana”, relata.
E o estado deve continuar atraindo empreendimentos eólicos. Segundo Jean Paul, ainda existem muitas áreas propícias para a instalação de usinas eólicas. “Já tem novas áreas em medição e há disponibilidade pelo menos dois terços, ou seja, duas vezes e meia a mais do que já temos em capacidade de realização para o setor eólico e agora com a expectativa de adotar e receber bem a energia solar”, destaca o presidente do Cerne.
Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal

Natal volta a ser a “capital dos ventos” em abril

Natal voltará a sediar, nos dias 18 e 19 de abril, o mais importante encontro político-empresarial do setor eólico nacional. Trata-se do Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos, que desde 2009 reúne as principais lideranças relacionadas com a chamada “indústria dos ventos”.  O evento será realizado nos auditórios da Escola de Governo do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo do Estado.
O Governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico – SEDEC apoiou e coordenou a mobilização de várias entidades empresariais do Estado para trazer o evento de volta para o Rio Grande do Norte, onde foi iniciado.
“O retorno da Carta dos Ventos a Natal é uma conquista importante para o Estado, porque somos o estado líder nacional em geração de energia eólica e, por conseguinte, a principal referência para os sucessos e desafios desse setor no Brasil”, justifica Flávio Azevedo, Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico.
Em sua oitava edição, o Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos terá seções executivas, com reuniões fechadas pelas manhãs e plenárias com acesso gratuito, à tarde. “Ao mesmo tempo em que vamos a Natal reunir lideranças políticas com lideranças empresariais sobre o nosso setor, cumprimos também com o papel de promover a integração entre o setor eólico e a sociedade”, explica a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum. “Por isso, a Abeeolica apóia e faz parte da Carta dos Ventos desde a sua primeira edição, em 2009”, ratifica.
Segundo o coordenador do evento, Rodrigo Carvalho, da VIEX Americas, “2009 foi o ponto inicial da decolagem do RN como centro das atenções para o setor eólico. Dali saíram performances inigualáveis do estado nos leilões federais de 2009, 2010 e 2011. Entretanto, durante um certo período, entre 2012 e 2015, a Bahia conseguiu levar o Fórum em Salvador. Isso coincidiu também com uma grande arrancada daquele estado neste setor, fruto do aprimoramento do seu ambiente de investimentos e operações”, explica. E celebra: “Acho que damos sorte, e contribuímos para bons rumos do setor”.
A coordenação técnica e a grade temática dos dois eventos estão a cargo do CERNE – Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, hoje com sedes em Natal/RN e Fortaleza/CE. “Este retorno a Natal é o resultado de uma união de esforços por parte de todos os que querem uma indústria eólica ainda mais desenvolvida e geradora de emprego e renda para o RN”, explica seu diretor-presidente, Jean-Paul Prates.
O evento contará também com um workshop específico para jornalistas e com um mini-curso sobre análise de viabilidade técnica e econômica de projetos, na manhã do dia 19, antes da cerimônia de abertura. Também durante o Fórum, será realizada Rodada de Negócios entre empreendedores, prestadores de serviço e fornecedores com a coordenação do SEBRAE.
As informações completas sobre programação, dinâmica do evento, inscrições e participações podem ser encontradas no site: www.cartadosventos.com, e nas redes sociais das entidades participantes.

Fonte: CERNE Press

Energia reserva: Projeto de Lei pode beneficiar consumidor potiguar

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou ​projeto de lei​, que impede ​as ​distribuidoras​ de energia​ de repassar para o consumidor final o custo ​pela compra de energia reserva. Pelo texto aprovado​ do Projeto de Lei 1211/15, ​de autoria do ​deputado César Halum (PRB-TO)​, a medida será válida para os estados ​que consumam uma quantidade de energia menor ou igual à metade da ​energia produzida por eles, seja ela hidrelétrica, eólica ​ou ​solar.

Hoje, o custo ​da contratação de energia reserva ​é rateado entre ​todos ​os consumidores finais de todos os estados​, independente de serem ​produtores de energia ou não​ (Lei nº 10.848/04, que trata da comercialização de energia elétrica​)​. O objetivo​ dessa compra de energia reserva​ é garantir a continuidade do abastecimento energético,​ mesmo em momentos críticos, como por exemplo o baixo desempenho no funcionamento das hidrelétricas​,​ causado pela escassez de chuvas.

De acordo com o diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (SEERN), Jean-Paul Prates, caso a nova lei​ seja aprovada​, o ​RN deve ser beneficiado desde os primeiros meses d​e​ vigência, pois já atende a condição requerida. ​”​Com isso, nos períodos em que a energia de reserva tiver que ser adquirida por preço mais caro​,​ para abastecer o sistema nacional, o RN não deverá sofrer impacto na sua tarifa local, pelo fato de ser exportador de mais da metade da energia produzida em seu território​”, complementa Prates.​

A redação final do PL da energia reserva foi dada pelo deputado Beto Rosado (PP-RN), relator ​da matéria. Ele apresentou substitutivo​,​ combinando os textos da proposta principal ​(PL 1211/15​) ​e do PL 1524/15, que tramita apensado e tratava do mesmo tema. O texto original isenta do rateio os consumidores finais em estados autossuficientes em produção energética. Já a proposta apresentada por Rosado limita essa dispensa aos ​E​stados cujo consumo de energia supere a metade da produção energética.

Segundo o parlamentar, não seria viável beneficiar todos os ​E​stados​ de forma generalizada​. Daí a alteração proposta, que dá uma margem bem maior acima da auto-suficiência para que o benefício ocorra. Rosado acredita que a isenção pode ​ser também um estímulo à ​produção energética e ​à ​economia do consumo em todo o País. A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Histórico Energético do RN​

Em 2010, apenas poucos anos depois de implementar um plano estratégico para o setor energético ​por meio de uma secretaria de Estado criada especificamente para tal, o Rio Grande do Norte conseguiu atingir capacidade instalada de geração de energia equivalente ao seu consumo. Isso incluía a Termoaçu (a gás) e também duas térmicas emergenciais – além dos parques eólicos iniciais. Já na época, foram assegurados outros 2.2GW – além dos instalados – em contratos vencedores nos leilões federais​,​ garantindo investidores e condições para a instalação​ de​ mais de uma centena de novos parques eólicos no Estado​, que hoje se encontram em plena atividade. ​

De lá para cá, o R​N​ ultrapassou sobejamente a meta de auto-suficiência e atingiu a capacidade de ​produzir e ​exportar praticamente duas vezes o volume de energia que consome,​ graças, ​principalmente​, ​ao desenvolvimento da geração eólica​. E agora, com a chegada da energia solar​, a expectativa é de incremento substancial na geração de renda, serviços, empregos, injeção de capital e receita tributária para as regiões onde se instala​rem​.

Fonte: CERNE Press