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Investimento em energia renovável segue em alta no Rio Grande do Norte

O Brasil deve atrair gigantes globais do mercado de energia em leilões para contratação de novos projetos de geração renovável previstos para este ano.

O Rio Grande do Norte está bem na foto com a consolidação dos projetos eólicos, e avança na energia solar.

Os custos da energia dos ventos e solar tem caído nos últimos anos. E o investimento tende a crescer nas duas fontes.

No Brasil, a alta de 10% nos investimentos em energia renovável pode ser atribuído, em parte, a retomada dos leilões do setor, principalmente no final do ano passado, depois de uma pausa de dois anos Por meio desses certames foram contratados novos projetos das fontes eólica e solar.

Nesta sexta-feira (19/01) o Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, concedeu entrevista para o Jornal da 96FM e fez um balanço do setor energético do Rio Grande do Norte, e perspectivas para 2018.

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BNB oferta R$ 27 bilhões para financiamentos de renováveis

Empresários do setor de energias estiveram reunidos nesta quinta-feira, 11, em São Paulo, para conhecer as novas taxas de juros reduzidas do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), operado exclusivamente pelo Banco do Nordeste (BNB), e as condições de acesso ao crédito para financiamentos a projetos de geração e transmissão de energia.

Participaram do evento vencedores dos leilões de geração de energia A-4 e A-6, transmissão de energia realizados em 2017, clientes do setor e executivos de bancos que prestam assessoria à estruturação de operações de infraestrutura. Para 2018, o orçamento do FNE é de R$ 27 bilhões, que beneficiarão projetos em todos os Estados do Nordeste, além do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

A reunião foi conduzida pelo próprio presidente do Banco do Nordeste, Romildo Rolim, que apresentou novidades nas condições de financiamento e detalhes da operacionalização das linhas de crédito existentes, especialmente o FNE Proinfra, que financia a implantação, ampliação, modernização e reforma de empreendimentos de infraestrutura. Somente em 2017, o Banco contratou mais de R$ 3,6 bilhões para obras de infraestrutura, especialmente em parques de energias renováveis, como eólica e solar.

O Rio Grande do Norte foi o segundo estado com o maior número de projetos contratados no leilão de energias renováveis realizado no dia 20 de dezembro de 2017, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e deverá receber investimentos de aproximadamente R$ 1,8 bilhão. Doze, dos 240 empreendimentos inscritos no certame foram arrematados e deverão entrar em operação em seis anos. Juntos, eles terão capacidade instalada para geração de energia eólica de 310,225 megawatts (MW). No total, foram ofertados 6.939 MW de energia.  O maior número de projetos foi arrematado por empresas instaladas no Piauí – 17 parques.

O Leilão de Geração nº 04/2017 movimentou, ao todo, R$ 108 bilhões em contratos, equivalentes a um montante de 572.518.389,600/MWh de energia. O preço médio ao final das negociações foi de R$ 189,45 por Mwh (megawatt hora), com deságio de 38,7% em relação aos preços-tetos estabelecidos, o que representou uma economia de R$ 68,5 bilhões para os consumidores de energia.

O Rio Grande do Norte também foi o único estado brasileiro gerador de energia eólica com projetos contemplados no leilão realizado no dia 18 do mesmo mês pela Aneel. A empresa francesa Voltalia, que recentemente inaugurou parques eólicos na região de São Miguel do Gostoso, no litoral Norte, arrematou dois projetos no certame. Eles garantirão, quando em operação integral, a geração de 64 megawatts (MW) de potência, com investimentos estimados em R$ 355 milhões nos próximos três anos.

Fonte: Tribuna do Norte

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Energia eólica tem alta de 19% na capacidade instalada em 2017

Os projetos de energia eólica no Brasil atingiram 12,7 gigawatts (GW) em 2017, aumento de 19% em relação a 2016, segundo informações da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

O segmento terminou o ano com 508 parques em operação. A potência eólica instalada chegou a 8,2% da matriz elétrica do país, praticamente empatando com a geração térmica a gás natural, que tinha 13 GW de potência e 8,3% da matriz.

Segundo a associação, em média, 18 milhões de residências foram abastecidas mensalmente pela fonte eólica em 2017.

Com isso, o Brasil ultrapassou a Itália no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica, na 9ª posição.

Até 2023, a Abeeólica estima que a potência instalada de energia eólica vai chegar a 18,639 GW. Serão construídos mais de 252 novos parques já contratados.

Leilões

No entanto, a curva de crescimento vai sofrer uma desaceleração, devido à falta de leilões para novos projetos nos últimos anos. Os leilões realizados em dezembro, porém, deram novo fôlego ao setor, com a contratação de 1,45 GW de capacidade, um investimento adicional de mais de R$ 8 bilhões.

O leilão do tipo A-4, que será realizado em abril, também deve ajudar na expansão da fonte eólica. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 1.672 empreendimentos foram cadastrados para a disputa, sendo 931 projetos de energia eólica.

A fonte libera a lista de inscritos em capacidade instalada, com 26.198 MW, de um total de 48.713 MW inscritos para o certame.

Postos de trabalho

A Abeeólica estima que cada MW instalado gera 15 postos de trabalho. Até o momento, são 180 mil postos de trabalho criados.

Foto: Camila Maia | Valor Econômico

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Produção de energia eólica cresce 26,5% entre janeiro e maio de 2017

A produção de energia eólica entre janeiro e maio de 2017 foi 26,5% superior à geração no mesmo período do ano passado. É o que indica o boletim mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

As usinas da fonte produziram um total de 3.347,5 MW médios frente aos 2.646,4 MW médios gerados em 2016. A representatividade da fonte eólica em relação a toda energia gerada no período pelas usinas do Sistema alcançou 5,5% em 2017. A fonte hidráulica foi responsável por 81% do total e as usinas térmicas responderam por 17,8%.

Os números por estado indicam que o Rio Grande do Norte segue como maior produtor de energia eólica do país com 1.076 MW médios em 2017, aumento de 31% em relação ao mesmo período do ano passado.

Fonte: Veja| Radar On-Line

Foto: Auster Energy

Energias renováveis e eficiência energética são metas para o Brasil

Em meio a danos ambientais cada vez mais aparentes no mundo, especialistas defendem o uso de energias renováveis para diminuir impactos como a emissão de gases de efeito estufa e o aquecimento global. Um dos meios para isso é a substituição do petróleo como elemento principal da matriz energética global por formas de maior eficiência, como solar e eólica. Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Carlos Alexandre Pires, essa é uma das principais linhas de investimento do governo federal em geração de energia.

O Brasil tem pouco mais de 40% de sua energia gerada por fontes renováveis. Em relação à geração de eletricidade, as hidrelétricas são as principais forças, responsáveis por quase 65% da produção. No entanto, a matriz ainda pouco diversificada não garante segurança energética, resultando muitas vezes em problemas de abastecimento, como a crise enfrentada pelo Brasil em 2015.

O país ainda caminha lentamente para disseminação de fontes alternativas de energia, ao contrário de países da Europa como a Alemanha, onde a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e o pouco potencial para gerar algumas energias renováveis levaram ao desenvolvimento de uma matriz renovável, como a fotovoltaica (solar) ou a eólica. Segundo Carlos Alexandre, essas são o futuro da geração de energia no mundo, e o Brasil também caminha para expandi-las. “É aquela velha história de não colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Em termos de administração e de operação de uma rede tão complexa como é a de energia, você precisa ter várias fontes ofertando em diversos momentos do dia e se complementando, quando necessário”, afirma.

A lógica da complementariedade seria parecida com a que já funciona hoje no sistema integrado: nos períodos de seca, em que as hidrelétricas operam com menos capacidade, a geração de eletricidade acaba sendo suplementada pelas termelétricas. A intenção é que cada vez mais as formas de energia renovável ganhem espaço.

Dados do Boletim de Capacidade Instalada de Geração Elétrica – Brasil e Mundo 2016, do Ministério de Minas e Energia, ainda não demonstram esse movimento. Embora 90% do total dos 9,5 GW de potência instalada tenham sido de fontes renováveis, as fontes hidráulica e de biomassa permanecem liderando essa expansão.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiap), Mário Menel, embora o setor tenha um planejamento indicativo, é difícil controlar essa expansão, já que em um leilão prevalece a fonte que oferece o menor custo. Ele explica que a matriz elétrica brasileira comporta todas as fontes e tem bastante variedade, mas fatores como o baixo custo e facilidade de estocagem ainda favorecem as hidrelétricas.

“A melhor forma que nós temos de armazenar energia é nos reservatórios das hidrelétricas. Se eu tenho um vento favorável e estou gerando muita energia eólica, eu economizo água, então aumento o volume do reservatório e estoco energia, praticamente dentro do meu reservatório. Enquanto parou o vento, eu libero essa água para produzir energia elétrica”, diz Menel.

Esse cenário, no entanto, também vem sofrendo mudanças devido a outros fatores como a questão ambiental, que limita cada vez mais a construção das hidrelétricas e também a seca severa que algumas regiões vêm sofrendo. “O Nordeste, por exemplo, que sofre com falta de água nos últimos dois, três anos, só não teve um racionamento na região graças à [energia] eólica que está fornecendo hoje cerca de 30% da necessidade da região.”

Para o Ministério de Minas e Energia, os principais desafios com a entrada dessas fontes são econômicos e operacionais. Carlos Alexandre explica que a questão das intermitências de fortes como a eólica, que não é gerada quando falta vento, e da solar, que também fica parada durante a noite, impactam diretamente no preço da energia elétrica ofertada. “Nosso Operador Nacional de Sistema precisa, a cada instante, balancear o quanto é demandado de energia e o quanto é despachado.”

Fonte: Agência Brasil

Foto: Assecom RN

Na China, governo do Rio Grande do Norte assina acordo para o estado fabricar painéis solares

O governador do Rio Grande do Norte Robinson Faria se reuniu nesta segunda-feira (27) na cidade de Xangai, na China, com diretores da indústria fabricante de placas fotovoltaicas para produção de energia solar Chint Eletrics Co. Na ocasião, foi assinado um protocolo de intenções para a construção de uma fábrica em território potiguar. Painéis solares fotovoltaicos são dispositivos utilizados para converter a energia da luz do Sol em energia elétrica.

“A nossa missão comercial a China é bem-sucedida e a assinatura deste acordo de cooperação tecnológica e estratégica com a Chint vai gerar emprego e renda em nosso estado e atrair novos investimentos”, destacou Robinson. Aos empresários chineses, o governador apresentou um vídeo que trata das potencialidades econômicas do Rio Grande do Norte e falou sobre as opções turísticas e da segurança jurídica que o estado oferece aos investidores.

Robinson também visitou a estação de trem na cidade de Hangzhou, onde o grupo Chint Eletrics Co tem uma fábrica. São 150 mil metros de placas fotovoltaicas que geram 40% da energia consumida pela estação.

Segundo a assessoria de comunicação do governo, a Chint possui instalações na Índia, Alemanha e Estados Unidos e vai atuar na América do Sul, América Central e África com a produção da fábrica no RN. “A China é uma das maiores empresas do mundo no setor e atua numa área de forte demanda para o desenvolvimento econômico, como a de energia, e que é básica para as demais atividades econômicas”, explicou Robinson.

A reunião também contou com a participação do cônsul geral do Brasil em Hong Kong, Piragibe Tarragô. Piragibe ressaltou a importância dos contatos entre o Governo do Estado e os investidores para o desenvolvimento da economia do Rio Grande do Norte e se colocou à disposição para “facilitar os contatos e cooperar para dar continuidade aos negócios a ser concretizados com essa visita”.

Antes da viagem do governador à China, representantes de empresas chinesas estiveram no RN para manifestar o interesse de investir no Estado e convidá-lo para conhecer as instalações naquele país.

Fonte: G1 RN e Portal N10
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Financiamento desafia energia renovável

Esse será um dos maiores desafios ao setor de renováveis, que já vem sendo pressionado pela falta de linhas de transmissão para escoamento da energia gerada. Para o leilão de energia de reserva (LER) de dezembro, por exemplo, ficaram de fora projetos localizados no Rio Grande do Norte (RN), Bahia (BA) e Rio Grande do Sul (RS), uma vez que a capacidade instalada atual já atingiu os limites de escoamento dos Estados.

A mudança do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve ser combinada a um cenário de crédito restrito, colocando ainda mais obstáculos a serem superados no segmento.

De acordo com a CELA Clean Energy Latin America, que presta assessoria financeira e estratégica a empresas e investidores do segmento na América Latina, os investimentos totais em geração de energia renovável devem somar cerca de R$ 200 bilhões até 2025. A projeção leva em conta estimativas preliminares do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de 2025, que estimam a necessidade de entrada de 38,1 gigawatts (GW) de potência de fontes eólica, solar e biomassa até 2025. Supondo a taxa média de 60% de alavancagem, eles precisariam de R$ 120 bilhões em financiamento.

Isso representa cerca de R$ 22,2 bilhões em investimentos por ano até 2025, sendo que R$ 13,3 bilhões serão financiados. Levando em conta a diretriz do governo de reduzir o papel do BNDES nesses investimentos, o desafio dos empreendedores é enorme. Para Eduardo Tobias, diretor da CELA, a visão apresentada no PCE preliminar da EPE era muito otimista e refletia números que ainda não incorporavam a queda na demanda por energia no país e nem que alguns projetos vencedores de energias renováveis poderão não ser construídos.

“Este revés, tanto na demanda quanto na oferta, deve¬se principalmente à recessão da economia brasileira, ao reajuste das tarifas elétricas a partir de 2015 e à volatilidade cambial”, disse Tobias. Mesmo considerando que a expansão da matriz de energia renovável seja de 75% da potência projetada pela EPE, os investimentos ainda seriam muito elevados, da ordem de R$ 150 bilhões. Supondo alavancagem de 60%, seriam R$ 90 bilhões em 9 anos, ainda um desafio muito grande.

O problema fica maior quando se consideram as mudanças nos financiamentos “tradicionais” para o setor. Recentemente, o BNDES aumentou o limite de alavancagem da fonte solar de 70% para 80% dos itens financiáveis, mas manteve em 70% para outras fontes renováveis, como as eólicas.

Segundo cálculos da Cela, porém, o limite real de alavancagem em solar é muito menor, devido a realidade do ritmo de desenvolvimento da cadeia de produção do setor. Como há a exigência de fabricação local de células, o limite chega a 57% no leilão de energia de reserva (LER) do início de dezembro.

Se a regra vigente for mantida, pode chegar a 0% para os vencedores dos leilões de 2017, em função da exigência de fabricação local das células. No caso das eólicas, os limites do BNDES foram mantidos em 70% dos itens financiáveis, mas o banco começou a sinalizar recentemente para o setor sua preferência por operações indiretas ou mistas, com a presença de agentes repassadores, segundo a Cela. Essa prática não altera diretamente o volume de capital alocado ao setor pelo BNDES, mas traz um aumento significativo no custo de financiamento para os empreendedores, diz a consultoria.

As debêntures de infraestrutura poderiam ser uma alternativa para ajudar na expansão do setor, mas ainda estão muito longe disso. Conforme a Anbima, desde a criação do instrumento, em 2011, até o início deste mês, tinham sido emitidos R$ 16,7 bilhões em debêntures de infraestrutura. Desse montante, no entanto, apenas R$ 3,9 bilhões tiveram como destino o setor de energia, incluindo geração e transmissão.

O montante alocado em geração de energia renovável, excluindo grandes hidrelétricas, é ainda menor. Foram dez emissões de complexos eólicos, somando R$ 636,8 milhões, nenhuma de bioenergia ou solar e algumas poucas de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

O próximo leilão de energia exclusivo para fontes renováveis está marcado para 19 de dezembro, com a negociação de projetos das fontes solar e eólica.

Fonte: Valor Econômico

 

 

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Fontes renováveis poderão ter papel maior na geração de energia até 2040

A participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira pode ser de pelo menos 60% até 2040, conforme prevê o Projeto de Lei do Senado (PLS) 712/2015, do senador Cristovam Buarque (PPS-DF). A proposta foi acolhida nesta terça-feira (10) na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e segue para a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), onde será votada em decisão terminativa.

Atualmente, cerca de 40% da oferta interna de energia brasileira são provenientes de fontes renováveis, principalmente hidráulica e biomassa.

Esse percentual, diz Cristovam, já coloca o Brasil como protagonista na adoção de soluções para redução de gases de efeito estufa. Ele destacou ainda decisão do país de apresentar ao Secretariado da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima o compromisso de alcançar uma participação de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030.

O parlamentar, no entanto, afirma que a soma das emissões das nações que assinaram o Acordo de Paris, durante encontro da ONU realizado na França no final de 2015, chegará a 55 giga toneladas de gases de efeito estufa, em quinze anos, o que é incompatível com a expectativa de limitar a dois graus Celsius o aumento da temperatura global.

Meta mais ousada

Por considerar a necessidade de um esforço extra de todos os países, ele propõe modificar a lei que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.187/2009) para estabelecer uma meta mais ousada, de forma a ampliar a substituição de energia oriunda do petróleo por fontes renováveis, com baixa emissão de gases que provocam o aquecimento do planeta.

Para o autor, o país tem condição de chegar a 60% de fontes renováveis até 2014, tendo em vista a experiência brasileira na geração hidráulica e na produção de biocombustíveis, além dos avanços no aproveitamento de energia eólica e fotovoltaica.

O relator, senador Blairo Maggi (PR-MT), apresentou substitutivo para adequar o texto a definições internacionais e para determinar que o aumento da participação das fontes renováveis ocorra “até 2040”, e não “em 2040”, como está no texto original, de forma a que o avanço aconteça de forma gradual. Em função da ausência de Blairo Maggi na reunião desta terça-feira, o substitutivo foi apresentado pelo relator ad hoc, Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

Fonte: Iara Guimarães Altafin | Agência Senado

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RN cadastra usinas solares e PCH em leilão de energia de reserva

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 428 projetos para o 1º Leilão de Energia de Reserva. O leilão está marcado para 29 de julho. Ao todo, esses projetos representam oferta de 10.195 megawatts (MW) de potência instalada, distribuída entre 19 estados. O Rio Grande do Norte está na lista dos inscritos. Há 33 projetos de energia solar, com oferta de 960 MW, e uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), de 5 MW, cadastrados no estado.

Empreendimentos de energia solar fotovoltaica se destacaram no cadastramento, totalizando 9.210 MW da energia ofertada, em 295 projetos – considerando todos os estados. Também se cadastraram 73 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), com 889 MW, e 60 Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), com 96 MW.

Do total referente à energia solar, 61 empreendimentos são na Bahia, somando 1.593 MW. O Estado do Piauí é o segundo maior em volume de energia solar ofertada, com 42 projetos e 1.430 MW; seguido por São Paulo, com 44 projetos e 1.328 MW. A EPE esclarece, no entanto, que todos esses projetos ainda terão de passar pela fase de habilitação para poderem participar do leilão.

A lista de projetos cadastrado foi divulgada uma semana após um outro leilão em que não havia fonte solar, mas em que as Pequenas Centrais Hidrelétricas foram destaque. O leilão contratou energia de 29 empreendimentos, com potência total de 278,471 MW e 158,1 MW médios de garantia física.  Vinte eram PCHs, sete termelétricas a biomassa e uma usina termelétrica a partir de gás natural em ciclo combinado.

Diferente do esperado por boa parte do mercado, não houve a comercialização de energia eólica, que respondia pela maior parte da energia habilitada para o certame. A lista de projetos aprovados incluía 693 de energia eólica, dos quais 174 estavam no Rio Grande do Norte e somavam 4.169 MW. O estado teve a segunda maior presença entre os estados, atrás da Bahia, com 246 eólicas e 5.979 MW.

Para o presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN e do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, há duas causas principais por trás do desempenho do setor eólico: “A desaceleração da demanda por energia e uma dinâmica para priorizar PCHs e usinas de biomassa, que, diante dos preços mais competitivos que as eólicas vinham atingindo nos últimos leilões, estavam encalhadas”.

Fonte: Tribuna do Norte | Agência Estado

Foto: Geandson Oliveira

Investimentos internacionais podem beneficiar eólicas no RN

O Rio Grande do Norte apresenta as melhores condições para produção de energia eólica e poderá atrair boa parte dos R$ 7 bilhões de investimentos internacionais direcionados para o setor. Atualmente o estado é o que mais se destaca na produção de energia eólica e deve continuar na dianteira com os leilões do próximo dia 29.

Empresas dos setores de energia elétrica, petróleo e gás natural no Brasil podem ter acesso a dois fundos de incentivo do Reino Unido, com recursos de até 1,345 bilhão de libras (o equivalente a R$ 7 bilhões). Um dos fundos, o “Newton Fund”, tem 45 milhões de libras (cerca de R$ 245 milhões), com contrapartida em igual valor pelo governo brasileiro, para a capacitação de pessoas e o financiamento de pesquisas e projetos de inovação no Brasil. O outro, o “Prosperity Fund”, possui investimento global de 1,3 bilhão de libras (cerca de R$ 7 bilhões), em várias áreas, com destaque para energia. Apesar de a iniciativa ser mundial, o Brasil é um dos países prioritários e o Rio Grande do Norte desponta como preferencial na produção de energia a partir dos ventos.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Flávio Azevedo destaca que nenhum outro estado oferece as condições naturais tão favoráveis como o Rio Grande do Norte. “Essa potencialidade eólica ocorre em função diferenciada porque o estado tem velocidade e constância de vento, tem equilíbrio ideal e oferece maiores incentivos. Temos características naturais para atrair os investimentos”, destaca.

ESTRUTURA DO ESTADO PODE MELHORAR

O secretário Flávio Azevedo reconhece que a infraestrutura logística está na contramão dessas vantagens naturais. “Não temos porto adequado e em algumas situações, dependendo do investidor, escolhe-se algum estado com maior infraestrutura porque o transporte de hélices é muito complicado, inclusive para descarregar. Temos uma saída muito complicada no porto, sem raio de giro e, em algumas situações, isso prejudica o estado”, explica. Mesmo assim, ele acredita que essa deficiência não é um fator que faça o estado perder os investimentos porque em outros estados é mais distante transportar os equipamentos para as usinas.

No setor, o RN é conhecido por ter os melhores ventos para a atividade, ainda melhores do que os da Europa, segundo o coordenador de dados estatísticos do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, João Agra. “Nem 50% da capacidade eólica foi explorada. O estado possui territórios e condições naturais e foi um dos pioneiros desde 2008 quando acreditou na atividade e vem fazendo o dever de casa, abrindo para estudos e investimentos em locais mais atrativos. Aos poucos, os investimentos chegaram e isso se reflete nos dias atuais”, conta Agra.

O engenheiro revela ainda que a região mais atrativa é a do Mato Grande, onde o “ouro eólico” se encontra. “Quanto mais tiver condições de se investir, vai se pensar nessa área do estado”. Cabe ao governo do estado facilitar a chegada de investidores agindo junto aos órgãos ambientais para desburocratizar os processos de licenciamento. “Para isso, precisa que os órgãos de licenciamento tenham estrutura de trabalho ágil porque quando há muitos empreendimentos buscando as licenças a demora é maior”, relembra João Agra.

ESTADO TEM QUASE UM TERÇO DA PRODUÇÃO DO BRASIL

De acordo com informações do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, o Rio Grande do Norte tem 16 municípios com parques eólicos em operação, totalizando 97 empreendimentos e, em até cinco anos, a previsão é que mais 20 que estão em construção comecem a operar, além de outros 55 que já foram contratados.

A partir do momento em que entrarem em operação, os municípios de Jandaíra, Lagoa Nova, São Miguel do Gostoso, Caiçara do Norte, Cerro Corá, Florânia, Jardim de Angicos, Maxaranguape, São Vicente, Rio do Fogo, Guamaré e Tibau começarão a integrar a lista de contemplados com usinas eólicas em atividade.

Somente os parques cujas construções já foram iniciadas vão gerar mais 518,6 Mw, ou seja, 17,07% do que todos os que estão em construção no país irão gerar. Juntos, estes 75 novos parques terão capacidade para produzir 2 Gw, o que aponta para um investimento da ordem de R$ 20 bilhões.

Não é para menos, então, que o estado responda atualmente por quase um terço  de toda a energia eólica produzida no Brasil que é de 8.623,27 Mw em operação comercial. Isso equivale a 31% (2.671,56 MW) de toda a capacidade instalada no país, que possui 353 empreendimentos.

Dos 111 municípios com parques instalados, os dois mais influentes também estão em solo potiguar, mais precisamente nos municípios de João Câmara e Parazinho. Eles têm a maior quantidade de parques, com 22 e 21 empreendimentos, respectivamente.

NOVO LEILÃO TRAZ BOAS PERSPECTIVAS

O próximo leilão de eólicas promete manter o Rio Grande do Norte na dianteira do setor. Vai ocorrer no próximo dia 29 com 864 projetos inscritos. “O Rio Grande do Norte tem mantido nos leilões o padrão de gerar um terço dos projetos. Isso deve se repetir no próximo, dadas as condições naturais para a atividade”, destaca o diretor do Cerne e especialista em energia, Jean-Paul Prates.

Neste leilão, o Rio Grande do Norte tem 232 projetos inscritos, que equivalem a 5.599 Mw, mas não se sabe quantos destes estarão habilitados para o leilão. Antes será analisado se todas as licenças estão em dia. Quando entram na disputa, as empresas já devem ter posse da área ou acordo com os proprietários para locação. As empresas também precisam ter garantias com fornecedores e financiamentos para que o parque entre em operação no prazo de cinco anos.

“O leilão de energia tem a característica de passar segurança contratual ao investidor com um contrato de 20 anos com receita fixa. Este leilão está com uma boa oferta de projetos e permite à gente esperar competitividade razoável e atratividade boa para todo o país. Acredito que não tão cedo o Rio Grande do Norte poderá ser ultrapassado por outro estado nesta área”, avalia Jean Paul. O estado ainda vai sediar dias 18 e 19, na Escola de Governo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o Solar Invest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável no Brasil. O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país.

ENTREVISTA

Jean Paul Prates

Diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia

NOVO – O que o Rio Grande do Norte precisa fazer para se tornar atrativo para estes  fundos internacionais interessados em investir no setor eólico?

Jean-Paul Prates – Fundos internacionais, especialmente os chamados investidores institucionais, estão menos preocupados com processos políticos e crises econômicas eventuais e mais com a estabilidade legal, o respeito aos contratos e a existência de projetos com capacidade de gerar fluxo de caixa a longo prazo. Os projetos de geração de energia no Brasil apresentam todas estas características básicas. Por isso, este setor não sofreu tanto os efeitos da desaceleração econômica dos últimos três anos. Neste sentido, o RN foi beneficiado pois as construções e implantações mantiveram seu ritmo. Isso mostra que o Estado precisa priorizar a proliferação de empreendimentos da mesma natureza, na energia, no petróleo, na mineração, na agro/fruticultura, na extração de sal, na aquicultura, no turismo etc. São setores que, em sua maioria, provêm segurança até no contra-fluxo econômico. Em suma, tratar com atenção e dar total apoio a empreendimentos eólicos é, genericamente, a forma certa de continuar atraindo mais.

NOVO – O RN exerce liderança nessa área de produção de energia eólica, mas sofre forte concorrência. O que o estado precisa fazer para assegurar os investimentos que já tem e ainda receber novos?

Jean-Paul Prates – É normal que os outros estados tenham aprimorado seus ambientes para investimento também, afinal, desde 2008 o RN saiu na frente e mostrou um caminho de sucesso. Nosso estado segue sendo referência para os gestores estaduais em todo o Brasil, e por isso é importante mantermos o nosso nível de esforço para ser sempre a melhor opção para investidor. Temos que evoluir no apoio à logística de implantação dos parques, na conciliação de interesses com os Prefeitos e comunidade locais e ainda há espaço até para aprimorar determinados procedimentos de licenciamento e fiscalização ambiental. Nada grave, apenas aprimoramentos mesmo, pois o nosso Idema, por exemplo, está bem à frente de outros órgãos ambientais estaduais no que diz respeito a parques eólicos e plantas solares. Temos que estar sempre melhorando, e jamais andar para trás.

NOVO- Quais as dificuldades que o setor enfrenta no RN e como superá-las?

Jean-Paul Prates – O fato de ainda vivermos a transição de um estado historicamente importador absoluto de energia (até 2010) para um estado que exporta quase dois terços da sua geração energética em menos uma década faz com que ainda tenhamos gargalos quanto ao escoamento da geração nova. O problema de planejamento federal foi equacionado e, hoje, o Governo Federal já consegue ter elementos para projetar novas linhas de transmissão a tempo para os leilões. O que aconteceu recentemente foi diferente disso: foram registrados problemas com a incapacidade de duas empresas concessionadas que não performaram – ou seja, não conseguiram construir as linhas que lhes foram outorgadas. Isso pode acontecer. Faz parte do jogo. Foram multadas, punidas, mas o fato é que a linha não apareceu. São casos isolados, e que serão resolvidos. Mas cabe ao Estado acompanhar tudo o que acontece no setor e nos projetos sob sua territorialidade. Para ajudar, defender, colaborar como for possível para que saiam do papel e sejam bem sucedidos. Por que isso é que tornará o RN atrativo para novos investimentos no futuro.

ENTREVISTA

José Henrique Azeredo

Advogado especialista em M&A (fusões e aquisições) e assessoramento a investidores estrangeiros

NOVO – Quais vantagens o RN dispõe, além das condições naturais, para quem deseja investir em energia eólica e em outras áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A vantagem principal é que, no RN, o setor eólico é uma das principais atividades econômicas de grande porte, e, por isso, recebe um tratamento especial. É o “estado dos ventos”, reconhecidamente, e isso faz com que tenhamos estruturas governamentais específicas que priorizam estes empreendimentos, além de um histórico de processos já bem sucedidos e pessoal capacitado para tratar do assunto. Já dispomos também de uma cadeia de fornecedores locais com experiência em empreendimentos energéticos (coisa que não tínhamos até 10 anos atrás) que já começam até a “exportar” serviços para outros estados! Por fim, temos uma rede de formadores de profissionais em energia eólica e solar a partir das excelentes bases do CTGás-ER, Senai/RN, UFRN, IFRN, UnP e entidades setoriais que se associam a eles para prover capacitação de alto nível para todo o Brasil, com destaque para o RN, é claro.

NOVO – De que forma o poder público pode contribuir para que este setor se consolide ainda mais no RN, uma vez que é também gerador de emprego e renda?

José Henrique Azeredo – Como não temos grandes indústrias e grandes aglomerações urbanas, o setor eólico (como será o solar também, em breve) é importante – e tem que ser tratado como tal. Ele gera uma coisa muito importante para nós: interiorização; ou seja, a fixação e qualificação de mão-de-obra, e a capitalização de comunidades e cidades do Estado que não teriam alternativas tão positivas no curto prazo. Conciliar interesses, principalmente com as comunidades locais, arrendatários, cartórios, empreendedores locais e apaziguar alguns prefeitos mais “vorazes”, principalmente em tempos de eleição, são missões importantes para o Governo do Estado. O exagero na criatividade tributária municipal, por exemplo, tem sido crescente e pode vir a ameaçar a atratividade do Estado aos novos investimentos.

NOVO – Como consultor, qual a imagem que os investidores têm do potencial do Rio Grande do Norte na área de energia eólica e nas demais áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A melhor possível. O Estado é atrativo. Do ponto de vista das condições naturais, é notório o potencial eólico (hoje já cabalmente demonstrado) e solar, já em desenvolvimento. Em relação às condições sócio-econômicas e governamentais, tudo o que estou listando aqui são aprimoramentos. O RN não está mal na fita. Está bem. A preocupação deve ser em manter o status. E aprimorar o que for possível. Para atrair fábricas, por exemplo, há que se falar em porto. Um assunto que interessa a todos os setores econômicos do Estado. E interconexão modal (com o aeroporto de São Gonçalo, com o interior do Estado, etc). Para manter a mão-de-obra empregada, é preciso manter os ciclos de novos empreendimentos entrando. Para manter estes ciclos, evoluir sempre na desburocratização responsável e no apoio aos empreendimentos. Financiadores gostam de ver seus projetos bem acolhidos nos locais de implantação. Enfim, o RN tem tudo para continuar sendo o melhor lugar para se investir em eólica e solar no Brasil.

Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal