Consumidor brasileiro poderá se tornar autossuficiente na produção de energia elétrica

Você já imaginou que, em um futuro próximo, cada brasileiro poderá ser capaz de gerar a sua própria energia?

Essa ideia pode parecer absurda à primeira impressão, mas a possibilidade é real. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que, até 2024, pequenos geradores de fontes renováveis estarão instalados em cerca de 1,2 milhão de residências no Brasil. Esses geradores produzirão energia pelo sistema de geração distribuída, que permite que o próprio consumidor instale painéis solares e microturbinas eólicas. O objetivo do programa é que o consumidor troque energia com a empresa distribuidora de sua região, visando à redução do valor do consumo e da conta de luz.

O sistema de geração distribuída tem várias vantagens. Entre elas, o uso de fontes renováveis, reduzindo os investimentos em redes de distribuição de energia, e a possibilidade de geração compartilhada, que permite que um grupo de pessoas faça um consórcio ou uma cooperativa, instalando uma minigeração de distribuição.

Segundo Tiago Correia, diretor da Aneel, essa mudança vai estimular as pessoas a adotarem a geração compartilhada. “Quanto maior o sistema, mais barata é a instalação total, porque alguns custos são diluídos. Isso faz com que o retorno do investimento seja muito mais rápido, além de facilitar o acesso ao crédito cooperativado”, explica.

O sistema também permite ao consumidor gerar energia em um local diferente do consumo. Por exemplo, se ele tiver uma casa de campo ou de praia, a energia gerada aí pode ser consumida em seu apartamento na cidade. Condomínios também poderão fazer uso da geração compartilhada, que é repartida entre os moradores em porcentagens estabelecidas pelos consumidores.

Outra vantagem é a geração de crédito para o consumidor, que funciona da seguinte forma: se o consumo de energia produzida em um mês for superior à quantidade de energia consumida, o cliente fica com um bônus para ser utilizado nas faturas seguintes.

Só entre 2014 e 2016, o modelo de geração distribuída quadriplicou no Brasil, aumentando de 424 para 1.930 conexões. “O potencial de crescimento é muito grande, e a taxa de crescimento tem sido exponencial, até porque a base ainda é baixa”, afirma Correia. Os painés solares fotovoltaicos representam cerca de 90% das instalações de geração distribuída no país.

Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, com as novas regras, o Brasil se torna uma referência internacional na área de incentivo ao uso da energia de geração distribuída, especialmente a solar.

Investimento

Embora o custo dos equipamentos para a instalação do sistema de geração de energia distribuída seja alto, a Aneel prevê que o investimento dê retorno no prazo de cinco a sete anos. “Se você pensar como um investidor, que tem um dinheiro disponível e gostaria de aplicar, traria um rendimento muito melhor do que qualquer aplicação financeira disponível hoje”, diz Tiago Correia.

O investimento é rentável, também, porque evita oscilações na tarifa de energia, já que você pode estocá-la, sem se preocupar com as suas possíveis variações de preço.

Fonte: Gisella Meneguelli | Greenme

Câmara aprova isenções para estados produtores de energia

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1211/15, deputado César Halum (PRB-TO), que impede distribuidoras de repassar para o consumidor final o custo da contratação de energia reserva.

Pelo texto aprovado, a medida será válida para os estados com consumo energético inferior ou equivalente a metade de sua produção de energia hidrelétrica, eólica e solar.

Hoje, o custo da compra de energia reserva deve ser rateado entre os consumidores finais de todos os estados produtores de energia ou não, conforme a Lei nº 10.848/04, que trata da comercialização de energia elétrica. O objetivo é garantir a continuidade do abastecimento energético, já que o funcionamento das hidrelétricas pode ser prejudicado pela escassez de chuvas, por exemplo.

O relator da matéria, deputado Beto Rosado (PP-RN), apresentou substitutivo para combinar os textos da proposta principal e do PL 1524/15, que tramita apensado e tratava do mesmo tema.

O texto original isenta do rateio os consumidores finais em estados autossuficientes em produção energética. Já a proposta apresentada por Rosado limita essa dispensa aos estados cujo consumo de energia não supere a metade da produção energética.

“Não podemos, de forma generalizada, beneficiar todos os estados cujo consumo seja inferior à capacidade de produção, do contrário não haverá custeio da energia de reserva no país”, argumentou o parlamentar. Ele acredita que a isenção pode estimular a produção energética e a economia do consumo.

Pelo texto, a oferta energética de usinas hidrelétricas e geradoras de energia solar e eólica cujos reservatórios ocupem mais de um estado deverá ser dividida entre eles, de forma proporcional à sua parte no reservatório.

Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Câmara dos Deputados

Desenvolvimento de veículos elétricos é nova meta do CERNE​

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) ​é a nova parceira do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) no nordeste setentrional.  O convênio de cooperação técnica e institucional foi assinado nesta quinta-feira (25)​.  O objetivo é desenvolver ações integradas que promovam a utilização de veículos elétricos e autônomos na região nordeste setentrional do Brasil.

“O CERNE tem como uma das suas missões contribuir para que a nossa região se prepare para o futuro. E isso está na mobilidade veicular elétrica, bem como nos veículos autônomos. Por isso, temos certeza que, unindo forças com a ABVE, venceremos muitos desafios que a implantação destes novos conceitos terá que enfrentar”, celebra o diretor-presidente da entidade, Jean-Paul Prates.

“O acordo de cooperação entre o CERNE e a ABVE vai permitir que o setor de energias renováveis, bem como as iniciativas na área de mobilidade urbana, sejam grandemente favorecidos”, afirma o diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira.

​A ​ ABVE atua junto às autoridades e entidades empresariais relacionadas ao setor automotivo, visando incentivar o desenvolvimento e utilização de veículos elétricos no País. O CERNE é um “think tank” voltado para estratégias públicas e privadas em prol do aproveitamento sustentável dos recursos naturais e energéticos no Nordeste Setentrional do Brasil.

Ceará vai gerar 14,7% da energia eólica do País

Em 2019, o Ceará vai responder por 14,7% de toda a energia eólica produzida no Brasil. Os números são de um estudo da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), de janeiro deste ano. A pesquisa mostra que, se contadas as usinas em construção e as que ainda não foram iniciadas, a previsão é de que a capacidade de geração eólica do Estado que era de 1.254,2 MW, em dezembro de 2015, alcance 2.579,2 MW nos próximos três anos. Um crescimento de 105% no período. O estudo foi apresentado no workshop Tributação e Energias Renováveis, que reuniu especialistas do setor na manhã de ontem em Fortaleza.

O potencial de expansão é ainda maior. Pelo acordo assinado na cúpula do clima de Paris, COP 21, o Brasil tem aumentar de 28% para 33% o uso de energia de fontes renováveis – eólica, solar, biomassa e biocombustíveis.

Hoje a produção cearense representa 16,1% da capacidade de geração eólica do Brasil. No quadro geral, a região Nordeste é responsável por 76,3% dos 7.793,5 MW de energia eólica em operação no Brasil.

Numeros-sobre-encargos-do-setor-eletricoA participação da energia eólica na matriz brasileira, no entanto, ainda é pequena. Apenas 5,5%, mas a tendência é de crescimento. Para se ter uma ideia, há cinco anos, a participação era de apenas 1%. Pelo Plano Decenal de Expansão de Energia, deve chegar a 24% em 2024. A participação da energia fotovoltaica, que hoje é praticamente zero, deve chegar a 7%.

Isso representa uma grande janela de oportunidade a ser explorada pelo Estado, afirma o presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis (CSRenováveis), Jurandir Picanço. “Todas as previsões indicam um forte crescimento da energia renováveis no horizonte de 2050”. Ele reforça que 85% da expansão planejada pelo Governo Federal está baseada em energias renováveis, sendo 49% para eólica.

Desafios

Os desafios, no entanto, continuam. Dentre estes, o de aumentar as linhas de transmissão. No Ceará, por exemplo, grandes áreas não podem ser exploradas porque não tem capacidade de escoamento. Picanço diz que, hoje, o Governo do Estado vem buscando soluções para superar gargalos, a exemplo do Plano Estadual de Energia e a criação de coordenadorias especializadas no monitoramento das obras. O objetivo é recuperar a liderança no setor eólico, que era do Ceará até 2012.

NÚMEROS

28%

é a participação de fontes renováveis  de energia no Brasil. Meta é chegar a 33%

Fonte: O Povo | Irna Cavalcante

 

Renova Energia anuncia aumento de capital de R$ 731,2 milhões

A Renova enviou comunicado ao mercado nesta quarta-feira, 3 de fevereiro, anunciando que reunião do conselho de administração aprovou aumento de capital no valor de até R$ 731.247.640,38 mediante a emissão de até 81.587.997 de novas ações ordinárias e de até 28.208.946 de novas ações preferenciais, nominativas, escriturais e sem valor nominal, pelo preço de emissão por ação ordinária ou preferencial de R$6,66 e de R$19,98 por Unit.

No comunicado, a Renova diz que o aumento de capital vai servir para reforçar o caixa da empresa e implantar projetos já em construção e em desenvolvimento, além de honrar despesas e dívidas da holding. A operação será feita dentro do limite de capital autorizado e as novas ações serão iguais as ordinárias e preferenciais já existentes. Os atuais acionistas terão preferência no aumento de capital na proporção das suas participações.

De acordo com a Renova, esse aumento de capital é uma das ferramentas usadas para a continuidade do plano de negócios da empresa após a desistência da segunda fase da transação com a Terraform Global. O novo plano de negócios quer redimensionar os investimentos futuros e ajustá-los los às condições atuais do mercado, devido ao cenário econômico mais difícil. A empresa alega que vem atuando em várias frentes para executar o novo plano, já tendo feito mudanças na sua diretoria, renegociado dívidas e reestruturado o quadro de funcionários.
Fonte: Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Negócios e Empresas

Campus central do IFRN começa a produzir energia solar

Em busca de fonte alternativa de energia e, consequentemente, preocupado com a sustentabilidade, o Campus Natal Central começou a produção de energia solar nesta segunda-feira, dia 18.  Os geradores fotovoltaicos, que totalizam 825 painéis solares, divididos em dois geradores – um com 480 e outro com 345, ocupam aproximadamente 1.290m² e estão instalados sobre o teto dos blocos das salas de aula.

Estima-se que serão gerados 26.200kWh mensalmente, suprindo cerca de 11% do consumo, o que representa uma economia de R$ 116,3 mil anual para o Campus, como também uma redução de 28 toneladas na  emissão de CO2/ano.

De acordo com Franclin Róbias, engenheiro eletricista do IFRN, inicialmente, a energia gerada atenderá os condicionadores de ar dos blocos de aulas e o Data Center do Instituto. A energia restante será distribuída para as demais cargas elétricas ou irá para a rede de distribuição da Companhia de Energética do Rio Grande do Norte (COSERN). Nesse último caso, o medidor da subestação  registrará a energia fornecida para a rede externa e será descontada na fatura do Campus, gerando mais uma economia.

“O projeto, além der gerar economia e ser exemplo do uso de energia limpa, vai proporcionar aos alunos e professores o acompanhamento do seu funcionamento – inicialmente os do curso de Eletrotécnica, futuramente de Engenharia de Energia e de Informática”, observa o diretor de Administração do campus, Francisco Antonio de Pontes, que finaliza: “Nossa meta é ampliar a produção e nos próximos quatro anos chegar a 50% da energia consumida no campus”.

Outros 6 campi (Canguaretama, São Paulo do Potengi, Ceará-Mirim, Currais Novos, Parelhas e São Gonçalo) e a Reitoria do IFRN já possuem usina de energia solar. Os planos são que, em breve, os campi Pau dos Ferros, Caicó, João Câmara e Lajes também passem a contar com suas usinas. O Instituto foi a primeira instituição pública brasileira a usar micro e minigeradores conectados à rede de distribuição de energia elétrica, conforme Resolução Normativa 482/ANEEL.

Fonte: IFRN

Empresa anuncia aquisição de R$ 2 bilhões em parques eólicos no Brasil

Fundada em 2015, em uma parceria do banco Santander e de fundos de pensão canadenses, a Cubico Sustainable Investments (Cubico) anunciou a aquisição de 392 MW em parques eólicos no Brasil, operação que resultou em um investimento de R$ 2 bilhões, segundo nota enviada à Agência CanalEnergia nesta segunda-feira, 11 de janeiro. Sediada em Londres, a Cubico é uma investidora e gestora de ativos de energia renovável e água. Pertencente a três sócios: Banco Santander; fundo de pensão dos professores de Ontário (Ontario Teacher´s Pension Plan) e o administrador de fundos de pensão do Canadá, (Public Sector Pension Investment Board).

A compra de dois complexos eólicos da Casa dos Ventos, que abrange as usinas Caetés (182MW), em Pernambuco, e Ventos do Araripe I (210MW), no Piauí, é o primeiro investimento da Cubico no país, e “é considerada a maior negociação envolvendo parques em operação no Brasil no ano de 2015”. A transação, realizada no final do ano passado, já foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com a conclusão da compra destes dois complexos eólicos, a Cubico adiciona 392 MW ao seu portfólio no Brasil que, somados aos 223 MW já existentes (transferidos da antiga carteira global de ativos de energia renovável do Banco Santander), deixam a companhia com 615 MW de ativos eólicos operacionais e a posicionam como o terceiro maior player do setor de energia eólica do país, de acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica.

Ricardo Díaz, Head da Cubico para as Américas, afirma que outras oportunidades de investimento serão analisadas no Brasil e na América Latina no setor de energia renovável. “Analisaremos mais oportunidades de investimento no país e em outros mercados latino-americanos, conforme o potencial de cada região”.

Eduardo Klepacz, Head da divisão Brasil da Cubico, acrescenta: “A operação posiciona a Cubico como um investidor comprometido com o Brasil. Somos capazes de capitalizar oportunidades devido a nossa estratégia de longo prazo, que nos permite manter e gerir ativos por um período entre 20 e 40 anos. Acreditamos no setor de geração de energia renovável do Brasil e, com o novo escritório em São Paulo, buscaremos oportunidades de investimento não apenas no país, mas também em outras regiões da América Latina, como Peru, Colômbia, Uruguai, Panamá e Costa Rica.”

Além do Brasil, a empresa possui atualmente outras seis plantas na América Latina, em países como México, onde conta com cinco parques eólicos em desenvolvimento com capacidade de 799 MW, no Peru, onde detém um projeto eólico em desenvolvimento de 99 MW, e no Uruguai, onde possui um parque eólico com capacidade total de 50 MW.

Criada em maio de 2015, a Cubico é resultado do spin-off da atividade de investimentos em energia renovável e infraestrutura de água do Santander no mundo. O portfólio detido pela Cubico no mundo contemplava originalmente 19 ativos em 7 países, que formavam um valor estimado de mais de US$ 2 bilhões, e capacidade instalada de 1,4 GW. A empresa tem presença em distintas geografias como Brasil, México, Uruguai, Itália, Portugal, Espanha, Irlanda e Reino Unido.

A Cubico possui sede em Londres e escritórios em São Paulo (Brasil), Milão (Itália) e no Distrito Federal do México. No Brasil, além da sede em São Paulo, a Cubico possui um centro operacional em Fortaleza (CE), que será expandido localmente à medida que a companhia tenha mais ativos sob a sua gestão.

Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Investimentos e Finanças

“O ano foi radiante para a energia solar e 2016 será acelerado”

Entrevista – Rodrigo Sauaia
diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar)

Fernando Domingo
Repórter

“Até 2024, a expectativa é que o setor (de energia solar fotovoltaica) tenha 7 gigawatts de projetos em operação. E, isto representará, mais ou menos, 4% da matriz energética brasileira”, garante o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, ao ser indagado sobre a participação futura do segmento na geração de energia no Brasil. Tal estimativa, inclusive, demonstra um crescimento significativo, frente aos atuais 0,02% de potencia operando.

Em passagem por Natal esta semana, onde participou do Fórum Estadual de Energia do RN, Rodrigo Sauaia destacou, também, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o interesse do Rio Grande do Norte no setor solar fotovoltaico, com projetos em leilões de energia e a decisão do Governo Estadual em assinar o convênio ICMS 16-2015, que reduz o imposto para a energia da micro e minigeração, ainda não regulamentado. “É uma questão do Estado tomar a liderança, estabelecendo incentivos e reduzindo barreiras”, pontuou.

Ainda de acordo com ele, 2015 deve fechar como “um ano radiante” para o setor solar fotovoltaico. “A gente teve um crescimento na ordem de 300% para o segmento de micro e minigeração. E, ao mesmo tempo, nos projetos de grande porte, das usinas solares, onde tivemos um pouco mais de R$ 8 bilhões em contratações até 2018. Um investimento que vai ser concretizado e expressivo anti os R$ 4 bilhões do ano passado”, analisou.

Rodrigo Sauaia - diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). (Foto: Junior Santos)
Rodrigo Sauaia – diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). (Foto: Junior Santos)

Qual o balanço de 2015 para o setor de energia solar no Brasil?
Esse ano foi, sem sombra de dúvidas, um ano radiante para o setor solar fotovoltaico. Uma vez que a gente teve, ao longo de 2015, um crescimento da ordem de 300% para o segmento de micro e minigeração, de pequeno e médio porte instalado em residências, comércios e indústrias.  E, ao mesmo tempo, nos projetos de grande porte, das usinas solares fotovoltaicas, tivemos um pouco mais de R$ 8 bilhões em contratações até 2018. Um investimento que vai ser concretizado. Isto representa também um aumento expressivo ante os mais de R$ 4 bilhões do ano passado. De fato, foi um ano muito positivo para o setor.

O setor teve outros ganhos, além do financeiro?
A gente teve também esse ano a revisão, a atualização, da chamada resolução normativa 482, de 2012, da micro e minigeração, e que vai permitir, a partir de março de 2016, a criação de novos modelos de negócio, a participação de mais pessoas e empresas, usando energia solar fotovoltaica no seu dia a dia. Esse ano tivemos ainda, do ponto de vista global, um avanço muito importante para a fonte solar fotovoltaica que é o acordo climático da COP21, onde mais de 190 países se reuniram e pactuaram uma transição da economia mundial para uma economia de baixo carbono. Da qual a energia solar fotovoltaica certamente será parte integrante dessa solução.

O Rio Grande do Norte seguiu esta mesma linha de crescimento?
O Rio Grande do Norte começou a participar agora, e, teve projetos contratados no leilão de energia solar fotovoltaica recentemente realizado. Isso significa que até 2018 teremos aqui projetos de energia solar fotovoltaica em operação no Estado. Além disso, o Estado está entre as dez unidades federativas com maior investimento em micro e minigeração. E, o Governo Estadual já aderiu ao convênio ICMS 16-2015, reduzindo o imposto sobre a energia da micro e minigeração. Falta agora, no entanto, que o Governador assine e, digamos, formalize essa adesão, através de um decreto que precisa ser publicado em Diário Oficial. Essa é uma expectativa que o setor tem ainda para o curto prazo.

Em relação aos R$ 8 bilhões que estão contratados até 2018, não há riscos destes investimentos serem afetados pela atual conjuntura econômica do país?
Não. Os preços dos projetos que foram contratados neste ano, são considerados preços realistas. Eles já foram reajustados pela alta do dólar, então, o próprio Governo Federal tomou o cuidado de revisar o seu preço de contratação da energia e os empreendedores também estão bem conscientes do cenário atual da economia brasileira e dos cenários nos próximos anos. Eles mantiveram seus preços em patamares adequados para que estes projetos saiam do papel e sejam, de fato, construídos.

A conclusão dos projetos é exclusiva de quem contratou?
A responsabilidade é dos empreendedores. Então, não existe chance desse projeto não entrar em operação e os empreendedores terem algum benefício com isso. É o contrário. Se eles não tiverem, não cumprirem com a sua parte do contrato, eles seriam penalizados por isso.  Logo, é do melhor interesse dos empreendedores e do setor fazer com que estes projetos cheguem à conclusão. Se tornem realidade.

Apesar da situação econômica do país, com este crescimento, então, o impacto financeiro vai ser positivo?
Sim. O impacto vai ser positivo uma vez que a energia solar fotovoltaica vai entrar, substituindo energia termoelétrica a custos mais elevado, que são utilizados pelas nossas termoelétricas de apoio do sistema e que tem operado, praticamente, em período integral. Então, vamos ter um benefício econômico. Ao mesmo tempo, a gente vai ter um benefício ambiental, uma vez que o impacto e a emissão de gases e de material particulado no nosso país será reduzido. E um benefício social importante, através da geração de novos empregos e possibilidade de desenvolvimento de uma nova cadeia produtiva no Brasil, de equipamentos e produtos de energia solar fotovoltaica.

O quanto o setor já empregou até hoje? E ainda pode empregar com os novos investimentos?
Estes são números um pouco difíceis de se conseguir. Mas uma usina fotovoltaica, para cada megawatt instalado por ano, ela gera, praticamente, mil empregos diretos. Quanto a empregos indiretos eles chegam a ser 3x mais que os diretos gerados. Isso significa que é um dos setores de energia elétrica que mais emprega para cada megawatts instalado por ano.

Com o que foi contratado nos últimos leilões, quanto deve ser a geração futura de empregos?
Se vão ser, mais ou menos, dois mil megawatts instalados em 2017, que foram os projetos contratados em 2014 e 2015. E, para o último leilão agora, mais mil megawatts, a gente vai ter uma geração de empregos na ordem de 30 mil, no processo de instalação desses sistemas. Por isso mesmo, a Absolar recomenda ao Governo Federal que, no ano seguinte, faça mais um leilão. Para contratar projetos para 2018, complementando o volume contratado, que atualmente está em 1 gigawatt, para 2 gigawatts. E, faça leilões para 2019, permitindo planejar os empregos desse ano subsequente.

O retorno financeiro e a manutenção destes empregos, pela situação econômica do país, pode ser diminuído a curto prazo?
Ao mesmo tempo que tivemos no país uma alta do dólar, que impacta negativamente a competitividade da energia solar fotovoltaica, nós tivemos também um aumento muito elevado da tarifa de energia elétrica. Na média nacional, é mais ou menos 50% esse incremento. Por conta disso, o impacto acabou sendo positivo. A nossa fonte continua reduzindo preço dos equipamentos e aumentando a sua eficiência. Então, quando a gente compara 2014 e 2015, a energia solar fotovoltaica, na verdade, tornou-se mais competitiva.

Em entrevistas passadas, o Sr. Afirmou que o setor chegaria a representar 1% da matriz energética brasileira com os projetos contratados. Essa projeção continua?
Eu tenho projeções mais atualizadas e, até 2024, a nossa expectativa é que o setor tenha 7 gigawatts de projetos em operação. Já construídos e gerando energia para o país. E, isto representará, mais ou menos, 4% da matriz energética brasileira. Somado a isso, também teremos um número grande de sistemas de micro e minigeração, que vão contribuir para reduzir o consumo de energia elétrica nas cidades, através dessa geração local e em cima do ponto de consumo.

O Governo do RN adotou o convênio  ICMS 16-2015, mas, ele ainda não está em operação. Nos Estados que isto já ocorre, na prática, tem sido benéfico?
Em São Paulo, no Ceará, em Pernambuco e no Tocantins, esses convênios já foram ratificados, através de um decreto estadual.  Na prática, a população e as empresas são isentas do recolhimento de ICMS na micro e minigeração. Eles já não pagam mais imposto sobre o que eles geram em seu próprio telhado e compensam com seu consumo. E, é fundamental que o Rio Grande do Norte faça a mesma coisa, para que a população tenha acesso a este benefício.

A maior demanda potiguar de energia solar fotovoltaica ainda é de empresas. Quais os fatores para isto?
Na verdade, por volta de 70% de todos os sistemas instalados no país, de micro e minigeração, são residenciais. Em número de sistemas. Em termos de potência, as empresas ainda representam um volume importante porque tem uma demanda de energia maior, então, seus sistemas são maiores. Mas, vemos que há um interesse grande tanto da pessoa física, porque possuem a tarifa mais cara e onde compensa mais rápido gerar sua própria energia, quanto das empresas, porque buscam sempre competitividade e tem, muitas vezes, acessos a linhas de financiamentos mais adequadas. Cada uma tem o seu diferencial.

Assim como na Energia Eólica, tem se visto um alto investimento no Piauí e na Bahia, até nos próprios leilões, com o número de projetos contratados. O RN está ficando para trás?
De forma alguma. Na realidade, o Rio Grande do Norte ele entra agora, como um Estado interessado em desenvolver energia solar. Ainda é muito cedo para dizer quem é a liderança de energia solar fotovoltaica no Brasil. Na prática, todos os Estados que tiverem interesse em se tornar referência nesse segmento podem, porque esse é um recurso muito bem distribuído no país. Diferentemente de outras fontes onde o recursos é muito concentrado em determinadas regiões. Na solar, o Brasil inteiro pode desenvolver sistemas com grande potencial. Por isso, é mais uma questão do Governo Estadual tomar a liderança, estabelecendo incentivos e reduzindo bareiras para o desenvolvimento da tecnologia, como reduções tributárias, condições de financiamento adequadas, um programa estadual de fomento à geração distribuída e ainda dar o exemplo, instalando em seus prédios públicos, e ter condições de se tornar referência no setor.

No RN, a Absolar enxerga quais limitações?
Felizmente, para a energia solar fotovoltaica, os equipamentos são muito modulares e eles podem ser facilmente transportados. Isso é muito simples. Então, não existe uma complexidade logística. O que a gente ainda precisa avaliar e melhorar são algumas questões de incentivo, como já mencionei, a questão tributária, que é um gargalo,  e também um envolvimento maior dos órgãos de licenciamento ambiental, para os projetos de maior porte, para que seja realizado de uma forma profissional, mas, célere. Rápida. Para que isso não cause um aumento de custo ao empreendedores.

Para 2016, o que podemos esperar?
Esse foi um ano, de fato, muito importante para o setor, muito positivo. E, a nossa expectativa para 2016, na verdade, é que a micro e minigeração continue acelerando seu crescimento, o mesmo para a geração distribuída e na centralizada recomendamos que o Governo Federal promova dois leilões. Um para 2018 e outro para 2019. Com isso, acreditamos que seja possível contratar um volume da ordem de gigawatts.

Quem
Rodrigo Sauaia tem 31 anos  e é diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Formação
Graduação em Química pela USP, mestrado em Energias Renováveis no Reino Unido e na Suiça, e doutorado em Energias Renováveis, com foco em Engenharia de Materiais e Energia Solar Fotovoltaica, pela PUC-RS e pelo Instituto Grael Hoffen, da Alemanha.

Fórum
Sauaia também falou sobre o crescimento da energia solar no Brasil durante o  Fórum Estadual de Energia do RN, em que foram destaques, ainda, a expansão e os desafios da energia eólica em áreas como capacitação profissional e inovação tecnológica. O Fórum foi uma realização do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) e das Comissões de Energia e de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do RN e contou, entre outros, com o apoio do IBP, ABEEólica, Sebrae-RN, Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN – Seern, CTGás-ER e do Governo do Estado.

Fonte: Fernando Domingo | Tribuna do Norte

Energia renovável representa mais de 42% da matriz energética brasileira

Fonte: Portal Brasil

O Ministério de Minas e Energias (MME) prevê que até o fim de 2015 as energias renováveis correspondam a 42,5% de toda a matriz energética brasileira em 2015. O destaque fica para o crescimento da participação das energias renováveis alternativas à geração hidrelétrica, como a eólica, a solar e a biomassa.

Em dez anos, esse tipo de energia renovável cresceu 30%, passando de 2,8% de toda a oferta de energia interna em 2004 para 4,1% em 2014. A matriz energética do País é composta por diversas fontes, que também incluem, por exemplo, o petróleo e seus derivados, como a gasolina, e o gás de cozinha.

O secretário de Planejamento Energético do MME, Altino Ventura, explica que esse cenário faz parte da política do Ministério de diversificação da matriz energética brasileira, que considera uma forma mais eficiente do uso de recursos naturais do planeta.

“Essa composição de diferentes fontes faz com que o País tenha uma matriz mais limpa, porque ela tem uma participação pequena de emissões do chamados gases de efeito estufa, que contribuem para as mudanças climáticas no planeta”, disse.

Quando se considera apenas a geração de energia elétrica, a participação das energias renováveis é ainda maior. Até o final de 2015, espera-se que mais de 84% da energia elétrica gerada no País seja de fontes renováveis. As hidrelétricas ainda fazem parte de mais da metade da geração, mas outras fontes vão representar cerca de 16% de toda energia elétrica brasileira.

Segundo Ventura, a incorporação efetiva de outras formas de produzir energia, como a solar e a eólica, tem também uma necessidade de suprir o consumo de eletricidade de acordo com o cenário mundial de energia limpa.

“A partir dos anos 1970 até o 2000, o Brasil priorizou muito a hidreletricidade. Já temos uma indicação nos próximos 30 anos de que esgotaremos esse potencial. Então é importante que o Brasil desenvolva novas fontes para a produção de energia elétrica dentro da política de diversificar a matriz, o que temos feito nos últimos 15 anos”, explica.

O incentivo às energias renováveis pode ser considerado uma meta coletiva, não só do Ministério de Minas e Energia. O governo federal, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), investiu mais de R$ 97 bilhões em forma de financiamento para 285 inciativas de energias renováveis no período de 2003 a 2015. Somente na energia eólica, foram mais de R$ 19 bilhões em financiamento.

Energia dos ventos

Um dos maiores destaques das formas alternativas de geração de energia é a eólica. Neste ano, o País se tornou o 10º maior gerador de energia eólica no mundo, superando países como Portugal e Suécia, segundo Ranking Mundial de Energia e Socioeconomia. Até o final de 2015, o setor terá expansão de 62% em relação ao ano passado e irá representar 8,3% da oferta de energia elétrica no país.

A região Nordeste é a principal geradora de energia eólica no País. Segundo o secretário, o principal motivo para esse destaque, além do investimento, é a situação privilegiada do Brasil em recursos naturais.

“Nós temos vento de janeiro a dezembro. Isso faz com que a nossa usina eólica se torne mais competitiva, porque o custo da energia é menor. A mesma instalação no Brasil produz mais energia do que os países europeus, por exemplo”.

Ele ainda destaca que não só o Brasil está se tornando gerador de energia como fabrica a maior parte dos equipamentos utilizados. Segundo a presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Melo, o setor foi responsável pela criação de mais de 40 mil postos de trabalho em suas 270 instalações.

Outras fontes

Ainda em crescimento, a energia solar também vem conquistando seu espaço na matriz energética. Em agosto deste ano, o País fez o primeiro Leilão de Energia de Reserva com projetos solares fotovoltaicos, contratando 1.043,7 MWp (megawatts-pico) de potência de 30 projetos diferentes.

A estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê que até 2050, 13% de todo o abastecimento das residências no País seja feita pelas placas fotovoltaicas que aproveitam a energia solar.

No campo, Ventura destaca o pioneirismo do Brasil no uso da cana-de-açúcar como geração de energia. Os derivados da planta, como o etanol e a queima do bagaço, são hoje a segunda maior fonte energética brasileira, perdendo apenas para o petróleo. No período de 2004 a 2014, o País aumentou em 75% a produção de energia elétrica pelo bagaço de cana.

“O aproveitamento da cana-de-açúcar dessa forma só existe no Brasil, é tecnologia nacional. Podemos plantar essa energia no campo e produzir alimentos, sem competir um com o outro, e preservando nossos ecossistemas”, pontua.

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Fontes renováveis serão protagonistas no futuro da energia no Brasil

Até 2050, a demanda por energia elétrica no Brasil deve triplicar, segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia. Atendê-la com um sistema confiável, sustentável e acessível aos consumidores é um desafio. E ao mesmo tempo, apresenta uma série de boas oportunidades não só de negócio, mas de desenvolvimento da indústria nacional, de formação de mão de obra qualificada e de inclusão social.

“Estamos no meio de uma revolução na área de energia”, disse Wilson Ferreira, da CPFL, no começo do debate. “E o consumidor está no centro dessa revolução”. Os especialistas trataram dos grandes temas que pautam a discussão sobre o futuro da energia no Brasil: fontes renováveis e diversificação da matriz energética, geração distribuída e confiabilidade da rede, smart grids, inovação e eficiência.

Fontes renováveis e diversificação da matriz

Com cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território cortado por rios caudalosos, mais de sete mil quilômetros de litoral, bem como condições climáticas favoráveis, não surpreende que o Brasil já tenha quase 90% de sua matriz energética elétrica renovável.

O problema é que mais da metade dela está concentrada em energia hidrelétrica, o que ficou evidente com a seca que assolou o País em 2015, e acabou por contribuir para a elevação do preço da energia nacionalmente. “Mas toda crise tem seu lado positivo”, diz Marcos Costa, da GE. “Percebemos que não podemos ser tão dependente da geração hidrelétrica, precisamos diversificar”.

Fontes alternativas não faltam. Segundo Ferreira, da CPFL, se explorássemos todo potencial de geração de energia eólica e solar do país, por exemplo, que soma 440 mil MW, já teríamos três vezes mais energia que toda nossa capacidade instalada atualmente, que é de 140 mil MW. Hoje, porém, a capacidade instalada de geração eólica, a mais desenvolvida das duas, é de pouco mais de 6 mil MW, ou 4,8% do total, segundo dados do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico, de setembro de 2015, do Ministério de Minas e Energia.

Pode parecer pouco, mas não é. Afinal, o primeiro leilão para esse tipo de geração de energia foi em 2009, como lembra Elbia Silva Gannoum, da ABEEólica. “Começamos há pouco mais de cinco anos e já somos a 10ª economia do mundo em geração de energia eólica, e o 4º País do mundo que mais aumentou a capacidade instalada em 2014”, diz. “Geramos 40 mil postos de trabalho, investimos R$ 18 bilhões no ano passado, e vamos gerar mais de 50 mil postos de trabalho em 2015, com outros R$ 22 bilhões investidos”. As perspectivas e o ritmo de crescimento são tão bons que a estimativa é de que, até 2025, 25% da matriz de energia brasileira poderão ser de energia eólica. E ainda há a solar, de biomassa e outras variações de energia térmica.

Geração distribuída e confiabilidade da rede

Outra tendência no mercado de energia que rivaliza com a explosão das energias renováveis, com destaque para a eólica, é a geração distribuída. Segundo números da GE, até 2020, projetos de produção descentralizada de energia – em unidades menores, mais ágeis e próximas de quem vai usar a força produzida – receberão investimentos da ordem de US$ 200 bilhões em todo o mundo. No mesmo período, a taxa de crescimento desse tipo de produção será quase 40% superior à taxa de crescimento da demanda mundial por energia. “No caso das máquinas aeroderivadas, que chegam à potência nominal em apenas 10 minutos, podemos gerar entre 18 MW e 100 MW”, afirma Marcos Costa, da GE.

Segundo o executivo, trata-se de uma boa opção no Brasil para complementar a oferta de energia em horários de pico em indústrias, por exemplo, ou durante intermitências. O sistema, guardadas as devidas proporções, é o mesmo que funciona nas termelétricas espalhadas pelo país e que, em 2015, foram fundamentais para garantir a estabilidade e a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro durante a crise hídrica. “São sistemas que não só são confiáveis, mas também eficientes e limpos, principalmente quando funcionam com gás natural, que produz metade das emissões de sistemas que funcionam com diesel e carvão”, afirma Costa.

Há até a opção de usar lixo orgânico e o biogás que ele produz para rodar as turbinas, como já se faz em uma fazenda de porcos nas Filipinas, ou ainda uma fazenda leiteira na Índia. Nesses casos, o benefício pode ser triplo: não se emite o metano do biogás, gera-se energia e, se houver cogeração, aproveita-se o calor dos motores, o que faz a eficiência da máquina superar os 60%.

Smart grids, inovação e eficiência

Com a diversificação das fontes de geração de energia, a tendência é que o sistema elétrico se torne cada vez mais complexo. E isso é bom. Mas para aproveitar ao máximo as distintas fontes de energia em diferentes locais, a transmissão e distribuição terão que ser cada vez mais inteligente. É aí que entram as smart grids, ou redes inteligentes de distribuição de energia.

Funcionando em um sistema interligado nacionalmente e monitorado por uma infinidade de sensores, as smart grids poderão alocar energia de forma autônoma e eficiente para diferentes regiões em horários específicos, e identificar problemas na rede antes que eles interrompam o fornecimento. Elas também reduzem emissões e perdas, um problema no Brasil, onde 16,5% da energia gerada é perdida – 32% a mais que a média, estimada em 12,5%, pelo Banco Mundial. “A palavra de ordem é eficiência”, diz Wilson Ferreira, da CPFL, cuja aposta é a de que haverá cada vez mais demanda por gente especializada em smart grids.
A busca por eficiência, fundamental para garantir o futuro da energia no país, passa, invariavelmente, pelas inovações tecnológicas. Um exemplo recente da dependência saudável do setor por inovações é a lâmpada LED. Durante o racionamento do ano 2000, 99% das lâmpadas residenciais eram incandescentes e gastavam 94% de energia gerando calor, e apenas 6% gerando luz.

Hoje, as proporções de geração de luz e calor em uma lâmpada de LED são o inverso – e as lâmpadas duram 10 vezes mais. “A área de energia vai ser muito demandada por inovação e tecnologia”, diz José Carlos Miranda, presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). “Mas falta gente, somos carentes de pessoal capacitado”, afirma.

Elbia, da ABEEólica, faz coro. “Recentemente foram abertos dois cursos de mestrado e dois de graduação em energia eólica no País”, diz. “Mas ainda não estamos na velocidade do mercado”. Investir na formação e capacitação para este setor não é só garantir o futuro da energia no Brasil, mas também abrir um novo flanco de inteligência industrial que, em última instância, pode culminar na geração de tecnologia brasileira de ponta com grande potencial de exportação. “Somos o país da energia renovável”, diz Wilson, da CPFL. “São muitas as oportunidades por aqui”.

Fonte: Época Negócios

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