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Eólicas investirão R$ 2 bilhões no Rio Grande do Norte até 2021

Tribuna do Norte

Ricardo Araújo | Editor de Economia

O maior produtor de energia eólica no Brasil na atualidade poderá bater mais um recorde até 2021. O Rio Grande do Norte deverá atingir a marca dos 5 gigawatts (GW) de capacidade instalada com a entrada em operação dos 16 parques eólicos em construção e de outros 13 empreendimentos contratados nos mais recentes leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e que deverão ser construídos no período. Cerca de R$ 1,8 bilhão está envolvido na fase inicial de investimentos dos parques eólicos para os próximos três anos, além das linhas de transmissão, de acordo com o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). Hoje, o estado conta com 135 parques eólicos instalados com capacidade de geração posta de 3.678,9 megawatts (MW) – correspondente a 84,76% dessa matriz energética localmente.

Existem, porém, muitos desafios a serem superados para que o estado rompa os números atuais e chegue aos 5 GW num intervalo mais curto de tempo que seu concorrente mais próximo, a Bahia. A falta de linhas de transmissão para escoamento da energia produzida e de um porto que consiga dar vazão à logística envolvida na instalação dos parques eólicos no estado são pontos cruciais apontados pelo presidente do Cerne, Jean Paul Prates. Além disso, a Bahia está conseguindo expandir o número de empreendimentos em construção numa velocidade superior à potiguar e poderá ultrapassar a marca prevista pelo RN antes de 2021. Hoje, a Bahia é o segundo maior produtor de energia eólica do país, com 100 parques instalados e capacidade de geração de 2.594,5 MW e outros 2.425,75 MW de potência em construção.
“Há uma competição, um exercício de comparação saudável entre os estados brasileiros nesse quesito. O que interessa, porém, é que o setor cresça como um todo. Existem desafios comuns aos estados doRN, PB e CE, por exemplo, que são as linhas de transmissão. O momento atual é de consolidação do setor da energia eólica brasileira. O RN é pioneiro . Por termos sido líderes desde os primeiros leilões, lá em 2008, as dificuldades são sempre vistas aqui inicialmente”, aponta Jean Paul Prates.
Com os 135 parques eólicos em operação comercial, o RN encerrou o ano de 2017 com 1.455,3 MW médio de energia entregues ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O número representa crescimento de 20,7% em relação ao ano de 2016. Especialistas do Cerne afirmam que “apenas um terço do potencial eólico foi explorado até o momento no estado, que até 2003 encontrava-se na estaca zero no tocante à produção energética.” Com um potencial estimado em 10 GW, o incremento na produção eólica local depende da operacionalização dos empreendimentos em construção e, acima disso, do aprimoramento dos mecanismos técnicos, gerenciais e comerciais no setor.
“Temos um potencial ainda maior.  Aprimorar negócios, o ambiente operacional e atrair mais empresas precisam estar entre as metas dos empresários  e do governo estadual para que consigamos ampliar a produção. O RN é um dos ambientes mais atrativos do mundo para a energia eólica, mas precisamos vencer os desafios das linhas e transmissão e do porto”, ressalta Jean Paul Prates. Ele informa, ainda, que o único estado com potencial de ultrapassar o RN é a BA em decorrência da vastidão de terras disponíveis. A Bahia é maior que o RN.
Desde 2010, o RN é autossuficiente na geração de energia eólica. Hoje, a produção corresponde ao dobro do que é consumido internamente (média de 800 megawatts). “Era um estado que saiu do zero, praticamente, e em poucos anos atingiu a condição de exportador regional de energia e referência no setor de energia renovável tendo já passado um bom período como referência no setor de petróleo e gás, também”, relembra o presidente do Cerne.
VENTOS NORDESTINOS: Estados do RN, BA e CE são líderes na produção eólica
Rio Grande do Norte
135 parques eólicos instalados;
3.678,9 MW de capacidade instalada (3.592,6 MW em operação comercial e 86,3 MW em operação teste);
846,63 MW em parques em construção (381,7 MW estão em construção e 467,93 MW estão contratados);
Bahia
100 parques eólicos instalados;
2.594,5 MW de capacidade instalada (2.233,9 MW em operação comercial e 360,6 MW em operação teste);
2.425,75 MW em parques em construção (1.750,85 MW estão em construção e 674,90 MW estão contratados);
Ceará
74 parques eólicos instalados;
1.935,8 MW de capacidade instalada (1.738,4 MW em operação comercial; 98,7 MW em operação teste e 98,7 MW aptos);
229,3 MW em parques em construção (114,1 MW estão em construção e 115,2 MW estão contratados).

Um Nordeste movido pela força dos ventos

A cada dez parques eólicos erguidos no Brasil, oito estão no Nordeste. Os dados são do Cerne. Numa relação antagônica, a região mais pobre do País oferta os ventos mais ricos para a produção de energia a partir dessa força motriz. “Eles são fortes, constantes e unidirecionais, o que potencializa o trabalho dos aerogeradores. Desta forma, as máquinas não precisam mudar de posição o tempo todo para buscar o vento mais adequado do momento. Em alguns meses do ano, onde os ventos sopram com mais intensidade, a geração de energia pela força dos ventos garante 60% do abastecimento de todo o Nordeste”, acrescenta o Cerne.

No dia 23 de junho passado, a geração eólica bateu novo recorde no Nordeste atingindo 6.475 megawatts médios ou 70% da carga de energia elétrica deste subsistema, informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico.  O último recorde de geração média diária tinha ocorrido no dia 14 de setembro de 2017, quando foram produzidos 6.413 MW médios.

Junior Santos

O pico da geração eólica, ou geração instantânea, foi registrado às 10h09 do próprio dia 23 de junho, quando foram produzidos 7.311 MW. O montante equivale a 80% de toda a carga do Nordeste. O recorde de geração instantânea anterior havia acontecido no dia 25 de setembro de 2017, quando foram gerados 7.085 MW.
A geração eólica já corresponde a mais de 10% da geração de energia elétrica no Brasil – no dia 24 de junho passado, registrou 12,29% do total de carga enviada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) – e tem melhor performance no período de seca, quando as hidrelétricas estão gerando menos, do que no período chuvoso (novembro a abril).
Os reservatórios das hidrelétricas no Nordeste estão operando com 38,1% de armazenamento de água, o mais baixo entre as regiões do País, porém bem melhor do que no mesmo dia do ano passado, quando registrou armazenagem de 18,09%.
Já o subsistema Sudeste/Centro-Oeste registrava armazenamento de 40,7% em 24/6 deste ano contra 42,63% na mesma comparação; o Sul está com 49% dos reservatórios cheios, contra 64,48% há um ano; e o Norte tem 70,7% dos reservatórios de hidrelétricas cheios, ante 95,85% no mesmo dia de 2017.
Linhas de transmissão
O grupo indiano Sterlite saiu vitorioso da disputa pelo lote 3 do leilão de transmissão que aconteceu no fim do mês passado, em São Paulo. O grupo conquistou o maior projeto ofertado no certame ao propor-se a receber uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 85,050 milhões, para construir e operar o empreendimento. O montante corresponde a um deságio de 58,54% em relação à RAP máxima estabelecida para o empreendimento, de R$ 205.139.050,00.
A empresa superou outras 10 ofertas, incluindo de grupos como o Consórcio Columbia, formado por ISA Cteep e Taesa, Energisa, EDP Enegias do Brasil, Alupar, Neoenergia, Engie, Equatorial e um consórcio liderado pela espanhola Cymi, além do consorcio LARA/JAAC, com a empresa que obteve uma decisão liminar suspendendo o leilão pela manhã.
Esse grupo ofereceu o segundo maior deságio, de 56,12%, e recebeu uma vaia dos representantes dos demais proponentes quando o leiloeiro leu seu nome.
O lote 3 é composto por cinco linhas de transmissão e quatro subestações, localizadas entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, somando 541 quilômetros de extensão. O empreendimento exigirá investimentos de R$ 1,217 bilhão e deve gerar 2.434 empregos diretos, segundo estimativas da Aneel.
A agência explica que o projeto deve propiciar o atendimento às regiões de Mossoró, Aracati e Fortaleza e escoamento do potencial eólico e solar para a região de Aracati e Mossoró. O empreendedor terá 60 meses para concluir as obras.

“O RN tem sido nosso principal foco”

Com o crescimento dos investimentos nas energias renováveis, o Rio Grande do Norte já é considerado um dos principais estados do Brasil no tocante à geração de energia eólica. Sobre esse e outros assuntos, a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE conversou com o diretor-geral da Voltalia no Brasil, Robert Klein. Confira o bate-papo a seguir.

Qual a importância do complexo eólico Ventos da Serra do Mel para a Voltalia? 
O Ventos da Serra do Mel é o nosso maior projeto eólico no Brasil e mais um importante investimento da Voltalia no RN. Estamos planejando comissionamento progressivo das turbinas ao longo de 2020, até três anos antes do início dos contratos de venda de energia de 20 anos e essa antecipação nos permitirá começar a vender energia no mercado livre a preços atrativos por meio de contratos de curto prazo antes do início dos contratos de venda de longo prazo. O Brasil possui claramente um forte recurso eólico, alguns dos melhores ventos do mundo e por isso é um mercado potencialmente muito forte. Somado a isso, políticas adequadas para promover as energias limpas, fazem com o que o país se encaixe perfeitamente com as prioridades e capacidades da Voltalia, onde temos atividades em toda a cadeia de valor, do desenvolvimento à operação.
E em relação ao RN?
O Rio Grande do Norte tem sido o nosso principal foco, mas também estamos investindo em outros estados. O Rio Grande do Norte é uma região conhecida por suas excepcionais condições de vento, um dos principais estados que concentra a indústria eólica no país.
A Voltalia acredita que todas as linhas estarão em operação até a conclusão da instalação do parque? A transmissão é hoje o principal gargalo para as geradoras de energia?
É importante dizer que o escoamento de energia do novo parque Ventos da Serra do Mel não depende de obras de reforço do sistema de transmissão. Em paralelo, ainda que as linhas de transmissão sejam o principal gargalo para expansão de parques eólicos no Rio Grande do Norte, estamos bastante confiantes no futuro graças ao sucesso dos últimos leilões. Estamos certos que estes leilões vão fazer com que o estado possa voltar a ter uma grande capacidade de escoamento viabilizando, assim, milhares de novos MW de eólica.
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Linha de transmissão entre Rio Grande do Norte e Ceará deve girar R$ 1,2 bilhões em investimentos

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que vai leiloar concessões para a construção, operação e manutenção de 543 quilômetros (km) de linhas de transmissão no Ceará e no Rio Grande do Norte, que. Segundo a Aneel, as obras vão gerar 2.726 empregos diretos nos dois estados.

Ao todo, a agência vai leiloar aproximadamente 2,6 mil km de linhas de transmissão em 16 estados. Em uma das linhas a serem leiloadas que está inserida em solos cearense e potiguar, o investimento previsto é de R$ 1,2 bilhão para 541 km de linha com potência de 3.300 megavolt-amperes (MVA) em um prazo de 60 meses, que gerará 2.434 empregos diretos.

Além disso, também será leiloada outra linha no Ceará com 2 km de extensão e potência de 450 MV, com previsão de investimento de R$ 102 milhões e geração de 24 empregos diretos.

Subestações

O edital do certame foi aprovado na última terça-feira (15) em reunião pública da diretoria da Aneel. Além das linhas de transmissão, o leilão contará com 12,2 mil MVA de capacidade de transformação em subestações. No certame são estimados cerca de R$ 6 bilhões em investimentos e geração de 13,6 mil empregos diretos.

De acordo com o informe da Aneel, o leilão deve acontecer dia 28 de junho, na sede da B3 em São Paulo, concessões para a construção, operação e manutenção de aproximadamente 2,6 mil km de linhas de transmissão em 16 estados.

“O leilão será dividido em 20 lotes. As instalações deverão entrar em operação comercial no prazo de 36 a 63 meses, a partir da data de assinatura dos contratos de concessão”, detalhou a Agência em nota publicada em seu portal na internet.

No certame, conforme a estimativa divulgada pela Aneel, são estimados cerca de R$ 6 bilhões em investimentos a partir da construção e manutenção das linhas de transmissão de energia, além da geração de 13,6 mil empregos diretos a partir destes empreendimentos.

Fonte: Diário do Nordeste

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Iberdrola investirá R$ 3 bilhões no Rio Grande do Norte

O grupo espanhol Iberdrola anunciou na sexta-feira, 11, que irá investir R$ 3 bilhões em novos projetos de distribuição de energia elétrica, além de parques eólicos. O anúncio foi feito em audiência com representantes do Governo do Estado. Os recursos deverão ser usados nos próximos cinco anos. Para discutir os investimentos, o governador Robinson Faria se reuniu com o presidente mundial da Iberdrola, Ignácio Galán, representantes do grupo Neoenergia e da Cosern, que fazem parte da multinacional.

O presidente da Iberdrola, Ignácio Galán, explicou que o primeiro parque eólico do grupo foi instalado no Rio Grande do Norte no município de Rio do Fogo. “Nossa empresa possui 11 parques eólicos no estado e com os novos investimentos, pretendemos duplicar a capacidade de energia gerada atualmente”, informou. Participaram também da reunião o diretor presidente do grupo Neoenergia, Mário Ruiz-Tagle, a diretora presidente adjunta da Neoenergia, Solange Ribeiro, e o diretor presidente da Cosern, Luiz Antonio Ciarlini.

Durante o encontro, o governador Robinson Faria ressaltou o trabalho do Executivo estadual para atrair empresas deste setor e gerar emprego e renda. “O Rio Grande do Norte é o maior produtor de energia eólica do Brasil e mais de 60% dessa produção só foi possível graças ao nosso esforço em agilizar licenças ambientais e garantir a segurança jurídica aos empresários. Estamos felizes com mais essa notícia e somos parceiros de pessoas que acreditam no potencial do nosso estado”, destacou o governador.

Iberdrola
É a maior geradora de energias renováveis da Europa e dos Estados Unidos, uma das cinco maiores companhias elétricas do mundo e líder mundial em energia eólica. A empresa possui 28 mil funcionários em 31 países e, no Brasil, por meio da Neoenergia, é controladora da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern).

Fonte: Tribuna do Norte

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BNDES reduz taxa de juros e amplia prazo de financiamentos em infraestrutura a até 34 anos

BNDES baixou o juro de 1,7% para 0,9% ao ano nos empréstimos feitos pelo banco para projetos acima de R$ 20 milhões nas áreas de segurança pública, saneamento, energia solar, inovação; e nas linhas voltadas à exportação

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta terça (6) a redução de taxa de juros de suas principais linhas em setores específicos.

Nos empréstimos feitos pelo BNDES, é cobrada a TLP (taxa de longo prazo válida desde janeiro), mais um spread, que remunera o banco. É esta taxa que foi reduzida nas principais linhas.

Em linhas gerais, o BNDES baixou o juro de 1,7% para 0,9% ao ano nos empréstimos feitos pelo banco para projetos acima de R$ 20 milhões nas áreas de segurança pública, saneamento, energia solar, inovação; e nas linhas voltadas à exportação.

Também nos projetos de grande porte, mas voltados às áreas de mobilidade, energia eólica, geração, transmissão e distribuição de energia, a redução foi um pouco menor, de 1,7% para 1,3% ao ano.

Em alguns dos empréstimos indiretos (aqueles que são repassados por outros bancos), como os que envolvem a compra de ônibus e caminhões por pequenas e médias empresas, a queda foi de 1,87% para 1,27% ao ano.

Em algumas linhas, no entanto, houve aumento. Como nos empréstimos para equipamentos importados sem similar nacional (de 1,7% para 2,1% ao ano), e a compra de ônibus e caminhões por grandes empresas (de 1,87% para 2,1%). A alta mais expressiva foi em capital de giro para grandes empresas, de 1,27% para 2,1% ao ano.

O BNDES também alongou o prazo de financiamento em alguns casos, como projetos de ferrovias, rodovias, hidrovias e mobilidade urbana, de 20 anos para até 34 anos. Em energias alternativas, esse prazo pode chegar a 24 anos. Capital de giro se mantém em 5 anos.

Com as mudanças, disse o presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, o spread médio do banco caiu de 1,7% para 1,3% ao ano.

Segundo ele, cerca de 85% das operações do banco contarão com taxas mais baixas ou similares às cobradas anteriormente.

TLP Nos empréstimos feitos pelo BNDES, a TLP (taxa de longo prazo) incide desde janeiro, em substituição a TJLP. Inicialmente, ela é igual à TJLP, mas em cinco anos, gradualmente, se igualará à taxa de mercado, tomando como base um dos títulos da dívida pública, a NTN-B.

Segundo o banco, a TLP ficou em de cerca de 2,7% em janeiro, mais a inflação do período do contrato.

A diretoria aprovou as mudanças nos juros hoje, que passam a valer nos próximos dias.

O objetivo é acelerar os empréstimos do banco e o desenvolvimento da economia.

O presidente disse ainda que seria desejável conseguir influenciar a redução de taxas dos bancos comerciais.

Pagamento ao Tesouro

Rabello de Castro confirmou a devolução de R$ 30 bilhões em recursos do banco ao Tesouro.

“Acredito que hoje o BNDES, o Carlos Thadeu [diretor financeiro do banco] deve enviar o cheque de R$ 30 bilhões”, disse.

Fonte: FolhaPress | Marina Lima

Foto: Adriano Abreu

‘O RN não está ficando para trás’, diz Jean-Paul Prates

Reconhecido no mundo por ser “um país tropical e abençoado por Deus” na abundância de belezas naturais e sol o ano inteiro, o Brasil está chamando mais atenção dos investidores internacionais com negócios ligados à geração de energia solar. Nos próximos anos, ao lado da que é gerada pela força dos ventos, essa deverá ser a modalidade com maior expansão no Rio Grande do Norte.

O sol a pino que castiga os sertanejos e seca, ainda mais, os reservatórios de água, poderá se tornar um aliado no desenvolvimento do Seridó e do Alto Oeste potiguar, em decorrência da elevada incidência de raios solares que poderão alimentar as fontes geradoras de energia. Não basta, porém, a força do sol para que o estado se torne destaque, assim como o é na eólica, na geração de energia solar.

De acordo com Jean Paul Prates, é preciso se estruturar para atrair mais investimentos. Acompanhe a análise na entrevista a seguir.

Qual o atual panorama da geração de energia solar no Rio Grande do Norte? Qual a potência instalada e o quantitativo de energia gerado nessa fonte atualmente?
Atualmente, o RN tem seis usinas fotovoltaicas em operação comercial, somando 117,10 MW em potência instalada. A matriz de oferta de energia do estado tem 84,76% de usinas eólicas, 2,79%  de fotovoltaicas e 12,44% de termelétricas. Há ainda duas usinas fotovoltaicas já contratadas no Rio Grande do Norte em construção, que deverão adicionar mais 66 MW até o fim deste ano. O estado tem atraído o interesse de investidores para geração de grande porte e deverá apresentar um número crescente de projetos fotovoltaicos nos próximos leilões federais. Em relação à geração distribuída, que é a mini/micro geração no consumidor final, o crescimento tem ocorrido também sendo de se destacar as 21 usinas próprias do IFRN instaladas em 17 municípios.

Em quais estados estão os maiores potenciais para exploração dessa fonte energética e quais são os mais evoluídos nesse processo exploratório? 
O mapa de potencial solar do Brasil aponta regiões como o Seridó (potiguar e paraibano) e a nossa “tromba do elefante” como áreas de insulação máxima. Mas há áreas de grande potencial em todo o Brasil. O recurso solar é bem mais difuso e capilarizado do que o vento, no Brasil. Estados como o Piauí e a Bahia têm trabalhado o desenvolvimento de seus interiores para empreendimentos solares. Mas o RN não está ficando para trás. A nossa liderança em eólica ajuda muito no processo de conhecimento do nosso território pelos empreendedores, e há também a possibilidade de viabilizar projetos híbridos (eólico-solares) de grande porte no curto prazo.

A burocracia brasileira impede que o setor se expanda mais rapidamente? Por quê e como e possível reverter esse quadro?
Não creio. O histórico de consolidação destes setores no Brasil foi até bastante rápido, e a curva de crescimento será bem acentuada nos próximos anos. Praticamente todos os estados brasileiros aderiram ao Convênio que isenta o ICMS da geração distribuída, onde 99% dos sistemas são solar-fotovoltaicos. Há linhas de crédito bem favorecidas para esta atividade também, já desenvolvidas – inclusive por bancos públicos como o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil. A burocracia, no mais, é a usual de toda atividade econômica – nem maior nem menor. Já são mais de 21 mil sistemas de micro/mini geração instalados no Brasil, totalizando mais de 170 MW. Ainda são números tímidos – considerando-se o potencial imenso que o Brasil tem nesta área, mas o crescimento tem sido rápido e consistente.

A entrada do Brasil na IRENA poderá contribuir para essa transição de qual maneira e a partir de quando?
Considero a participação na IRENA um passo natural para o Brasil. Afinal, há dez anos, iniciamos este processo inédito de leilões reversos que vem ensinando ao mundo como incentivar a geração eólica e solar sem subsídios diretos. Além disso, dentre as grandes economias do mundo, o Brasil é a matriz energética mais renovável. Portanto, o Brasil tem muito a contribuir, e também tem muito a aprender, imediatamente, com os importantes projetos globais e estudos da Agência Internacional de Energia Renovável.

Em relação à formação de mão de obra para atuação nesse setor, o Brasil é bem atendido ou precisa importá-la de outros países, a exemplo do que ocorreu por muitos anos com a energia eólica?
Não creio que tenhamos que importar mão de obra, absolutamente. Apesar do crescimento acelerado nesta área, o Brasil tem plenas condições de formar pessoas para trabalhar com esta tecnologia. Entidades como o SENAI e os Institutos Federais, em todo o Brasil, assim como entidades setoriais, escolas especializadas e universidades, públicas e privadas, já oferecem uma boa quantidade de cursos teóricos e práticos a respeito. O que temos que nos preocupar é com a qualidade e a credibilidade dessas ofertas. Eu sempre recomendo que os interessados tenham cuidado ao escolher. Há muita picaretagem neste setor, devido ao rápido crescimento. Entidade sérias devem ter a prioridade na hora da escolha. Do contrário, a formação fica deficiente e o valor do certificado é posto em dúvida pelo empregador.

O Rio Grande do Norte é um dos estados brasileiros com grande potencial na geração de energia fotovoltaica. O CERNE, em parceria com a ABSOLAR, tem algum estudo específico em relação ao estado? O que ele aponta?
Sem dúvida, do ponto de vista do recurso solar em si, o RN é um dos estados brasileiros com maior potencial. No entanto, diferentemente do que acontece com o nosso vento, que é bem diferenciado de outras regiões do Brasil e do mundo, a insulação é um fenômeno bem mais comum no território brasileiro. Isso faz com que tenhamos que nos preparar ainda melhor para oferecer boas condições para o investimento e para propiciar canais para gerar trabalho e renda na economia local. Assim como ocorre com a Abeeólica, o CERNE trabalha em constante cooperação com a ABSOLAR em várias frentes de debate e concepção de diretrizes. Atualmente, estamos trabalhando na finalização de três programas regionais: um para a região do Seridó (“Seridó Solar”), outro para o Oeste Potiguar (“Oeste Solar”) e a progressão do Projeto Rota dos Ventos, na sua frente relacionada com energia solar, para o eixo de influência da BR-406, que abrange o Mato Grande e o Litoral Norte. Estes planos regionais abrangem ações governamentais locais e também a mobilização de lideranças sociais e econômicas, visando a estabelecer condições para o investimento externo e local na cadeia industrial do setor.

Existe a possibilidade de liderarmos a produção na matriz solar assim como o fazemos na eólica. Do que isso depende?
Não. Temos que ser realistas. O nosso vento é especial e só tem comparativo no nosso vizinho Ceará, no interior da Bahia e em regiões muito específicas do Piauí, da Paraíba e de Pernambuco. Somos muito especiais em matéria de vento. Tanto que a Bloomberg [um dos principais serviços de informação econômico-financeira do mundo] há algumas semanas deu uma matéria de capa sobre o RN com uma manchete que dizia: “a melhor brisa do mundo”, referindo-se à geração eólica daqui. Em relação à energia solar, temos condições de ter um aproveitamento per capita (por habitante) muito significativo, no médio prazo. Podemos desenvolver muito o nosso interior, não só em atividades econômicas como em conforto para a vida em geral, com a geração distribuída baseada em sistemas fotovoltaicos. Mas liderar o quadro nacional de geração solar de grande porte é um desafio quase impossível diante da abundância de territórios dos nossos estados vizinhos, com mesmo potencial. Além disso, temos o fato de dependermos do escoamento para outras regiões, pois o nosso consumo volumetricamente já está plenamente atendido. Precisamos de linhas de transmissão. Em regiões como Minas Gerais e o interior de São Paulo, por exemplo, há potencial solar e eles estão dentro do mercado consumidor, praticamente. Uma coisa, no entanto, é certa: somos e seremos sempre importantes neste setor – mesmo que não sejamos os líderes isolados, como na eólica. E temos muito a fazer para honrar este potencial que temos.

Quem
Jean-Paul Prates é advogado e economista. Mestre em Planejamento Energético e Gestão Ambiental pela Universidade da Pennsylvania; Mestre em Economia do Petróleo pelo Instituto Francês do Petróleo. Participou da elaboração do marco regulatório da atual indústria do petróleo do Brasil. Foi Secretário de Estado de Energia do RN. Atualmente, dirige o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, voltado para estratégias públicas e privadas nestes setores. Preside o SEERN – Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN.

Fonte: Tribuna do Norte | Ricardo Araújo
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FNE Sol multiplica projetos de energia renovável no RN

O Rio Grande do Norte foi o Estado que mais recebeu crédito do Banco do Nordeste para projetos de micro e minigeração distribuída de energia para consumo próprio dos empreendimentos, em 2017. Os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE Sol) totalizaram R$ 9,95 milhões e beneficiaram 59 clientes.

O desempenho potiguar corresponde a 22,3% das operações gerais com a linha de crédito e 21,6% dos investimentos. O FNE Sol foi lançado em meados de 2016, como forma de contribuir para a sustentabilidade ambiental da matriz energética da Região Nordeste.

A procura pela linha de crédito é crescente na rede de agências do Banco, movimento que já havia sido detectado em diagnóstico traçado pela Superintendência do BNB no RN, durante a programação do FNE 2018. O processo, que tem a participação dos principais atores econômicos do Estado, apontou para o foco dos empreendedores no “aumento da eficiência, realizando investimentos em modernização e geração própria de energia”.

Quem venceu o receio de investir na energia renovável, comemora os resultados. Na Aço Brasil, empresa de beneficiamento de aço inox, com foco na produção e venda de móveis, ferragens e acessórios, a instalação de dois sistemas de energia, um na fábrica, em Parnamirim, outro na loja própria, em Natal, resultou numa economia significativa na conta de energia elétrica, maior que a prestação paga ao Banco do Nordeste pelo financiamento.

“Na soma dos dois projetos, chegamos perto de atingir 100% da geração planejada. Acredito que fizemos o investimento na hora certa e, se já estamos satisfeitos com as parcelas do empréstimo menores que a conta de energia, imagina com o reajuste anunciado de 14% na tarifa? E a ajuda do BNB para fazer tudo isso dar certo foi muito interessante”, diz Antônio Pitta, sócio da Aço Brasil.

A Superintendência do RN adotou a estratégia de estruturar, com parceiros, o mapeamento e a divulgação do FNE Sol junto aos empresários do setor de supermercados, dos meios de hospedagem e ainda discutir mecanismos de facilitação do acesso à linha de crédito para as empresas da cadeia de energia fotovoltaica (representantes, instaladores, montadores e epcistas).

“Estamos trabalhando para fazer chegar ao conhecimento dos empreendedores mais remotos as vantagens do FNE Sol. A linha de crédito está se popularizando e, com a redução das taxas de juros do FNE, as perspectivas para 2018 são as melhores possíveis”, diz o superintendente do BNB no Estado, Fabrizzio Feitosa.

RN RENOVÁVEL

De acordo com dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), o Rio Grande do Norte é autossuficiente na geração de energia elétrica desde 2014. No Estado, 84,8% da capacidade instalada vêm de usinas eólicas, 12,4% de termelétricas e 2,8% de  fotovoltaicas. A depender da atuação do Banco do Nordeste, a participação da energia solar nessa equação só tende a aumentar.

Ainda segundo o Cerne, não há uma medição da fonte fotovoltaica distribuída, para consumo próprio. Na geração centralizada, onde o empreendedor gera a energia de fonte solar para venda, o Estado tem 6 usinas fotovoltaicas em operação comercial (quatro delas ligadas no final de 2017), somando  117,10 MW. Há também duas usinas contratadas, que devem acrescentar 66 MW ao sistema fotovoltaico potiguar.

Fonte: Banco do Nordeste

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Investimento em energia renovável segue em alta no Rio Grande do Norte

O Brasil deve atrair gigantes globais do mercado de energia em leilões para contratação de novos projetos de geração renovável previstos para este ano.

O Rio Grande do Norte está bem na foto com a consolidação dos projetos eólicos, e avança na energia solar.

Os custos da energia dos ventos e solar tem caído nos últimos anos. E o investimento tende a crescer nas duas fontes.

No Brasil, a alta de 10% nos investimentos em energia renovável pode ser atribuído, em parte, a retomada dos leilões do setor, principalmente no final do ano passado, depois de uma pausa de dois anos Por meio desses certames foram contratados novos projetos das fontes eólica e solar.

Nesta sexta-feira (19/01) o Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, concedeu entrevista para o Jornal da 96FM e fez um balanço do setor energético do Rio Grande do Norte, e perspectivas para 2018.

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Brasil contrata energia eólica e solar a preço mais baixo que hídrica pela 1ª vez

O Brasil fechou nesta semana a contratação de novas usinas de energia eólica e de geração solar a preços menores que os de hidrelétricas, que são tradicionalmente o carro-chefe e a mais barata fonte de produção de eletricidade no país.

Os leilões de segunda e quarta-feira para contratação de energia registraram fortes deságios ante os preços teto estabelecidos pelo governo, em meio a uma acirrada disputa dos investidores interessados em construir os empreendimentos, que deverão ser entregues entre 2021 e 2023.

Os resultados mostraram a sede de investidores como Enel Green Power, AES Tietê e EDP Renováveis em vender energia renovável nos primeiros leilões para projetos eólicos e solares desde 2015, após o governo cancelar licitações no ano passado devido à falta de demanda por eletricidade em meio à crise financeira do país.

“Tivemos quase dois anos sem leilão, então isso faz com que os fornecedores… mergulhem o preço, e isso ajuda a explicar o preço baixo. Mas ainda assim, se você me perguntasse duas semanas atrás, eu não esperaria que rompessem patamares tão baixos”, disse à Reuters o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rego.

“A conjuntura favoreceu, a taxa de juros está caindo, isso acaba interferindo no resultado”, acrescentou o consultor.

No leilão A-6 desta quarta-feira, os projetos eólicos chegaram a negociar a venda da produção futura por um preço médio de cerca de 98 reais por megawatt-hora, contra uma mínima recorde anterior, em licitação de 2012, de quase 119 reais atualizado pela inflação.

Na contratação da segunda-feira, o chamado leilão A-4, as usinas solares praticaram preços médios de cerca de 145 reais, contra uma mínima de 245 reais de um pregão de 2014.

Enquanto isso, as hidrelétricas tiveram preço médio de cerca de 219 reais nesta quarta-feira, contra valores médios entre 218 e 213 reais de usinas termelétricas a biomassa e gás natural.

DISPUTA ACIRRADA

O resultado histórico para as renováveis, com forte deságio frente aos preços teto estabelecidos para os leilões, foi fruto de enorme disputa entre investidores para fechar os contratos de longo prazo para entrega de energia às distribuidoras.

Por parte dos investidores, destacaram-se estrangeiros, como os italianos da Enel Green Power, com projetos eólicos e solares e presença nos dois certames, a AES Tietê, da norte-americana AES Corp, que viabilizou usinas solares, além da EDP Renováveis, da portuguesa EDP, e da francesa Voltalia, que também viabilizaram empreendimentos.

Juntos, os dois leilões realizados nesta semana acrescentarão cerca de 4,5 gigawatts em capacidade à matriz brasileira, sendo 674,5 megawatts para entrega em 2021 e 3,8 gigawatts para conclusão em 2023.

Os empreendimentos contratados deverão somar mais de 18 bilhões de reais em investimentos para serem implementados, com a maior parte, ou quase 14 bilhões de reais, associada aos empreendimentos com entrega para 2023.

Os resultados comprovaram expectativas do mercado, de uma licitação mais movimentada para os empreendimentos com maior prazo de conclusão, devido à perspectiva de gradual recuperação da economia brasileira após a recessão enfrentada em 2015 e 2016.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Foto: Dow Chemical

Investimento estrangeiro em infraestrutura sobe 500% no ano

O ingresso de capital externo para atividades de infraestrutura no Brasil cresceu mais de 500% no primeiro quadrimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2016, atingindo a marca de US$ 11,4 bilhões. O fluxo representa mais de 50% do investimento direto no país para operações de participação no capital registrado pelo Banco Central (BC) de janeiro a abril, um total de US$ 21,5 bilhões.

Analistas de mercado projetam, no entanto, que esse desempenho poderá sofrer uma diminuição acentuada a partir deste mês, em virtude da nova crise política que envolve diretamente o presidente Michel Temer, embora essa reação não signifique que investidores e operadores de infraestrutura “estejam desistindo do país”.

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“Basicamente quando um investidor vai botar dinheiro num projeto ele considera riscos e retorno. Ambos são mensuráveis. Incerteza não dá para medir”, afirma o economista Cláudio Frischtak. “Hoje estamos no pântano da incerteza. Enquanto esse véu de incerteza não for levantado, os investidores vão esperar. Isso não significa desistência, não conheço ninguém que tenha desistido do país”, conclui. Frischtak é especialista na área de infraestrutura da consultoria Inter.B.

O Banco Central já reduziu em quase 50% a projeção do IDP total de maio, mas não informou se a decisão tem a ver com a crise política. Neste mês a autoridade monetária prevê um fluxo líquido de US$ 2,8 bilhões em investimentos diretos, ante US$ 5,577 bilhões registrados em abril.

“Momentos de indefinição deixam o Brasil em condição mais desfavorável para disputar recursos com outros países, lembrando que a oferta não é tão grande como foi em 2011 e 2012. Agora disputamos volume menor de recursos”, comenta, Luís Afonso Lima, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet).

Apesar do potencial revés colocado pelo quadro político, o investimento direto no país destinado à infraestrutura tem a vantagem de ser um capital com características de longo prazo e deve continuar ajudando as contas externas brasileiras, avalia Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria. Campos Neto revela que manteve as projeções da consultoria para o IDP neste ano em US$ 78 bilhões. Nos últimos 12 meses encerrados em abril, o IDP totalizou US$ 84,7 bilhões, somando participação no capital e empréstimos intercompanhia.

“Claro que depende muito do cenário político, é uma ressalva que estará sempre presente, mas os números devem se manter robustos porque já há muita decisão tomada. E também estamos falando de nichos atrativos da infraestrutura, impulsionados pela recente agenda de concessões”, avalia Campos Neto, citando possíveis privatizações no setor elétrico e os leilões de óleo e gás que devem ocorrer ao longo do ano.

Considerando apenas as operações de participação no capital – um investimento sem caráter especulativo – o IDP em infraestrutura (aeroportos, rodovias, saneamento, energia, telecomunicações, obras) representou 53% dos recursos que ingressaram no país de janeiro a abril (US$ 21,5 bilhões).

Esse montante contempla, entre outras coisas, as concessões de quatro aeroportos federais, a privatização da Companhia Elétrica de Goiás (Celg) e os leilões de transmissão de energia elétrica, duas concessões de rodovias no interior de São Paulo e aportes para compra e expansão de empresas de saneamento básico no Brasil, com destaque para a operação envolvendo a gigante canadense Brookfield e a Odebrecht Ambiental.

Setorialmente, as atividades ligadas à infraestrutura aumentaram seu peso dentro dos ingressos para participação no capital, de 15,9% para 52,9% levando em conta a comparação nos primeiros quatro meses de 2016 e 2017, enquanto a participação de indústria e agricultura regrediu.

Energia elétrica, transportes e saneamento lideram o avanço das entradas de capital estrangeiro em infraestrutura no primeiro quadrimestre do ano. No período, o IDP em energia atingiu US$ 5,560 bilhões, quase o dobro do total registrado em 2016 inteiro. Os ingressos em transportes, que envolvem operação de rodovias, saíram de US$ 44 milhões de janeiro a abril de 2016 para US$ 3,9 bilhões nos primeiros quatro meses deste ano. Na mesma comparação, a conta saneamento (captação, tratamento e distribuição de água) saiu de US$ 2 milhões para US$ 927 milhões.

Fonte: Valor Econômico | Luciano Máximo

Foto: Sartori Advogados

Setor elétrico movimenta US$ 7,7 bilhões em fusões e aquisições no Brasil

No ano passado, as operações de fusões e aquisições no setor elétrico e de serviços de utilidade pública nas Américas movimentaram US$ 99 bilhões, de acordo com relatório da E&Y. Para a consultoria, o Brasil e a Argentina despontaram como mercados aquecidos para receber os investimentos. Só o Brasil movimentou US$ 7,7 bilhões, em 18 operações.

O nível das atividades só aumentou ao longo do ano: de US$ 809 milhões (duas operações) no primeiro trimestre, para US$ 954 milhões (duas operações) no segundo, US$ 1,935 bilhão (três operações) no terceiro e, finalmente, US$ 4,062 milhões no último trimestre do ano (de dez operações).

Entre os negócios fechados estão, por exemplo, a venda de ativos hidrelétricos da Duke Energy para a China Three Gorges e de participação na CPFL para a State Grid, além da compra da Celg D pela Enel.

Em 2017…

Para a E&Y, algumas das tendências de fusões e aquisições para o setor de energia elétrica e prestação de serviços públicos (como a distribuição) são: a maior atividade envolvendo ativos renováveis, o ingresso de empresas e fundos de investimento chineses, que continuam buscando diversificar seus portfólios, e a saída de companhias para seus mercados domésticos, como ocorreu com a Duke.

Além disso, a consultoria avaliou, em relatório sobre o terceiro trimestre, que “a instabilidade política, as flutuações cambiais, a seca e baixa demanda de energia tornam os negócios no Brasil desafiadores”. Mais uma vez, a saída da Duke é citada como exemplo.

Por outro lado, avalia a consultoria, as empresas de serviços públicos chinesas, com uma dívida barata dos bancos domésticos e uma clara intenção de expansão para mercados emergentes, estão agressivas no mercado brasileiro.

Fonte: Brasil Energia | Lívia Neves