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Eólicas investirão R$ 2 bilhões no Rio Grande do Norte até 2021

Tribuna do Norte

Ricardo Araújo | Editor de Economia

O maior produtor de energia eólica no Brasil na atualidade poderá bater mais um recorde até 2021. O Rio Grande do Norte deverá atingir a marca dos 5 gigawatts (GW) de capacidade instalada com a entrada em operação dos 16 parques eólicos em construção e de outros 13 empreendimentos contratados nos mais recentes leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e que deverão ser construídos no período. Cerca de R$ 1,8 bilhão está envolvido na fase inicial de investimentos dos parques eólicos para os próximos três anos, além das linhas de transmissão, de acordo com o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). Hoje, o estado conta com 135 parques eólicos instalados com capacidade de geração posta de 3.678,9 megawatts (MW) – correspondente a 84,76% dessa matriz energética localmente.

Existem, porém, muitos desafios a serem superados para que o estado rompa os números atuais e chegue aos 5 GW num intervalo mais curto de tempo que seu concorrente mais próximo, a Bahia. A falta de linhas de transmissão para escoamento da energia produzida e de um porto que consiga dar vazão à logística envolvida na instalação dos parques eólicos no estado são pontos cruciais apontados pelo presidente do Cerne, Jean Paul Prates. Além disso, a Bahia está conseguindo expandir o número de empreendimentos em construção numa velocidade superior à potiguar e poderá ultrapassar a marca prevista pelo RN antes de 2021. Hoje, a Bahia é o segundo maior produtor de energia eólica do país, com 100 parques instalados e capacidade de geração de 2.594,5 MW e outros 2.425,75 MW de potência em construção.
“Há uma competição, um exercício de comparação saudável entre os estados brasileiros nesse quesito. O que interessa, porém, é que o setor cresça como um todo. Existem desafios comuns aos estados doRN, PB e CE, por exemplo, que são as linhas de transmissão. O momento atual é de consolidação do setor da energia eólica brasileira. O RN é pioneiro . Por termos sido líderes desde os primeiros leilões, lá em 2008, as dificuldades são sempre vistas aqui inicialmente”, aponta Jean Paul Prates.
Com os 135 parques eólicos em operação comercial, o RN encerrou o ano de 2017 com 1.455,3 MW médio de energia entregues ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O número representa crescimento de 20,7% em relação ao ano de 2016. Especialistas do Cerne afirmam que “apenas um terço do potencial eólico foi explorado até o momento no estado, que até 2003 encontrava-se na estaca zero no tocante à produção energética.” Com um potencial estimado em 10 GW, o incremento na produção eólica local depende da operacionalização dos empreendimentos em construção e, acima disso, do aprimoramento dos mecanismos técnicos, gerenciais e comerciais no setor.
“Temos um potencial ainda maior.  Aprimorar negócios, o ambiente operacional e atrair mais empresas precisam estar entre as metas dos empresários  e do governo estadual para que consigamos ampliar a produção. O RN é um dos ambientes mais atrativos do mundo para a energia eólica, mas precisamos vencer os desafios das linhas e transmissão e do porto”, ressalta Jean Paul Prates. Ele informa, ainda, que o único estado com potencial de ultrapassar o RN é a BA em decorrência da vastidão de terras disponíveis. A Bahia é maior que o RN.
Desde 2010, o RN é autossuficiente na geração de energia eólica. Hoje, a produção corresponde ao dobro do que é consumido internamente (média de 800 megawatts). “Era um estado que saiu do zero, praticamente, e em poucos anos atingiu a condição de exportador regional de energia e referência no setor de energia renovável tendo já passado um bom período como referência no setor de petróleo e gás, também”, relembra o presidente do Cerne.
VENTOS NORDESTINOS: Estados do RN, BA e CE são líderes na produção eólica
Rio Grande do Norte
135 parques eólicos instalados;
3.678,9 MW de capacidade instalada (3.592,6 MW em operação comercial e 86,3 MW em operação teste);
846,63 MW em parques em construção (381,7 MW estão em construção e 467,93 MW estão contratados);
Bahia
100 parques eólicos instalados;
2.594,5 MW de capacidade instalada (2.233,9 MW em operação comercial e 360,6 MW em operação teste);
2.425,75 MW em parques em construção (1.750,85 MW estão em construção e 674,90 MW estão contratados);
Ceará
74 parques eólicos instalados;
1.935,8 MW de capacidade instalada (1.738,4 MW em operação comercial; 98,7 MW em operação teste e 98,7 MW aptos);
229,3 MW em parques em construção (114,1 MW estão em construção e 115,2 MW estão contratados).

Um Nordeste movido pela força dos ventos

A cada dez parques eólicos erguidos no Brasil, oito estão no Nordeste. Os dados são do Cerne. Numa relação antagônica, a região mais pobre do País oferta os ventos mais ricos para a produção de energia a partir dessa força motriz. “Eles são fortes, constantes e unidirecionais, o que potencializa o trabalho dos aerogeradores. Desta forma, as máquinas não precisam mudar de posição o tempo todo para buscar o vento mais adequado do momento. Em alguns meses do ano, onde os ventos sopram com mais intensidade, a geração de energia pela força dos ventos garante 60% do abastecimento de todo o Nordeste”, acrescenta o Cerne.

No dia 23 de junho passado, a geração eólica bateu novo recorde no Nordeste atingindo 6.475 megawatts médios ou 70% da carga de energia elétrica deste subsistema, informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico.  O último recorde de geração média diária tinha ocorrido no dia 14 de setembro de 2017, quando foram produzidos 6.413 MW médios.

Junior Santos

O pico da geração eólica, ou geração instantânea, foi registrado às 10h09 do próprio dia 23 de junho, quando foram produzidos 7.311 MW. O montante equivale a 80% de toda a carga do Nordeste. O recorde de geração instantânea anterior havia acontecido no dia 25 de setembro de 2017, quando foram gerados 7.085 MW.
A geração eólica já corresponde a mais de 10% da geração de energia elétrica no Brasil – no dia 24 de junho passado, registrou 12,29% do total de carga enviada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) – e tem melhor performance no período de seca, quando as hidrelétricas estão gerando menos, do que no período chuvoso (novembro a abril).
Os reservatórios das hidrelétricas no Nordeste estão operando com 38,1% de armazenamento de água, o mais baixo entre as regiões do País, porém bem melhor do que no mesmo dia do ano passado, quando registrou armazenagem de 18,09%.
Já o subsistema Sudeste/Centro-Oeste registrava armazenamento de 40,7% em 24/6 deste ano contra 42,63% na mesma comparação; o Sul está com 49% dos reservatórios cheios, contra 64,48% há um ano; e o Norte tem 70,7% dos reservatórios de hidrelétricas cheios, ante 95,85% no mesmo dia de 2017.
Linhas de transmissão
O grupo indiano Sterlite saiu vitorioso da disputa pelo lote 3 do leilão de transmissão que aconteceu no fim do mês passado, em São Paulo. O grupo conquistou o maior projeto ofertado no certame ao propor-se a receber uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 85,050 milhões, para construir e operar o empreendimento. O montante corresponde a um deságio de 58,54% em relação à RAP máxima estabelecida para o empreendimento, de R$ 205.139.050,00.
A empresa superou outras 10 ofertas, incluindo de grupos como o Consórcio Columbia, formado por ISA Cteep e Taesa, Energisa, EDP Enegias do Brasil, Alupar, Neoenergia, Engie, Equatorial e um consórcio liderado pela espanhola Cymi, além do consorcio LARA/JAAC, com a empresa que obteve uma decisão liminar suspendendo o leilão pela manhã.
Esse grupo ofereceu o segundo maior deságio, de 56,12%, e recebeu uma vaia dos representantes dos demais proponentes quando o leiloeiro leu seu nome.
O lote 3 é composto por cinco linhas de transmissão e quatro subestações, localizadas entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, somando 541 quilômetros de extensão. O empreendimento exigirá investimentos de R$ 1,217 bilhão e deve gerar 2.434 empregos diretos, segundo estimativas da Aneel.
A agência explica que o projeto deve propiciar o atendimento às regiões de Mossoró, Aracati e Fortaleza e escoamento do potencial eólico e solar para a região de Aracati e Mossoró. O empreendedor terá 60 meses para concluir as obras.

“O RN tem sido nosso principal foco”

Com o crescimento dos investimentos nas energias renováveis, o Rio Grande do Norte já é considerado um dos principais estados do Brasil no tocante à geração de energia eólica. Sobre esse e outros assuntos, a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE conversou com o diretor-geral da Voltalia no Brasil, Robert Klein. Confira o bate-papo a seguir.

Qual a importância do complexo eólico Ventos da Serra do Mel para a Voltalia? 
O Ventos da Serra do Mel é o nosso maior projeto eólico no Brasil e mais um importante investimento da Voltalia no RN. Estamos planejando comissionamento progressivo das turbinas ao longo de 2020, até três anos antes do início dos contratos de venda de energia de 20 anos e essa antecipação nos permitirá começar a vender energia no mercado livre a preços atrativos por meio de contratos de curto prazo antes do início dos contratos de venda de longo prazo. O Brasil possui claramente um forte recurso eólico, alguns dos melhores ventos do mundo e por isso é um mercado potencialmente muito forte. Somado a isso, políticas adequadas para promover as energias limpas, fazem com o que o país se encaixe perfeitamente com as prioridades e capacidades da Voltalia, onde temos atividades em toda a cadeia de valor, do desenvolvimento à operação.
E em relação ao RN?
O Rio Grande do Norte tem sido o nosso principal foco, mas também estamos investindo em outros estados. O Rio Grande do Norte é uma região conhecida por suas excepcionais condições de vento, um dos principais estados que concentra a indústria eólica no país.
A Voltalia acredita que todas as linhas estarão em operação até a conclusão da instalação do parque? A transmissão é hoje o principal gargalo para as geradoras de energia?
É importante dizer que o escoamento de energia do novo parque Ventos da Serra do Mel não depende de obras de reforço do sistema de transmissão. Em paralelo, ainda que as linhas de transmissão sejam o principal gargalo para expansão de parques eólicos no Rio Grande do Norte, estamos bastante confiantes no futuro graças ao sucesso dos últimos leilões. Estamos certos que estes leilões vão fazer com que o estado possa voltar a ter uma grande capacidade de escoamento viabilizando, assim, milhares de novos MW de eólica.
Foto: Agência Petrobras

Refinaria Clara Camarão bate recorde de produção de querosene de aviação

A Refinaria Potiguar Clara Camarão, que fica na cidade de Guamaré, distante cerca de 180 quilômetros de Natal, bateu recorde de produção de querosene de aviação na última semana de 2016. Ao todo, a refinaria produziu 17 milhões de litros mensais.

A informação foi dada pelo presidente do sindicato das Empresas do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte (SEERN), Jean-Paul Prates, também membro do Conselho Fiscal do Sindicato das Empresas do Setor de Petróleo, Gás e Combustíveis do Estado do RN (SIPETRO/RN) nesta sexta-feira (6).

O resultado foi comemorado por Prates, já que essa produção possibilita o abastecimento local de mais de 800 voos por mês.

Confira a nota de Jean-Paul Prates: 

“A Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), localizada em Guamaré/RN, bateu mais um recorde de produção de querosene de aviação (QAV) na última semana de 2016: 17 milhões de litros mensais!

Sabe o que isso significa? Possibilidade de abastecimento local de mais de 800 vôos por mês!

E já temos a capacidade de ir a 21 milhões de litros por mês de QAV, apesar do limite atual da produção, determinado pelo Plano Nacional de Abastecimento.

Não me canso de elogiar a competência técnica, a perseverança e a dedicação da equipe da RPCC em mostrar como é viável e importante a produção de derivados de petróleo aqui no Rio Grande do Norte.”

Fonte: Novo Jornal
Foto: Divulgação/Gamesa

Complexos eólicos no RN atingem produção de 2 Gigawatts de energia limpa

Com 801,6 MegaWatts (MW) de capacidade instalada para produção de energia no Rio Grande do Norte, a CPFL Renováveis comemorou no estado, esta semana, a operação de 2 GW de energia limpa no Brasil. A marca foi alcançada graças à produção dos Complexos Eólicos Campos dos Ventos e São Benedito, localizados no interior do estado. Os dois atendem ao mercado livre, ou seja, não foram construídos para vender energia nos leilões anuais, realizados pelo governo federal.

Os nove parques que compõem os complexos ficam entre os municípios de João Câmara, Parazinho, São Miguel do Gostoso e Touros, no litoral Norte. As primeiras torres começaram a funcionar em março de 2016. Agora, a empresa alcançou o feito no aerogerador 85, dos 110 instalados. Os 2 GW de energia seriam suficientes para abastecer uma metrópole como Nova York, segundo afirma o presidente da empresa, Gustavo Sousa.

A produção dos dois complexos potiguares, apenas,  podem abastecer até 231 mil famílias com uma média de quatro pessoas, cada. A empresa tem pelo menos mais um projeto para o estado, mas depende das condições do próximo leilão do governo.

“A nossa capacidade principal instalada hoje, para projetos eólicos, é a do RN. É o estado que tem maior relevância para a gente em termos de capacidade. E quando a gente fala do portfólio em desenvolvimento, também é um dos estados que têm maior foco e atratividade”, afirma Sousa, sem revelar detalhes.

Apesar de prever pelo menos mais um complexo com cerca de 200 MW de capacidade, a empresa não tem boas perspectivas para o leilão de energia de reserva marcado para o próximo dia 19 de dezembro. Por enquanto, a CPFL Renováveis não possui nenhum novo projeto em construção ou contratado no RN.

A CPFL Renováveis é a maior empresa do setor no Brasil e na América Latina. Além dos empreendimentos eólicos, ela também possui uma usina de biomassa de cana de açúcar, em Baía Formosa, onde produz 40,0 MW. A capacidade instalada da matriz energética brasileira (contando com todas as fontes) é 161,0 GW. A produção da CPFL no RN representa 0,5% do total dessa matriz. Até 2020, o estado deverá se manter na liderança do ranking de maiores produtores brasileiros de energia eólica – atualmente é responsável por 3 GW de um total de 10 GW que essa matriz produz no país. No fim desta década, deverá ser ultrapassado pela Bahia, que já tem mais projetos contratados.

‘Linhões’ no meio do caminho da energia renovável do Brasil

A CPFL Renováveis atua com todas as fontes limpas no país e opera atualmente 540 MW em projetos de matriz solar. Os planos de ampliar esse tipo de investimento esbarra na dificuldade de conseguir estruturar financiamento e a precificação dos equipamentos em dólar. “É conseguir casar a estrutura do projeto com o risco que a gente está disposto assumir.

O risco cambial é um que a gente não pretende ter. Isso dificulta um pouco o projeto. À medida em que a gente tiver mais fornecedores trazendo fábricas para o Brasil, quem sabe a gente consegue viabilizar isso”, pondera o diretor de Novos Negócio da empresa,  Alessandro Gregori.

O leilão de energia do próximo dia 19 ainda é uma incógnita para os investidores do setor. Eles não estão muito otimistas. O governo federal excluiu o RN – o maior produtor – Bahia e Rio Grande do Sul por causa de atrasos em estruturas dos “linhões” de transmissão. Esses estados contavam, porém, com vários projetos de investidores que querem produzir neles. A CPFL Renováveis, por exemplo, conta com plano de produção de mais 200 MW no RN, que não poderá entrar na concorrência para vender energia de reserva ao governo.

“A restrição de conexão para essa região do Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará pode impactar e reduzir em muito a oferta desse leilão. Hoje nossos projetos são todos nessa região, a maior parte é no Nordeste. Tem escoamento sim. O problema são as condições de escoamento. Às vezes a linha está muito longe daquilo que pode ser o ideal”, assinala Alessandro Gregori.

O presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (Seern), Jean-Paul Prates considera que a exclusão do RN é “artificial” e que pode prejudicar inclusive a manutenção de empregos no setor, nos próximos anos. Isso ocorreu por causa de uma nota técnica que declarou que o estado não tinha nenhuma capacidade de conexão. Um dia após o cálculo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Operador Nacional do Sistema (ONS), a  Aneel resolveu um problema em uma das subestações de Assu e liberou 500 MW, disponíveis já a partir de 2017. Apesar disso, a decisão de exclusão foi mantida.

“A gente considerou que alguns investidores poderiam inscrever seus projetos assim mesmo e conectá-los com o Ceará, ou com outros lugares, e depois pedir a requalificação daquela conexão para um lugar no Rio Grande do Norte, uma vez que já foi solucionado o problema. Mas há alguns dias atrás, o governo mudou a regra e disse que não pode mais haver requalificação das conexões”, explicou.

“Deram outra cacetada no Rio grande do Norte. Nós já não podíamos participar teoricamente, e agora não podemos participar na prática. Fomos excluídos em dois atos. Isso é muito negativo”, acrescenta Prates.

Para o consultor, isso deve criar um “dente” na curva de crescimento da capacidade instalada, trazendo o reflexo em alguns anos, inclusive na manutenção dos 20 mil empregos que se estimam criados para execução de obras daqui a dois ou três anos. Prates afirma que o estado ainda tem muito potencial duas vezes maior que a atual capacidade instalada, considerando-se apenas produção onshore (em terra). “Isso baseado nas medições de hoje. Daqui a cinco anos, com melhores medições, esse potencial pode ser maior”, considera.

Apesar de ainda não ter uma visão clara do que deve acontecer no próximo leilão, Edgard Corrochano, diretor geral da Gamesa Brasil, fabricante de aerogeradores, considera que o governo vai comprar energia e por causa da demanda, mesmo com as restrições. Segundo ele, a perspectiva é de retomada de crescimento econômico a partir de 2018 ou 2019. Com isso, avalia, o Governo precisa garantir oferta de energia,

“Muito da garantia física que existe no Brasil está apenas no papel. Na realidade, muito dela não existe”, argumenta. Ele salienta que são necessários novos 3 GW de energia por ano. “A gente está confiante de que o governo vai comprar isso”.

CRESCIMENTO

A CPFL Renováveis se tornou a maior empresa do  mercado nacional em apenas seis anos, no setor eólico. Até 2011, ela não tinha nenhum projeto em operação. Além de novos, tirados do papel – chamados de greenfield – a empresa também comprou projetos em execução, cujos proprietários enfrentavam dificuldade. Da carteira de projetos, a empresa atualmente conta com dois terços em produtos desenvolvidos e um terço comprado já em operação.

Segundo o diretor de Novos Negócios da empresa, Alessandro Gregori Filho, são analisados os riscos políticos e de captação de financiamento que vão para o cálculo da taxa de retorno. Essa taxa define se o investimento e o risco envolvidos valem ou não à pena.

O diretor explicou que a empresa olha “com os mesmo olhos”, oportunidades de financiamento para projetos em operação ou greenfield.  Ele ressalta que apesar do momento da economia gerar muitos vendedores de projetos, a situação não é tão favorável devido às condições de financiamento, como juros mais elevados. “Tudo isso entra numa grande conta”, pontua.

Fonte: Igor Jácome | Novo Jornal

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SEERN participa de debate sobre lei que consolidará regras de licenciamento ambiental

Uma nova lei que consolide as regras relativas ao licenciamento e à gestão sócio-ambiental dos empreendimentos de infra-estrutura – inclusive o setor elétrico – é bem-vinda mas não pode gerar entraves que comprometam sua implementação. Essa foi uma das conclusões da primeira manhã do encontro executivo anual de Licenciamento Ambiental do Setor Elétrico (LASE), realizado nesta quinta (06/10) e sexta, em São Paulo.

O evento, realizado pela Viex Americas com apoio do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN), discute anualmente as diretrizes, leis e procedimentos do licenciamento e da gestão sócio-ambiental relativa ao setor elétrico nacional.

Foto: SEERN/Divulgação

Foto: SEERN/Divulgação

O presidente do SEERN, Jean-Paul Prates, participou como um dos mediadores do debate sobre o Projeto de Lei 3.729/2004 e seus sucessivos substitutivos, tema que volta à pauta do setor elétrico neste e nos próximos anos.

“Foi praticamente unânime o entendimento de que uma lei ajudará a consolidar conceitos e harmonizar procedimentos, mas também houve muita preocupação em não retirar capacidade e autonomia da instância estadual e em assegurar que haverá recursos para estruturar, equipar e capacitar os órgãos licenciadores, tanto em nível federal quanto local”, explica Prates.

Na ocasião, também foi reiterada a necessidade de remover a criminalização direta da responsabilização do servidor que participa dos licenciamentos. “Hoje em dia, qualquer item negligenciado, mesmo sem dolo, pode levar o servidor à cadeia e praticamente metade do tempo de trabalho é gasto respondendo a interpelações dos Ministérios Públicos e de entes do Poder Judiciário sem o direito a qualquer assistência adicional para isso”, analisa Prates.

“É legítimo que a sociedade tenha seus interesses gerais defendidos, mas o reflexo operacional disso hoje é insustentável para os órgãos estaduais e federais que licenciam e monitoram empreendimentos complexos”, complementa o presidente do SEERN.

Foram discutidos também aspectos nacionais do relacionamento com as comunidades locais, identificação de riscos sócio-ambientais dos empreendimentos, prevenção e gerenciamento de crises, resolução de conflitos, avaliação ambiental estratégica e integrada, componentes indígenas, quilombolas e arqueológicos, e outros temas.

O evento segue até esta sexta com uma sessão executiva sobre “compliance” ambiental e estruturação de práticas institucionais, governança corporativa e exigências das instituições financeiras e do mercado.

Fonte: SEERN Press

 

Foto: Geandson Oliveira

Investimentos internacionais podem beneficiar eólicas no RN

O Rio Grande do Norte apresenta as melhores condições para produção de energia eólica e poderá atrair boa parte dos R$ 7 bilhões de investimentos internacionais direcionados para o setor. Atualmente o estado é o que mais se destaca na produção de energia eólica e deve continuar na dianteira com os leilões do próximo dia 29.

Empresas dos setores de energia elétrica, petróleo e gás natural no Brasil podem ter acesso a dois fundos de incentivo do Reino Unido, com recursos de até 1,345 bilhão de libras (o equivalente a R$ 7 bilhões). Um dos fundos, o “Newton Fund”, tem 45 milhões de libras (cerca de R$ 245 milhões), com contrapartida em igual valor pelo governo brasileiro, para a capacitação de pessoas e o financiamento de pesquisas e projetos de inovação no Brasil. O outro, o “Prosperity Fund”, possui investimento global de 1,3 bilhão de libras (cerca de R$ 7 bilhões), em várias áreas, com destaque para energia. Apesar de a iniciativa ser mundial, o Brasil é um dos países prioritários e o Rio Grande do Norte desponta como preferencial na produção de energia a partir dos ventos.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Flávio Azevedo destaca que nenhum outro estado oferece as condições naturais tão favoráveis como o Rio Grande do Norte. “Essa potencialidade eólica ocorre em função diferenciada porque o estado tem velocidade e constância de vento, tem equilíbrio ideal e oferece maiores incentivos. Temos características naturais para atrair os investimentos”, destaca.

ESTRUTURA DO ESTADO PODE MELHORAR

O secretário Flávio Azevedo reconhece que a infraestrutura logística está na contramão dessas vantagens naturais. “Não temos porto adequado e em algumas situações, dependendo do investidor, escolhe-se algum estado com maior infraestrutura porque o transporte de hélices é muito complicado, inclusive para descarregar. Temos uma saída muito complicada no porto, sem raio de giro e, em algumas situações, isso prejudica o estado”, explica. Mesmo assim, ele acredita que essa deficiência não é um fator que faça o estado perder os investimentos porque em outros estados é mais distante transportar os equipamentos para as usinas.

No setor, o RN é conhecido por ter os melhores ventos para a atividade, ainda melhores do que os da Europa, segundo o coordenador de dados estatísticos do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, João Agra. “Nem 50% da capacidade eólica foi explorada. O estado possui territórios e condições naturais e foi um dos pioneiros desde 2008 quando acreditou na atividade e vem fazendo o dever de casa, abrindo para estudos e investimentos em locais mais atrativos. Aos poucos, os investimentos chegaram e isso se reflete nos dias atuais”, conta Agra.

O engenheiro revela ainda que a região mais atrativa é a do Mato Grande, onde o “ouro eólico” se encontra. “Quanto mais tiver condições de se investir, vai se pensar nessa área do estado”. Cabe ao governo do estado facilitar a chegada de investidores agindo junto aos órgãos ambientais para desburocratizar os processos de licenciamento. “Para isso, precisa que os órgãos de licenciamento tenham estrutura de trabalho ágil porque quando há muitos empreendimentos buscando as licenças a demora é maior”, relembra João Agra.

ESTADO TEM QUASE UM TERÇO DA PRODUÇÃO DO BRASIL

De acordo com informações do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne, o Rio Grande do Norte tem 16 municípios com parques eólicos em operação, totalizando 97 empreendimentos e, em até cinco anos, a previsão é que mais 20 que estão em construção comecem a operar, além de outros 55 que já foram contratados.

A partir do momento em que entrarem em operação, os municípios de Jandaíra, Lagoa Nova, São Miguel do Gostoso, Caiçara do Norte, Cerro Corá, Florânia, Jardim de Angicos, Maxaranguape, São Vicente, Rio do Fogo, Guamaré e Tibau começarão a integrar a lista de contemplados com usinas eólicas em atividade.

Somente os parques cujas construções já foram iniciadas vão gerar mais 518,6 Mw, ou seja, 17,07% do que todos os que estão em construção no país irão gerar. Juntos, estes 75 novos parques terão capacidade para produzir 2 Gw, o que aponta para um investimento da ordem de R$ 20 bilhões.

Não é para menos, então, que o estado responda atualmente por quase um terço  de toda a energia eólica produzida no Brasil que é de 8.623,27 Mw em operação comercial. Isso equivale a 31% (2.671,56 MW) de toda a capacidade instalada no país, que possui 353 empreendimentos.

Dos 111 municípios com parques instalados, os dois mais influentes também estão em solo potiguar, mais precisamente nos municípios de João Câmara e Parazinho. Eles têm a maior quantidade de parques, com 22 e 21 empreendimentos, respectivamente.

NOVO LEILÃO TRAZ BOAS PERSPECTIVAS

O próximo leilão de eólicas promete manter o Rio Grande do Norte na dianteira do setor. Vai ocorrer no próximo dia 29 com 864 projetos inscritos. “O Rio Grande do Norte tem mantido nos leilões o padrão de gerar um terço dos projetos. Isso deve se repetir no próximo, dadas as condições naturais para a atividade”, destaca o diretor do Cerne e especialista em energia, Jean-Paul Prates.

Neste leilão, o Rio Grande do Norte tem 232 projetos inscritos, que equivalem a 5.599 Mw, mas não se sabe quantos destes estarão habilitados para o leilão. Antes será analisado se todas as licenças estão em dia. Quando entram na disputa, as empresas já devem ter posse da área ou acordo com os proprietários para locação. As empresas também precisam ter garantias com fornecedores e financiamentos para que o parque entre em operação no prazo de cinco anos.

“O leilão de energia tem a característica de passar segurança contratual ao investidor com um contrato de 20 anos com receita fixa. Este leilão está com uma boa oferta de projetos e permite à gente esperar competitividade razoável e atratividade boa para todo o país. Acredito que não tão cedo o Rio Grande do Norte poderá ser ultrapassado por outro estado nesta área”, avalia Jean Paul. O estado ainda vai sediar dias 18 e 19, na Escola de Governo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o Solar Invest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável no Brasil. O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país.

ENTREVISTA

Jean Paul Prates

Diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia

NOVO – O que o Rio Grande do Norte precisa fazer para se tornar atrativo para estes  fundos internacionais interessados em investir no setor eólico?

Jean-Paul Prates – Fundos internacionais, especialmente os chamados investidores institucionais, estão menos preocupados com processos políticos e crises econômicas eventuais e mais com a estabilidade legal, o respeito aos contratos e a existência de projetos com capacidade de gerar fluxo de caixa a longo prazo. Os projetos de geração de energia no Brasil apresentam todas estas características básicas. Por isso, este setor não sofreu tanto os efeitos da desaceleração econômica dos últimos três anos. Neste sentido, o RN foi beneficiado pois as construções e implantações mantiveram seu ritmo. Isso mostra que o Estado precisa priorizar a proliferação de empreendimentos da mesma natureza, na energia, no petróleo, na mineração, na agro/fruticultura, na extração de sal, na aquicultura, no turismo etc. São setores que, em sua maioria, provêm segurança até no contra-fluxo econômico. Em suma, tratar com atenção e dar total apoio a empreendimentos eólicos é, genericamente, a forma certa de continuar atraindo mais.

NOVO – O RN exerce liderança nessa área de produção de energia eólica, mas sofre forte concorrência. O que o estado precisa fazer para assegurar os investimentos que já tem e ainda receber novos?

Jean-Paul Prates – É normal que os outros estados tenham aprimorado seus ambientes para investimento também, afinal, desde 2008 o RN saiu na frente e mostrou um caminho de sucesso. Nosso estado segue sendo referência para os gestores estaduais em todo o Brasil, e por isso é importante mantermos o nosso nível de esforço para ser sempre a melhor opção para investidor. Temos que evoluir no apoio à logística de implantação dos parques, na conciliação de interesses com os Prefeitos e comunidade locais e ainda há espaço até para aprimorar determinados procedimentos de licenciamento e fiscalização ambiental. Nada grave, apenas aprimoramentos mesmo, pois o nosso Idema, por exemplo, está bem à frente de outros órgãos ambientais estaduais no que diz respeito a parques eólicos e plantas solares. Temos que estar sempre melhorando, e jamais andar para trás.

NOVO- Quais as dificuldades que o setor enfrenta no RN e como superá-las?

Jean-Paul Prates – O fato de ainda vivermos a transição de um estado historicamente importador absoluto de energia (até 2010) para um estado que exporta quase dois terços da sua geração energética em menos uma década faz com que ainda tenhamos gargalos quanto ao escoamento da geração nova. O problema de planejamento federal foi equacionado e, hoje, o Governo Federal já consegue ter elementos para projetar novas linhas de transmissão a tempo para os leilões. O que aconteceu recentemente foi diferente disso: foram registrados problemas com a incapacidade de duas empresas concessionadas que não performaram – ou seja, não conseguiram construir as linhas que lhes foram outorgadas. Isso pode acontecer. Faz parte do jogo. Foram multadas, punidas, mas o fato é que a linha não apareceu. São casos isolados, e que serão resolvidos. Mas cabe ao Estado acompanhar tudo o que acontece no setor e nos projetos sob sua territorialidade. Para ajudar, defender, colaborar como for possível para que saiam do papel e sejam bem sucedidos. Por que isso é que tornará o RN atrativo para novos investimentos no futuro.

ENTREVISTA

José Henrique Azeredo

Advogado especialista em M&A (fusões e aquisições) e assessoramento a investidores estrangeiros

NOVO – Quais vantagens o RN dispõe, além das condições naturais, para quem deseja investir em energia eólica e em outras áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A vantagem principal é que, no RN, o setor eólico é uma das principais atividades econômicas de grande porte, e, por isso, recebe um tratamento especial. É o “estado dos ventos”, reconhecidamente, e isso faz com que tenhamos estruturas governamentais específicas que priorizam estes empreendimentos, além de um histórico de processos já bem sucedidos e pessoal capacitado para tratar do assunto. Já dispomos também de uma cadeia de fornecedores locais com experiência em empreendimentos energéticos (coisa que não tínhamos até 10 anos atrás) que já começam até a “exportar” serviços para outros estados! Por fim, temos uma rede de formadores de profissionais em energia eólica e solar a partir das excelentes bases do CTGás-ER, Senai/RN, UFRN, IFRN, UnP e entidades setoriais que se associam a eles para prover capacitação de alto nível para todo o Brasil, com destaque para o RN, é claro.

NOVO – De que forma o poder público pode contribuir para que este setor se consolide ainda mais no RN, uma vez que é também gerador de emprego e renda?

José Henrique Azeredo – Como não temos grandes indústrias e grandes aglomerações urbanas, o setor eólico (como será o solar também, em breve) é importante – e tem que ser tratado como tal. Ele gera uma coisa muito importante para nós: interiorização; ou seja, a fixação e qualificação de mão-de-obra, e a capitalização de comunidades e cidades do Estado que não teriam alternativas tão positivas no curto prazo. Conciliar interesses, principalmente com as comunidades locais, arrendatários, cartórios, empreendedores locais e apaziguar alguns prefeitos mais “vorazes”, principalmente em tempos de eleição, são missões importantes para o Governo do Estado. O exagero na criatividade tributária municipal, por exemplo, tem sido crescente e pode vir a ameaçar a atratividade do Estado aos novos investimentos.

NOVO – Como consultor, qual a imagem que os investidores têm do potencial do Rio Grande do Norte na área de energia eólica e nas demais áreas de energia renovável?

José Henrique Azeredo – A melhor possível. O Estado é atrativo. Do ponto de vista das condições naturais, é notório o potencial eólico (hoje já cabalmente demonstrado) e solar, já em desenvolvimento. Em relação às condições sócio-econômicas e governamentais, tudo o que estou listando aqui são aprimoramentos. O RN não está mal na fita. Está bem. A preocupação deve ser em manter o status. E aprimorar o que for possível. Para atrair fábricas, por exemplo, há que se falar em porto. Um assunto que interessa a todos os setores econômicos do Estado. E interconexão modal (com o aeroporto de São Gonçalo, com o interior do Estado, etc). Para manter a mão-de-obra empregada, é preciso manter os ciclos de novos empreendimentos entrando. Para manter estes ciclos, evoluir sempre na desburocratização responsável e no apoio aos empreendimentos. Financiadores gostam de ver seus projetos bem acolhidos nos locais de implantação. Enfim, o RN tem tudo para continuar sendo o melhor lugar para se investir em eólica e solar no Brasil.

Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal

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Natal vai sediar o maior evento eólico do Brasil

Natal vai sediar, dias 18 e 19 de abril, na Escola de Governo, Centro Administrativo, o Fórum Nacional Eólico Carta dos Ventos e o SolarInvest 2016, os dois mais importantes eventos regulatórios de energia renovável do Brasil.

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias (Cerne), Jean-Paul Prates, destaca que depois de três anos sediado na Bahia, o Fórum volta a ser realizado em Natal.

O Fórum Eólico foi criado no RN em 2009, quando Jean-Paul Prates era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, com objetivo de atrair investidores para o setor, então, embrionário no país. O evento montou a regulação do setor.

Na época, reporta o diretor-presidente do Cerne, foi escrita a Carta dos Ventos, o primeiro documento do setor em que lideranças parlamentares e empresariais, e entidades do segmento de energias propõem as intenções e pleitos sobre estratégias  para o desenvolvimento do setor eólico nacional. “Foi o marco inicial da indústria eólica do Brasil”, assinala Prates.

O Fórum foi realizado em Natal até 2012 mas por falta de incentivo, de 2013 a 2015 migrou para a Bahia onde encontrou apoio governamental, explica Jean-Paul Prates. “Agora, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sesed) o evento volta para Natal”, ressalta. O Cerne conta também com apoio, além do Governo do Estado, de entidades como a Fiern e o Sebrae e outras entidades e instituições.

“A importância do evento, agora, é que ele resgata Natal como sede nacional das decisões regulatórias e das políticas para o setor eólico”, ressalta Jean-Paul Prates. Segundo ele, esta é a única ocasião anual no Brasil onde as mais importantes autoridades, empresas, instituições como o Senado e a Câmara Federal se reúnem para discutir o setor. “O Rio Grande do Norte é líder e referência nacional no setor eólico para o Brasil”.

É a primeira vez que o SolarInvest e o Fórum são realizados ao mesmo tempo e reúnem a cadeia produtiva dos segmentos em um só evento.  Serão discutidas a agenda da legislação e projetos de lei para os dois setores este ano e em 2017,  alternativas de financiamentos de empreendimentos, licenciamentos, fiscalização e responsabilidades sócio-ambientais de empreendimentos eólicos e solares no país.

Fonte: Novo Jornal

Foto: Aléx Régis

Eólicas: panorama atual e os desafios do setor no Brasil

Com o primeiro leilão de energia do ano marcado para 29 de abril, o Rio Grande do Norte poderá impulsionar em investimento potencial cerca de R$ 20 bilhões, em concorrência, para o certame. A estimativa é feita pelo presidente Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, com base na estimativa de habilitação de até 60% dos 232 projetos inscritos para o Estado, o que representaria a geração de mais 4 GigaWatts. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Jean-Paul Prates fala sobre infraestrutura dos linhões, mudanças nas regras do leilão e o reflexo da crise política e econômica para o setor com a redução de financiamento.  Além de eólicas, o leilão realizado no final deste mês terá a contratação de energia elétrica proveniente de hidrelétricas e de termelétricas a biomassa, a carvão e a gás natural. Também serão realizados esse ano dois leilões de reserva.
No primeiro certame, em 29 de julho e com prazo de suprimento de 20 anos, serão negociados contratos para empreendimentos de geração solar fotovoltaica. A produção de energia fotovoltaica deverá aproveitar a infraestrutura já existente, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e usam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. Um segundo leilão de reserva, em outubro, terá projetos de fonte solar fotovoltaica e de eólica, que terão contratos com prazo de 20 anos.

Confira os principais trechos da entrevista, que também trata do “Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos”,  evento que será realizado nos dias 18 e 19 de abril na Escola de Governo do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo, em Natal.

Expectativas de leilão
Esse ano teremos três leilões de energia. Agora, para o dia 29 de abril,  haverá o leilão de energia regular A-5, para começar a gerar em 5 anos após a contratação. O Brasil tem  864 projetos inscritos (21.232 MW) e o Rio Grande do Norte tem 232 projetos (5.599 MW).  O segundo é o leilão de reserva, marcado para o dia 29 de julho, que não terá eólica, só fotovoltaica e outras fontes. E no dia 28 de outubro,  haverá outro leilão de reserva que terá eólica. Os investidores preferem o leilão A -5 porque o prazo para construir e entrar em funcionamento é de cinco anos, com contrato assegurado por 20 anos.

Perda de espaço
Existem dois movimentos em relação a questão de perda de espaço. O primeiro foi o vácuo quando os parques ficaram prontos e não havia estrutura de conexão para transmissão da energia. Houve uma cochilada entre 2011 e 2012 em relação as cobranças de infraestrutura e linhas, que deveriam ficar prontas em 2012, entretanto, chegaram ao final do ano sem estar. Neste mesmo período, outros estados como a Bahia, com um projeto do Jacques Wagner, no modelo que adotamos aqui em 2009 e 2010, além de outros estados, avançaram.

Atrasos de linhões
Houve duas fases em relação as linhas de transmissão. Na primeira, entre 2009 e 2010, quando a eólica não era considerada certa no Brasil, já falava-se em linhas de transmissão. Tivemos que mostrar no mapa que a região do Mato Grande tinha potencial e que era preciso o chamado ICG, considerado uma espécie de ancoradouro. Havia outro projeto para linhas transmissão, conhecida como Translitorânea, que saía do Rio Grande do Norte fazendo um arco até a cidade de Russas, no Ceará. Porém, não foi considerada prioritária pelo Governo e, por isso, não saiu. Nesta fase, as linhas só eram licitadas e concedidas depois dos leilões A -3 e A -5. Consequentemente, alguns conjuntos de linhas atrasaram. As linhas que deveriam estar prontas em 2012 não ficaram. Também houve todo o problema dos atrasos. Parques parados, à espera. Não houve debandada de investidores porque àquela época havia uma cláusula contratual de autorização elétrica que previa o pagamento pela geração, mesmo que o parque não estivesse conectado. Porque não era culpa do investidor, a linha estava prometida e cabia a ele colocar o parque de pé no prazo contratado, não os linhões. Se colocou o parque de pé, recebia por isso. Essa cláusula dava maior segurança ao investidor. Hoje, eu considero essa questão equacionada porque o empreendedor é, em regra, o responsável pelo planejamento do seu parque.

Mudança na regra 
A partir de 2012, como poderiam ocorrer mais atrasos e já se desenvolvia uma descentralização da matriz energética do país, que deixava de ser concentrada em grandes hidrelétricas para ser pulverizada com parques eólicos, solares e térmicas em outros pontos do país, a cláusula mudou. Havia o risco de divergências de prazos, além dos atrasos. O Governo alterou as regras e acabou com o pagamento pela geração só por construir o empreendimento. Por isso, o investidor passou a ter responsabilidade pela conexão do parque. A mudança fez com que os empreendedores participantes do leilão também fossem  responsáveis em assegurar a conexão com as linhas de transmissão.

Leilões desertos
Não houve leilões desertos. A mudança na regra não foi a causa do baixo número de projetos para o Rio Grande do Norte nos últimos certames. Esta regra existe desde 2012 e já está bem digerida. Hoje, a questão dos linhões está equacionada no sentido de que o empreendedor tem que apresentar para o leilão uma tarifa que inclua a solução do escoamento de energia. É necessário planejar antes e assim ajudar o governo. Por outro lado, o Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia e da EPE, já dispõe de informações e de potencial eólico real no Brasil para prever e se antecipar em relação as demandas das bacias de ventos.

Investimento potencial
O investimento pode ser mensurado assim que sair o números de projetos habilitados pela EPE para o leilão. Mas, em geral, temos conseguido nos últimos leilões habilitar 60% dos projetos inscritos. Se temos inscritos 232 projetos, caso passe a metade, teremos 4 GigaWatts habilitados. Se considerarmos o valor de R$ 4,5 milhões por MW, este leilão do dia 29 de abril pode representar, em investimento potencial, cerca de R$ 20 bilhões em concorrência.

Emprego
A grande projeção de geração de emprego deve-se a uma característica do setor em ter investimentos assegurados em projetos contratados a longo prazo nos leilões federais. Como a performance dos leilões se dá em cinco anos para construção dos parques, isso faz o setor estar na sombra dos leilões de 2014 e 2015, girando na inércia dos processos dos certames. Diferente de outros mercados que estão demitindo, o número de contratações até 2019 em toda a cadeia produtiva de energia eólica deve chegar a cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Teremos problemas se a crise se prolongar mais e superar esse período de cinco anos.

Tensão política e econômica
Essa tensão política e econômica tem afetado os negócios da indústria eólica, sim, no sentido de ter menos financiamento. Antes, o BNDES era um propulsor, um impulsionador de investimentos. Todos os projetos até hoje tiveram o financiamento do BNDES. Acontece que há dois anos, com a  saída do Banco do Nordeste, o BNDES  endureceu as condições. Se antes financiava 80% do parque, agora só 70%. Isso faz com que o setor busque o investimento privado. E no momento em que o BNDES começou a deixar parcialmente o financiamento nas mãos dos investidores privados e estrangeiros, surge esse ambiente confuso na política e economia do país fazendo com que o investidor fique mais cauteloso a espera de uma definição do cenário político e econômico do país. Isso pode se refletir neste próximo leilão com esta redução das facilidades de financiamento. Se há menos projetos com confiança de que serão financiados, há uma participação menor, então a tarifa é reduzida e fica menos competitivo. Essa indefinição para o investidor é pior, por exemplo, do que em período pré-eleitoral, onde é possivel analisar os projetos eleitorais e tomar decisões.

Energia Solar
Os primeiros parques solares, de grande porte e maior viabilidade, devem ser instaladas em áreas onde existem parques eólicos – gerando usinas híbridas – para que possam utilizar a estrutura já existente de linhões e subestações, além dos acessos, arrendamentos, negociação com as comunidades. E tendo isso já acertado, não há entrada na tarifa e torna o projeto mais competitivo para entrar no leilão de reserva de energia fotovoltaica.

Gargalos
Continua sendo um gargalo a questão do planejamento de linhas  de transmissão. Entretanto, no Rio Grande do Norte, o secretário de desenvolvimento econômico do estado, Flávio Azevedo, tem dado uma maior atenção. O CERNE e o Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN também tem acompanhado essa questão. Há toda uma vigilância para que esse gargalo seja superado.  Por outro lado, o Governo Federal também tem limitações e não pode concentrar-se em um só estado,  é preciso tratar o tema com os demais.

Fórum Nacional Eólico
Criado em Natal, o Fórum Nacional Eólico volta para a capital potiguar em 2016. Por focar na parte de política setorial e de legislação, sem cunho comercial, o evento faz de Natal a capital do pensamento estratégico em energia eólica. Esse ano ele será realizado em conjunto com o Solar Invest. A programação terá reuniões fechadas para o setor e sessões abertas ao público em geral. Serão discutidos temas relevantes, como a agenda legislativa de 2016 que trata de todos os projetos que devem ser votados e que irão tramitar no Congresso, a revisão da política estratégica do setor e também a análise crítica da pauta legislativa do ano. Haverá debates para tratar alternativas de financiamentos ao BNDES com bancos privados e um encontro de órgãos de licenciamento para os parques eólicos.

RAIO-X DO SETOR
Leilão de Energia A-5  – 29 de Abril
+ Brasil: 864 Projetos Inscritos (21.232 MW)
+ RN: 232 Projetos Inscritos (5.599 MW)

Leilão de Energia de Reserva – 29 de Julho
– Energia Solar Fotovoltaica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Leilão de Energia de Reserva – 28 de Outubro
– Energia Solar Fotovoltaica e Energia Eólica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Parques eólicos em Operação
+ Brasil: 349 Parques Eólicos – 8.533,268 MW
+ RN: 97  Parques Eólicos – 2.671,56 MW (31,31%)

Parques eólicos em Construção
+ Brasil: 132 Parques Eólicos – 3.113,754 MW
+ RN: 20 Parques Eólicos – 518,60 MW (16,66%)

Contratados/Outorgados
+ Brasil: 249 Parques Eólicos – 5.950,050 MW
+ RN: 55 Parques Eólicos – 1.404,70 MW (23,61%)

Não Cadastrados
+ Brasil: 24 Parques Eólicos – 591,10 MW
+ RN: 4 Parques Eólicos – 49,20 MW (8,32%)

Total
+ Brasil: 754 Parques Eólicos – 18.188,172 MW
+ RN: 173Parques Eólicos – 4.613,76 MW (25,37%)

Dados: CERNE/SEERN

Fonte: Sarah Vasconcelos | Tribuna do Norte

Foto: www.brasilengenharia.com

RN pode produzir energia solar em alta escala

Assim como está na frente em capacidade de empreendimentos eólicos, o Rio Grande do Norte também pode sair na frente em produção de energia solar. A produção de energia fotovoltaica ainda é pontual e tímida no estado, mas, segundo Jean-Paul Prates, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), com a estrutura que o estado já tem para a energia eólica, será possível atrair empreendimentos solares, já que a produção de energia a partir do calor do sol está mais competitiva. “Já se tornou competitiva e desde 2014 aparece nos leilões. Podemos acolher empreendimentos solares adotando a estrutura eólica como base”, diz.
O governo federal tem estudado formas de aproveitar as infraestruturas já existentes, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e utilizam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. “Os parques híbridos tem tendência de serem instalados no RN e há projetos sendo hibridizados para aproveitar infraestrutura de escoamento e dar mais competitividade nos leilões”, explica Jean-Paul Prates. Ele conta que a energia solar para grande porte não tinha competitividade porque até quatro anos atrás era quatro vezes mais cara do que hoje. “Agora é uma vez e meia mais cara, mas todo que se fizer, toda a estrutura que já se tem e os incentivos para viabilizar esses empreendimentos se refletem em uma tarifa mais competitiva”, avalia.
Projetos de energia híbrida já estão sendo desenvolvidos pelo país. No início deste mês, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, inaugurou um projeto inédito no mundo: a instalação de placas fotovoltaicas sobre flutuadores, instalados no lago da Usina Hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas. Ele disse que o Brasil se prepara para um setor elétrico robusto, seguro do ponto de vista energético, eficiente, limpo e sustentável do ponto de vista ambiental e social, além de barato, que gere emprego.
Esse projeto será conduzido por pesquisadores das universidades federais do Amazonas e de Pernambuco, com acompanhamento do governo federal. A inserção de flutuadores em lagos já existe na Europa, mas o aproveitamento com estruturas de hidrelétricas é inédito. O mesmo projeto está sendo lançado na Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia.
Outra proposta inovadora na geração híbrida será implantada na comunidade indígena Raposa Serra do Sol, localizada em Roraima. O modelo que será testado por lá vai associar energia térmica (já existente) e eólica. A ideia é aproveitar os ventos que incidem nos altos dos montes e gerar energia para os índios daquela região. O novo modelo de produção de energia vai baratear os custos da energia gerada, gastando-se menos volume de óleo diesel e equilibrando a conta.
Jean-Paul Prates diz que não se pode prever que a produção de energia alternativa como a dos ventos e do sol venha a superar a das hidrelétricas. “Não são energias de base. Precisamos delas como fonte de energia alternativa. Elas têm o problema de continuidade porque dependem da força dos ventos e da incidência do sol, mas sempre vão conviver com outras formas de energia. Nosso regime hidráulico ainda é avassalador”, avalia o especialista.
Prates diz ainda que um terço do Nordeste é suprido por eólicas. “Se não fosse ela o Nordeste já estaria em racionamento de energia desde novembro passado e o país teria entrado em crise energética. O governo acertou em rever o modelo elétrico por volta de 2006 e 2007 quando passou a não depender unicamente das água dos rios que precisam das chuvas”, conclui o especialista em energias.
RN é o estado com maior capacidade eólica instalada
O Rio Grande do Norte é o estado com maior capacidade instalada em usinas eólicas a maior capacidade instalada em usinas eólicas. Fechou 2015 com um aumento de 28,3%, num total de 2.493 MW. Para os especialistas a tendência é de que o estado continue na dianteira em produção de energia eólica, com previsão de investimentos de mais R$ 6 bilhões nos próximos anos no setor.
Em todo o país, a capacidade instalada de usinas eólicas cresceu 45% em 2015 na comparação com 2014, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Passou de 5.710 MW para 8.277 MW. E isso se deve aos novos empreendimentos que entraram em operação. Em 2015 foram 102 novos empreendimentos que passaram a produzir a energia a partir dos ventos, somando um total de 325 geradoras eólicas. O estado com maior capacidade instalada é o Rio Grande do Norte, seguido do Ceará, Rio Grande do Sul e Bahia.
“O Rio Grande do Norte contratou mais e é o maior estado em energia”, explica a presidente Executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica, Elbia Gannoum. Ela se refere aos investimentos em no setor que começaram em 2009 com leilões e que se estenderam até 2015.  “Desde então, os parques eólicos estão sendo construindo e a capacidade está crescendo como o pre-visto quando cada um é concluído e entra em operação. Estaremos batendo o recorde a cada ano”.
Segundo a CCEE, as usinas eólicas produziram 2.971 MW médios em 2015, num crescimento de 52% em relação ao mesmo período de 2014. Vale destacar o desempenho da fonte no mês de agosto, quando a produção alcançou seu auge e entregou ao Sistema Interligado Nacional de 3.199 MW médios. “O vento é abundante e a energia eólica é a segunda fonte mais barata do país. Isso mantém a trajetória do país de crescimento nesse tipo de energia”, relata a presidente da ABEEolica. Em 2015, diz, o setor investiu R$ 22 bilhões e para 2016, Élbia diz que estão previstos R$ 25 bilhões.
Jean-Paul Prates, do Cerne, também ressalta que a previsão do aumento da capacidade está se cumprindo e diz que vai aumentar ainda mais com o Rio Grande do Norte sempre à frente, mas que é preciso manter o estímulo no setor. “Temos que procurar nos manter assim porque somos a principal referência para o país. É preciso manter um trabalho constante de permanência e fortalecimento do setor que é o principal segmento a substituir o petróleo que tínhamos”, destaca Prates.
O estado não chegou a esse patamar por acaso, segundo Prates, foi preciso acreditar, antes dos primeiros leilões que ocorreram em 2009 que essa era uma atividade que merecia investimentos e facilitar a vinda dos empreendimentos. “Enquanto outros colocaram obstáculos para dificultar a produção de energia eólica, o RN acreditou. É importante manter a atenção especial para este setor que já investiu mais de 10 bilhões de 2008 para cá, e estão em construção ou contratados mais de R$ 6 bilhões”, diz.
Outro ponto importante é que a produção de energia no Rio Grande do Norte está descentralizada levando desenvolvimento econômico para várias regiões do estado. “É no Mato Grande, que vivia de agricultura de subsistência e agora já tem uma economia pujante graças a esse setor; é o litoral Norte; a região central que começa a receber investimentos; e até na serra de Santana”, relata.
E o estado deve continuar atraindo empreendimentos eólicos. Segundo Jean Paul, ainda existem muitas áreas propícias para a instalação de usinas eólicas. “Já tem novas áreas em medição e há disponibilidade pelo menos dois terços, ou seja, duas vezes e meia a mais do que já temos em capacidade de realização para o setor eólico e agora com a expectativa de adotar e receber bem a energia solar”, destaca o presidente do Cerne.
Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal
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O pré-sal tem futuro?

O preço internacional do petróleo na faixa de US$ 30 por barril gera especulação em torno da já celebrada promessa de futuro do Brasil, o pré-sal. Atendendo à lei da oferta e demanda, a cotação, segue uma trajetória de queda há pelo menos um ano e meio. De um lado da balança, a Arábia Saudita tem inundado o mercado de petróleo para inibir a produção de xisto dos Estados Unidos, cujo preço de extração é mais caro, o Irã voltou vender após a revogação de sanções internacionais e os Estados Unidos passaram a exportar mais. Do outro lado, o consumo cai, bastante motivado pela desaceleração da economia da China.

A conjuntura internacional não é favorável a qualquer petrolífera. A situação da Petrobras ainda é agravada pela crise de credibilidade causada pelos casos de corrupção revelados pela operação Lava Jato, que derrubaram executivos da companhia. A dívida bruta de R$ 506 bilhões da empresa também não é favorável à percepção dos investidores.

Na semana passada, o representante do Conselho de Administração da Petrobras Segen Estefen destacou que a companhia possui estoque de campos de petróleo em atividade “cujos investimentos já foram amortizados”. Ele estima que a companhia se sustente com o brent (barril de referência nas bolsas internacionais) a US$ 30 por até três anos nas atividades exploratórias. “É possível dar continuidade a essa produção ao custo da extração em torno de US$ 25 o barril. O problema é quando acabar este estoque e você tiver que investir novamente”.

Apesar de o petróleo do pré-sal continuar competitivo – segundo o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine – e a empresa poder conter com a alta produtividade, são os novos investimentos que podem gerar impacto no longo prazo.

Resta a dúvida: o pré-sal tem futuro?

Para o advogado e mestre em Economia do Petróleo pelo Instituto Francês do Petróleo Jean Paul Prates, que já foi secretário de Estado de Energia do Rio Grande do Norte, dirige o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) e as consultorias CRN-Bio e Expetro, o pré-sal tem futuro e a Petrobras pode reverter sua imagem manchada pela corrupção devido à alta capacidade operacional.

ÉPOCA – O pré-sal tem futuro?
Jean-Paul Prates –
Se o mundo implementar o carro elétrico daqui a 120 dias, o pré-sal não tem futuro. Em 1986, o mundo viveu um contrachoque de petróleo. O preço caiu para o que seria o equivalente a US$ 15 hoje, o preço mais baixo da história. O diretor da Petrobras na época, João Carlos de Luca, tomou a decisão de continuar a exploração em águas profundas. Muitos naquele período falaram que ele daria “com os burros n’água”, em função do custo, três vezes maior que o preço. Poucos anos depois, a Petrobras estava ganhando prêmios de grande produtora do mundo. Não se pensa em petróleo a curto prazo. É claro que não estamos na melhor época. Só que o petróleo não tem isso de você olhar para uma fotografia. O pré-sal foi descoberto em 2006 e vai gerar produção até 2036, quem sabe 2046. Quando uma empresa de petróleo compõe seu portfólio, ela não pensa em três anos, ela pensa em uma curva de produção e de custos ao longo de 30 ou 40 anos. A opção ao pré-sal seria depender de petróleo importado. Não queremos voltar para isso. Não faz absolutamente nenhum sentido. Não existe uma pessoa com o mínimo de experiência no setor de petróleo que possa decretar a inviabilidade de uma província petrolífera como o pré-sal com base em um horizonte de dois ou três anos de preço baixo.

ÉPOCA – Como os ganhos de eficiência em fontes de energias renováveis afetam a perspectiva do pré-sal?
Prates –
A concorrência não inviabiliza o pré-sal. Ainda não há um substituto direto para o diesel e para a petroquímica.

ÉPOCA – Qual o impacto do preço atual do petróleo nos novos investimentos do pré-sal? Ele trará consequências a longo prazo?
Prates –
O preço atual inibe o investimento mais especulativo, de curto prazo. A queda global do preço, que deixa investidores de petróleo receosos. O que vale para Petrobras, vale para a Shell, para Chevron, para todas. A Petrobras tem um desafio a mais que é o de recuperar a credibilidade de governança, relacionada aos escândalos de corrupção e à publicação de um balanço com dados pouco confiáveis.

ÉPOCA – A gestão na descoberta do pré-sal foi correta?
Prates –
Quando um país chega à autossuficiência, existe um dilema: me dedico a ser um exportador de petróleo ou seguro meu ritmo de produção, para guardar o petróleo embaixo da terra? O Brasil decidiu em 2006 que não queria ser uma coisa, nem a outra. Não poderíamos desacelerar a produção de petróleo porque ela gera emprego, renda e nacionaliza a indústria. Também não poderíamos virar um exportador em larga escala, como a Nigéria ou a Arábia Saudita, porque queríamos investir no parque do refino. Ser um exportador de petróleo in natura não foi o objetivo nos governos FHC, Lula ou Dilma. As diretrizes em relação ao que fazer com a autossuficiência foram corretas. Por isso surgiram aqueles projetos das refinarias do Nordeste, que acabaram se deteriorando na questão da política e da corrupção. Ter uma refinaria em Pasadena também fazia sentido, pois está dentro do coração da distribuição de produtos derivados dos Estados Unidos. Comprar refinaria no Japão foi outra decisão acertada. O Japão era altamente importador de produto derivado. A implementação em alguns casos foi desastrosa, mas os planos eram bons.

ÉPOCA – Se deram errado em alguns casos, qual a saída hoje?
Prates –
Em 2015, o Brasil, por retração de consumo em função da recessão, diminuiu o consumo e aumentou a produção de petróleo. Assim, atingimos a autossuficiência, as trocas de importação e exportação se igualaram. Em 2016 e 2017, é hora de reafirmar esses objetivos ou rever tudo. A Petrobras tem na sua base uma ótima capacidade operacional, que envolve recursos humanos, técnica e ativos. Nesse aspecto, a Petrobras não teve baixa, não teve acidente grave, refinaria que explodiu, acidente de segurança, perda de produção ou diáspora técnica. A queda do valor do petróleo e a crise de confiança decorrente da operação Lava Jato não abalam os fundamentos da empresa. Os investidores têm que pensar no futuro: “a empresa passou por um problema, ele foi diagnosticado, quem precisou ser preso foi preso, o dinheiro foi recuperado e ela é muito boa tecnologicamente, vale a pena investir de novo”.

ÉPOCA – Qual o custo estimado de um barril de petróleo do pré-sal? A Petrobras divulga que apenas a extração, sem a participação da companhia, é de US$ 8 por barril.
Prates –
Depende da semântica. Quando a empresa fala em custo de extração, ela desconta os custos de exploração e produção. Ela está dizendo que tirar o petróleo da plataforma, em cima do poço, custa US$ 8 por barril. O custo de achar o petróleo e de desenvolver o campo é mais alto. Dizem que o custo total médio é de US$ 30 ou US$ 35. Quando começou a exploração do pré-sal, esse custo ficava entre US$ 50 e US$ 55. Não ficarei surpreso se o custo total baixar de US$ 20 daqui a três anos.

ÉPOCA – Qual a perspectiva do preço do petróleo?
Prates –
Se não houver um desastre mundial ou político a ponto de parar a produção do Irã e da Arábia Saudita, deve ficar em torno de US$ 60. Essa é uma razão por que não dá para ter histeria em relação ao pré-sal diante do baixo preço do petróleo. Haveria razão para histeria se a gente passasse a usar um substituto direto para o petróleo em menos de 180 dias. Aí, seria para desesperar todo mundo.

Para o ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e atual sócio-diretor da DZ Negócios com Energia, David Zylbersztajn, se depender do momento atual, a promessa de futuro virou só promessa.

Fonte: Época | Paula Soprana

Para conferir a matéria na íntegra, clique aqui.

Link da entrevista com Jean-Paul Prates, aqui.